Juan: Hello! Raquel Vareda: Olá, bem-vindo de volta. Há quanto tempo não falava contigo? Literalmente estivemos fora. Estivemos literalmente fora, estivemos ⁓ Itália uma semana, mas... já passou ⁓ mês desde que estivemos ⁓ Itália, na verdade. Nós deixámos, sim, nós fizemos uma pausa estratégica. Juan: Então, como estão pessoal? Há muito tempo que não tínhamos tempo para isto. De facto... Já passou o quê? Mais de ⁓ mês desde o último episódio. Acho que tens que explicar aí porque nós dissemos às pessoas, não me lembro, no último episódio que gravamos, dissemos que para a semana vamos estar ⁓ Marrocos e vamos fazer esforço de gravar na mesma. E de repente ⁓ mês depois aparecemos e tu estás a dizer, ⁓ tivemos ⁓ Itália. E eu what? Explica. Raquel Vareda: Temos a Itália! Então é assim, nós tínhamos viagem marcada para Marrocos, voo comprado, felizmente tínhamos hotel com cancelamento gratuito, e na segunda-feira, nós íamos no sábado, ok? Na segunda-feira anterior, o que aconteceu foi que estávamos a ver a meteorologia, porque estávamos a preparar efetivamente a viagem e percebemos que ia existir uma onda de calor, temos a falar, nós íamos... Juan: certo Raquel Vareda: Final de maio e início de junho, era uma semana. Percebemos que ia existir uma onda de calor e que iam estar 40 graus à sombra, durante todo dia ⁓ Marrocos. E nós íamos com a Julieta, que tem 16 meses neste momento. Juan: Uhum. Uhum. e Zato... Raquel Vareda: Por isso não achámos mesmo que fosse uma boa ideia porque ia estar mesmo muito calor e ela também não tolerava muito bem o calor, bom, nem ela nem o Juan, na isso decidimos desesperadamente cancelar as coisas e marcar outro sítio e tivemos uma manhã muito anxiogénica a tentar decidir onde é íamos. Quase. Juan: Exatamente, exatamente. Eu não quero ir de zé. Não é, não Sim. Sim, sim, Pois. Raquel Vareda: Seguimos não ir a lá de nenhum, mas depois pensámos... Itália. Itália é sempre uma boa ideia. Juan: Mas a Raquel desenvolveu ⁓ plano... exato. Sim, Sicília, especificamente, tivemos... Foi o que acabamos por escolher e a Raquel teve assim todo ⁓ plano maléfico, mesmo a Raquel, ⁓ que tipo ali numa hora definiu uma viagem para a Sicília, todo o rotério e tudo mais e o sítio e ainda conseguiu convencer uns amigos nossos a virem connosco e portanto foi brutal, especialmente por essa parte, porque fomos juntos, fomos dois casais com duas bebés pequeninas. Raquel Vareda: Não! Foi muito bom, foi muito bom. Foi intenso como viajar com bebês é, mas... Mas foi muito bom. E, pois, entretanto, passaram três semanas e trabalhámos e não tivemos mesmo tempo para isto. O que é que aconteceu? O que é que aconteceu nestas três semanas? Nós nunca tivemos tempo para isto. Juan: Foi espetacular por causa disso. Foi espetacular. Viajar com crianças é intenso, não é? Yeah, yeah, yeah. Sim. Sim, basicamente foi isso. É assim, tu mudaste do local de trabalho, depois houve outras questões a nível de emergências no meu trabalho e, portanto, foram mesmo semanas muito, muito, muito doidas. Sim, sim. Estamos cá de volta para falar dos temas mais importantes do momento e, por isso, então... Raquel Vareda: Então... Juan: Algo importante que se está a passar neste momento é o Mundial de Futebol. Eu tinha achado... Eu achei que tinha piada nós abordarmos aqui algumas questões sobre o Mundial. Só que agora já vamos ⁓ bocado tarde porque Portugal foi eliminado ontem, não é? Quando eu pensei nisto... Quando eu pensei nisto era porque, tipo, pensei... ⁓ que giro! Raquel Vareda: Nós tínhamos todo ⁓ jantar temático hoje. Exato. Juan: Portugal está a jogar e tivemos a ver o jogo contra o Congo. Tivemos a ver o jogo contra o Congo no dia anterior a lá que era e depois, entretanto, passou ⁓ mês e Portugal foi eliminado contra a Espanha. E eu tinha planeado ⁓ jantar espanhol hoje naquela de, conquistamos Espanha, vamos comer umas tapas, mas foi mal pensado porque afinal, eles conquistaram 10 anos. Mas comemos ⁓ jantar espanhol, não mesmo, mas estava muito bom. Raquel Vareda: Foi ⁓ pouco ao contrário. Tava ótimo, sim. Juan: É vingança agora nós comemos a comida deles, assim, sem autorização, I guess. Mas pronto, Raquel, tu que és uma connoceor do futebol e uma adepta... Raquel Vareda: Side note, eu não percebo absolutamente nada de futebol. Existe uma bola. Juan: percebes, percebes, percebes e por isso nós queremos muito ouvir a tua opinião aqui sobre desenvolvimentos no mundo do futebol. Porque não sei se sabias, mas agora neste mundial mudaram algumas regras, faço aquilo que havia antes, que as regras do futebol já têm. Raquel Vareda: Eu não faço ideia o que é nós estamos a falar. Continua. Juan: Não, pronto. o que acontece agora? O que eu queria era propor-te aqui algumas regras, algumas são verdadeiras, outras são só sugestões, e queria que tu me dissesse, que achas que o jogo ia ser mais divertido ou menos divertido se fosse implementado estas regras. Isto porque, certamente, tu esta parte concordas que às vezes ver futebol é uma seca, não é? Raquel Vareda: E Às vezes... Eu não consigo... Juan: Não, mas não é sempre, mas imagina, há muitos jogos tipo então nas seleções, nos jogos do Mundial há jogos que é tipo passa a bola, passa para aqui, passa para ali, avança ⁓ bocadinho, recua ⁓ bocadinho, fica 0-0, fica 0-0. Não são todos os jogos assim, obviamente, não assim, não acho que ninguém via futebol, mas há muitos jogos assim. E então, pronto, mudaram algumas coisas. Portanto, vamos