Pedro Figueiredo: Olá, bem-vindo aqui a mais episódio do podcast E se...? meu nome é Pedro Figueiredo. de mais, o podcast é sobre saúde e filosofia e, portanto, vai sempre tentar abordar temas que, de alguma forma, considero que têm impacto na nossa qualidade de vida, na qualidade da nossa experiência enquanto seres humanos. Mas este episódio, particular, tem uma característica. Porque na maioria dos episódios ⁓ vem hipótese à cabeça por alguma situação do dia a dia e eu fico a pensar naquilo e depois esse meu pensamento começa a desenvolver-se, começa a expandir-se. Eu fico com algumas ideias que eu considero com base naquilo que eu sei, daquilo que eu pesquiso e que vejo que é, ou seja... a ciência mostrou que... E depois também juntando aquilo que é a experiência empírica de, dia a dia, o que é que é a minha vida, o que é que eu sinto, o que é que eu vejo a acontecer, ⁓ interação com mais pessoas, com clientes, com colegas, com amigos, com familiares, etc. Mas, portanto, o que acontece é que, de uma colocação de uma hipótese, eu desenvolvo, de facto, esse pensamento. estruturo minimamente esse pensamento no meu cérebro. Por isso, quando eu venho fazer a gravação de ⁓ determinado episódio, ainda que eu não tenha ⁓ guião, eu sei ⁓ pouco a estrutura. Eu sei qual foi a situação, se calhar, me levou a pensar nisso, o que é que se sabe, partir daí qual é que é a colocação de hipótese, e depois a parte da exploração e quem sabe até das sugestões. Mas neste caso, episódio, voltando atrás, o que aconteceu foi isto. Eu estava aqui agora à frente do computador e de repente veio-me a hipótese. E a hipótese foi vinda quase do nada, não é do nada, já vamos ver isso, mas apareceu. Apareceu a colocação da hipótese porque eu fiquei a pensar assim, qual é que será o próximo episódio? E de repente veio-me só esta frase. E se tudo fosse uma questão de informação. Desta vez, ⁓ vez de eu seguir o meu dia e depois pensar ⁓ bocadinho sobre isto, começar a refletir, num algum momento de pausa que eu tivesse, o que é que podia acontecer, como é que eu podia estruturar o episódio, eu decidi imediatamente gravá-lo agora. Quer dizer que eu estando a gravar agora eu não faço a mínima ideia do que é que eu vou dizer, se eu me vou perder ou não, mas a verdade é que eu também já pensei nisto aqui há ⁓ tempo atrás, que é... E se isto não fosse, se calhar... tão estruturado, ainda que seja mais ou menos, não é muito, mas é de alguma forma, e fosse muito mais exatamente aquilo que acontece no meu cérebro, em direto. Os vários pensamentos e ideias que surgem. Então vai acabar por ser teste, se calhar no final eu vou gravar, vou publicar, se calhar vou ficar por aqui, no final fica só para mim e isto ninguém vai ouvir, porque se calhar não tem nada de interessante. Não sei, logo se vê. Mas quando eu ponho a colocação de isso tudo fosse uma questão de informação, porquê que eu coloquei esta hipótese? Porque todos os dias, todos os dias sem exceção, algum tipo de interação com outras pessoas, ou simplesmente não estou a interagir diretamente, mas estou a ouvir alguém a falar, que seja nas notícias ou assim, o meu cérebro está a comparar aquilo que eu acho com aquilo que outra pessoa acha, ⁓ E depois, ele há de fazer aquilo que ele acha para, se for uma interação direta comigo, dar algum tipo de resposta ou reação. Seja de concordância ou não, da apresentação daquilo que é o meu ponto de vista, por aí fora. Mas acontece sempre isto. pessoa diz alguma coisa e já estou a pensar. Sim, não. Concordo com isto, concordo com aquilo. Isto aqui não faz sentido nenhum. E é sempre isto. Mas isto também já foi de alguma forma abordado no outro episódio. que é o facto de nós devíamos ter muito presente a noção de que tudo aquilo que nós consideramos a nossa realidade, ou seja, que é construída depois também pelos nossos comportamentos, pelas decisões que tomamos, ⁓ deriva daquilo que nós pensamos. E que nós pensamos deriva da informação que foi recolhida e que depois foi selecionada para ser guardada e mantida. E vamos juntando essas diferentes informações que guardamos e vamos construindo as nossas ideias, que hão-de ser parecidas, semelhantes ou ligeiramente diferentes, de outras pessoas. Mas é assim que nós vamos desenvolvendo os nossos valores, os nossos princípios, os conceitos que acreditamos, o que é que é a realidade, o que não