Raquel Vareda: porquê que eu não tenho tempo? Juan: Diz-me. Raquel Vareda: Eu não tenho tempo para fazer a previsão das vacinas para a próxima época viral. Porque... ⁓ imagina, isto é mesmo muito chato que é... Ok, não é assim tão chato. É só um bocadinho trabalhoso e bocado fazer futurologia e depois corre sempre mal. E depois estamos sempre na comunicação social do género. Não previam doses suficientes de vacinas e agora acabaram as vacinas da gripe. E os utentes querem ser vacinas e não podem. ⁓ Juan: Certo! Raquel Vareda: E a culpa é nossa. Minha, especificamente, não é? É, a culpa é da Raquel Eu também, eu estou a brincar. Bem, mas não, imagina, o que acontece é, nós utilizamos os dados do ano anterior para fazer a previsão, sei lá, foram consumidas 30 mil vacinas na época sazonal que... Juan: como é que faz essa previsão? ⁓ eles põem lá na comunicação social. A culpa é da Raquel Vareda. Não fez a previsão correta. E por acaso estou sempre a ver isso na TV. e Raquel Vareda: de setembro até março, final de março. E portanto nós fazemos mais ou menos ok. Então na próxima época sazonal vamos pedir 30 mil vacinas mais 5%, que é para dar aquela check. Sim, mas o problema é que a população todos os anos adere mais às vacinas. Exato. Mas é difícil saber do género, por exemplo, ao Covid estava a deixar de aderir tanto. Juan: Na próxima época, eu dar uma olhada, Ok, fantástico, muito bem. Raquel Vareda: Nós temos sempre imensas vacinas de Covid que sobram, o que é bocado triste porque centralmente, ou seja, governo português está a fazer o investimento. Se calhar às vezes mais vale pedir menos, mas se as pessoas quisessem, pois não tínhamos. Então há sempre esta dualidade de também não queremos recusar vacinação porque não temos vacinas, mas também não queremos pedir ⁓ milhão de vacinas e pois só 200 mil pessoas é que se decidem vacinar, que é ⁓ bocado de chato e ⁓ desperdício de dinheiro gigantesco, porque depois elas também não podem ser utilizadas, porque como? Juan: Ok. lá. Certo. Raquel Vareda: As tirpos, assim, não é como possamos ficar, ok, então ficam para a próxima época. Não, porque as tirpos de Covid e de gripe são diferentes. Portanto, Exato, as centenas de vacinas que ficaram, por exemplo, na nossa... Na nossa região ou assim, não sei quantas é que foram, elas vão ter que ir, não para o lixo ou assim, eu não sei exatamente o que é elas fazem com elas. Mas... Mas é que não... Imagina, como tu já estás no hemisfério norte e a nossa época de... Juan: sim, vamos lá. Certo. Principalmente para te dar com outras regiões se for possível, mas... Raquel Vareda: transmissão viral no inverno, exato, nosso outono inverno veio da época do hemisfério sul, que acontece no nosso verão. A próxima época de transmissão viral vai ser novamente no hemisfério sul, porque a nossa está a terminar no hemisfério norte e vão ser estirpes novas. Ou seja, nós até podemos herdar vacinas do hemisfério sul, mas já não faz sentido eles herdarem vacinas do hemisfério norte, porque é época viral, as estirpos vão ser diferentes e porque é assim que funcionam os vírus. ⁓ Juan: Pois não vale a... a perceber. Claro. Isso, Claro, certo. Isso é muito interessante, por acaso. É ⁓ trabalho de previsão ⁓ bocado difícil, é? Nunca dá para acertar 100%, mas... Raquel Vareda: Sim, porque ainda por cima, todos os anos, e bem, e muito bem, a Direção Geral da Saúde e o Ministério da Saúde e o Governo, pronto, obviamente tudo ⁓ conjunto, integrar novos grupos alvo. Então, ⁓ a vacinação para outra população. Então, ok, nós vamos ver qual é o número de crianças desta idade que existem. Mas, do género, peço para 100 % dessas crianças? Não, porque infelizmente as pessoas não aderem assim tanto. Juan: Pois... certo? Claro, claro. não vai ser 100 % claro Raquel Vareda: E na época anterior as pessoas não aderiram, por exemplo os pais para as crianças pequeninas, abaixo dos 24 meses não aderiram muito. A nossa expectativa é que, como demora tipo ano ou dois a fazer o uptake à população pensar, ok, isto é mesmo fixe, vou vacinar. A nossa expectativa é que na próxima época, ou agora 26, 27, não é? O próximo inverno, as pessoas adiram mais à vacinação às crianças, por exemplo, mas pode não acontecer. ⁓ E sei lá, eu estou a fazer as previsões agora e vamos pedir... Juan: Sim. Raquel Vareda: para umas boas mulheres de vacinas e depois vai ser muito triste se as pessoas não aderiram. Portanto, vacinem-se! Mas sim, é assim que funciona e por isso é que depois, sei lá, a meia de dezembro está na comunicação social, já não há vacinas. Porque nós fizemos mal a previsão. We tried! Juan: Eu acho que a questão que se coloca... Pois, exato. Eu