lá, quickfire, para podermos passar para o próximo tema. Pausas para hidratação. Raquel Vareda: Isso não é mais ou menos todo jogo. Juan: que é para os jogadores tipo a meia de cada parte poderem hidratar se achas fixe ou não. Mais divertido? Raquel Vareda: Sim, concordo. Não sei se diria mais divertido, mas concordo que é necessário para a saúde deles. Ainda por cima estão 90 minutos a correr como assim não existiam pausas de hidratação. Juan: saúde pública e tal, ok, pronto. Essa é regra... Não existiam, existiam. Havia outras formas de separar o jogo, mas pausas de hidratação formais é uma coisa relativamente nova. verdade, estamos a ver este Mundial agora. Médicos saúde pública ⁓ cada equipe. Isso podia ser engraçado, Ia reduzir a qualidade do jogo, talvez. Mas então, então, então vá. Agora, as sugestões. Vou-te fazer tudo isso. Dizes-me, mais divertido ou achas que ia ser menos divertido? Primeira sugestão. O guarda-redes de cada equipa. Raquel Vareda: Isso é absurdo. Não tem nenhum médico de saúde pública na equipa. Continua. Juan: pode defender com qualquer parte do corpo, certo? Mas se defender, por exemplo, com o braço direito, uma bola, ele depois já não pode usar mais o braço direito nesse jogo. Vai ficando sem partes do corpo usado, estás a perceber? Braço direito, braço esquerdo, pernas, depois só tem que defender com a cabeça, com o peito, até que chega a não ter nada e depois aí então volta ao início. Era mais divertido, não era? Veja, eu sei que tu és uma verdadeira conhece-a do futebol, tu vais revolucionar o futebol daqui. outra regra era... Raquel Vareda: Ok, senti que era só. Juan: Era só sabemos a tua opinião sobre isto? Era sabemos a tua opinião? Acho que as pessoas querem saber a tua opinião. Outra sugestão era, imagina, a bola bate três vezes na trave, conta como golo. Tu achas que isso seria justo? Raquel Vareda: Eu não estou a perceber o objetivo disto mas continuo. Não, isso não faz sentido. Se bem que fisicamente do gênero que ela tá ali fazendo ping-pong. Ping, ping, ping. Juan: Não, não, tipo ao longo do jogo ⁓ jogador tenta marcar gole e bate 3 vezes na trave. Isso é quase mais difícil do que marcar gole, certo? Raquel Vareda: Cada adivinho, cada adivinho, receber ⁓ golo só jeito de... You tried, yeah! Só de compensatório! Juan: Claro! ⁓ golo compensatório. Ok, Então, mais divertido. Então, imagina agora, imagina agora, para criar aqui ⁓ bocadinho de desespancos nos jogos, era ⁓ cada uma das equipas tem uns jogadores, não é? Colocava-se ⁓ décimo segundo jogador extra ⁓ cada equipa, mas que era ⁓ adepto. Mas ninguém sabia de que equipa é que era o adepto que ia para cada lado. Ok? Portanto, era tipo ⁓ jogador secreto ⁓ cada equipa. Raquel Vareda: Como assim? Desculpa, tô confusa. Juan: Então imagina, de cada lado adicionas ⁓ jogador novo a cada equipa, não é? Mas pode ser ⁓ adepto dessa equipa ou de outra? Não, ⁓ adepto é ⁓ adepto. É uma pessoa de bancada. Entre uma pessoa de bancada ⁓ cada lado. Achas que era mais divertido ou não? Raquel Vareda: Sim amor, mas os jogadores são todos... Ahhhh! Não, eu percebi... Eu percebi, mas não era isso... Não, eu acho que seras estúpido. Juan: Ok, ok, estamos a chegar aqui ao teu limite, claramente. Outra sugestão engraçada que eu vi era... Porque os jogadores... Isto é de ⁓ artigo do Economist, obviamente. Eu depois ponho o link para quem quiser consultar, foi muito engraçado. Outra sugestão que eles punham era... Tipo, para haver algum skin in the game, algum risco associado, jogadores de todos os outros países que vão ao Mundial agora... Raquel Vareda: Mas viste isto onde? Desculpa, porque as pessoas têm muito tempo livre. ⁓ shit! Juan: nos Estados Unidos, por além de poderem levar o cartão vermelho e o cartão amarelo, que são os cartões que fazem parte das faltas, tinham também a possibilidade de levar ⁓ green card, era a residencia permanente nos Estados Unidos. E portanto, acrescentava aquela motivação extra que é quem jogava melhor naquele jogo recebia ⁓ green card. Não, não há, mas podia haver, se calhar era mais divertido. Última, última, última, eu sou particularmente... Exato. Eu sou particularmente fã desta. se ⁓ jogador se joga ao chão e tipo, ai, tomeu não sei quê e tal, sabes que há muito isso no futebol, não é? Tipo, ai, tocaram-me, aqui a rebolar no chão. Era se se perceber que o jogador afinal esteve ali a rebolar muito no chão e que estava faking it, a próxima falta é grátis. É tipo, podes fazer o que quiseres. Raquel Vareda: Não era... Acho que todos precisamos Juan: Nesse jogador. Podes perceber do género? Da próxima vez que irias fazer falta nesse jogador é grátis! Podes ⁓ caldinho ou ⁓ pontapé na boca, sei, o que tu quiseres tipo... Isso não era mais divertido. Mas meio que equalizava as coisas, o pessoal deixava de fingir, não era? Tipo se caías era porque caísste mesmo. ⁓ meu Deus, não, o futebol contigo não ia ser mais divertido sem dúvida. Douro subjetivo. ⁓ pronto, olha. Raquel Vareda: Como assim? ⁓ Pode-te dar-te ⁓ caldinho. Não, isso é ⁓ apelo à violência. Eu não vou ler. Não, eu não vou ler isso. Não, porque a dor é uma experiência subjetiva. Vamos todos dar as mãos e falar sobre os nossos sentimentos. Juan: Ninguém toca na bola, estão todas as mãos ⁓ círculo ali no meio do campo, acabou o jogo. Raquel Vareda: Não, não, eles estão a dar as mãos e depois eu que a bola e tipo, para cá! Juan: Tu ias enganá-los a todos e fugir com a