Pedro Figueiredo: Olá, bem-vindo aqui a mais episódio do Podcast E se...? O meu nome é Pedro Figueiredo. Agradecer desde já mais uma vez a quem vai acompanhando e a quem vai partilhando comigo o seu feedback e até sugestões. E este episódio hoje vem no seguimento de eu e a minha esposa, através, como é óbvio, do nosso estúdio Bambu, termos realizado nos últimos dias o nosso Sexto Retiro Movimento, Mente e Natureza. retiro... como tantos outros procura ajudar as pessoas de alguma forma, no nosso caso muito específico, trazer exatamente tal e qual este podcast a parte mais filosófica e também mais científica relacionada com a saúde e juntar as duas para de alguma forma a ter impacto e conseguir melhorar a qualidade de vida e a experiência de vida. dos nossos atletas, nossos alunos, dos nossos participantes. Eu estava a pensar qual seria o próximo tópico, o tema para o próximo episódio do podcast, mas na verdade vindo de retiro denso, com muita coisa positiva, muita coisa trabalhada, muitas vidas tocadas, muitas experiências partilhadas. tornou-se quase natural o surgimento deste episódio, ou do tema deste episódio, porque tem exatamente a ver com aquilo que nós conseguimos levar às pessoas e que isso também, mais uma vez, veio para nós enquanto retorno. E começar aqui através desta hipótese. que é, e se nós mudássemos as nossas ideias? Porque a verdade é esta, sempre que nós temos pessoas que vão para os nossos retiros, sempre que temos pessoas que vão se inscrever no nosso estúdio, sempre que temos pessoas a inscrever-se algum dos nossos eventos ou programas, basicamente estamos a falar do facto de todos nós queremos fazer algo para melhorar qualquer coisa. para atingir objetivo que é diferente daquilo que temos neste momento. Isto pode tocar qualquer área da nossa vida, pode estar mesmo só ligada à nossa saúde, pode estar ligada às nossas relações, mas isto é certo. Na maioria das vezes, aquilo que nós temos, nós vamos passando por desafios na nossa vida e isso faz parte, não é E se não houvesse desafios, é há desafios, há stress. Agora, maneira como nós somos capazes de lidar e ultrapassar esses desafios é que depois dita a qualidade da nossa vida. E por isso, todos, basicamente, ao mesmo nível, no sentido que os pormenores da vida de cada são os pormenores, é o que é superficial, mas lá no fundo... todos estamos ligados exatamente por essa nossa necessidade de quando não estamos bem ou não estamos satisfeitos ou felizes ou qualquer outra palavra que possa descrever esse estado nós queremos e precisamos de fazer algo de diferente. Portanto partimos todos da mesma base. E quando nós vamos e é isto que nós ensinamos no nosso retiro baseado no que a ciência ou ciências nos trazem sobre o funcionamento do nosso cérebro sobre o comportamento humano, a fisiologia. Portanto, juntando várias ciências, nós vamos conseguindo perceber cada vez melhor o processo ou o mecanismo que leva a determinado estado ou resultado. Portanto, há sempre associado a qualquer resultado determinado comportamento ou padrão de comportamento que se vai repetindo. Esse padrão surge porque nós tendemos a decidir mais ou menos da mesma maneira, optamos pelas mesmas opções. Opções essas que são tomadas tendo conta também as emoções que vamos sentindo a cada momento. E tudo isso está na verdade sujeito àquilo que nós trazemos detrás. A nossa bagagem, o nosso conhecimento, a nossa experiência. Há alguns autores que vão dizer a nossa consciência e, na verdade, aquilo que é para nós a realidade, que é só nossa, que já vimos noutros episódios, que é uma construção muito específica e subjetividade de tudo aquilo que eu capto através dos meus sentidos, misturado com tudo aquilo que eu já cá tenho e depois, numa perspectiva do cérebro, conseguir... navegar na realidade e conseguir antecipar minimamente as coisas para sobreviver, nós vamos construindo assim a nossa realidade. Só que essa nossa realidade, de facto, está cheia de desafios e emoções, muitas delas nem sempre positivas, e quando estamos sobre esse efeito durante algum tempo, começamos então a dizer que não estamos bem, porque a emoção há de ser exatamente esse sinal de que... Algo nós não está ok e precisamos