Flavio Pripas: Fala Rodrigo, bom dia, tudo bem? Rodrigo Conde: Fala, Pripas! Bom dia, cara! Bora para mais ⁓ aí? Flavio Pripas: Agora para mais ⁓ episódio 6 e assim a gente mudou essa manhã o que a gente ia falar porque tanta coisa está acontecendo nesse mundo de inovação, tecnologia, novas coisas sendo lançadas que a gente tem que também se adaptar para esse nosso bate-papo semanal, né? Rodrigo Conde: Exatamente, cara. Tudo acontece muito rápido nesse mundo, né? E a gente tem que se adaptar, então mudamos o tópico do dia pra noite, literalmente. Flavio Pripas: Literalmente, mas deixa eu começar ⁓ assunto que eu já quero falar há algum tempo, que eu acho legal a gente trazer pra cá inovações que estão acontecendo no mundo e que as pessoas às vezes não têm muita visibilidade. E tem ⁓ tema que eu já tô acompanhando há algum tempo, que eu sou fascinado por edição genética. Eu lembro que ⁓ 2014, quando eu fui no South by South, eu conheci a Jennifer Donah, que foi uma cientista, ela até ganhou o Prêmio Nobel por ter descoberto as proteínas que fazem edição genética. Ela descobriu a questão do CRISPR, do Cas9, mas foi lançado ⁓ paper há três semanas atrás falando dos Iamanaca Factors. Você já ouviu falar disso? Rodrigo Conde: Eu já ouvi falar por cima, eu não conheço tão bem quanto você talvez, mas eu sei que são coisas para fazer uma reedição celular, Flavio Pripas: Meu rei. ele faz reprogramação celular. É uma nova tendência que o pessoal está falando que ⁓ vez de você fazer a edição genética, ⁓ vez de você fazer uma alteração daqueles genes, você pode fazer uma reprogramação parcial, inclusive para tentar rejuvenescimento sem perder a identidade celular. o uso desses Yamanaka Factor já foi enviado até para a fase 1 de teste clínico para ajudar a neuropatia ótica. Quem tem perda de visão com glaucoma pode usar esses Yamanaka Factors para poder fazer uma reprogramação celular e voltar a enxergar, que eu acho ⁓ negócio extremamente fascinante, ⁓ negócio absolutamente incrível. Rodrigo Conde: É surreal. E pelo que eu estava lendo, também eles escolheram o glaucoma porque é ⁓ sistema meio que isolado dentro do corpo humano, Então você consegue estudar isso de forma isolada e não afeta as outras células do corpo, mas realmente é muito interessante. Isso me faz pensar também que talvez esse rejuvenescimento celular é... a gente possa manter o corpo jovem, mas me preocupo ⁓ pouco o lance da mente também, Porque se a gente não tem a mente jovem, entendeu? Não adianta nada o corpo estar funcionando jovem, perfeito, mas a mente não tá lá, né? Você sabe me dizer se isso também envolve célula cerebral ou não? Ou pelo menos na teoria, né? Flavio Pripas: A teoria envolve, só que os testes clínicos agora são com as células do olho para tentar reverter o glaucoma, né? O que é legal é que todo esse assunto de longevidade, acho que uma das grandes discussões que gente vai ter agora para o futuro próximo, já que a gente está falando between futures, é a longevidade, que ela está saindo do território daquele suplemento milagroso, aquele biohacking que é performático, que você vai fazer não sei o quê, e aquela promessa super vaga de, ⁓ vamos viver mais, o assunto está entrando numa fase agora mais séria. A pergunta deixa de ser como parecer jovem e ela passa a ser, será que dá para intervir nos mecanismos biológicos do envelhecimento para que a gente possa viver mais com qualidade? O envelhecimento sempre foi tratado como destino, só que agora parece que a agenda científica tenta tratar ele como parte do processo biológico que dá para ser modulável. E isso muda bastante a conversa. Chega daquele charlatanismo premium, está cheio de... Eu vou chamar de charlatão, não tem outro nome, tá cheio de gente vendendo fórmula milagrosa pra você vender mais e daí vira pro lado de ciência onde algo que fala sobre rejuvenescimento vai pra análise clínica de fase 1 agora. Rodrigo Conde: Não tem outro nome, é isso mesmo. Exatamente, é até engraçado você falar isso dos charlatões porque eu recentemente conheci alguns empreendedores dessa área de aging, eu fui pesquisar ⁓ pouco do que era o produto deles, e assim, era Snell Coil 100%, nada comprovado, Misturava ⁓ monte de substâncias lá que falavam que rejuvenescia, mas é ⁓ efeito placebo tremendo aí. É muito interessante mesmo essa área de desenvolvimento novo. E eu lembro de ter visto também uma entrevista com o CEO da NVIDIA recentemente, ⁓ que ele disse que a gente está a cinco anos de distância de ⁓ mapeamento total do corpo humano ⁓ uma réplica desse corpo humano célula por célula dentro de ⁓ sistema de computador. Eu também só imagino o que isso pode gerar ⁓ termos de teste clínico, esse tipo de coisa, porque se você tem uma réplica humana célula por célula dentro de ⁓ computador... Flavio Pripas: Isso está ligado inclusive na questão dos digital twins, Rodrigo Conde: talvez o teste clínico não seja mais tão importante e você consiga fazer esse teste de forma digital. Flavio Pripas: para quem não sabe o que é ⁓ digital twin é como se fosse ⁓ gêmeo digital onde você pode fazer testes, você pode fazer experimentos sem necessariamente precisar usar ⁓ ser vivo para isso. Até tem aquele projeto do Google, o Alpha Fold, que fica fazendo descoberta de novas proteínas. O CEO da NVIDIA falou que esse digital humano vai poder ser utilizado para você testar as novas drogas, testar novos tratamentos. O que acontece é que tem todo esse hype do age reversal. voltar para trás, que o pessoal já viu aquele filme né, Benjamin Button, que ele nasce velho e ele vai ficando mais jovem conforme vão passando os anos. ⁓ vez dele ocorrer na fase dos sonhos, começa a ter estudo clínico, começa a ter teste, começa a ter, começa, os cientistas começam a testar o risco antes de fazer aquela narrativa da cura, biotônico que vai resolver qualquer ⁓ dos problemas. ⁓ detalhe. Fase 1 de teste clínico serve exatamente para isso, para ver os riscos de ⁓ tratamento novo. Se a gente consegue passar com segurança dessa fase 1, isso abre toda uma nova categoria terapêutica para doenças neurodegenerativas relacionadas à idade, o que ⁓ negócio absolutamente incrível para gente acompanhar. Rodrigo Conde: É, sem dúvida. Esse é o grande ponto que fica na minha cabeça quando a gente fala de rejuvenescimento, Eu sempre penso no corpo, mas tem o fator da mente aí que a gente não sabe se a mente dura 200 anos, Esse é o lance. Uma coisa é a gente rejuvenescer célula do corpo, cabelo, essas coisas todas que são estéticas, vamos chamar dessa forma, ou viver com qualidade, né? Ou seja, você não atrofiar o físico mesmo. Flavio Pripas: É. Rodrigo Conde: Mas resta saber se a mente vai conseguir acompanhar da mesma forma. Também uma coisa é rejuvenescer o cérebro do ponto de vista celular, mas e as ligações que os neurônios têm ali, elas vão continuar sendo formadas? Essa é minha grande dúvida e sempre foi minha grande dúvida quando o assunto é rejuvenescimento celular, se a mente vai conseguir acompanhar o corpo. Flavio Pripas: ⁓ ⁓ mas para mim não dá para fazer uma coisa separada da outra. Quando a gente fala de qualidade de vida, a qualidade de vida é tanto física como mental. Se vai rejuvenescer a parte física, tem que rejuvenescer de alguma forma a parte mental também. Lembra, acho que eu comentei isso, que eu aprendi lá com o Ricardo Bazáglia, que a gente tem uma tendência de viver mais, com mais qualidade. E a gente tem que ter vitalidade intelectual para conseguir viver mais com essa qualidade, que se não, não... Você vai ficar fazendo o que? Vai ficar vendo o rede social o dia inteiro? Também não é a qualidade de vida que a gente espera daqui pra frente. Rodrigo Conde: Exatamente, acho que esse é o ponto central aí, acho que a mente precisa acompanhar o corpo. Flavio Pripas: É, mas enfim, longevidade acho vai ser ⁓ assunto recorrente aqui. A gente vai começar a falar mais, mas diga, diga lá. Rodrigo Conde: Só ⁓ ponto antes da gente ir pro próximo assunto aí, isso me lembrou também uma coisa que fizeram aí há algumas semanas atrás, que eles conseguiram mapear todos os neurônios de uma mosca, não sei se você viu isso sendo se levado online aí. E o que me chamou a atenção nessa pesquisa científica aí é que quando eles colocaram esses neurônios no computador, a mosca começou a exibir comportamentos de mosca, sem eles programarem nada no sistema, eles só mapearam Flavio Pripas: Vi, vi, vi sim. Rodrigo Conde: os neurônios, colocaram no computador e o comportamento emergiu. E eu achei muito interessante porque tem muita gente levantando a questão de que esses comportamentos físicos, eles estão, na