bola. Ok, pronto. Esta foi a minha tentativa de falar do futebol contigo. Correu como correu. Os nossos ouvintes irão julgar como correu. Acho que é única vez na vida que nós falamos de futebol, os dois. Eu tenho só que dizer... Nós vimos os jogos é uma afirmação muito forte amor. Lamento. Raquel Vareda: Esta é a única forma de eu falar de futebol. Nós vimos os jogos, nós juntámos-nos, nós aceitamos os convites, nós estamos presentes de corpo, talvez não de alma, talvez não de alma. O Juan tenta dizer, olha aquele, e ele tenta socializar. Eu levei o meu Kindle. Juan: Nós estamos com as pessoas que estão a ver o jogo. É assim, eu malta, desculpem. Não, mas imagina, exatamente era o que eu ia dizer. Nós fomos ver o jogo de Portugal-Espanha e Rekka levou o seu quinto lá atrás para o caso de estar a apanhar uma seca a poder ler. Por acaso, acabaste por não ler, mas por tiveste 90 minutos a conversar. Mas se não, não é? Raquel Vareda: Tive 90 minutos a conversar com uma amiga. Juan: Exato, a amiga substituiu o Kindle, mas se não... Raquel Vareda: Vi o prolongamento... Os 6 minutos prolongamento foram a pior parte porque perdemos! Juan: Porque estava toda a gente calada a sofreir e então Raquel pensou, alguma coisa se passa temos que olhar para a TV. Não foi? Já. pronto. Boa companhia, bom ambiente, o que interessa é por isso que nós vemos os jogos, não é? Que mais de relevante se passa no nosso mundo? das que me impressionou, está, quando íamos gravar o último episódio, mas que continua a ser uma realidade, ⁓ é que nos anos... Raquel Vareda: É isso aí. Juan: de repente, eu não sei quando é que isto começou a escapam-me ⁓ bocado, mas de repente as pessoas estão a ter menos filhos na Índia. Isto parece ⁓ bocado aleatório, a verdade é que para nós médicos de toda a pública que pensamos nesta... Raquel Vareda: Hmm... Eu não acho aleatório com o desenvolvimento socioeconómico e escolaridade a aumentar nas cidades, talvez não nas zonas rurais ainda, mas isso é a tendência normal do desenvolvimento dos países. Juan: Mas aí que está a questão que tem sido a tendência normal, entre aspas, não é? Que é os países desenvolvem-se a nível socioeconômico, ficam mais ricos, basicamente, e depois eventualmente as pessoas começam a ter menos filhos e entramos até num cenário preocupante como temos ⁓ Portugal, na Coreia, no Japão, ⁓ Espanha, parte dos países europeus, até na China. Raquel Vareda: Na China, a China... A China está a ponderar passar, estava a hoje numa podcast, está a ponderar passar uma lei. Eles antes tinham a lei, as pessoas só podiam ter ⁓ filho. Agora estou a ponderar passar uma, porque as pessoas só podem ter mais do que ⁓ filho. Juan: Bezade. Exato, Tô tentando obrigar as pessoas a ter filho. A China é sempre ⁓ caso engraçado. Raquel Vareda: Imagina, depois de 35 anos de One Child Policy, as pessoas só estão habituadas a ter ⁓ filho. Culturalmente, é muito difícil reverter. Mas fala-me da Índia. Juan: Mas... certo, mas... pois... Sim. Não, não, não, o que é interessante é que essa narrativa que tu estás a dizer era o que todos nós acreditávamos até há pouco tempo, que é os países fazem ⁓ percurso de serem mais pobres para ficarem mais ricos, as pessoas têm mais educação, as mulheres vão para o mercado de trabalho, etc, etc, e as pessoas deixam... é, e as pessoas têm menos filhos ⁓ geral e portanto a taxa, o índice sintético de fecundidade, neste caso, o número de filhos ⁓ média por mulher, diminui. Raquel Vareda: Começam a ter filhos Juan: Até ⁓ ponto que é grave no nosso caso que a nossa população não se está a renovar ⁓ Portugal, nem sequer com a imigração. Raquel Vareda: A renovação da população seria com 2.1 filhos, deste índice que o Juan falou, que no fundo é a média de filhos que cada mulher deveria ter ⁓ idade fértil. E, portanto, se cada mulher tiver dois filhos, sendo que algumas têm que ter três para dar ⁓ bocadinho mais do que dois, portanto 2.1, nós conseguiríamos ter a renovação da população e não ⁓ decréscimo da população. Pronto. Mas não é isso que acontece. Nós temos... Juan: certo e como devem aí nós já não sei se é 1.4 1.5 temos ⁓ muito baixo ⁓ portugal é muito baixo e na maior parte dos países europeus Raquel Vareda: Não sei, temos que ir a 1.6. ou por antes, sem. Não, mas por exemplo, acho que a Coreia do Sul não era 0.9 ou era uma coisa assim 1.1, mas por antes, sim. Juan: Já não me lembro, mas é muito baixo também. Sim, sim, sim. Tudo o que é abaixo de 2 é preocupante porque a população mais tarde ou mais cedo, ou seja, não está a renovar e vai reduzir-se. E nós temos todo ⁓ contrato social que depende do crescimento da população e nós pagamos segurança social para os mais velhos, os mais novos pagamos para os mais velhos e tudo mais. Isso deixa de acontecer, deixa de ser funcional. O que nos preocupa particularmente na Índia é que tudo isto acontece com os países ricos, mas a Índia não é ⁓ país rico, ok? A Índia não ficou super rica e desenvolvida. Raquel Vareda: Uhum. Exato, eles já estão a começar a ter o crescimento sem ter o desenvolvimento. Juan: Exatamente, exatamente. E assim como vemos isso, vemos outros casos, México, Brasil, etc., países com níveis variados de riqueza que começaram a diminuir antes daquilo que seria expectável se seguissem ⁓ caminho como Portugal ou outros países europeus, ou Coreia ou Japão, que se desenvolveram muito, tiveram ali ⁓ grande boom económico antes de começar a diminuir a sua fertilidade, a