acho que a questão mais interessante que se coloca é... Raquel Vareda: Provavelmente no hemisfério norte, porque... Então porque já sabemos mais ou menos quais são as tiras ⁓ circulação no hemisfério sul. Juan: ⁓ não... porque? Não, mas... Não, mas... Não estás a pensar corretamente. Se tiveres neumisfério sul, provavelmente estás de férias no Brasil ou, tipo, nas Caraíbas. E, portanto, apanhas gripe no sítio... Não, mas apanhas gripe no sítio muito mais agradável, e esse é o meu raciocínio. Raquel Vareda: Mas imagina, eles também têm inverno, ok? É inverno bocado diferente. Ai, mas já viste apanhar gripe? Não, apanhar gripe e estar calor e húmido lá fora. Fuck, odeio. Quando estás constipado no verão, e do género está calor e assim, tu tu tens aquela tendência de dizer, mas eu quero uma manta e chá. ⁓ Exato. ⁓ Juan: E já, não deve ser muito agradável. Sim. Terrible, é o melhor estar doente. No inverno chazinho, filme casa é o melhor ambiente para estar doente. ⁓ hemisfério sul. ⁓ Eu sei que é vais falar porque ambos temos de estar lá acompanhar este tópico esta semana. ⁓ Porque quer uma pessoa coitada vai num cruzeiro qualquer e está na costa ⁓ Cabo Verde e de repente há vírus mortífero a bordo e fica tudo fechado. É bocadinho de filme terror. Raquel Vareda: Sul? Por falar no hemisfério sul? e eu não estaria no meu top 100 nem sei se estaria no top 500 de... não, não, mas sim não, mas não é isso de coisas que eu sequer ponderia a abordar numa consulta do viajante assim, alguém vai num cruzeiro eu vou falar de hantavírus never never ⁓ Juan: Não tá no top nenhum de nada. Que terror. Não, claro que não. Não, ninguém se lembra do que é o hantavírus, mas quer dizer, já agora para quem estiver a ouvir e que não souber, explica só a situação. Raquel Vareda: O hantavírus não é... Exato. O hantavírus, ou seja, o que aconteceu foi desde o início de maio, semana passada? Sim, exatamente que foi noticiado e foi reportado formalmente, já houve comunicado da Organização Mundial de Saúde de ⁓ surto com três casos confirmados, dois ou três, eu acho que já vai... Juan: foi no fim de passado ou assim, foi noticiado Morreram três pessoas já, já morreram três pessoas, mas... É... Exato. Raquel Vareda: É isso, mas ainda não foi confirmado que foi por hantavírus Mas depois pessoas que estavam a bordo de cruzeiro que partiu na verdade da Argentina e que estava a fazer várias ilhas e agora está a tracado na costa de Cabo Verde, daquilo que é informação oficial. ⁓ existem muitas coisas a ser ditas, porque toda a gente está a pensar, ⁓ será que esta é a próxima pandemia? Eu acho... ⁓ princípio, exato. Juan: Uhum. Uhum. Sim. Podemos dizer que, ⁓ princípio, não. Raquel Vareda: com ⁓ intervalo de confiança... com alguma confiança? Provavelmente não. O hantavírus não é ⁓ vírus, é uma família de vírus. Existem vários estirpes E as estirpes que importeçam ao humano, que são aquelas que podem passar realmente de animais para seres humanos, são... não são muitas, felizmente. E só há uma delas, vai... e essencialmente uma delas, que é o Andesvírus. Juan: com alguma confiança, não. Não é desta. Uhum. Raquel Vareda: que pode ser eventualmente, nós sabemos que tem o potencial de ser transmitido humana-humano. Mas a transmissão sustentada, que claramente existe a capacidade dos seres humanos de transmitirem entre eles, não é muito boa neste vírus. E se tudo corre bem, não vai mutar e arranjar tipo a maquinaria para que isso passe a ser bom. Porque não é esse tipo de vírus. Tem a ver com a virologia dele. Juan: coisa. depois. Uhum, ainda bem. E ainda bem porque não há nenhum tratamento específico para este vírus, é? Para o hantavírus É é totalmente de suporte como nós chamamos a tipo ajudar o corpo a responder sozinho no máximo possível, é? Raquel Vareda: Não, não é a vacina. Se as pessoas deixam de conseguir respirar, nós ventilamos. Se os rins começam a falhar, nós fazemos diálise. Se ficam com hipotensão, nós damos fluidos. Pronto, isto é o tratamento de suporte. Juan: Pois é, não há muita hipótese. Exato. E pelo que vi, a mortalidade pode ser à volta de 40%, portanto é bastante elevada, não Raquel Vareda: Para a síndrome pulmonar, que é quando as pessoas começam com febre, mal-estar geral e progredirem rapidamente para dificuldade respiratória e precisam lá estar, deste tratamento de suporte, anda a volta dos 35 % 38 % de mortalidade e para a febre hemorrágica, é outra das possíveis complicações, aos 50%. Se calhar média, andar a volta dos 40 % de taxa de mortalidade. ⁓ Juan: Ouch. Pois... Raquel Vareda: Tipo, é mau. É muito mau. É mesmo merdoso. A gente tem que honestos. Juan: é muito mau. vamos