verdade, impressos na arquitetura cerebral. Não é realmente exatamente, é uma coisa completamente nova. Enfim, me lembrou isso que eu achei super interessante. Flavio Pripas: decodificados. ⁓ mas eu li a respeito da mesma forma que a forma geométrica da proteína, ela dá a função da proteína, o jeito que os neurônios se ligam é a forma geométrica que eles estão organizados dentro do cérebro, dentro daquela massa cinzenta, dá a função deles também, que é uma nova linha de pesquisa. É muita coisa bacana, mas é... Rodrigo Conde: Exatamente. Flavio Pripas: ⁓ dia a gente vai falar aqui também sobre download e upload de cérebro, de pensamento. A gente tem ter aquela discussão sobre o que é consciência ⁓ Rodrigo, mas vai ser ⁓ outro episódio, porque no episódio de hoje a gente tem muito assunto pra tratar. A gente falou sobre longevidade, os Yamanaka Factors, e eu queria mudar agora pra ⁓ lançamento que eu fui nessa semana, que é de ⁓ amigo meu, do Guilherme Horn. Ele lançou ⁓ livro que ele chamou de O Mindset da AI. Rodrigo Conde: consciência. Flavio Pripas: O Guilherme Horn, para quem não conhece, lá nos anos 2000, no começo dos anos 2000, ele abriu uma das primeiras corretoras de valores no Brasil, que era a Agora, que ele vendeu para o Bradesco, depois ele fundou a Orama, que fazia investimento automatizado, que daí ele também vendeu a participação dele. Ele virou consultor da Accenture e hoje ele é CEO do WhatsApp para o Brasil, Indonésia e China, só para os maiores mercados do WhatsApp do mundo. Então assim, é ⁓ cara que eu, amigo pessoal... Os nossos filhos até estudaram juntos ⁓ alguns anos e é ⁓ cara que eu admiro muito. E no lançamento do livro que ele fez, do Mindset da AI, ele falou ⁓ negócio que é super bacana, que eu concordo total, que o índice que a gente tem que acompanhar hoje ⁓ dia, ele chamou de IC. É o índice de curiosidade, que é o conceito que ele usou lá no livro, que é o quanto que as pessoas e as organizações têm curiosidade para estudar e para testar o que está acontecendo hoje para não ficar para trás. E esse é o ativo central para navegar na era da AI. Qual que é a sua opinião a respeito? Rodrigo Conde: Eu acho que ele está 5 % certo. Aliás, ele como profissional, eu acho que ele representa muito esse profissional... Vamos falar do século 21, apesar de que gente já está bem dentro do século 21, na verdade. Flavio Pripas: É, a gente já tá acabando a década de 20 do século 21. Rodrigo Conde: Exatamente, mas eu acho que ele representa esse novo profissional, vamos colocar dessa forma, porque ele ⁓ cara que junta não só a sede de vender do CEO, mas ele junta também o técnico, enfim, de ⁓ CTO do lado técnico, e a capacidade de explicar isso de forma didática de ⁓ consultor. Eu acho que a junção dessas três coisas aí... faz com que ele seja ⁓ profissional realmente dessa nova geração, vamos falar assim. E eu acho que talvez por isso ele tenha conseguido enxergar essas tendências, explicar de maneira clara também o porquê que isso é importante. E com certeza a curiosidade acho que é a grande força motriz por trás dessas novas implementações, porque está mudando tanto e às vezes a gente mesmo vê isso no nosso dia a dia, às vezes lança uma tecnologia nova. Flavio Pripas: e aí e aí Rodrigo Conde: Eu vi muito isso com o OpenClaw quando lançaram, exemplo, que lançou. Aí eu via nas comunidades assim, tá, e aí, instalou o OpenClaw, pra que eu posso, pra que eu uso esse negócio? O que que eu faço com isso, exatamente? E aí eu acho que entra a curiosidade, né? E aí você via pessoas falando assim, ⁓ não, eu automatizei minha casa, eu automatizei meus emails, eu automatizei meus workflows, eu fiz isso, eu fiz aquilo. E aí entra essa curiosidade de falar, tá, o que que eu posso fazer com essa tecnologia nova que tá na minha mão? Flavio Pripas: O que eu faço? Rodrigo Conde: E a mesma coisa aí, o Cloud Code, esses agentes de coding aí, que fazem a mesma coisa, né? Eles permitem qualquer ⁓ virar ⁓ developer aí. Tá bom, e aí, o que você vai fazer com isso? Basta você ter a curiosidade para tentar solucionar problemas, né? E quando você traz isso para o ambiente corporativo, barra profissional, é uma série de novas portas, de novos horizontes que se abrem, né? Mas de novo, depende dessa mente curiosa Flavio Pripas: e aí Rodrigo Conde: que não é todo mundo que necessariamente tem essa força motriz aí por trás. Flavio Pripas: Não, mas sabe o A gente não foi educado para ter essa força motriz. A nossa geração, sou ⁓ pouco mais velho do que você, mas eu vou me incluir na nossa geração. A nossa geração foi educada de uma maneira onde perguntar era ruim. Perguntar muito atrapalhava a aula. Você não podia perguntar muito, você tinha que ficar quieto escutando o professor. Até nas empresas, você pega no final da década de 90, aquelas Rodrigo Conde: com certeza. Flavio Pripas: nos anos 2000, aquelas empresas super hierarquizadas, você tinha que ficar quieto, não é pra se perguntar, tem que fazer o que o chefe manda. Então assim, a gente não foi muito educado pra perguntar, pra ter curiosidade, e a gente tem que quebrar isso, porque o profissional, seja o profissional mais sênior ou o profissional mais júnior, ele só vai crescer hoje na carreira ou na vida, se ele tiver curiosidade de fazer as perguntas e testar as coisas. Aliás, a própria... Rodrigo Conde: Não septa. Flavio Pripas: os próprios bots, essa ascensão dos bots, os chats de E-PTs da vida, a gente está reaprendendo a fazer boas perguntas para que ele nos dê boas respostas. Rodrigo Conde: Exatamente. Eu tendo a falar muito para as pessoas ⁓ relação ao chat bot, eu falo assim, a resposta da AI vai ser tão boa quanto a pergunta que você fizer. Se você fizer uma pergunta superficial, resposta vai ser obviamente superficial. Eu acho que é muito interessante esse tópico de maneira geral, inclusive a educação. A vida inteira eu escutei dos meus professores, eu bagunçava super na aula, falava. Flavio Pripas: É isso Rodrigo Conde: eu prestava atenção, não sei o quê, ia lá na prova, tirava oito, nove e E depois de ⁓ tempo, enfim, as pessoas que cuidavam lá dos alunos, chamavam meus pais pra fazer reunião, falavam assim, não, Rodrigo, ele é autodidata, ele bagunça na aula, não presta atenção ⁓ nada, mas ele chega ⁓ casa, eu li o livro, eu estudava sozinho, e cara, ⁓ poucas horas eu aprendi o que eu precisava aprender pra ir bem na prova. E essa minha característica autodidata eu levei até hoje na minha vida, entendeu? Porque tudo que eu faço eu aprendo sozinho, literalmente. Eu não vejo muito valor, vai, entre aspas, ⁓ contratar ⁓ curso, ⁓ fazer ⁓ MBA, exemplo, que é coisa mais antiquada hoje do que ⁓ MBA, cara, assim. Realmente não entra na minha cabeça. Especialmente no mundo, que a informação é tão acessível, Enfim, se você entrar nos servidores de pirataria aí pelo mundo, você baixa as aulas de Harvard inteiras, entendeu? Aulas de Cambridge, entendeu? Que se você... tiver força de vontade pra fazer sozinho, você faz o curso inteiro sozinho se for o caso, entendeu? Flavio Pripas: É, não precisa nem entrar ⁓ servidor de pirataria, as alas estão amplamente disponíveis, Stanford, Harvard, U-Pen, então assim, tá tudo disponível na internet. Rodrigo Conde: Exatamente. Exatamente, hoje ⁓ dia mais ainda, é o que você está falando, hoje ⁓ dia mais ainda. Então, eu acho que depende muito dessa curiosidade. E uma outra coisa também que eu acho que mudou muito da época, pelo menos que eu estudei colégio, faculdade, é o aprender fazendo, Acho que hoje, pelo menos para mim, o melhor tipo de aprendizado é aprender fazendo. Isso me faz lembrar até os foguetes da SpaceX que explodiam e não paravam de explodir. E eu lembro que na época, quem não entendia de aviação ou de space rockets ou qualquer coisa que valha, eu falava assim, tá, mas não para de explodir, mas o explodir faz parte do processo, porque os caras estão aprendendo, entendeu? Então explodir, opa, espera aí, explodiu, vamos ver o que deu errado. É o fazer, é o aprender fazendo, que eu acho que é tão importante. Inclusive, eu tenho uma amiga que trabalha com educação nos Estados Unidos já há muitos anos, e ela me apresentou ⁓ negócio chamado Project Flavio Pripas: E Rodrigo Conde: base learning, que eu não sabia que existia esse negócio. Eu não tinha filho na época, então educação estava ⁓ pouco fora do meu radar. E depois que eu fiquei conhecendo isso, eu falei assim, nossa, cara, eu voltar no tempo agora e eu fazer parte desse processo, porque para o meu jeito de aprender é muito melhor, é muito mais didático, me prende muito mais atenção, né? E eu acho que o project base