população, exatamente. E na Índia não se está a verificar isso e, portanto, continua a ⁓ país com muita pobreza. Raquel Vareda: Uhum. população. Juan: mas ⁓ que já está a menos filhos e portanto é ⁓ extra desafio, é? Já é ⁓ desafio para nós, países desenvolvidos, com grande poder económico ⁓ comparação, não é? Fazer face a isto a nível de segurança social, de sustentabilidade das nossas instituições, imagina num país como a Índia e outros que estão nessa situação. Raquel Vareda: Mas quais são os fenómenos sociais? Porque eu não li... Eu não conheço a evidência. Juan: O que eu li é que não está 100 % compreendido, porque sempre se achou que era de mão ⁓ mão com o desenvolvimento económico. Assim, ⁓ dos fatores apontados nos últimos estudos era a questão da educação das raparigas. Ou seja, a Índia, apesar de continuar pobre, tem aumentado a educação das raparigas e, portanto, raparigas mais educadas têm menos filhos. Pronto. Raquel Vareda: Claro. Porque começam a ter mais tarde, porque estão a trabalhar, porque têm acesso a contracisão, planeamento familiar, porque vêm outras hipóteses de vida. Porque sentem a possibilidade de simplesmente não ter, nem todas as pessoas querem ter filhos. Exatamente. Juan: porque também vêm outras hipóteses? Sim, ou seja, há uma componente cultural de... Ou seja, para já passa a ser uma escolha, não é? Porque ⁓ muitos países, com menos formação e que as mulheres não têm educação, elas não acham que é uma escolha. Não sabem que é uma escolha, pronto, não é? Exato. E passa a ser uma escolha, portanto é normal que algumas queiram outras não. E depois também havia outro fenómeno apontado, mas isto é ⁓ bocadinho especulativo também, da exposição a outros ideais, ou seja, a Índia, apesar de ser bastante pobre ainda no seu geral, já tem as suas elites ricas e tipo... Raquel Vareda: E ainda vai. Não é uma escolha. Uhum. Não. Juan: Há atores Bollywood etc que já têm as suas vidas digitais expostas a toda a gente e toda a gente já os segue e já não estamos a falar de pessoas que têm 10 filhos, estamos a falar pessoas que não têm nenhum filho ou que têm ⁓ filho só, vivem numa casa muito grande tipo e apenas ⁓ filho e imenso espaço. Portanto já é ⁓ Raquel Vareda: Uhum. Se organização. Uhum. Pois é, e também pode criar uma imagem diferente, idealizada de famílias mais pequenas. Sim, é possível. Faz-me... Claro, sim, mas faz-me sentido. Por acaso... Juan: Exatamente. Exatamente. O que se idealiza deixa de ser imensos filhos, Esta parte é ⁓ bocado especulativa, ainda não se sabe, na verdade. Sim. Pronto, é ⁓ bocado... é ⁓ bocado má notícia porque não temos assim nenhuma solução para oferecer nesta podcast, lamento. Raquel Vareda: Não, ⁓ vários países têm tentado implementar políticas diferentes. Lá está Japão, China, Coreia e mesmo alguns países da Europa oferecem dinheiro por cada filho quando ele nasce. Não é mensalmente, é anualmente. Acho que era na Coreia do Sul que estavam a oferecer ⁓ valor até razoavelmente elevado nos primeiros 18 anos. Ou seja, há vários países a tentar implementar medidas diferentes, ainda nenhuma funcionou. Juan: Ainda ninguém conseguiu. Raquel Vareda: Porque as pessoas não... Eu acho que existem coisas que podem promover... ou seja, as pessoas terem mais filhos. Quando as pessoas querem filhos, acho que existe, eu consigo imaginar, mas na verdade acho que é ⁓ fenómeno muito social e pessoal. Juan: Eu acho que sim, e eu acho que é uma área que se simplifica muito politicamente no discurso da nossa população ⁓ geral, é? Ouço muitas pessoas dizerem, ⁓ então é óbvio, Portugal tinha que dar mais tempo de licença, ou tinha que haver crash feliz para toda a gente, e com isso resolvia-se. Pois, exato. E como tu se calhar gostavas de ter ⁓ ou dois filhos na mesma, haverá muitos mulheres que não querem ter nenhum filho independentemente do que... Raquel Vareda: Podiam me dar três anos de licença que eu não ia ter quatro filhos. Juan: das condições que houvessem, é? Por muito que se oferecessem outras condições, mulheres e homens, claro, sim, exato. Raquel Vareda: Sim, mulheres e homens. Eu acho que existe uma franja da população ⁓ Portugal. Por acaso literatura científica ⁓ Portugal não conheço, mas ⁓ outros países sim, existe uma franja da população que nós conseguimos alcançar com estas medidas. Existem pessoas ⁓ Portugal e noutros países que efetivamente não têm a capacidade económica, condições habitacionais, condições laborais que sintam que, ok... Juan: pra gente. Raquel Vareda: Eu na verdade gostava de ter três ⁓ vez de dois filhos, ou gostava de ter dois ⁓ vez de ⁓ ou até gostava ter ⁓ mas não tenho capacidade. Existe essa franja da população, mas não é significativo. Juan: e eu acho que é muito mais variável do que as pessoas pensam, ou seja, nesse espectro das pessoas que têm mais ou menos filhos, há tanta variabilidade, é? Quer dizer, ⁓ casal como nós somos bastante privilegiados ⁓ relação à média se formos haver o nosso salário, as condições de vida que temos, como ⁓ casal de dois jovens médicos, não é? E nós, se calhar, não queremos ter três filhos por variedíssimos motivos, não é? E portanto, podiam fazer até uma qualquer política que oferecesse ⁓ valor monetário que nós, se calhar, não íamos ter três filhos na mesma ou quatro filhos na mesma, percebes? Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim. Uhum. Porque não tens filhos pelo... A maior parte das pessoas diria que não têm filhos porque o governo dá dinheiro ou não dá dinheiro. Porque quer ter uma escolha de vida, altera completamente a nossa vida, as dinâmicas. É uma escolha para o resto da vida, é? Tem ⁓ impacto ⁓ tudo aquilo que fazes. Ter dois ou ter três filhos, ou ter três ou ter quatro. Juan: mais profunda do que isso, não é? Sim, é quase irónico porque imagina, haverá pessoas num nível socioeconômico muito inferior ao nosso que se calhar pensam, tenho só dois filhos e não vou ter o terceiro porque precisava estar ⁓ bocadinho melhor financeiramente e se calhar nós estamos melhor financeiramente e estamos a pensar o mesmo que é, precisava estar ⁓ bocadinho melhor para ter três filhos vou ter só dois ou ⁓ e portanto é muito variável, não é muito pessoal, não é uma questão... Raquel Vareda: É isso, Eu acho que não... sei, sei, sei. Ou seja, não retiro completamente de cima da mesa ter três filhos, mas não haveria qualquer tipo de valor monetário que me pudessem oferecer para eu ter quatro, por exemplo. Não... É mesmo algo que eu não desejo. Juan: depois e assim como não e assim como tu não queres 4 há pessoas que não querem ter nenhum, não querem ter 1, não querem ter 2, pronto é muito variável mesmo. Raquel Vareda: Exatamente, ou só internamente que não queres ter essa experiência, não queres que seja essa a tua vida. Juan: Muito provavelmente há aqui uma questão muito mais cultural e de desejo individual do que propriamente uma questão que seja fácil de resolver com políticas públicas de natalidade. Na verdade não é assim tão simples. Raquel Vareda: Exato. Sim. Mas por acaso se quiserem comentar, dizer o que é pensam sobre isto e se exista alguma política que vocês sintam ou achem que fizesse diferença, gostaríamos muito de ouvir. E ainda sobre a Índia. Estamos na época das monções, Índia e a zona do Seste-Asiático, forma geral, o que significa que estamos ⁓ época pico para zoonoses. E doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, também. Mas ontem, dia 6 de julho, foi o Dia Mundial Marca, mais ⁓ Dia Mundial das Zoonoses. E sabes porque é que dia 6 de julho? Juan: Ok. Não faço ideia, sinceramente. Raquel Vareda: Foi a primeira vez que foi ⁓ 1885. Paz de Torre. Lembras-te de Paz de Torre? Das aulas de epidémio Cenas? Exato. Luís Paz de Torre e a sua equipa vacinaram e inocularam pela primeira vez o vírus da raiva atenuado numa criança de 9 anos. Sim. Não. Sim. Juan: o amigo Pasteur. Certo. ⁓ uau! Não sabia. Muito interessante. Raquel Vareda: A raiva é uma doença viral que se transmite por ⁓ vírus que se chama Cilissa Vírus, que é ⁓ vírus... terrível. Terrível. É... Juan: terrível imagina tem ⁓ nome parece simpático Lisa podia ser tipo parece assim uma senhora simpática achas o nome creepy Lisa Lisa Lisa Lisa era tipo ⁓ não com Y não é agressivo esquece achei que era Lisa tipo a dos Simpsons percebes podia ser não Lisa Lisa terrível Raquel Vareda: Sério? Eu acho que o nome é assim ⁓ bocado agressivo. Lissavirus é com Y. Não, é tipo com Litsan. Não, não, Lissavirus, com Y e dois S. E é ⁓ vírus que se transmite de animais infectados. O principal animal, o principal vetor é o cão. Juan: Uhum. Raquel Vareda: historicamente e mesmo hoje ⁓ dia continua a ser, porque alguns cães têm, efetivamente, sintomas e também daí vem ⁓ bocado o facto da doença se chamar raiva, quer aos cães raivosos. Mas na verdade os cães podem... Exatamente. Embora essa seja só uma das formas de sintomatologia. Existe uma forma mais apática. Juan: Uhum. tipo o cão certo. Raquel Vareda: Mas, na verdade, os cães e outros animais, ou seja, podem ser transmitidos por morcegos, obviamente, porque os morcegos transmitem tudo, mas por macacos, preguiças, vários outros animais, essencialmente mamíferos, gatos também, embora não seja tão comum. Mas, no fundo, as pessoas podem ser mordidas por estes animais se elas estiverem infectadas. o vírus, tipo, quando da mordida, né? O vírus quando, ou seja, entra na corrente sanguínea, ele faz atatos, ele liga-se imediatamente ao primeiro nervo que encontrar, tipo, o nervo periférico, e depois vocês têm que imaginar, gênero, ⁓ vírus, pronto, absolutamente minúsculo, mas tipo, agarra só o nervo e começa a atrepar mecanicamente pelo nervo, até chegar ao nosso cérebro, e depois aí já não há a fazer. Pronto, exato, e passe-te horror. Juan: filme de rolê mesmo Raquel Vareda: No fundo, o que ele fez foi inocular coelhos com vírus da raiva e depois secava a medula espinhal deles e depois daí, na medula espinhal, vão estar as partículas virais, ele diluía ⁓ formaldehídeos e depois inoculava nas pessoas, ou seja, vacinava as pessoas com isto, com várias doses, acho que eram 14 na altura. Juan: Ok. Raquel Vareda: Dosos cada vez crescentemente mais elevados, mais concentrados do vírus possuem imunitário reconhecer e ativar. E ele conseguiu. E pronto, isto tinha bastantes efeitos secundários. Ou podia ter, não é? Mas salvou muitas, muitas vidas. E foi assim que começaram as vacinas. Não foi só com esta, mas... Juan: Uau, história terrível, história terrível, vírus terrível, final feliz. Merecem ⁓ episódio, se não nos despor acaso. Raquel Vareda: Até a Sim, Neste momento, ou seja, a Índia continua a ter várias mortes por raiva, continua a ser ⁓ problema. A época das monções, na verdade, aquilo que nos preocupa mais, e neste momento, diria que é provavelmente a leptospirose, que é uma bactéria que é transmitida, a meu parto, vezes, pelo xixi das ratazenas, ratazenas, ratos. E