de sair de onde estamos e ficar melhor. Como é que fazemos isso? Fazemos isso exatamente porque tudo aquilo que está atrás, tudo aquilo que está dentro da nossa memória, as nossas ideias... E quando eu digo ideias, é no sentido mais abrangente desta palavra. aqui estão as crenças, as regras, as normas, os valores, os princípios, tudo aquilo que nós consideramos que é e que consideramos que não é. Ou seja, todos os nossos guias que moldam a maneira como nós levamos a nossa vida e que, e é aqui que entramos a sério no tópico, e que muitas vezes elas são... entendidas como parte, ou fazendo parte, da nossa identidade. Ou seja, se alguém me dissesse assim, Pedro, quem és tu? Para além de uma primeira camada onde eu, se calhar, vou dizer que sou pai, que sou personal trainer, sou health coach, que sou coordenador técnico e etc. e amigo, não sei quê. Portanto, eu estou, basicamente, na camada do meu comportamento. Ou seja, eu digo às outras pessoas que sou aquilo que eu faço. Depois eu deixo alguém me dizer assim, mas mais do que isso, imagina que não eras nada disso, quem és tu? E é aqui que as pessoas entram na segunda camada e começam a argumentar dizendo que são pessoas que são amigas, são pessoas que respeitam e vamos para os valores e para os princípios e para as ideias. Alguém pode dizer que é porque... português e definir-se como tal, definir-se como europeu, definir-se como ser humano, tudo aquilo que nós usamos para definir-nos e dizermos aos outros quem somos, não passa ou não passam de ideias, de conceitos. Se eliminarmos tudo isso, muitas vezes fica a sensação de que não sabemos bem quem somos ou o que somos. E por isso... esta normal, diria assim, confusão entre aquilo que guia o meu comportamento e aquilo que é o meu comportamento com aquilo que eu sou. E esta união, digamos assim, ou esta fusão entre as ideias e a identidade leva a que muitas vezes, por mais insatisfeito que eu esteja com determinado resultado, quer dizer que eu precisava de fazer algo de diferente. Só que eu não consigo fazer nada diferente, porque sempre que tomo uma decisão vai mais ou menos dentro daquele padrão. E porquê que eu estou sempre mais ou menos a tomar as mesmas decisões e a ver-me preso aos mesmos desafios? Porque todas as ideias que justificam e servem de argumento para eu fazer A ou B ou não fazer, são mais ou menos também as mesmas. E por isso... e aqui agora pensando até numa analogia. Porque vamos imaginar, antigamente, principalmente antigamente, que não havia as aplicações do trânsito, os mapas do Waze e do Google Maps e por aí fora, nós tínhamos os mapas papel. E de x x tempo a não dizer, calhar, de x alguns alguns meses ou pelo menos dia na ano, eu sei que o meu pai de vez quando tinha novo mapa de Portugal, das estradas de Portugal. Porquê? Porque se ele continuasse a conduzir... De acordo com o mapa de 1990 ou algo parecido, 2000 claramente, que ele, se calhar, ou não chegaria ao seu destino, ou chegaria de uma forma muito mais demorada, muito mais desafiante. Por quê? Porque entretanto, aquelas surgiu uma estrada melhor, ou uma autoestrada, ou uma via mais rápida, com outras condições, ou aquela estrada simplesmente desapareceu. ou já não está funcionamento e eu já nem sequer posso ir por lá. E portanto, o mapa serve ou servia para me ajudar a navegar, a chegar onde eu quero. Mas a certa altura, mapa é uma coisa, território é outra. E o território mudou. E eu tenho que entender que esse mapa que me serviu durante x tempo já não serve para esta fase da minha vida. para esta altura, para este contexto, para esta época. Então está na hora de, por lado, largar o mapa e atualizar e comprar outro. Hoje as aplicações vão fazendo isto. Esta estrada está com trânsito, por ali, esta já não existe, agora há uma nova e aquilo está sempre a atualizar. Não sei de quanto tempo tem, mas vai-se atualizando para nós podermos navegar com muito mais facilidade e rapidez. e chegarmos onde nós queremos chegar. Esta é uma primeira analogia. Uma outra analogia, portanto, é para pensarmos é que, de facto, há determinadas ideias que serviam num determinado contexto e que, de repente, e se calhar a maioria já teve que lidar com isto, eu já lidei