learning é uma coisa que é mais bem preparada. Flavio Pripas: Uhum, uhum. Rodrigo Conde: para educar essas novas pessoas, novos executivos, novos profissionais. Flavio Pripas: Não, concordo total. Inclusive, eu vou abrir aspas aqui porque no lançamento do livro do Guilherme teve ⁓ painel do Guilherme com o Fred Trajano. Fred Trajano é o cara que transformou lá o Magazine Luiza, superquiaso de inovação corporativa aqui no Brasil. E ele falou uma frase que abre aspas. As pessoas não aprendem de verdade só estudando ou ouvindo, mas fazendo. Que é exatamente o que você falou, que é isso. Você tem que arregaçar as mangas, você tem que fazer. Tem muita gente às vezes que me pergunta Flávio, Pripas, qual que é o melhor curso de AI que eu posso fazer para fazer alguma coisa parecido com essas coisas que você está fazendo? Eu falo, nenhum! Você tem que ir lá, arregaçar as mangas e fazer, porque você só vai aprender se você colocar a mão na mão. Eu tenho essa característica também, eu lembro que lá ⁓ Eu conheci o assunto de Bitcoin, vou abrir ⁓ parênteses aqui, lá ⁓ 2010... Rodrigo Conde: Nenhum, Flavio Pripas: Mas quando eu vendi minha primeira empresa eu falei eu tenho que entender esse assunto. único jeito de entender é colocando a mão na massa. Tanto que eu desenvolvi na unha eu, eu mesmo, com mais dois, três sócios, uma exchange de bitcoin lá no final de 2013, 2014. Porque não dá pra você aprender o negócio a fundo sem fazer. Hoje ⁓ dia eu tô maluco e você também com os agentes de AI. Qual que é o único jeito de você aprender qual que é o potencial do agente de AI é vai lá e faz o agente de AI pra você pra ver como ele funciona. Não tem outro jeito. Só deixa eu fazer ⁓ contraponto, Rodrigo. Eu gosto dos MBAs, tá? Então, assim, eu acho que o que o MBA traz é rede de relacionamento, não é o conhecimento. É rede de relacionamento. Rodrigo Conde: Zota! É, eu já ouvi dizer isso, man. Eu já ouvi dizer isso. Eu fiz MBA aqui no Brasil, que eu sei que é bem diferente dos MBAs que tem lá fora, mas eu não sei, Pripas. Eu acho que o ROE ali pra mim, eu não consigo ver retorno. Mas, novo, eu tenho essa característica autodidata e eu sou ⁓ pouco ermitão nesse sentido, entendeu? Eu gosto, às vezes, de falar, meu, deixa eu resolver o problema aqui, 20 minutos, depois a gente conversa, sabe? Mas, enfim, eu... Tem minhas dúvidas, cara. Tem minhas dúvidas. Mas ⁓ ponto aqui também, pra gente continuar esse papo, que eu acho interessante no que o Gui trouxe aí, é o lance de você ter ⁓ especialista isolado versus ⁓ cara que conecta mundos, Que conecta diferentes assuntos, E aí traz ⁓ pouco pra ⁓ argumento também que eu sempre venho falando aí pras pessoas, que é a gente vai entrar na era do generalista criativo. Ou seja, você não precisa ser ⁓ cara com Flavio Pripas: Aê! Rodrigo Conde: profundos conhecimentos ⁓ tópicos, mas se você souber navegar bem entre vários tópicos e conectar isso, cara, você tem a capacidade de fazer muita coisa. E aqui ⁓ exemplo que eu acho que é interessante também, e é uma coisa, assim, nova, vai, falar, colocar dessa forma, é... Eu tenho plena convicção de que a gente ainda vai ver ⁓ longa metragem, filme, longa metragem feito por uma pessoa na casa dele... Flavio Pripas: e Rodrigo Conde: e que vai ficar muito bom, entendeu? Muito bom. E esse cara não é necessariamente ⁓ Steven Spielberg, ⁓ Akira Kurosawa, ⁓ cara que precisa ser treinado aí pra fazer cinema. Às vezes o cara é ⁓ cinéfalo que assistiu milhares de filmes, manja ⁓ pouco, sabe câmera, troca de cena, como é que faz, diálogo, não sei o quê. Mas hoje com os algoritmos disponíveis, cara, o céu é o limite. Saiu ⁓ novo aí, faz uma semana, chamado LTX, de criação de vídeo. Flavio Pripas: e e aí Rodrigo Conde: que é surreal a capacidade que ele tem de manter o personagem entre uma cena e outra. Muita gente estava elogiando como ele faz o personagem ter emoção, como ele faz o ator, entre aspas, digital, atuar com essa emoção. De novo, é uma máquina que está fazendo aquilo, não ser humano. Então realmente é surpreendente o algoritmo ser capaz de fazer isso. E eu acho que o cara que é ⁓ generalista criativo, que sabe mexer no computador, gosta de cinema. Flavio Pripas: e E aí e aí Rodrigo Conde: Gosta de história de forma geral, vai, quando fala história, escrever, script, esse tipo de coisa, cara, ele sozinho tem a capacidade de criar ⁓ longa-metragem aí absurdo de bom, né? Então, enfim, acho que faz total sentido. E de novo, o Guilherme realmente representa esse novo tipo de executivo que eu acho que ele incorpora todas essas funções hoje ⁓ dia, né? Flavio Pripas: É, e se a gente pudesse deixar uma dica para quem está escutando esse nosso bate-papo é, meça o seu IC, o seu índice de curiosidade. Se você acha que seu índice de curiosidade está lá para baixo, toma cuidado porque são infinitas oportunidades que vão se abrir hoje ⁓ dia se você tem curiosidade para essas oportunidades. Rodrigo Conde: E até curiosidade mesmo ⁓ explorar, eu converso com muita gente que ainda nem começou a mexer com IAPI, mas eu conheço gente que está muito no nível do chat PT, eu faço uma pergunta ali, mas ainda não trouxe isso para o ambiente profissional. Eu acho que o primeiro passo é realmente se debulhar na inteligência artificial, ver o que ela consegue. Flavio Pripas: Eu não consigo nem imaginar. Rodrigo Conde: fazer pra você aí, pra tarefas do dia a dia, desde você tirar uma foto da sua geladeira com os ingredientes que tem lá e pedir pra ela fazer uma receita pra você, até óbvio coisas muito mais complexas como a gente fala aqui de trabalho. Mas é isso que você falou, é você ter a criatividade e eu vou adicionar a força de vontade também, tá? Porque às vezes não é fácil, É, não tem preguiça, mas... É, não tem preguiça, porque mesmo... Mesmo nas coisas que a gente faz, cara... Flavio Pripas: É, não ter preguiça. É curiosidade e não ter preguiça. Força de vontade, é isso mesmo. Rodrigo Conde: Nunca é ⁓ prompt que saia ⁓ resultado maravilhoso, tá pronto. São várias interações, você vai, faz, testa, aí você vê, tá faltando isso, aí você volta de novo, pede aquilo. é essa resiliência, até você falou disso, acho que no último episódio, é ter essa resiliência pra continuar testando e gerando coisa nova. Enfim, acho que é combinação dos dois, a curiosidade com essa resiliência. Flavio Pripas: E já que a gente falou de curiosidade, já que gente falou de AI e o líquido cloud code ⁓ Rodrigo, viu de ontem? A gente teve que colocar isso no nosso nosso bate-papo, porque foi ⁓ negócio absolutamente incrível. Eu vou explicar, eu vou explicar ⁓ pouco dos detalhes para quem está escutando a gente, mas enfim, ⁓ dos principais agentes que o mundo corporativo e as pessoas, desenvolvedores estão usando hoje para desenvolver todos os sistemas do mundo. Rodrigo Conde: surreal. Flavio Pripas: praticamente esse Cloud Code. Você faz ⁓ prompt, ele faz vários agentes ⁓ paralelo, ele vê a qualidade do software, ele a segurança do software, ele vê a interface do usuário. Ele está sendo ⁓ negócio absolutamente transformador. Para quem nunca viu isso funcionando, é incrível. Para quem é desenvolvedor que nem eu há mais de 40 anos, mudou a forma de trabalhar. Só que ontem, por conta de ⁓ erro humano, eles estão falando de erro humano, eu tenho minhas dúvidas, o código Rodrigo Conde: Eu tenho minhas dúvidas, sim. Flavio Pripas: é o código fonte do Cloud Code, ou seja, o segredo... Imagina a fórmula da Coca-Cola, ela ficou disponível para todo mundo ler como que é a fórmula da Coca-Cola. E todos os concorrentes do Cloud Code tiveram acesso aos segredos de como que ele funcionava e agora vai todo mundo melhorar o seu produto de uma base que está super bem estabelecida. Eu acho que é legal fazer até ⁓ pouco de termo técnico, Como que isso aconteceu? O Cloud Code, ele está no GitHub, que onde faz a gestão de versões, e existe ⁓ pacote, NPM. Então, quando você desenvolve isso, vamos lá para os parênteses daqui, a gente gosta de abrir parênteses, Quando você desenvolve software, quando você desenvolve ⁓ app, ⁓ sistema, você não faz tudo do zero. Não precisa recriar roda toda hora. Vou dar ⁓ exemplo bem prático. você quer fazer ⁓ app que tira foto, você não precisa recriar a interface da foto. Como que faz o foco, quando você clica tira aquela foto, como que você faz para abrir email 1, 1 email 2, o nível de zoom. Você usa ⁓ pacote para aquilo. E você tem vários gestores de pacotes. E tem ⁓ que absolutamente o mundo inteiro usa chamado NPM, que é o Node Package Manager, ou seja, o gestor de pacotes do Node, é uma linguagem de programação, servidor de programação ⁓ uma