todos estar felizes e agradecidos que o hantavírus não anda por aí e que não se transmite como o Sars-CoV-2. Raquel Vareda: Sim, não na verdade. Não, ele é transmitido essencialmente por roedores. Ou seja, tudo o que seja a urina de ratazanas e outros roedores, mesmo as fezes, a saliva, depois está partículas assim, lá, a ratazana está a fazer xixi e a aerossolizam um bocadinho partículas do vírus. ⁓ E, lá, seres humanos ⁓ zonas mais rurais que existem muitas... exatamente, contacto com... Juan: Pois... certo. algum modo, ou com o ambiente onde os roledores estão, é com os roledores diretamente necessariamente. Certo? Raquel Vareda: É, Por exemplo, por ingestão, sei lá, a gente mete nas mãos, tocam qualquer coisa que tem urina de rato e depois ingere porque estás ao telefone, não sei o as pessoas não lavam as mãos adequadamente e depois... Exato, não é que estejam a ti a lamber as suas mãos, não é com o xixi de rato, mas... Isso não é muito comum. Sim, também não façam isso. Não lambam as mãos com o xixi de rato. Juan: Minha mi. Sim, portanto mensagem aqui é não... Exato. Não, mas mensagem aqui é não tem... se houver isto Portugal não tem que se preocupar com o hantavírus, felizmente não é propriamente uma preocupação para nós aqui. Raquel Vareda: Não, mas é verdade que existem umas dezenas a centenas de casos anualmente. A gente tem uma coisa que é bem rara, tipo incomum, mas não é raríssima. E mesmo surtos, não é o primeiro surto que existe. E vamos usar aqui a palavra surto de uma forma lata, porque nós ainda nem sequer temos a certeza, se por exemplo as duas pessoas que faleceram, que eram ⁓ casal, daquilo que é possível ler na comunicação social, se eles não foram, eles antes já estavam. Juan: Certo. Certo, certo. Raquel Vareda: a viajar pela América Latina, nós sabemos que hantavírus na América Latina e se eles não apanharam os dois derrubadores, vez de, imagina, não existir transmissão ao outro e a outra pessoa suspeita, até pode não ser, ou pode também ter apanhado na América Latina. Ou seja, nós não a certeza absoluta neste momento que eles foram transmissão pessoa a pessoa. Por isso, sim, princípio, não sei, não vou fazer afirmações. Juan: Existe esse risco? Claro, claro, claro, claro, claro. Não, não vamos, mas... É preciso muito azar para uma pessoa escolher cruzeiro e cair num cruzeiro do hantavírus, não é? ⁓ fogo. É o cruzeiro do hantavírus, é tipo, vou fazer cruzeiro, afinal fiquei parado em Cabo Verde e morreram umas pessoas, já viste o que é estar nesse cruzeiro, que horror, coitados. É preciso ter azar. Raquel Vareda: Já me exprindi de fazer afirmações no Covid. O cruzeiro do hantavírus. Isto tem as cenas chatas, exato. Não, isto tem as cenas chatas dos cruzeiros. Eles geralmente não têm as medidas de higiene e sanidade, seja, segurança alimentar, etc. Eles têm controlo muito apertado, mas se tem o azar de alguém embarcar doente, mesmo que seja com gripe... Juan: Claro, complicado é complicado. Raquel Vareda: São espaços fechados, claro, tem as janelas abertas, a piscina, etc., mas são espaços fechados, onde as pessoas partilham objetos e superfícies e afins. É muito chato de controlar disseminação viral nesse ambiente. É muito difícil. Juan: É muito chato, é muito chato, é muito chato. E é muito interessante para os médicos de saúde pública que tiverem esse trabalho, porque de uma perspectiva nerd de saúde pública, vigilância epidemiológica, uau! Exato, eu quero controlar ⁓ surto num cruzeiro. Pronto, quer dizer, eu espero que nunca aconteça, mas se acontecer deixem-me por favor ser eu a ajudar. Acho muito interessante. Muito bem. Raquel Vareda: E aí ⁓ I'd love to! Convidem-me aí para cá a beber! Que horror! Exato! ⁓ God, não! Exato! Bem, mas... Estávamos na hora de entrar no nosso episódio. Portanto, olá a todos que ouviram o nosso pequeno rant de coisas... rant inicial. O meu nome é Raquel. E nós somos os dois casados. Juan: Exatamente. Rent inicial. Eu sou o Juan. Raquel Vareda: Somos os 2 médicos de saúde pública e somos pais de uma bebê pequenina. Por isso, entre dados científicos noites mal dormidas, que já nem são todas, mas esta noite ela acordou tipo às 3 da manhã, ⁓ my god, e depois nunca mais adormecia e a culpa foi dele que me deu mal o biberão ⁓ Mas entre tudo isto, a é que nós não temos tempo para isto. ⁓ Juan: Certo, continuando. Mas somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e por isso todas as semanas estamos aqui a conversar ⁓ bocadinho sobre tudo o que interessa e o que não interessa. Raquel Vareda: É verdade sim senhor, bem-vindos ao nosso podcast, ⁓ espaço onde vamos tentar misturar sempre evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: E agora vamos ao episódio que o tempo está a contar. Raquel Vareda: E sobre o que é que não tens tempo mais esta semana? Nós literalmente não temos tempo a procurar casas. It's a problem. Claro que tu criaste ⁓ Excel. Juan: Eu não tenho tempo para procurar casas. Pronto. Não tenho. Não tenho. Eu tenho ⁓ Excel. Eu criei Excel porque nós estamos à procura de casa novamente. ⁓ devia ter Excel com todos os meus Excel. ⁓ Excel de organização dos Excel. Já pensei nisso. Seria engraçado. Raquel Vareda: Nós temos ⁓ Excel para organização de x6. No trabalho temos. Sim, because you are... e sim, ⁓ pouco. Porque o Juan, caso vocês ainda não tenham percebido, um dos traços de personalidade do Juan é obsessivo. Juan: temos? Não, claro, sim, na vida pessoal eu acho que vida pessoal merece muito os ficheiros de Excel também. A vida pessoal merece muito os ficheiros de Excel. Esse... ⁓ achei que este era engraçadinho, mas ok, tudo bem. Surpreendeste-me. Obsessivo ou eu? Não, não, não, acho que não. Raquel Vareda: Também, também é ⁓ destrato de personalidade. Eu acho que roça ⁓ bocadinho. Ok, não interessa. Mercado Imobiliário. Fala-me do Mercado Imobiliário. No Algarve. Juan: Mas vamos... Aqui a questão é... Aqui a questão é... Pronto. Tem sido uma frustração partilhada nossa nos últimos... Que? Seis anos. O mercado imobiliário. Às vezes mais uma frustração mais minha do que da Raquel. Porque a Raquel tem tido uma vibe de... Vai correr tudo bem, vamos conseguir. E até tem corrido bem, não é verdade? Muitas vezes. Mas de facto, estávamos a discutir isto ainda na semana passada. Raquel Vareda: Altos e baixos Juan: porque nós melâmos para o Algarve recentemente e estamos outra vez entrando numa fase de procurar uma casa. Nós já tivemos casa comprada antes. Lisboa tínhamos apartamento que vendemos. ⁓ Agora o dinheiro que fizemos tentámos comprar casa cá no Algarve. Mas nós temos assim uma tendência a ir para as cidades mais caras do país. Nós tivemos Lisboa, que obviamente Lisboa é isso. É T0 custa milhão. Ou lá o que é aquilo. Não faz sentido nenhum. Tivemos ⁓ Lisboa, depois decidimos mudar-nos para Évora, além de Tejo e tal, vai ser mais barato, mas Évora não. Évora é caro, claro, não é tão caro como Lisboa, epá, mas Évora é muito caro. Raquel Vareda: achávamos que ia ser mais barato Não, mas é que Évora como está? Imagina, nós também não queríamos ir viver para uma aldeia a 45 minutos de Évora, porque aí ainda consegues encontrar coisas muito difíceis, mas Évora está muito limitada termos de construção, porque é património da Unesco zonas e... E, portanto, quando a construção é limitada e os, portanto, focos de apartamento não é imobiliário também e a procura é alta, porque na verdade Évora é incrível, tem... Juan: Exato, encontramos ⁓ Sim, sim, sim. Sim, não. Exato. Sim, sim, sim. É por ele uma cidade incrível. Raquel Vareda: Exato, tem imensa qualidade de vida. Pronto, o verão é ⁓ bocadinho duro, é ⁓ facto. Mas é incrível! Eu tive esta amnésia, foi tão doce, causou tanto sofrimento. Mas então sim, verificámos que também era cara e portanto decidimos mudar-nos nada mais nada menos para Algarve. Para Lagos! Lagos de Portugal, malta, Lagos Portugal. Claro. Sim. Juan: Eu não me lembro do verão, tive amnésia por causa... O calor apagou-me memórias, portanto eu nem me lembro do verão, tá tudo bem. Não viemos para cá porque escolhemos lagos por motivos pessoais e familiares, obviamente, mas obviamente que aqui os preços das casas são completamente absurdos. Raquel Vareda: Mas então agora andamos à procura de casa e até nós estamos dispostos a alargar para, sei lá, Portimão, Lagoa, I don't know. Pronto, mais do que isso também é pouco absurdo ⁓ termos de distância, mas... Está muito difícil! ⁓ ouvir isto e tiver uma casa, ⁓ pelo menos, que custe menos de meio milhão, que não estejam ruins ou precisar seriamente de muitas obras? Juan: Outras cidades à volta, sim. Hahahaha Raquel Vareda: Pronto, não sei? Mandem-nos uma mensagem? Juan: Claro, pois, estamos à procura de casa literalmente durante o episódio, gosto. Mas isto, mas isto, mas... Mas temos tado a falar disto nas últimas semanas, obviamente, porque estamos à procura de casa e a verdade é que não há volta a dar. Os preços das casas têm mesmo aumentado muito Portugal, mas isto é problema a nível europeu. Embora Portugal, ⁓ tive dados agora antes do episódio... Raquel Vareda: Não custa perguntar à audiência. Juan: supostamente os preços das casas subiram ⁓ média 180 % desde 2015, que é completamente absurdo. Exatamente, exatamente o que eu estava a pensar. Uma subida de 18 % só entre 2024 e 2025, portanto entre 2024 e 