com isto na minha área profissional, sabe-se lá quantas vezes. Exemplos. estarmos durante não sei quanto tempo, ou quando eu olho para trás e vejo meus primeiros anos, e quais eram as ideias que prevaleciam no mundo do fitness? Se calhar no treino dizíamos para... e vimos isso até nos jogadores, na performance, os jogadores a alongar ali parados, antes de entrar no campo, ficavam ali a esticar, depois ficavam do outro lado, depois a perna, depois o braço, depois não sei o quê. E acreditava-se que o alongamento poderia reduzir, no início, reduzir a probabilidade de lesões, preparar o corpo para a prática. Quem diz os alongamentos para o treino, diz o número de repetições para conseguirmos atingir, por exemplo, hipertrofia, diz coisas que sempre acreditámos na área da nutrição, que hoje dia já não se aplicam e já se percebeu que é completamente falso. Eram ideias que estavam estudadas de certa forma. e de certa medida naquela altura já se conseguiu estudar mais aprofundadamente ou simplesmente pela quantidade de estudos já se percebeu que afinal não é bem assim. Portanto, nós estamos constantemente a levar com atualizações de como é que as coisas funcionam que mostram que as ideias que tinham estavam erradas. Só que estamos a falar muitas vezes ou a percebermos muitas vezes de ideias que... Não é que não sejam importantes, mas... Ok, afinal o alongamento estático no início do treino não é bem assim, não tem esses benefícios e até pode ter alguns prejuízos. Tá pronto, ok, abandonamos. Lamentamos ter andado aqui a pregar coisas que afinal não se aplicam, com alguns clientes e a dizer coisas durante não sei quanto tempo, mas qual também foi a gravidade disso? Provavelmente nenhuma, tivemos que perder tempo. Mas há outras ideias... que tem mais impacto. E nós, perante novas evidências na vida, eu estou a falar com alguém e alguém me apresenta a evidência contrária à minha ideia. Só que eu sempre defendi aquela ideia e agora aquilo que nós vemos é uma dificuldade gigante dizer assim. Sim, senhora, acabaste de... mandar abaixo esta minha ideia. Não! Se forem ideias densas, que têm impacto realmente na nossa vida e por causa disso, está, muitas vezes ela fundiu-se com aquilo que eu acho que sou, com a minha identidade, por mais evidência que surja, contrária à minha, ou eu ignoro, ou finge não ouvir... Ou continua a argumentar contra, porque não se trata, muitas vezes, já de estarmos a defender uma ideia. Trata-se de repente sermos levados a estado e pensamos assim. Queres ver que se esta ideia está errada eu deixo de saber quem sou. Porque eu sempre fui isto. Eu sempre me guiei por isto. Eu sempre pensei assim. Eu sempre acreditei nisto. E conforme eu acreditei eu moldei o meu comportamento. Não me digas... que eu, Pedro, ou sou uma má pessoa, ou estiver errado 30 anos, ou por aí fora. Portanto, o custo, isto vai sempre dar à Fisiologia, o custo metabólico de ter que lidar com este choque de apaga tudo o que aconteceu, salvo seja, ou seja, estávamos mal, estávamos enganados, vamos mudar, vamos atualizar e vamos mudar. o custo é tão grande que mais vale continuar a defender uma coisa que está errado. Pode parecer que não, pode agora, à medida que eu estou a explicar isto, parecer completamente óbvio que vamos mudar, mas se fosse assim, nós viemos as pessoas a mudar com muito mais frequência, a serem mais flexíveis, a moldar-se ao contexto bocadinho mais, mas a moldar-se ao ponto que faz sentido. Não é mudar só por mudar, que agora está na moda e há uma tendência e toda a gente diz que tem de calçar os sinéus. Não é isso. É... Há uma grande evidência de que afinal isto é assim. Portanto, são as ideias que não somos nós. As ideias são uma coisa, nós somos outra. São as ideias que de vez quando podem estar erradas, podem já não fazer sentido e não tem mal. mudar, a analogia do mapa, que se desatualiza e que tem que ser substituído por novo, mas também dou outra analogia, que é, vez de mudar de mapa, mudo de casa. Porquê? Porque a casa tem mais peso. Porque a casa, nós vivemos aqui não sei quanto tempo e vivemos aqui não sei quantas experiências positivas e negativas, não interessa, é a nossa vida, são as nossas coisas. Esse carar até