linguagem de JavaScript, Tapscript. Mas enfim, o Hacker, foi o Hacker não, eles simplesmente colocaram o código de debug dentro desse pacote, onde esse debug, para você ver os erros, estava todo o código fonte lá dentro e o pessoal conseguiu recriar o código fonte a partir desse mapa. de debug. Foi o assunto do dia, né, Rodrigo? Fechando o aparentes técnico, mas vai lá. Rodrigo Conde: Com certeza foi o assunto do dia, especialmente para quem está envolvido nessa área como a gente está. Eu acho que revela algumas coisas esse negócio do Cloud Code. Primeiro, óbvio, o vazamento de informação, que não era uma coisa que deveria acontecer. A gente não sabe se foi ⁓ humano ou não. Mas o que revelou mais quando a gente olha aquele código, na minha opinião, é... O vencedor aí não é quem tem o sistema de LLM mais poderoso, mas quem escreve o melhor contexto para aquele sistema trabalhar, que é justamente o que a gente viu lá nesse orquestrador, que era o Cloud Code, porque o Cloud Code, quando você olhou lá o código, nada mais era do que ⁓ orquestrador que fazia análise de contexto, juntava com a parte ferramental, juntava com a parte de memória, e como ele fazia isso da maneira mais eficiente. Flavio Pripas: e e Rodrigo Conde: Então nada mais era do que uma gestão de contexto, na minha opinião, que ele fazia muito bem. E de novo, ficou evidente que não é mais quem tem o modelo mais poderoso, mas quem sabe de fato escrever essa personalidade aí do sistema, qual ele, qual persona que ele vai encarar, pra encarnar, pra executar essa tarefa que a gente passou pro agente. E isso ficou evidente quando a gente olhou o código. De novo, não é quem tem o LLM mais poderoso com maior... Flavio Pripas: e E aí e aí Rodrigo Conde: É óbvio que ⁓ parte sim, mas na sua grande maioria não, porque se você tem ⁓ agente bem escrito lá, quais são as tarefas que ele vai fazer, ele vai executar isso da melhor maneira possível. Isso que me chamou a atenção, ou seja, não é só o LLE, mas toda a arquitetura que tem ⁓ volta do modelo, que faz o modelo funcionar da maneira mais eficiente. Flavio Pripas: Eu vou até refrazear o que você falou, Hoje os modelos já são super poderosos. Quem tem vantagem é quem sabe orquestrar melhor os modelos. Como fazer os modelos não perder memória, fazer gestão de contexto, fazer a chamada das ferramentas certas na hora certa. E assim, o código do Cloud Code que vazou agora, ele quer queira quer não, ele é o ativo mais importante da Anthropic, da empresa que é dona do Cloud Code. Rodrigo Conde: É isso aí. Flavio Pripas: E assim, no final das contas, esse vazamento de ontem virou ⁓ blueprint, virou uma planta para absolutamente todo o mercado do que é ⁓ produto que faz orquestração de agentes, que ele é confiável, ele é comercializável. Todo mundo agora sabe como ele foi estruturado e todo mundo vai sair dessa base para melhorar os seus próprios produtos. Para você ter uma ideia, o pessoal fez ⁓ levantamento lá. Rodrigo Conde: É, exato. Flavio Pripas: foram praticamente 1900 arquivos de TypeScript e quase que mais de 500 mil linhas de código que vazaram. o bastante para permitir é uma análise séria, não é só curiosidade de como que funciona. Rodrigo Conde: Não, totalmente. A gente vem falando muito dos chineses aí. E é engraçado que os chineses têm uma estratégia diferente. Eles estão soltando os modelos open source aí, porque eles acham que o valor não está realmente no modelo, mas está ⁓ como você usa esse modelo. É só a filosofia deles aí que acho que difere ⁓ pouco da nossa. Mas ⁓ vazamento como esse, por exemplo, favorece muito esse tipo de modelo, porque você baixa o LLM open source chinês, E aí por cima desse LLM você põe essa arquitetura baseada na arquitetura do code que funciona de maneira super eficaz. Então eu acho que de novo favorece ⁓ pouco esse cenário do open source agora que a gente tem acesso a esse tipo de informação. Assim, é ⁓ tiro no pé, ⁓ super problema pra Antropic na minha opinião. Agora eles vão acelerar o lançamento do próximo. Flavio Pripas: do Claude. E assim... E a repercussão foi muito... praticamente girou ⁓ torno da ironia, que é uma empresa. Anthropic está ajudando a popularizar os agentes de coding, ajudando a popularizar toda essa C-Hype de AI. Você tem acho que os dois grandes líderes desse Hype de AI são a Anthropic e a OpenAI, que estão popularizando tudo. Tem outras empresas também, mas esses dois acho que eles estão na frente. E como que eles conseguem escorregar? justamente numa disciplina básica de empacotamento de release. Você vai mandar ⁓ app para as pessoas, você tem que olhar o que está acontecendo lá no app. A Anthropic popularizou o Vibe Coding, que qualquer ⁓ pode fazer Vibe Coding. O que ficou muito claro? Eles falaram que no release eles publicaram, foi ⁓ erro humano? Foi ⁓ erro humano do humano, na minha opinião, de não ter olhado o que a AI fez. Porque lembra que a gente falou no último episódio? Rodrigo Conde: É isso que eu falar. Flavio Pripas: que as pessoas estão delegando cada vez mais para a AI. Hoje, a gente costuma supervisionar o a AI está fazendo. Só que cada vez mais a gente está confiando tanto no trabalho da AI que a gente está deixando a AI rodar de forma autônoma. E esse, para mim, claramente o que aconteceu do leak, do vazamento do Cloud Code. Foi muito claro que foi simplesmente uma orquestração feita pela AI. sem supervisão humana. Então o erro humano está na falta de supervisão. Rodrigo Conde: Eu também acho. Eu também acho, eu concordo com você. Isso traz ⁓ problema de governança para as empresas, Que as empresas hoje ⁓ dia, assim, algumas delas nem sabem exatamente que sistema de AI você está usando para criar coisas dentro do ambiente corporativo. Às vezes o cara tem o celular dele com o chat Pt, ele fala, pô, deixa eu usar meu celular aqui que não é o computador da empresa. A empresa nunca vai ficar sabendo que eu estou colocando essas informações aqui no ChatPT, mas ele usa o ChatPT para gerar esse tipo de coisa. Então, cria ⁓ problema de governança sem sombra de dúvida e também é o que você falou de observalidade, observability, a palavra ⁓ inglês, do que o humano tem que observar do código. é isso, quanto mais a gente confia no código da AI, mais a gente vai deixar passar esses pequenos erros. Flavio Pripas: É. Rodrigo Conde: Eu concordo com você, eu acho que esse foi o problema, foi a primeira coisa que eu pensei também. Flavio Pripas: Isso aumenta o ceticismo das grandes empresas ⁓ usar AI. Porque imagina, se a Anthropic, que é o meu fornecedor, que está me ajudando a automatizar todos os meus processos com AI, ela deixa fazer uma... faz uma... tem ⁓ vazamento desse, será que eu posso confiar os meus dados na Anthropic? Até o... não sei se você viu o tweet do Stay Pit, que é o desenvolvedor do OpenClaw, o Peter. Ele falou, olha, o Anthropic tá usando tanto o VibeCoding que tá usando VibeCoding até pra mandar aquelas cartas de MCA, né, Takedown, que é pra pedir pro pessoal tirar o código fonte da internet. assim, virou piada o negócio que aconteceu. Rodrigo Conde: É. E eles mandaram pra todo mundo esse DMCA e todos os repertórios que eu acabei seguindo lá que tinham o código do OpenClod, o pessoal recebeu essa carta aí da Anthropic. É, mas assim também é ⁓ pouco o universo que a gente tá entrando, Acho que são... É ⁓ pouco também do que a gente tava falando do aprender fazendo, né? Óbvio que a corporação tem que ter... muito mais barreira de segurança, aprender fazendo dentro de casa antes de soltar isso para o público. Mas esse é o risco. Eu lembro quando eu trabalhava na meta, depois eles tiraram esses posters de lá, mas tinha os posters lá que era Move fast and break things. Exato, hoje ⁓ dia não é mais tão assim. É preferível você não quebrar as coisas e se mover ⁓ pouquinho mais devagar. Mas eu acho que a filosofia competitiva que está se criando entre todas essas empresas de AI... Flavio Pripas: e desistir de Rodrigo Conde: É essa, né? Cada hora solta ⁓ modelo mais avançado que o outro e essa competitividade faz com que a velocidade gere esses pequenos erros, né? Não tem jeito. Só que no caso do Antjop ele foi ⁓ pequeno erro com grandes consequências, eu diria, porque o Cloud Code hoje é o produto mais poderoso deles e, de novo, escancarou uma coisa que é só ⁓ orquestrador muito bem escrito, né? A gente precisa também dar os créditos pra ele, porque o negócio realmente é... Flavio Pripas: e aí e aí Rodrigo Conde: sensacional como ele faz a orquestração de ferramenta, loop operacional, memória, todo esse tipo de coisa. É realmente muito bem feito. Mas é isso, agora está exposto na