2025 subiu 18%. E de facto é frustrante, mas há uma componente interessante disso que nós estávamos a falar na semana passada, que era nós vendemos a nossa casa ⁓ Lisboa, certo? Raquel Vareda: Sabes o que que não subiu 180 % desde 2015? O meu salário. Juan: agora recentemente, vendem-mela ⁓ janeiro e vamos usar o lucro para tentar dar entrada de uma casa aqui no Algarve. Raquel Vareda: Uhum. O lucro é aquilo que tínhamos colocado de entrada, é? Não é só lucro. Sim. Juan: Exatamente, Não, não, não é só lucro. O dinheiro que temos mão, pronto, não é tudo lucro, obviamente, mas o dinheiro que temos mão queremos usar para comprar uma nova casa. E eu, obviamente falamos disto com muitos amigos, com conhecidos, falou-se disto com muita gente na altura que estávamos a pensar vender ou vender, etc. Eu acho que não houve praticamente uma única pessoa ⁓ Portugal com quem eu falasse que não me dissesse, então mas não vão alugar o apartamento. ⁓ Arrenda o apartamento, a ver? E eu às vezes sinto que as pessoas estão a queixar-se do tipo... Raquel Vareda: uma única pessoa. E amete a rentabilizar. Rentabiliza. Malta. Juan: a sociedade tipo... e pessoas da nossa geração estão-se a queixar tipo, ⁓ não tenho... não tenho possibilidade de comprar casa ou que seja e tipo, como se fosse uma coisa da sociedade que é externa a nós mas quer dizer, cada... exato, cada tuga que tem ⁓ apartamento não o quer largar nunca mais na vida quer pô-lo a arrendar ao preço mais alto possível exato, é... é... é... é... exatamente e... não, e depois... exatamente, exatamente, não quero aqui simplificar mas eu acho que... Raquel Vareda: É, como se nós não fôssemos a sociedade. e o mais exato, preço mais alto possível e aumentar todos os anos e depois queixam-se que não há casas para comprar e que estão demais caras. Juan: Nós somos todos parte do problema, é? dizer, quem nunca pensou, eu vou alugar e vou manter as propriedades. Raquel Vareda: Não, nós também, porque nós... Claro, nós podíamos ter vendido a casa ao preço do mercado, ao preço que a comprámos, por exemplo, e vendemos a casa ao preço do mercado. Mais ou menos, sim. Sim. Juan: Sim, vendemos a casa a ⁓ preço que é muito mais elevado do que nós tínhamos comprado. Que, ou seja, aqui questão que se coloca, claro, também é se tu venderes a casa sem ser ao preço do mercado, depois também não tens dinheiro suficiente para comprar outra a preço do mercado. Raquel Vareda: depois não consegues comprar outra. Exato. Exato. E portanto isto é bocadinho... aquelas pescadinha de rabo na boca, não é? ⁓ Não, não, eu estou a dizer... Juan: Claro, claro. Eu não nos estou a desculpar de maneira nenhuma. Nós fizemos o máximo de dinheiro possível na nossa venda, porque com uma agência imobiliária é tal como toda a gente vai, não é? Raquel Vareda: Exatamente, e eu estou dizer exatamente por isso, porque nós somos parte do problema. esta coisa, lá está este discurso de... A responsabilidade é dos outros. Ou seja, a culpa é externa. Como se, sei lá, existisse uma entidade qualquer externa secreta a decretar o preço mínimo de ⁓ T3 de cerca ⁓ 500 mil euros... I don't know, no outro dia no ginásio... Juan: Simples! Mas eu já vi, eu já vi muito. Pois, exato, exato. Raquel Vareda: Estavam dois americanos... Nada contra americanos, love you. Mas estavam dois americanos a queixar-se do custo de vida ⁓ Lagos e a estar a pensar... Honey, ⁓ dizer que para isso mais vale irem para o Sul de França. Honey, estou cheia de pena. E sim... horror. Juan: e coitados Pobres americanos do ginásio, tenho pena deles. Espero que estejam a ouvirem esta podcast e que saibam que o nosso coração está com eles. Raquel Vareda: Parecemos ⁓ pouco bitchy. Se parecemos ⁓ pouco bitchy é porque nos sentimos bitchy. Quals eles? Juan: Estamos frustrados. Mas pronto, eu acho... Ou seja, é o que estávas a dizer. Há muito a apontar, é porque a culpa é das imobiliárias, é porque a culpa é do governo, é porque a culpa é dos estrangeiros que vêm comprar casa cá. Já ouvi atribuir culpas... Claro, todos são fatores. Já ouvi atribuir culpas aos estrangeiros mais ricos e aos imigrantes mais pobres. Toda gente tem culpa do preço das casas. Excepto nós. O Tuga não tem culpa. Raquel Vareda: E tudo isso influencia a ausência. Toda gente tem culpa, chef tutuga. Juan: E o que é engraçado é que não encontro ⁓ Tuga... Exato, eu não encontro ⁓ Tuga que me diga... Vende a casa ⁓ bocadinho mais barato, vai viver lá outra pessoa, isto não é só uma cena de investimento, é uma casa para alguém viver. Vende ⁓ bocado mais barato e compre uma coisa mais humilde para ti. Raquel Vareda: Somos umas vítimas! Mas é que o grande problema disto