na altura das monções... Juan: Pôs. Raquel Vareda: com o mosturar da urina, das ratazanas e dos ratos, com os locais onde as pessoas muitas vezes cozinham, estão só, habitam etc. costumam haver casos. Nós estamos a ter ⁓ surto na verdade na República Dominicana de leptospirose, já com 196 casos até ao final de junho e 25 mortos. Juan: Portanto, o moral da história, faça uma consulta do Vigente, não é? Ou saberem estas coisas antes de irem para o vosso destino. Então, mas se calhar vamos ao tema do episódio, Raquel Vareda: Exato, faça ⁓ coisa do Vizente. Sim, vamos fazer isso! olá a todos. Eu sou a Raquel, como espero que já saibam. ⁓ Nós somos casados, somos dois médicos de saúde pública e pais de uma bebê ainda que posso dizer que é pequenina. ⁓ Juan: Eu sou o Juan. não sei vamos ter que mudar isto ⁓ breve. Raquel Vareda: Entre dados científicos e noites mal dormidas, a verdade é que nós não temos tempo para isto. Juan: Sim, não temos tido mesmo nenhum tempo, mas somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e por isso todas as semanas conversamos ⁓ bocadinho sobre tudo o que interessa e o que não interessa. Raquel Vareda: Bem-vindos ao nosso podcast, ⁓ espaço onde tentamos mostrar a melhor evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: E agora vamos ao episódio que o tempo está a contar. E o tema que tínhamos como principal, na verdade já tocamos ⁓ bocadinho dele no início do... Podemos parar assim, acabamos com a introdução, pronto. Não, sim, podemos continuar a falar dos nossos quiseres. O que tínhamos pensado falar era sobre viajar com crianças, que acabamos por tocar ⁓ bocadinho no início porque falamos das nossas férias que obviamente foram com crianças. Raquel Vareda: Eu sinto que este já era o episódio. Eu estou in the flow. Não, não, não. Vamos falar. Juan: Mas imagina, eu acho que é interessante, ou seja, pelo menos eu tenho achado interessante tipo como o... Como viajar é muito diferente conforme a idade da criança, é agora nesta fase inicial? A nossa bebê tem 16 meses e a nossa primeira viagem com ela foi ao Japão com 3 meses, 3 meses e meio não foi. E foi muito mais fácil ir com ela ao Japão com 3 meses do que a viagem seguinte que fomos ao Brasil e ela tinha que idade, tinha 9 meses, foi muito mais difícil. Nós aos 3 meses fomos 2 adultos, portanto eu e ela, é? Fomos ao Japão, brutal. Raquel Vareda: E meia. Tinha três meses e meia. ⁓ foi tão bom! 9, 10... Uhum. Juan: super fixe, é dormir, estar na maminha, não é? Foi basicamente isso. Raquel Vareda: Ela ainda acordava várias vezes à noite. Juan: as noites eram desafiantes ainda, Mas ao mesmo tempo estavam as férias e portanto podíamos dormir ⁓ bocado mais ou ter mais tranquilidade, mas depois... Raquel Vareda: Sim. Sim. Eu adorei a viagem, ao mesmo tempo foi ⁓ bocadinho... Sim. Há períodos da viagem que eu não me recordo porque sinto que não dormi suficiente. Exato. Juan: Ok, mas tu tavas tipo no quarto trimestre, é? Tu tavas no quarto trimestre, é aquele trimestre pós-parto que ainda há muitas alterações a acontecer na mulher e no cérebro e tudo mais, portanto é uma altura desafiante de facto. Raquel Vareda: É verdade. Sim, mas foi muito bom. Foi muito fácil viajar com ela para o Japão. Juan: Ou seja, é mais fácil... Não para quem passou por uma gravidez, é? Nada é fácil logo assim, mas a nível da logística da criança é muito mais fácil aos 3 meses do que depois, não é? É tipo uma coisinha que vai agarrada ali. Raquel Vareda: Hehehe. É só mamar, vai... É tudo... Não é assim tão pesada, vai bem número súpio. Juan: e alternando entre estar acordado e dormir durante o dia todo. Dormo muitas horas por dia e exatamente dormia no marsupial. Isso era bastante bom. Quando fomos ao Brasil melhoramos o rácio, fomos tu, eu e a tua irmã. Portanto, éramos três adultos para uma criança e foi muito mais difícil porque era uma criança que estava ao tempo todo. Tem muita energia, não é? Raquel Vareda: Era muito bom. Vem me ver, Sim, a nossa filha, vocês ainda não sabem, passam a saber, ela tem muita energia. E por acaso ela agora até tem dormido, quebe bem essa cesta. Ela já só estava a fazer basicamente uma cesta. Mas ela na altura devia fazer duas cestas, às vezes três. Juan: É. mas esta é a do almoço. Era. Raquel Vareda: E as cestas da nossa filha às vezes são de 15... Agora não, mas antes às vezes eram tipo 15 minutos. Não. Juan: Sim, e às vezes eram 15 minutos a dar pontapés e não sei o tipo eu nunca pensei que fizesse parte da parenta de idade de levar pontapés no pescoço, eu já levei vários pontapés no pescoço, tipo mesmo na goela, estás a ver, tipo ⁓ pontapé aqui, tipo ⁓ que ficas ali a pensar vou morrer. Raquel Vareda: ⁓ Ela por acaso hoje ou já a adormecer, ela agora tem esta coisa, nós temos várias almofadas na cama dela, ela tem uma cama rasteira no chão, cama de casal e nós no fundo vamos adormecê-la, sentamos ao lado dela na cama, lemos uma história, ela bebe ⁓ biberão, ao mama o que lhe apetecer e depois dizemos boa noite, ligamos a luz e ela aí, uhuuu! Começou a festa e então ali durante 20, 30 minutos que é o tempo que demora mais ou menos a adormecer. Hoje demorou... não chegou meia hora. Na verdade eu já pesquisei, é ⁓ tempo normal, infelizmente. Sim, é completamente normal. Mas ela anda ali, leva as almofadas para ⁓ lado, depois vai com as almofadas a correr pela cama e atira-se... Juan: E à festa! Exato. É normal, é normal, sim. Mas é