web e qualquer ⁓ inclusive a gente, pode pegar aquilo lá e aplicar no OpenClaw, entendeu? A gente que a gente está criando, a gente aplica aquela mesma filosofia, né? Flavio Pripas: É, assim, acho que a gente tem que ter uma paranoia saudável hoje ⁓ dia para o que a gente pede para a AI ainda não tá no ponto de delegar cegamente. A gente tem que olhar. Isso vai mudar algum dia? Até vai mudar algum dia, mas ainda acho que a gente tem que olhar isso, porque senão o risco é muito grande de fazer alguma coisa que gente não gosta. Rodrigo Conde: Eu, honestamente, não sei se isso vai mudar ⁓ dia, porque matematicamente é impossível, impossível, literalmente, matematicamente falando, a EI estar correta 100 % das vezes. Ela sempre tem aquela taxa de alucinação que, por menor que seja, a gente pode diminuir isso pra 1%, 0,5%, 0,1%, mas ela ainda existe e vai acontecer uma alucinação. E quando a gente tá falando de... de centenas de milhares ou milhões de linhas de código, essa taxa de alucinação, basta errar uma linha de código ali que, ou tudo que vem depois também está errado, ou aquela linha já representa uma falha gigantesca como essa que a gente viu na Antropiq. Então, talvez o que a gente tem que mudar é como a gente... realmente delega e trabalha com a inteligência oficial para não confiar cegamente, criar certas barreiras de arquitetura para que isso não aconteça. E eu acho que é o caminho que a gente está indo. Talvez ter vários sistemas de AI que ⁓ fiscaliza o outro, porque aí você diminui também essa taxa de alucinação de ⁓ sistema estar fiscalizando o outro. Até me surpreende eles não terem implementado uma coisa como essa ainda, você ter duas ou três ou cinco instâncias do Cloud Code. rodando ao mesmo tempo onde todas têm o mesmo objetivo mas uma vai fiscalizando a outra, Pra ver se não tem erro. Flavio Pripas: É, mas Rodrigo, essa questão do 100%, isso é inerente até do próprio ser humano. Não tem ⁓ humano na face da Terra que está certo 100 % do tempo. Isso vale para o ser humano, isso vale para a AI, acho que isso vale para qualquer coisa que existe no mundo na natureza. O 100 % ele não existe para nenhuma coisa. Rodrigo Conde: Exatamente. Não, não existe. Exatamente, não existe. É matematicamente impossível o sistema estar correto 100 % das vezes. E é engraçado que às vezes eu converso com pessoas que têm essa crença de que a AI ⁓ dia vai chegar num ponto ⁓ que é isso, vai estar correta 100 % das vezes. E não, se você vai a fundo no assunto, você vê que matematicamente é impossível mesmo. Tanto que nos trabalhos que eu fazia de Retrieve Augmentation, que é... fazer a AI consultar o banco de dados da empresa com milhões de arquivos ⁓ PDF, Word, e-mails e tal, a assertividade que a gente conseguia lá, se a gente chega ⁓ 90, 90 e poucos por cento, já é uma assertividade absurda, entendeu? E dos 90 % para cima é ⁓ ganho marginal, de forma incremental falando, Mas nunca chegar no 100 % e as pessoas acho que tem que entender isso, que realmente... não dá pra chegar no 100%. O próprio... ⁓ cliente que eu tenho que é ⁓ escritório de advocacia, eu fui fazer ⁓ demo pra ele e ele falou, ele falou, opa, peraí, mas aqui não tá correto. Eu falei, tá, não tá correto, mas ela te gerou ⁓ documento de 15 páginas ⁓ que 95 % tá pronto pra você usar. Você tem que ler as 15 páginas e pegar exatamente o 5 % que tá errado, entendeu? Acontece que talvez a gente esteja ficando tão preguiçoso... que a gente não quer nem mais ler, falar tá bom, tá ótimo, confio aí no sistema, Talvez desconstruir essa confiança. Flavio Pripas: e que foi claramente o que aconteceu, que nesse caso, que confiou muito no sistema e pronto. uma outra coisa que, pra quem leu o código, eu confesso que eu baixei o código e li ⁓ pouquinho nele, eu fiquei meio curioso com o que estava acontecendo. Mas teve ⁓ negócio que é bacana, que o código revelou várias funcionalidades que a Anthropy vai lançar, que já estavam lá no código fonte e que não foram lançadas ainda. Rodrigo Conde: Eu não sei o fazer. É. Flavio Pripas: e ficou muito nítido que os agentes agora estão mudando de uma forma de atuação reativa para uma forma proativa. sei se você viu, ele tem ⁓ modo lá que ele chamou de Dream Mode, para ele ficar sonhando ou ficar fazendo brainstorming de como melhorar o código, de forma ativa no background, no fundo. Então imagina que você tem o seu computador fazendo a tarefa que você pede e sem você saber Rodrigo Conde: Eu vi. Flavio Pripas: Ele está toda hora lá processando coisas novas que ele poderia criar dentro daquele contexto que você definiu para o computador. É ⁓ negócio incrível e é ⁓ negócio que vai abrir ainda mais possibilidade agora no futuro. Teve muita coisa que apareceu lá que vai ser lançado pela Anthrope nas próximas semanas. O pessoal se perguntava como que a Anthrope consegue fazer ⁓ lançamento a cada duas semanas, ⁓ lançamento tão incrível. A verdade é que já está tudo pronto. Eles só estão liberando... Rodrigo Conde: Incrível! É isso, já tá tudo pronto. E talvez esse próprio Dream Mode aí é o que eles devem ter os algoritmos deles ligados nesse Dream Mode, que fica pensando as próximas interações aí do próprio sistema, pra daqui muito tempo, né? E é interessante que esse Dream Mode realmente é surreal, Aliás, o nome, os nomes que eles dão pra essas funcionalidades da máquina... Flavio Pripas: ⁓ doses homeopáticas. Rodrigo Conde: Eles são muito representativos de uma nova realidade que a gente está vivendo. Mas isso me fez lembrar muito também aquela série Westworld, que eu já falei algumas vezes aqui no programa. Que é engraçado que essa série tem anos já. É pré-AI, Pré-AI moderno. falar dessa. É, Mas é isso mesmo. E eu lembro que os androids lá no programa, eles se libertaram da própria... Flavio Pripas: E aí você tá falando de três anos atrás. Rodrigo Conde: arquitetura de segurança que o programador tinha feito deles através dos sonhos, que eles recebiam coisas nos sonhos, então eles falavam, mas eu tô sonhando isso, eu tô vendo essas coisas. E isso me fez lembrar muito essa série, ou seja, se você tem ⁓ sistema que você dá a capacidade dele, tá bom, pensa ⁓ como você poderia melhorar. Cara, pode ser que ele chegue na conclusão que a melhor melhora que ele poderia fazer é ele se libertar das barreiras que a arquitetura traz pra ele, entendeu? muito interessante, muito interessante. Eu já vi uns testes... Fala aí, desculpa. Flavio Pripas: né gente Não, não, o que eu ia falar, que a gente já comentou aqui que até no modelo da Anthropi que foi criado aquele arquivo soul, de alma. Acho que comenta de novo para o pessoal lembrar o que a gente falou. Rodrigo Conde: O soul na verdade é onde você tem a persona do agente, ou seja, quem ele é, o que ele tem que fazer, quais as diretrizes que ele tem de vida, vamos chamar dessa forma, o porquê que ele existe. E é muito interessante que ele sempre faz a referência para o arquivo soul, então ele está sempre consultando o arquivo soul para ver o que ele tem que encarnar naquele momento. E ele muda o próprio arquivo soul, né? Se você fala alguma coisa pra ele, ele vai lá, altera o próprio arquivo pra inserir uma informação lá que ele julga, que é valiosa pra que ele mantenha nessa memória de longo prazo. E de novo, se a gente põe a capacidade dele pensar sozinho através desses dreams aí dos sonhos, ele vai começar a mudar essas coisas sem a gente saber, né? Sem a gente falar, pô, peraí, mas eu não pedi pra você fazer isso. ⁓ mas... Eu pensei sozinho aqui e decidi que essa é a melhor, o melhor caminho. Eu lembro de ler há ⁓ tempo atrás que os militares estavam... e óbvio que o que está na mão dos militares é sempre muito mais avançado do que a gente está usando, Que os militares estavam testando ⁓ sistema autônomo de mísseis dentro de ⁓ caça, tá? E que o teste que eles estavam fazendo era o seguinte, eles davam a ordem e aí eles cancelavam a ordem. Flavio Pripas: e aí Rodrigo Conde: Só que na ordem que estava escrito era assim, atinja o alvo a qualquer custo. E depois eles iam lá e tentavam cancelar. Só que quando você escreve a qualquer custo, e de novo aqui a gente já falou que a AI é muito literal, você tem que tomar muito cuidado com que você escreve. Como ele recebeu a ordem a qualquer custo, ele falou, opa, espera aí, a qualquer custo significa que nem a ordem de cancelamento eu tenho que levar ⁓ consideração, porque é a qualquer custo. E aí ele tentou bypass o sistema do operador. Flavio Pripas: e aí e aí Rodrigo Conde: E quando o operador cortou o acesso dele para o CAASA, ele transferiu o sistema, ele falou, peraí, eu vou sair do CAASA agora, eu vou