é que as casas deixaram de ser ⁓ sítio onde as pessoas vivem. Eu não ouço ninguém a falar das casas. Quando as pessoas falam, vou comprar casa, eu vou comprar ⁓ investimento. A pessoa pode viver lá há 20 anos, não interessa, mas eu estou aqui e isto é o meu investimento. Desde quando é que nós começámos a falar das casas como se fossem apenas investimentos? Juan: Pois. Pois, pois, pois. Então, mas isso é simples, isto começou quando a geração anterior à nossa, se calhar a geração dos nossos pais e assim, comprou casa. Não, não, estou a dizer que começou a ser ⁓ investimento quando tu compras uma casa e ela aumenta 200 % ⁓ valor, não é? Ou duplica ou triplica o valor. Raquel Vareda: Não sei se é simples. Sim. Mas meio que não interessa, se a casa duplica ou troplica o valor ou quintuplica, se tu não tens nenhum outro sítio para viver, não é ⁓ investimento, tu vais viver ⁓ dela. Ninguém compra uma camisola a pensar, ⁓ isto, grande investi... quer dizer, pessoas... o mais interessante é que pessoas, neste momento, justificam esse tipo de compras. Dizem-me, é que isto é ⁓ investimento, eu gastei 300€ nesta camisola. Juan: Claro, exato, sim, eu acho que aí... Depende. Raquel Vareda: Porque é investimento, ela vai durar, não sei. Depois vou vender na Vinted da 400€ não sei. ⁓ Juan: Sim, sim. Não, mas isso é muito engraçado. Mas hoje ⁓ dia há tipo uma financiarização de tudo, é? Tudo dá para vender e valorizar e tudo mais, então há esse pensamento, sobretudo de mais alguma coisa. ⁓ exemplo muito engraçado no meu caso é jogar Magic com os meus amigos, são aquelas cartinhas colecionáveis, tipo Pokémon, ok? Para quem não sabe, mas acho que toda a gente deve saber. Magic the Gathering. Muito o discurso com os meus amigos é... calhou-me esta carta que no mercado secundário vale x euros, 20 euros, 50 euros, 100 euros, uau brutal. Tipo, como se tivessem a dizer... Raquel Vareda: É Magic the Gathering Juan: a justificar o dinheiro que gastam, exato. Mas as nossas cartas ficam na caixa para sempre e portanto não conta com o investimento se não vais vender depois e rever esse dinheiro. Raquel Vareda: É ⁓ pouco irrelevante se ela vai ficar na caixa para ser julgada. Sim, pois, imagina, pode dizer, ⁓ investimento da minha qualidade de vida. Mas não é isso que as pessoas exatam. Sim. Sim. Juan: Não, mas aqui não é isso que as pessoas estão a dizer. é isso que as pessoas estão a dizer. Mas isto leva a outra questão que nós temos falado os dois também sobre o comprar casa versus o alugar. Porque há uma... Sinto que há uma bocado uma misconception das pessoas sobre o que é investimento ou não. ⁓ No ⁓ que... Ou seja, as pessoas muito facilmente o comprar casa como investimento e o alugar casa como desperdício de dinheiro. Mas não é tão simples assim. Raquel Vareda: Eu acho que isso... Não. Eu acho que existem países, daquilo que é a minha percepção e de ver conteúdo online, não é que eu tenha falado propriamente com ninguém, mas eu sinto que os países mais centro norte da Europa já começam a ter uma percepção ou já têm uma percepção ⁓ bocadinho diferente, mas eu sei que, por exemplo, nos Estados Unidos é muito semelhante esta mentalidade de que é importante comprar casa. Ou seja, estar bem na vida é ter uma casa comprada. E, na verdade, comprar casa quando nós nos sentamos e fazemos as contas, e nós já vivemos ⁓ bocado isso, é provavelmente uma das piores decisões financeiras que existem. Porque... Não, não, mas também, sim, mas... Não é uma decisão financeira muito inteligente. Se olhar apenas de uma perspectiva financeira, porque as pessoas esquecem-se... Juan: Certo. Imagina, pelo menos uma das mais importantes, sem dúvida, não é? Claro, claro. Raquel Vareda: Aqui as casas têm não só os custos de entrada, para além da entrada ⁓ si. Tudo bem, agora os jovens não pagam, neste preciso momento, supostamente o governo, aquilo que eu vi online é que governo estava a pensar deixar, ou seja, drop dessas medidas, mas não pagam o IMT, o imposto do selo e assim. Mas para a equipa hipócrima mortal, que tem mais de 35 anos, que não, por acaso não tem, tem 34, mas já comprei uma casa antes, exatamente. E para todas as outras pessoas que até esta medida existir não era o caso, pronto. Juan: Alguns jovens, sim. Nós não temos, mas já não é a primeira casa exatamente. Raquel Vareda: Portanto, tu tens os impostos de entrada, depois tens a manutenção anual da casa e nós tivemos... Então, o apartamento que nós tínhamos ⁓ Belas, nos dois ou três anos que nós tivemos o apartamento, nós investimos uns bons milhares de euros E a longo prazo, então... Juan: Uhum. Raquel Vareda: sei lá, 10, 20, 30 anos é investimento