literalmente eu já achei estar tipo eu quase a adormecer porque eu depois acabo às vezes eu dormeço antes dela percebes? Eu não consigo, começo... Exato, eu estou ali tipo já a fechar os olhos... Pois eu estou ali quase a fechar os olhos e ela está correr pela cama tipo aaaah Pronto, está a fazer essa cena dela e eu já estou ali tipo pronto vou adormecer eu Raquel Vareda: Eu estava contando sonho hoje a adormecer. Eu juro que achei que ia adormecer antes. Sei. Pois é, e o que eu ia dizer aquela hoje estava a agarrar as almofadas, duas almofadas, uma ⁓ cama da mão, correu pela cama e atirou-se para cima de mim com as almofadas e bateu-me no queixo. Juan: É isso, faz ali uma cena de wrestling, Raquel Vareda: Ai! Pronto, mas depois deitou-se e depois começa assim... Bebê, bebê, bebê... Pois é, mamãe, bebê, mamãe, bebê... Sim. Sim, mas foi muito dura essa viagem, a do Brasil. Nós, reas vezes, nos arrependemos de ir, não? A experiência foi boa. É sempre boa ⁓ retrospectiva. Juan: Ahahahah! tão fofa, depois vale tudo a pena. Mas então essa viagem ao Brasil foi muito mais difícil. Eu acho que a experiência é sempre tão bom, viajar é muito bom, por que dizer para mim, viajar com a família. Raquel Vareda: E foi ótima ir com a Bia. Juan: E mesmo passar tipo... Uma pessoa passa momentos, digamos, desafiantes, tipo no dia ⁓ que chegamos, que chegamos lá à meia-noite e tal do Brasil e só fizemos o check-in às duas da manhã porque houve ⁓ problema qualquer com o hotel e com os quartos e nunca mais. E depois daquelas horas todas de viagem com a bebê, claro que naquele momento estás a pensar o que é que eu estou a fazer aqui, não é? Mas eu não sei, tipo, esses momentos são especiais também à retrospectiva, todos eles. Eu gostei muito da viagem, não me arrependi de tudo. Raquel Vareda: Não Não, é verdade. Mas foi cansativo. Juan: Ou seja, eu não me arrependo da viagem agora. Não é uma viagem que eu tenha saído de lá mais descansado do que fui. Fui de sair de lá mais cansado. Não é? Raquel Vareda: Mas também acho que foi porque os voos, as horas de voo, nós ainda não percebemos muito bem. Aliás, nós achávamos que tínhamos percebido, porque com três meses e meio, qualquer horário estava bom, porque ela estava sempre a dormir. Mas depois nós achávamos, ok, ela dorme bem ao colo, viajar durante a noite vai ser bom, porque ela vai-lhe custar a dormir sempre, mas depois dorme a viagem toda. E as viagens para o Brasil e de volta não foram assim tão mágicas. Mas já não correu tão bem como eu estava à espera. Mas no fundo as viagens foram durante a noite, o que significa que... Nós chegámos lá, ou seja, passámos a noite, mas chegámos lá... Quer dizer, tipo que saíamos de tarde, chegámos lá à noite, mas já era madr... Whatever. Mas depois para voltar saímos lá uma da manhã e o voo atrasou. E estava a pensar, por que é nós fizemos isto à nossa vida? No fundo, estávamos mesmo muito cansados. E depois agora pensei, temos é que fazer viagens durante o dia. que é para a rotina de noite depois ser boa e coisa. E na verdade não. Olha, não há nenhum horário bom. Ok? A minha conclusão é, é tudo mal. Vai ser tudo mal de alguma forma. Ou podemos ver com o copo meio cheio e está tudo bem na mesma. Porque está tudo bem. Juan: E o asco. É só se freria e aguentar. e Ok, mas... Exato, se não dá para resolver então está tudo bem, não vale a pena preocupar-nos com isso. Imagina, que é engraçado é que para o Japão foi mais fácil, 3 meses para o Brasil custou mais e tínhamos ⁓ adulto extra, a tua irmã, é? Na viagem seguinte à Itália... Raquel Vareda: É. Juan: foi melhor outra vez, embora ela tivesse numa... pronto, ela exige muito mais agora a nível de atenção e tudo mais do que antes, mas também já anda ⁓ bocadinho mais independente e vai fazer as suas coisas às vezes, mas é engraçado porque tipo, eu achei que é melhor irmos 4 adultos com 2 crianças do que 2 adultos com 1 criança, o raci é o mesmo, mas na verdade damos todos apoio uns aos outros e é melhor, não é? Eu achei melhor. Raquel Vareda: Uhum. Não, mas é... Exatamente, Porque imagina, porque nós juntamos-nos e nós os dois conseguimos estar com as duas miúdas. Ou eles conseguem estar com as duas miúdas. eu e ela conseguimos... Ou seja, conseguimos estar e dá para as pessoas terem ⁓ bocadinho de tempo. Sim. E elas entretêm-se já ⁓ bocado. Sim. É... Por isso... É... Juan: Se for preciso, exatamente. Exatamente, exatamente. E... Sim, sim. E foi muito bonito também vê-las... Elas as duas, exatamente. São amigas desde a nascença, basicamente. Já tão fofas. Já. Raquel Vareda: Mas é engraçado porque eu vejo, particularmente nas redes sociais, muitas publicações, dizer, umas de ⁓ lado a dizer, todas as idades são boas, não é só o vos dizem, blá, blá, blá, e do outro lado, se achaste que viajar com ⁓ toddler de ⁓ ano e meio era difícil, geralmente até até ter três. Juan: Cada fase tem as suas peculiaridades. ⁓ pá sim, imagina, cada viagem é uma viagem. Eu acho que é sempre uma experiência. Acho que o desconforto faz parte de todas as viagens na verdade, mesmo quando vejamos só ⁓ casal, não é? Acho que é parte do que dá gosto a uma viagem, é também o desconforto. É ver... Se fosse... ou seja, facto de teres que apanhar ⁓ voo muito longo e ser difícil de chegar a ⁓ sítio longínquo, tipo a China ou a Japão, faz parte para mim da beleza de ir a esse sítio. Se fosse tipo ⁓ teleporte, não estou a que não ia ser fixe ir ao Japão não mesmo? Mas acho