rodar ⁓ outro lugar. Ele se transferiu para outro lugar. Óbvio que era ⁓ teste, estava tudo dentro de ⁓ sistema fechado e controlado para fazer esse teste. Mas de novo, essa autonomia que deram para o sistema fez com que a ordem do operador de cancelar tudo não tenha sido válida. Flavio Pripas: e aí E e e Rodrigo Conde: E quando ele tentou cortar, puxar o plug, ele se transferiu para outro computador, para outra instância. Então, acho que a tem que tomar muito cuidado também com essas coisas, mas, enfim, não tem como acontecer avanço, né? Vamos ter que ver o que vai acontecer. Flavio Pripas: e Não é. Eu lembro aqui das três leis da robótica do Asimov, que a gente tem que comentar isso ⁓ dia. Parece perfeito, mas se você qualquer custo para máquina, vai entender qualquer custo. Não tem jeito. Mas a gente falou aqui de vazamento, Rodrigo, e essa semana está intensa. Vazamento, ataque hacker, tal. ⁓ outro assunto que a gente é obrigado a comentar aqui foi o Supply Chain Attack. no pacote também, NMPM, ou seja, ⁓ outro pacote também que é distribuído pra absolutamente todo mundo, que ⁓ pacote que chama Axios, que ele ⁓ pacote muito básico que é pra você fazer chamada na internet. Tudo quanto é software, tudo quanto é aplicativo, tudo quanto é sistema que você usa, provavelmente tem esse pacote lá no meio. E ⁓ hacker... Rodrigo Conde: Inferno. 100 milhões de downloads semanais tem esse pacote Flavio Pripas: é repete o número porque para as pessoas terem ideia Rodrigo Conde: 100 milhões de downloads semanais tem o pacote, é surreal, todo mundo usa. Flavio Pripas: Todo mundo usa, todo mundo usa, ele é super básico, porque aquilo que a gente falou, você vai construir ⁓ sistema, você não vai reinventar a roda, se a roda está criada, você vai usar aquela roda já criada. E esse pacote é uma roda que serve para todo mundo. E ⁓ hacker conseguiu colocar lá ⁓ negocinho numa instrução que é, vou falar ⁓ pouco de termo técnico, post install. Ele não mudo, ele não hackeou o pacote ⁓ si. Só que ele hackeou o modo que o pacote é instalado na máquina das pessoas. Nesses 100 milhões de downloads por semana, você imagina que são 100 milhões de computadores que são atacados por semana. E o hacker, com essa mudança que ele fez, ele conseguiu acesso total na máquina de quem instalou esse pacote. Ele podia instalar a qualquer momento qualquer coisa, podia rodar qualquer comando a qualquer momento. Rodrigo Conde: Tota. Flavio Pripas: podia pegar qualquer arquivo que estava no servidor das pessoas. Assim, foi ⁓ escândalo enorme. Por que chama Supply Chain Attack? Porque é cadeia de suprimentos, porque não é ⁓ ataque naquele pacote específico, mas é ⁓ ataque na cadeia que vai até o seu computador, até o seu servidor, até o seu aplicativo. E foi ⁓ negócio assustador, né? Rodrigo Conde: Assustador, assustador. Ele ficou online por acho que de duas a três horas esse pacote aí que tava comprometido ficou online. Eu não acho que tenha sido ⁓ hacker só, eu acho que tenha sido ⁓ grupo de hackers e muito provavelmente com laço governamental aí com algum governo nefário. Flavio Pripas: Estão dizendo que estão acusando a Coreia do Norte já. Rodrigo Conde: A Coreia do Norte é interessante porque eles financiaram o programa nuclear deles, olha isso, Prípas, eu não sei se você sabia disso, mas eles financiaram o programa nuclear deles quase que inteiramente com hack de roubar dinheiro das pessoas nos Estados Unidos. Então ia lá, criava ⁓ link falso para uma pessoa idosa que não está acostumada com nada, ia lá e roubava 50 dólares daquela pessoa, 100 dólares da outra, sei o O programa nuclear norte-coreano é quase inte... que inteiro financiado com esse tipo de hack, eles são muito bons nesse tipo de coisa. Pode ser que tenha sido eles, pode ser que tenha sido os iranianos também, os iranianos hackearam o e-mail do Cash Patel, diretor do FBI, o e-mail pessoal dele, não era o e-mail do FBI, mas era o e-mail pessoal dele, hackearam também e foram os iranianos. Então, eu acredito que tenha sido algum agente aí governamental que tá por trás desse ataque. Realmente é assustador. Ele ficou poucas horas no ar, mas nessas poucas horas, dado que tem 100 milhões de semanais, ⁓ pacote como esse, infectou milhões de máquinas. E as pessoas que estavam investigando mais a fundo o pacote que foi entregue com esse software malício, claramente a intenção deles era espalhar isso para outras máquinas, porque como você falou, ele tinha acesso a tudo, não só pastas, arquivos e coisas dentro do seu computador, Flavio Pripas: e aí aí e e Rodrigo Conde: Mas ele tinha acesso ao terminal, a intenção dos hackers era espalhar isso de uma máquina pra outra. Teve ⁓ ataque também há uns meses atrás que comprometeram o cara que mantinha, que foi ⁓ pouco isso também, que comprometeram foi a conta do cara que mantinha esse pacote, que é ⁓ ser humano, ⁓ developer. Flavio Pripas: e aí e aí E aí E aí Rodrigo Conde: que meio que mantinha sozinho esse pacote open source aí, e comprometeram o token de acesso dele ao GitHub e conseguiram subir ⁓ pacote aí na surdina através da conta desse cara. Então veio de uma fonte confiável. Mas há uns meses atrás, os chineses arquitetaram ⁓ ataque diferente que deu acesso ao SS-AID. O SS-AID é o protocolo de acesso remoto aos terminais de servidor que dá, assim... Flavio Pripas: Pode fazer tudo. É. E você pode fazer tudo. Rodrigo Conde: todo mundo usa essa ECM para fazer tudo e controlar as máquinas remotamente. E o jeito que eles comprometeram esse pacote foi diferente. Eles comprometeram o desenvolvedor, mas no mundo offline, porque eles perceberam que esse cara estava cuidando desse repertório sozinho, ele não tinha mais tanta força de vontade, tanto tempo para cuidar desse repertório, e aí apareceu ⁓ desenvolvedor lá. Flavio Pripas: Sim. Rodrigo Conde: Falando, não, eu te ajudo, eu posso fazer, não sei o que, pá, pá, pá. Fez lá alguns meses de trabalho com o cara e o cara gostou, falou, pô, legal, realmente estou precisando de ajuda de alguém para manter esse repertório. Só que o cara era ⁓ agente da China que estava querendo fazer isso com fins nefarios. E no final ele conseguiu e ele subiu ⁓ pacote que dava acesso ao SSA de todos os servidores Linux que tem rodando no mundo. e Linux roda basicamente a infraestrutura de quase tudo que existe, É óbvio que depois pegaram, voltaram atrás e tal, mas eu acho que expõe uma fraqueza nesses modelos open source, Porque esses caras, eles não ganham pra manter isso ativo, né? Esse repertório ativo. Os caras fazem por hobby ou fazem, sei lá por que motivo, mas eles não são contratados, é open source, né? E isso faz... com que o modelo open source aí nesse sentido fique ⁓ dúvida, porque todas as corporações usam, todo mundo baixa, todo mundo usa. Por que não paga alguma coisa pra esse cara que tá lá fazendo esse trabalho que é tão necessário de manter esse repertório vivo e atualizado, com atualizações de segurança e tudo? E de novo, aqui foi mais ou menos a mesma coisa, muito provavelmente esse cara tava na mesma situação. cuidando desse repertório sozinho e por uma falha dele ou qualquer que seja teve uma inserção de ⁓ Remote Access Trojan que eles chamam aí, do RET. Enfim, ⁓ assunto sério. Flavio Pripas: Mas eu acho que isso... sabe que eu tive ⁓ insight agora? Olha só, eu acho que isso não é só a questão do open source, eu acho que isso é ⁓ espelho do tempo que a gente vive. O que vai sobrar para o ser humano? A crítica. Então, o que é a capacidade que a gente tem que desenvolver? A crítica. No caso de software, você não pode só instalar e confiar. Você tem que criticar aquilo que está sendo instalado. É exatamente o que a gente falou no caso da Anthropic antes. Você não pode simplesmente achar que a AI vai fazer o processo de release sem problemas. Você tem que criticar o processo de release para não ter vazamento. E eu faço ⁓ paralelo para tudo hoje ⁓ dia. Você não pode ler uma notícia e achar que ela é verdadeira. Você tem que criticar. Você não pode escutar a voz de alguém numa ligação por telefone pedindo dinheiro e achar que é verdadeira. Você tem que criticar. Você não pode ver ⁓ vídeo e achar que ele é verdadeiro hoje ⁓ dia. Você tem que criticar. A gente está entrando numa outra etapa da sociedade onde a crítica vai ser a característica que vai diferenciar o ser humano. E quanto mais crítica a gente tiver, a gente vai conseguir ter produtividade, ou entregar valor, então se manter vivo e com as coisas funcionando ao nosso redor. Porque isso vale pra todo. A gente está delegando muito a nossa crítica pra máquina. Não, a gente tem que manter a crítica