é. Foi com base na informação. E esta informação vem de múltiplos sítios. Ela vem do exterior, porque, eu vou ver coisas, eu vou ouvir coisas, eu vou sentir coisas, eu vou cheirar coisas e provar coisas, eu vou tocar ⁓ coisas, mas também porque eu também tenho, tal como foi abordado no episódio anterior, ⁓ também tenho informação interior. de aquilo que está a acontecer no meu corpo, o que é eu sinto, o que é que é para mim... Portanto, quando toda esta informação, quando isto tudo se junta, não há mínima possibilidade de haver alguma combinação igualzinha à minha. Ou às minhas combinações. Impossível! Porque basta uma pequenina diferença na informação para que tudo o se montou a partir daí seja completamente diferente. mais informação... implica, a meu ver, uma coisa e uma coisa só. Humildade de entender que toda a informação que se tem até ao momento, se calhar, é toda a informação. esta noção de que isto não é toda a deixa-me mais atento, disponível para receber ainda mais informação. para ouvir coisas ou informações que, se calhar, nem têm nada a ver com aquelas que eu já tinha ou são quase opostas, mas eu permito-me expandir todo esse meu conhecimento ou consciência, como queiramos chamar. Portanto, partir de momento ⁓ que a capacidade que eu vou desenvolvendo para captar mais informação... Informação de diferentes tipos, exatamente porque eu posso me disponibilizar literalmente a trabalhar esta parte sensorial, a estar mais desperto, a ver mais, a ouvir mais, a sentir mais. Tanto as pessoas que não sentem o contacto, a pressão, o corpo, não sentem, não têm noção do que se passa... dentro delas, não têm a capacidade de ouvir para além daquilo que querem ouvir, de ver para além daquilo que querem ver. Não quero ver aquilo, não olho. Não quero ouvir aquilo, não ouço. Este aqui diz coisas que eu gosto, eu ouço. E portanto, a capacidade que eu tenho de captar informação pode ser ela mais expandida ou menos. Mas a partir do momento... que eu consigo expandir mais essa captação de informação, as das diferentes combinações é uma conta exponencial. ⁓ O número possibilidades é, não vou dizer infinito, mas quase. E isso leva a meu ver, esta é a reflexão que eu faço, é que aquilo isso permite é estar... mais presente ⁓ cada situação, ⁓ ter uma capacidade maior de compreender, ⁓ ter uma humildade cada vez mais forte sobre o facto de eu me considerar egoísta, no sentido mais natural. e isto já foi abordado noutro episódio, que é... eu na verdade vou ver que tudo aquilo que eu faço ao longo do tempo, ⁓ no meu dia a dia, minhas interações, é quase sempre a tentar garantir o meu bem-estar, a minha sobrevivência. Parece que eu estou até a fazer bem para aquele mas na verdade é para depois eu sentir-me de uma determinada maneira. ⁓ Hoje eu fiz aquilo porque sei que vou obter ⁓ retorno daquilo. Hoje eu aprendo isto porque isto vai me dar no final mais do outro. Portanto, quando eu expando esta minha informação e logo desenvolvo diferentes tipos de pensamentos, bem diferentes uns dos outros, muito mais ideias, muito mais, eu diria até, mais confusão e caos dentro do cérebro. Mas ao mesmo tempo esse caos traz exatamente a tranquilidade de saber escutar, saber observar, saber melhor, se calhar, o que se passa comigo, dentro de mim, tanto o que é que eu acho que se passa com o outro, precisamente, porque toda esta noção de que a informação é diferente faz com que eu... Sinta claramente que eu não percebo, rigorosamente, ninguém, a não ser a parte mais natural e egoísta e fisiológica de todos nós, que é semelhante, essa tendência para nós nos protegermos e queremos só garantir realmente a nossa sobrevivência física e social. E sim, eu acho que é verdade. Todas as minhas noções do que é ou do que não é, ou quase todas elas eu diria, eu estou cada vez mais com mais noções, mas mais desprendido delas. Porque aquilo que eu acho que sou, aquilo que eu acho que é, é uma coisa mesmo... é temporária. Porque deriva daquilo que eu sei agora. Deriva daquilo que eu tenho agora, da informação que eu juntei agora. daqui para ⁓ minuto ou dois, se calhar eu junto, uma informação diferente porque estive com alguém, porque vi algo assim e aquilo que eu se calhar já sou e aquilo que eu se calhar já acho, já é diferente. Por isso, voltando à colocação da hipótese, se tudo tivesse dependente da informação, a mim parece-me que