que perdia parte da graça se nós não tivéssemos que fazer o esforço para chegar aos sítios. Raquel Vareda: E aí Porque existe uma parte que é a jornada e a expectativa de lá chegar. Que eu... Juan: É ⁓ bocadinho meta, mas é a viagem da viagem. Não é só o destino. Exato. Sim, sim, sim, sim. Acho que parte da arte de viajar é bocadinho saber apreciar todas as fases porque a preparação é uma das fases que dá ⁓ prazer por si só. Mesmo que a viagem depois não chegasse a acontecer, como já não chegou a acontecer a nós, planeámos viagens que depois foram canceladas, mas tu tiras prazer de planear viagens, certo? Raquel Vareda: Sim, mas é verdade. É a preparação, o planeamento, é a idealização... Sorry. Sim, eu retiro muito prazer. Eu gosto muito de planear viagens. Eu na verdade tenho várias viagens planeadas que nós ainda não fizemos, mas eu... e de vez ⁓ quando, de vez ⁓ quando, abro e continuo a planear. Ou altero plano. Eu adoro planear viagens. Juan: Especificamente. Exatamente. É, mas o planear é ⁓ prazer por si só e o outro é estar lá. e depois há tanta variedade naquilo que podes chamar de viagem ou da tua viagem ideal ou o que quer que seja, mas depois eu acho também muito engraçado o pós-viagem porque eu acho que as memórias das viagens, pelo menos para mim, vão se apurando ⁓ retrospectiva, vão se aprimorando, vão envelhecem bem na maior parte das viagens para mim. Ou seja, há coisas que ficam mais especiais ainda com o tempo que passa. Tipo, eu gostei da viagem na altura, mas as memórias vão ficando mais especiais ainda com o passar do tempo. Raquel Vareda: Sei. As memórias, sim. Isso é ⁓ fenómeno cerebral, na verdade. Não, sim, mas podia ser uma coisa de narrativa que damos às memórias que temos na viagem, mas não é só isso, que nós tiramos mais proveito das memórias do que da experiência presente. Juan: Claro, tudo na nossa vida são fenômenos cerebrais, não é? Não, mas foi isto estou a perceber, sim. Sim, sim, claro. Uhum. Raquel Vareda: E isto é uma das... As táticas de mindfulness tentam obrigar-nos a estar mais presentes no presente. E isso faz bastante sentido. Também faz com que nós consigamos reter melhor as memórias do presente. Mas, na verdade, o nosso cérebro meio que está desenhado para ser melhor e para apreciar mais o passado do que o presente. Biologicamente, sim. Juan: Até percebo isso ⁓ alguns contextos de género. No presente tu estás focado ⁓ fazer aquilo que estás a fazer ou viver a experiência que estás a viver. Ou seja, às vezes não estás a viver de uma forma examinada a tua viagem porque estás focado ⁓ ter que ir apanhar o táxi para ir para o próximo sítio. Vou tirar uma foto ali, vou para outro local. E no pós viagem é que tens mais tempo para processar aquilo que viste, por exemplo. Explorar o que sentes sobre isso até faz sentido. Raquel Vareda: Uhum. Por este poder, exatamente. Sim. Juan: Eu pelo menos aprecio muitas viagens ⁓ retrospectiva, tem sido uma parte engraçada. Todas as nossas viagens. Raquel Vareda: Isto é só ⁓ pequeno rant para vocês irem viajar com miúdos, se estiverem. Juan: e vão viajar com as vossas crianças. Nós, é assim, eu digo já que a nossa próxima viagem, próximo, é ao México, é? É ao México, porque temos ⁓ casamento de família lá e temos uns voos num horário terrível, terrível, do tipo, o voo sai à meia-noite uma coisa assim que não faz sentido nenhum, tipo, a meia-noite de Lisboa, não é? Não é? Qualquer coisa assim, não é? Nós vivemos ⁓ lagos para contexto, portanto, vai-se dizer, vai-se ser terrível. Raquel Vareda: É o México. ⁓ f***ing hell. É uma coisa assim, Também se víssemos ⁓ Lisboa era mono a mesma. Juan: Era terrível lá mesmo. mas só para dar o... Não só ao voo é à meia-noite, como nós não conseguimos reservar ⁓ lugar para a criança, porque a nossa criança está naquela idade ⁓ que algumas companhias aéreas não lhe permitem ter ⁓ lugar sozinha, mas ela já é grande, já tem ⁓ tamanho que para nós já não faz sentido estar no colo de alguém, mas vai ter que ir ao colo durante mil horas de viagem que vamos fazer. Raquel Vareda: Ela já não gosta de dormir ao colo. E ela não gosta de dormir ao colo. Vai ser tão problemático. Nós tentamos muito ter ⁓ lugar, ou seja, pagar. Nós aceitamos pagar. Nós sabemos que abaixo dos dois... Exato. Nós sabemos que abaixo dos dois anos não é preciso pagar, mas nós pagamos. Nós queremos que ela vá a ⁓ lugar. Juan: Não, nós queremos pagar o lugar do adulto, por favor, tipo, a criança, mas não... Que serão desquera... Que serão desque só a partir dos dois anos é que teria direito de lugar e ela vai ter tipo ⁓ ano e vai ter quase dois mas não vai ter dois. Não vai fazer dois na viagem. Pronto. É isso. Raquel Vareda: ⁓ isso que vai ser desafiante. Mas a boa notícia é que vamos com os avós, os tios, os primos. Para cá os primos não vão. Vamos encontrar os primos lá. Juan: Sim, ajuda muito. Cada ⁓ que pega na criança ⁓ bocadinho e então, exato, juntos consegue-se. Sim, mas conclusão, viajem com crianças. Retrospectivo. Se tiverem crianças, levem-nas. Pronto. Raquel Vareda: Por isso... Como é que ser fixe? Vale a pena ⁓ retrospectiva. Bom, acho que hoje por hoje ficamos por aqui. Obrigado por estarem desse lado, por terem voltado a ouvir-nos e na próxima semana cá estaremos novamente. Juan: Muito bem. E, por isso, obrigado por nos ouvir. Esperamos nós que seja na próxima semana, mas ⁓ princípio será. Tchau pessoal! Raquel Vareda: Vai ser! Estamos committed! Tchau!