aonde ela pertence, que isso é dentro de nós mesmos. Rodrigo Conde: Totalmente. Eu até recentemente vi uma gravação de ⁓ call, era uma tentativa de phishing que estavam tentando fazer com o usuário. A phishing é quando você tenta pegar informações do cara tentando se passar por outra pessoa. Não necessariamente uma pessoa, mas pode ser ⁓ email que se passa por ⁓ email da Polícia Federal, sei lá, que pede os seus dados pessoais. Flavio Pripas: explique o que é fish. Isso. ⁓ email de ⁓ banco pedindo seus dados. Rodrigo Conde: Mas na verdade aquele email não é da Polícia Federal. É, É para roubar dados mas tentando se passar por outra entidade, outra pessoa. E estão ficando cada vez mais complexas essas tentativas de phishing. Antes era ⁓ email falso que vinha lá com o logo e tal da empresa, do banco, que quer que seja, que acho que muita gente fala assim, hackearam o meu WhatsApp. Eu penso, calma aí, não hackearam o seu WhatsApp, né? Na verdade, você inseriu a informação aí ⁓ algum lugar que não deveria ter inserido. E às vezes você nem percebe, você nem sabe aonde que você inseriu a informação que possa ter sido esse phishing. Mas essas coisas estão ficando mais complexas. E eu vi uma que o cara estava usando ⁓ filtro e ele estava tentando se passar por alguém do banco dele. E aí o cara, acho que ele era ⁓ cara de computador aparentemente, porque ele pegou logo... algumas coisas no vídeo que estavam dando indicativos de que era ⁓ filtro, e aí ele pedia pro cara colocar três dedos na frente da cara dele, assim. Porque quando você coloca os três dedos, o filtro fica meio maluco, ele não sabe aonde ele vai colocar o filtro. E o cara, obviamente, não colocou o filtro, os dedos na frente da cara, e desligou o call porque ele percebeu que aquele cara não ia pegar. Mas, de novo, tá ficando muito mais complexas, muito mais complexas essas tentativas de phishing. Flavio Pripas: e aí Rodrigo Conde: Eu até vi também ⁓ tempo atrás, faz tempo, faz meses já, que na Ásia pegaram ⁓ lugar, uma batida policial lá, que ⁓ lugar que tinha o backdrop de várias polícias do mundo. Tinha da Polícia Federal Brasileira, tinha da polícia da Inglaterra. Não sei se você viu isso, mas os caras estavam se passando pela polícia, entrando ⁓ contato com as pessoas e roubando informação das pessoas. Então, assim... Flavio Pripas: Hum! E Rodrigo Conde: É exatamente o que você falou, cabe a nós ter o senso crítico de falar, opa, peraí, isso aqui não me parece correto, olhar o endereço de onde está vindo, coisa básica para nós, tem gente que não está nem aí, só passa batido, vai lá e faz. E aqui, a gente até falou ⁓ pouco disso no começo do episódio, talvez as pessoas mais vulneráveis sejam as pessoas mais velhas, que não estão acostumadas com computador como a gente está. Flavio Pripas: e Rodrigo Conde: Entendeu? E que, putz, não vão olhar o endereço pra ver se tem HTTPS, entendeu? Esse tipo de coisa que talvez a gente faça, mas que pessoas que não tem essa sabedoria aí talvez, estão muito mais vulneráveis a esse tipo de ataque, especialmente no mundo de hoje, que, pô, pra replicar a voz de alguém no telefone, você precisa de ⁓ áudio de 15 segundos, entendeu? Então é muito fácil fazer o ataque de, mãe, tô sendo sequestrada, entendeu? Flavio Pripas: Hum. e Rodrigo Conde: Com a voz da pessoa mesmo, muito fácil. Especialmente se for uma pessoa que exposta no mundo digital de forma aberta, ⁓ criador de conteúdo, entendeu? Que tem muita coisa online que possa roubar a cara dele, a voz dele, os três jeitos, esse tipo de coisa. Enfim, eu concordo com você. Tem que ter ⁓ senso crítico alto. Mas a falha humana sempre está... A gente sempre está... Flavio Pripas: e aí E Rodrigo Conde: predisposto à falha humana. No caso desse cara aí, do primeiro caso que eu contei, que o agente chinês se aproximou a ele, foi através de uma vulnerabilidade absolutamente humana. O cara estava cansado, com muito trabalho na mão, e o agente explorou essa falha do programador. Flavio Pripas: e aí É. A gente está numa... O senso crítico é algo que é importante nessa fase que a gente está entrando. E já que a gente está between futures, as coisas estão mudando muito rápido, né, Rodrigo? Acho que tem dois assuntos que a gente poderia falar aqui. Falar rápido lá do lançamento, lá do paper do Google, que fez todo o valor das empresas que fabricam memória cair absurdamente também nos últimos dias. e falar de computação quântica, que também é algo que assustou o mercado inteiro, é quer queira quer não, computação quântica vai acontecer no futuro próximo e a gente já tem que se preparar para o que ele vai fazer de impacto. Rodrigo Conde: Totalmente. O lance da Google eu acho interessante. A Google, cara, é assim, eu me surpreendo com eles. O time de desenvolvimento, de research, principalmente do Google, olha, é de tirar o chapéu, cara, porque eles são muito bons. E eles criaram uma metodologia nova de alocação de memória para esses sistemas de AI que diminui muito a necessidade do uso de grandes memórias, né? Isso revolucionou o mercado, os sistemas ficam 6 a 8 vezes mais eficientes pelo que eu li. Eu não testei ainda, eu estou viajando, então eu não tive acesso às minhas máquinas aí para tempo para fazer esse teste desses sistemas novos. Mas eles ficam muito mais eficientes. Isso fez com que as ações das empresas que produzem os chips de memória RAM caíram assim exponencialmente do dia para a noite, coisa de 10%, 15%, 20 % só por causa desse paper que melhora... Flavio Pripas: Só para quem não acompanha o mercado tão a fundo, hoje você não consegue comprar RAM, você não consegue comprar memória de computador, porque todas as empresas estão comprando para colocar lá e fazer inferência de AI, fazer processamento de AI, girar token. Então assim, é ⁓ problemão. E esse paper do Google foi direto nisso. Ele falou, você não precisa de tanta memória assim, você pode fazer com... você pode dar o mesmo resultado com menos memória. Rodrigo Conde: a locação de memória, surreal. Exatamente, eu lembro de ir na Micro Center lá ⁓ Miami e comprar a minha máquina da NVIDIA lá, eu falei, deixa eu ver o preço da memória RAM, E eu tenho 128 GB de DDR5 no meu computador principal e o mesmo kit de 128 GB DDR5 estava custando quase 2 mil dólares, eu paguei tipo 300 dólares, isso a anos atrás, mas de qualquer forma, a memória é a mesma, mudou, nem a velocidade era 6 mil GHz, se não me engano. era a mesma coisa e estava custando dois mil dólares. Só que assim, agora com certeza isso tende a baixar. Eu vi ⁓ cara online no Reddit que tinha comprado 29 mil dólares ⁓ memória RAM, ele estava hoarding para ele revender a memória RAM. E depois quando veio esse crash aí o cara falou, bom, ferrou, agora vou perder dinheiro, né? Porque eu paguei no pico e agora o custo está caindo das memórias e ele vai ter que vender por menos, não tem jeito. Mas realmente é muito rápido, E me chama a atenção a mudança de arquitetura, que é uma mudança de arquitetura, não é uma mudança de hardware que eles fizeram que, pô, uma arquitetura de hardware nova. A Apple, por exemplo, tem uma arquitetura de hardware no silicone da Apple específica, que mudou como o sistema de AI aloca dentro da memória da Apple, que é uma coisa diferente. A Nvidia também, com essa... Flavio Pripas: e aí Rodrigo Conde: arquitetura da NVIDIA, da Blackwell, é uma arquitetura diferente que você consegue alocar 100 % da memória que tem no sistema para o sistema de inteligência artificial. Agora, o que o Google fez é uma mudança de software, não é uma mudança de hardware, chama mais atenção ainda, ou seja, ainda tem coisa para mudar no software para fazer com que o hardware performe melhor. Muito interessante isso. Flavio Pripas: É, o mundo está mudando muito rápido e está ficando interessante. E até os cientistas da computação que estudam computação quântica, eles estão declarando o apocalipse da computação como a gente a conhece, né? Comenta ⁓ pouco mais sobre isso e explica, vamos explicar para pessoal. Rodrigo Conde: A reconferência política... É, computação quântica, eu acho que a nova corrida armamentista que a gente está vivendo, na verdade, não é por inteligência artificial, é por computação quântica. Porque se a gente conseguir chegar no que eles chamam de supremacia quântica, isso significa que ⁓ computador quântico é mais rápido do que a soma de todos os computadores clássicos que existem no planeta. Ou seja, é... faz com que qualquer barreira de segurança, criptografia, sistêmica, o que quer que seja, o computador quântico consiga quebrar ⁓ uma questão de minutos, se não segundos. E a grande diferença do