sim. E como parece que sim, isso só me faz querer, idealmente também sem uma pressão, porque senão eu já estou no loop do eu. Eu quero a informação que é para eu sentir que domino. para eu sentir que estou a chegar a algum lado, para eu sentir que sei mais que os outros, para eu sentir autoridade ou credibilidade. Não! quero mais informação para me ajudar a manter neste sítio, para manter no estado de... não sabes. Hoje é, amanhã não é. ⁓ o outro. Tenta ao máximo estar desperto. para aquilo que o outro precisa e não tanto para o teu egoísmo. Por isso vai captando cada vez mais informação. Treina isso. O movimento ajuda a treinar a captação de informação, É super interessante que olhemos até para o treino na minha área de uma forma muito diferente. Eu posso só pensar no fitness, no perder a massa gorda, no... e massa muscular, mas a verdade é que o movimento traz-me uma muito maior noção de mim, de tudo o é o meu corpo, as partes do meu corpo, os órgãos, o que é que eu sinto, como é que possível eu mexer, porquê que isto reage assim, o que é que isto quer dizer. Portanto, eu tenho acesso a muito mais informação interocetiva, portanto, vinda de mim. Mas ao mesmo tempo, mesmo através do movimento, Eu posso ter também a capacidade de treinar e melhorar a minha sensibilidade para o exterior, para desenvolver uma visão umas vezes mais focada, ⁓ cone outras vezes mais periférica, ⁓ umas vezes interessa realmente prestarmos muita atenção a uma coisa específico e tantas outras vezes é muito mais interessante ter uma perspectiva muito maior, ouvir mais perto... mais baixo, ouvir coisas que estão para lá daquilo que está ⁓ primeiro plano, também é possível fazer através do movimento. É possível através do movimento, através do toque, do contacto, das pressões. também e ter acesso a mais informação quinestésica de onde é que eu estou, ⁓ é que eu posso me deslocar, onde é que eu posso tocar, como é que eu posso tocar, como é que eu posso manipular. as coisas, o exterior, os objetos, isso é através do movimento, isso expande a minha experiência. todos os sentidos são possíveis de trabalhar. O movimento é uma ferramenta incrível, é só uma delas, mas acima de tudo, parte de ⁓ princípio que é... Eu não sei tudo e eu quero estar mais aberto, mais disponível. para captar mais informação. Quando estou com outra pessoa vou captar mais informação. Vou ouvir vou olhar Nunca tinha visto isto, nunca tinha reparado neste pormenor. O que é que dizer? Não sei, ⁓ mas estou a reparar neste pormenor. Estou a atento, a mostrar atenção. Estou a começar a aceitar melhor. aquilo que vem do outro lado, a ter mais empatia e respeito por aquilo que está no outro lado, na outra pessoa. Não tanto... ⁓ eu estou a ver, mas já estou a ver que isto quer dizer não sei o quê, isto não tem nada, eu já vou dar aquela resposta e não sei... Isto não é captar informação, isto é manipulação. O propósito é ouvir. hoje a pessoa está diferente. Porque hoje implica uma observação sempre cuidada. Porque tudo o que está aqui a aparecer à minha frente, se calhar, não tem nada a ver com o que apareceu da última vez. E se eu for já com a minha informação daquilo que foi a minha leitura sobre esta pessoa, sobre a sua personalidade e tal, hoje não faz sentido nenhum. ⁓ Portanto... A meu ver, tudo depende da informação. Quando escolhemos boa informação, possibilidade de melhores ideias e decisões e comportamentos e resultados, quanto mais informação, acredito também que melhores decisões. Porque o que é que dita se a informação é boa ou não? Se é ⁓ linha com aquela que eu já tinha? é a fonte, mas porque eu acho que esta é uma boa fonte. Por isso estar sempre sujeito ao mesmo tipo de informação, não sei se é muito benéfico dizer só mais informação porque sim, mas mais da mesma. Então, informação diferente, mais quantidade de informação, tipos de informação, sentidos de fora para dentro, de dentro para mim. Tudo isto é informação e tudo isto tem impacto. Por isso, no final deste episódio, ⁓ a sugestão que eu deixo tanto para si como para mim é claramente a noção de desenvolvermos atenção, ⁓ mantemos-nos e, provavelmente... O nível de experiência, a qualidade da experiência que é cada momento da nossa vida será quase uma novidade, ⁓ conjunto de possibilidades, realmente uma coisa cativante, e inspiradora. Até a próximo episódio e até lá, cuide de si.