é uma casa que nós construímos. E, portanto, ficamos apegados à casa, mais uma vez, como se a casa, parte da casa e de toda a sua história, fosse eu. E, isso, só de pensar mudar de casa, mesmo que já não faça sentido continuar a mudar, ou porque a família cresceu... ou porque têm outros objetivos ou porque afinal este sítio já não faz sentido na logística do dia a dia ou o valor já não faz sentido, qualquer coisa. Mas não! Muita dificuldade, nós abandonamos uma casa. E eu agora poderia perder aqui o resto do dia inteiro a fazer analogias. Mapa. Casa. Família. relações amorosas, pessoas, coisas e pessoas a quais não deixam de ser ideias. Uma relação que eu tenho com uma pessoa é conjunto de ideias que se estabeleceu entre mim e ela. Condições, muitas vezes. E por isso eu estou preso a isso e só porque é família eu não mudo. Eu não faço nada, eu continuo a agir da mesma forma, eu continuo a sofrer da mesma forma. É uma relação que já não serve, mas eu não mudo o tipo de relação, eu continuo preso a ela, dependendo dela. Porquê? Porque o custo metabólico de sair disto, que eu já conheço, por mais sofrimento que eu tenha, é maior. Porquê? Porque se calhar eu estou aí contra uma ideia muito enraizada mim, do que é que é uma família. do que é é juntos até ao último dia. Porque a família tem que ser coesa, tem que estar junta. O mais importante é a família. São ideias que guiam a nossa vida. Muitas vezes nós não pensamos nelas profundamente e não pensamos assim. Continua a fazer sentido esta ideia? Sim. Tudo bem? Estamos bem com ela? Sim, não faz sentido porque eu agora fui exposto a outras ideias e houve ideias que eu realmente achei que estão mais alinhadas, que perante uma e outra eu digo claramente que a evidência é mais forte nesta e por isso eu acredito nisto. a falar de coisas importantes, não estamos a falar de mudar do dia para a noite, porque sei que eu não fiz a analogia com, por exemplo, mudar de roupa. mudar de roupa isso para mim mude rapidamente, é? bocadinho suado já muda, está bocadinho amarrotado já muda, já não é moda, muda, a cor não é não sei o muda, está bocadinho mais frio, muda. E mudamos com muita leviandade. Não é essa a analogia. A analogia é para coisas que realmente nos ajudam e têm impacto na nossa vida, mas que, mais uma vez, uma coisa é uma ideia Não são ideias, outra coisa é a nossa, aquilo que nós somos. Ideias são pouco como se fossem ferramentas. Ferramentas para orientar o meu comportamento. Conforme estas ferramentas, perante estas ferramentas no confronto com os estímulos que vêm dos sentidos, nós vamos dizer a realidade exterior ou os sentidos internos, portanto, a confrontação das ideias com o mundo vai decidir aquilo como eu interpreto esse mundo, o que eu sinto relação a esse mundo e o que eu acho que deve fazer ou não fazer nesse mundo. E depois eu vou ter determinado resultado. Muda as ideias e muda todo o processo, consequentemente. Então, tentar... o desafio fica ou a sugestão fica para... Quando não estamos bem, pensar o que é que não está bem? É só mesmo na base do comportamento, nessa camada? Ou é porque há algumas ideias que estão na base da construção de todo o meu raciocínio e comportamento, já não estão a fazer mais sentido? E estar sempre nisto? É mesmo isto? É real? Este desafio? ou isto está dependente daquilo que são as minhas ideias. E a partir daqui, eu começo a... a desapegar-me, pelo menos a conseguir fazer esta distrência entre o que eu sou e o que eu acredito e o que eu penso e o que eu sinto e o que eu tenho e o que eu faço. São coisas completamente diferentes. Que se dois para amanhã... por uma amnésia por alguma coisa que aconteça, não sei, se quase tudo isto, ou tudo isto desaparecer, talvez eu continue cá. Talvez eu a seguir tenha que criar novas ideias, novas maneiras, novos caminhos, novas emoções, novos comportamentos. Então fica só a sugestão de... não levar tudo a peito, como diz a expressão, ou entender que quando levamos a peito estamos a levar exatamente para o ponto que estamos a confundir as coisas, a fundi-las e temos que primeiro dissociá-las para depois sermos capazes de fazer diferente e melhorar com isso. Até a próximo episódio e até lá, cuide de si.