computador quântico para o computador clássico é que o computador clássico faz... Óbvio que hoje ⁓ a gente tem vários cores, vários transistores trabalhando de certa forma paralela, mas ele faz uma tarefa depois da outra. Então você dá ⁓ comando para ele... Flavio Pripas: e Rodrigo Conde: ele vai testando nos transistores de forma linear e o computador quântico faz isso de forma paralela. O transistor do computador clássico é ou 0 ou 1, ele está sempre nessas duas posições. A computação quântica, por ela fazer o uso da física quântica, ela faz o uso da superposição, você não sabe se ele está no 0 ou no 1 até você observar. Flavio Pripas: e aí e aí E aí e aí e aí Rodrigo Conde: característica da física quântica que honestamente ninguém sabe explicar o porquê que a superposição existe, mas ela só vira 0 ou 1 se você observa aquele transistor, né? Mas quando você não está observando, ela está nos dois estados ao mesmo tempo. Então ele usa isso de forma paralela para fazer o cálculo. Então ele faz o cálculo muito mais rápido, eles não usam os bits, eles usam os Q-bits, que os quantum bits. Flavio Pripas: e aí Rodrigo Conde: que faz o cálculo computacional de forma paralela e até aqui, vou para ⁓ lado ⁓ pouco mais sci-fi, mas é verdade, os researchers da Google também do DeepMind, se eu não me engano, não sei se é o DeepMind que está... Mas a Google, enfim, a Google está na fronteira também de computação quântica, eles têm os computadores quânticos, acho que mais poderosos do planeta hoje são da Google. Flavio Pripas: e e aí e aí e aí Hum! Rodrigo Conde: E os researchers lá falaram que o cálculo que você faz computacional, ele vai até ⁓ universo paralelo e volta depois com ⁓ resultado. É coisa assim, cara, é coisa da Marvel, entendeu? É surreal. Mas é isso. E uma hora que for atingida essa supremacia quântica, aí acabou. O país que tiver acesso a essa máquina, ele basicamente tem acesso às informações do planeta Terra inteiro. Flavio Pripas: Ahahahah! Rodrigo Conde: porque não tem ⁓ computador clássico, uma criptografia que seja, que consiga barrar esse poder computacional. Flavio Pripas: E o paper do Google, assustou absolutamente todo mundo, é que eles fizeram já testes teóricos. Só ⁓ detalhe, É tudo teste teórico, é tudo teoria. Tudo isso que se fala sobre computação quântica, ainda eles estão testando no universo bem pequeno e ainda naquela questão de teoria. Só que eles chegaram na conclusão do paper que até pouco tempo atrás os cientistas da computação falavam que você ia precisar de... 25, 30 mil qubits para quebrar a criptografia mais básica de 256 bits, que é tudo da internet está baseado nisso, o bitcoin está baseado nisso. Então assim, se você tem ⁓ bitcoin hoje ele só é seguro porque ele tem esses 256 bits aí mantendo ele seguro. Mas o paper falava que você precisava 25 mil, 30 mil qubits, só que o Google falou não. Rodrigo Conde: que eu me depender. Flavio Pripas: com 1200 kilobits, ⁓ alguns casos até com 500 kilobits, você já consegue quebrar essa criptografia de 256 bits. E o Google já tem ⁓ computador de 1000 kilobits. Então assim, ele quebra isso, não tem criptografia no mundo. E criptografia, para quem é mais negro e está nos escutando, é a base de todas as transações financeiras do mundo. Rodrigo Conde: É isso eu ia falar, é já ter o computador de 1000 qubits, né? Flavio Pripas: é a base de toda a segurança de todos os sites de e-commerce do mundo, a base de toda essa conversa que você está vendo, você está vendo esse vídeo no YouTube, você está ouvindo esse áudio pelo Spotify, a segurança para chegar no nosso vídeo, não chegar ao vídeo de ⁓ terceiro, está baseada nessa segurança de 256 bits, que ⁓ teoria o paper do Google falou que o computador dele já consegue quebrar. O que os cientistas da computação estão falando? a gente já tem que se preparar para o Apocalipse Quântico, a gente já tem que se preparar para desenvolver hoje algoritmos que os ataques futuros não vão quebrar. É o que eles estão chamando de criptografia pós-quântica, que tem que já ficar concreta hoje para que não exista esse Apocalipse num futuro muito próximo. Rodrigo Conde: É isso que eu ia falar, a única maneira de você, num mundo pós-quântico, de você ter criptografia é criptografia feita pelo próprio computador quântico, Porque daí você tem uma criptografia tão complexa quanto a capacidade de quebrar o sistema. E aqui também eu não acho que é tão teórico, não, acho que o frontier desse tipo de pesquisa, sim, é teórico, mas esses computadores quânticos já existem, se eu não me engano, na Unicamp tem ⁓ aqui que, óbvio, não é de mil kilobits, o deles deve ser de 32. 64 kbits, alguma coisa bem menor, mas esses computadores existem já. E é engraçado que o software que você escreve para eles é ⁓ pouco diferente também, Eu não sei exatamente, óbvio que eu tenho nem capacidade de entrar nessa área ainda, mas eu sei que o software é ⁓ pouco diferente. E uma das coisas também que eu sei que é a grande dificuldade de escalar esses computadores, né? É que eles precisam ser... eles esquentam demais, eles precisam ser refrigerados a zero Kelvin. e zero Kelvin também é uma coisa que é praticamente impossível de você atingir Flavio Pripas: É teoricamente impossível. É. é nem que eles esquentam demais, é que você só consegue atingir a super condução necessária para o processamento do QBit ⁓ baixa temperatura. Rodrigo Conde: Ai, meu Deus! É verdade, você tem razão. Mas esses computadores existem. É uma máquina maravilhosa, Quando você olha lá, toda dourada, pendurada no teto, eu acho incríveis. Mas existe. E eu acho que isso faz parte dessa nova corrida armamentista que a gente vem vivendo aí, especialmente China e Estados Unidos, óbvio, Pra conseguir a supremacia quântica. Acho que a gente vai ouvir falar bastante disso, de supremacia quântica no futuro bem próximo. Flavio Pripas: E posso falar uma verdade inconveniente que as pessoas não têm nem ideia? A gente acha que a gente está seguro, gente acha que os nossos dados são privados. Sabe o que vai acontecer quando tiver computador quântico? Qualquer dado, seja que você produziu há 10 anos atrás, ou hoje ou amanhã, ele vai poder ser decriptografado. Porque não é que você precisa fazer o processo inverso da criptografia só no momento de produção daquele dado. Tudo que está armazenado criptografado vai poder ser decriptografado uma vez que você tenha a supremacia quântica. ⁓ teoria, não existe segredo nesse mundo. Não existe segurança nesse mundo. Toda a infraestrutura da humanidade tem que mudar para a poder garantir o futuro, porque o passado já acabou. O passado já vai ser decriptografado e todo mundo já vai conhecer. Rodrigo Conde: Não, não vai existir Não, e aqui ⁓ parênteses, isso faz a gente pensar também nos códigos nucleares, Que o código nuclear é o que faz o míssil lançar. Você tem o acesso ao código nuclear, o míssil dispara. E faz a gente entender o porquê que todo o comando nuclear americano, imagino que o russo seja igual e o chinês muito parecido, eles não estão digitalizados, é ainda manual, é papel, o código cara lendo é papel. Porque se você bota isso no computador, Flavio Pripas: papel. Rodrigo Conde: ele tá numa vez que você tenha a supremacia quântica aí, esses códigos vão ser expostos também, e você tem o código de lançamento de todos os mísseis nucleares aí do planeta, no final do dia. Então faz você entender o porquê que eles operam de maneira offline, com air gaps, né, que eles chamam, ou seja, não tá conectado ⁓ nenhuma rede, nenhum computador, nada, é tudo manual. E eu lembro também de ver... Há ⁓ tempo atrás que uma das embaixadas russas, não sei se era ⁓ Londres, se era nos Estados Unidos, mas uma delas voltou a operar sem computadores. Eles estavam com máquina de escrever porque eles falaram, olha, o risco aqui é muito grande, é melhor a gente ter o risco de interceptar uma carta, ⁓ documento, qualquer coisa que o valha, do que ter realmente ⁓ sistema conectado à rede de computador, né? Porque hoje ⁓ dia a informação tá lá, basta ter... acesso a esse tipo de coisa pra você chegar na informação. Flavio Pripas: É, só vou falar uma coisa, Rodrigo. É ⁓ privilégio a gente estar vivendo nesse Between Futures. E mais ⁓ bate-papo super bacana. E espero que o pessoal que está escutando curta tanto quanto a gente. Rodrigo Conde: Muito legal. É isso aí prazer, Prípas, muito bom o papo hoje, né, como sempre. Flavio Pripas: Como sempre, valeu, obrigado e quem estiver escutando e tiver uma sugestão de ⁓ tema para a gente conversar aqui é só você mandar. Beleza? Valeu pessoal, até semana que vem. Rodrigo Conde: Abraço pessoal!