brutal numa casa. Se tu estiveres a alugar e se o aluguer não for estupidamente caro, que eu acho também é dos grandes problemas Portugal, porque os aluguelos também aqui são muito caros, mas provavelmente o ou seja, idealmente o dinheiro que te sobrava que irias investir na própria casa vais, por exemplo, poder poupar. Juan: Certe. Raquel Vareda: Portanto, tu fizesse, se isso fosse tipo uma transferência, exatamente, para para investir era o que eu queria dizer. Se fizesse uma transferência quase direta disso, compensa mais ao lugar do que comprar a casa. Juan: ou investir. Ou seja, não há uma receita para todos, depende de caso para caso, do preço do aluguel, do preço da casa e tudo mais. Acho que o mais importante é que as pessoas quando veem o aluguel conseguem perceber bem, ok vou pagar 1500 euros por mês por esta casa e portanto sei que essas são as minhas despesas. E quando veem a casa pensam, ok a minha prestação é de 1000 euros por mês e assumem que essa é única despesa e as pessoas esquecem-se desses custos fantasma por assim dizer que tu estás a falar que é a manutenção da casa. Raquel Vareda: Exatamente. Sim. Para além de que as prestações, a não ser que estejas a pagar bastante para ter uma prestação fixa durante 30 anos ou 35 anos, as prestações, nossa prestação ⁓ 22, 23 foi mais ou menos nessa altura, não foi, e só agora o ano passado é que basicamente duplicou. Exatamente. Juan: Normalmente não é assim, vai variar, sim. Sim sim, duplicou. ⁓ uma altura duplicou sim. Ou seja, as pessoas consideram a prestação que lhes aparece na simulação, por assim dizer, e pensam ok, isto que eu vou pagar, é só isto, mas falta lá está, falta contabilizar as despesas de manutenção da casa, as variações da prestação e aquilo que pessoas estão a pagar. Esquecem-se que uma boa parte vai para juros, é? E portanto, depois há aqui questões de... Raquel Vareda: Mas... isso eu consigo. Isac. Juan: Fazeres as contas de, ok, no final destes 35 anos, quanto é que eu paguei ao banco para ter esta casa que custa, se calhar a casa que custa 300 mil, eu dei 200 mil ao banco. Uma coisa assim absurda, é absurdo, É absurdo. Raquel Vareda: É verdade. Exato. Pagaste 700. E agora com algumas taxas de gênero? Tu pedes 300 mil e pagas 700. Juan: É absurdo, absurdo, pagas muito, pagas muito mesmo. Agora... abaixo os bancos. Pronto, mas depois as despesas também... sim. Há as despesas da compra também, nomeadamente do IMT, o imposto do selo, que tudo bem algumas pessoas não têm, mas nós por exemplo tivemos e são significativas, e que na verdade me têm levado a pensar, se eu pudesse voltar atrás agora, a minha profissão seria ser o imposto do selo. Raquel Vareda: Isso é uma máfia! Não estou a brincar, nossa! Mas quer dizer, o lucro que fazem é absurdo. Sem ofensão. Juan: Porque eu acho... eu todas as vezes que comprei casa, que fui às finanças, que fiz o que quer que seja, tá lá o imposto do selo a cobrar-me não sei quanto. Epá, o imposto do selo tá a todo lado, tá a todo lado. E se eu fosse o imposto do selo, tava rico, de certeza. Eu não sei o que é que o selo, mas o selo de certeza que tá numa praia nas Caraíbas neste momento. Não tem que trabalhar o selo, não tem que trabalhar... Eu tô sempre a financiar a vida do selo. Pronto, o imposto do selo, de facto, teria sido uma carreira... foi uma hipótese carreira perdida. Raquel Vareda: Epa, qualquer coisa, qualquer coisa. Está lá o imposto do céu, meu. Os céus também me carres neste país, E aí Juan: devíamos ter ido bem depois do seu. Raquel Vareda: Exato, tu não queres o imposto do seu, tu queres ser o seu que recebe os impostos. ⁓ God. Sim. É complicado. Juan: Exato, sim, não, eu não quero... Sim, desculpa, eu quero ser o selo, eu quero ser o selo assumindo que o selo recebe os impostos, né? Coitado. É complicado, obviamente, quer dizer, não queremos simplificar ⁓ tema simples porque... Não, não é simples, não é simples. Raquel Vareda: Não queremos ser velhos do restel. Isto não é nada simples. Se fosse simples, pessoas muito mais inteligentes e formadas que nós nesta temática já tinham resolvido certamente. Portanto, aquela coisa de... Isto acontece porque o governo não sei o que... Tipo, não. Isto acontece... problema... O que a gente chama em Saúde Pública um problema cabeludo. wicked problem. Isso entra... Eu sei, mas é problema cabeludo. É de género. Tem muitos fios. ⁓ Juan: exato do que nós teríamos resolvido. E eu... É pá sim, sim. Uma co... ⁓ wicked problem. ⁓ português fica bocado estranho. Problema cabeludo. ⁓ ⁓ português não é problema cabeludo, é uma salganhada. ⁓ Mas o conceito é esse, é wicked problem. ⁓ É embróglio, embróglio, é isso? ⁓ Raquel Vareda: É estranho, mas ao mesmo tempo o conceito... Uma sal ganhada. Eu não sei se a sal ganhada qualifica como problema cabulho. Anyways... É ⁓ embrog... Sim, é pronto, whatever. Mas é que tem muitos fios diferentes e todos eles, ou seja, exatamente, todos eles interagem entre si. Juan: e multifatorial. Raquel Vareda: E portanto não é uma coisa de género, não é porque o governo, claro, governo podia neste momento implementar medidas para promover a construção, para impedir que os estrangeiros mais ricos comprem, etc, etc. Isso não ia resolver o problema todo. Não... Juan: não há uma solução mágica. Eu acho que isso também é uma mensagem importante, seja... Raquel Vareda: Muitas destas políticas públicas depois têm consequências negativas para a população de forma inadvertida. a população... Nós não nos comportamos como... Nós não somos uma folha de Excel. Infelizmente nós não fazemos as escolhas mais mentalmente sãs. Juan: Exatamente, exatamente. Não. Para a minha grande infelicidade, nós não somos uma folha de Excel. isso é verdade e a maioria das pessoas não compreende isso tão bem, as políticas públicas são muito complicadas e muitas vezes saem completamente ao contrário do que ⁓ governo com boa intenção estava à espera. E lá está, não queremos simplificar ⁓ existem aqui muitos fatores, ⁓ a da imigração, o envelhecimento da população, a inflação, ⁓ o ou diminuição dos salários, ⁓ as do mercado de trabalho. as próprias taxas com que os bancos conseguem emprestar dinheiro ou não, Euribor, etc, questões do Banco Central Europeu, ⁓ os de construção, as guerras, exato, transporte das mercadorias. Tudo isso, exatamente, tudo isso contribui, e claro, políticas públicas do governo também e tudo mais, tudo isso contribui para a situação atual, e a verdade é que não existe uma solução mágica simples, e portanto, quem vos apontar num vídeo qualquer do TikTok... Raquel Vareda: as guerras que implicam, o transporte dos materiais, sim, isto é altamente complexo. Juan: A culpa do mercado imobiliário estar assim é simplesmente porque o governo do partido X não fez Y? É mentira, não é assim tão simples. Ou se for só por causa dos imigrantes que vieram cá e compraram uma casa, obviamente que isso está ser grosseiramente simplificado. Raquel Vareda: que é só... É porque ⁓ dos grandes... Na verdade, ⁓ ⁓ impacto vastamente maior do que imigração, inflação, que quer que seja, ⁓ é facto de a maior parte das casas estarem habitadas com os boomers. A maior parte, ou seja, a riqueza, e isto está altamente descrito nos dados e na evidência científica, ⁓ a parte da riqueza neste momento está concentrada nos nossos pais. Juan: Claro, certo. Certo, mas isso leva-nos a tópico bastante preocupante a longo prazo e muito querido para nós médicos de Saúde Pública que é a demografia, que nós... Exatamente. Raquel Vareda: e a demografia, é o envelhecimento da população, quanto mais as pessoas vivem, duram, quanto mais tempo elas duram, vivem mais tempo, mais elas acumulam riqueza e não a distribuem para as gerações seguintes. E portanto, aquilo que nós precisávamos, que era uma distribuição para as gerações seguintes, quando, sei lá, a geração tem à volta de 20 anos e está a iniciar a sua vida, mas seus pais têm 40 ou 50 anos e antigamente, antigamente e para 150 anos atrás, Juan: Assim, vivem mais tempo. Raquel Vareda: A esperança divina andava à volta dos 60. Exato, e agora está nos 80, não vai haver distribuição de riqueza até as pessoas terem 50, 60 anos. Juan: E não é só isso que dizer isto, isto leva-nos aqui a ⁓ problema muito maior que nós temos ⁓ índice sintético de fecundidade, entrando aqui ⁓ território nerd, índice sintético de fecundidade ⁓ Portugal de 1.4 filhos por mulher, que é muito abaixo daquilo que precisávamos para renovar a população, que seria à volta de 2.1. E portanto, isto que estás a falar deste problema da riqueza é ⁓ fio num problema muito maior de falta de renovação da população que, na verdade... Raquel Vareda: Sim? E também é altamente complexo. Não é porque o governo não oferece as creches. Não é só... A creche só... Sim. É. Não é. É uma questão, neste momento, muito... tendencialmente muito mais social e cultural do que aquilo que a evidencia nos demonstra é que mesmo os governos que tentam... Juan: é altamente complexo. Não é só isso, não é só isso. Lá está, há muita tendência de simplificar, não é? Raquel Vareda: colocar medidas muito significativas a alguns países nórdicos, ainda têm índices de fecundidade inferiores aos nossos. Juan: Sim, sim, sim. E nós até temos algumas experiências recentes de política pública ⁓ alguns países que até tu e eu, exato, vimos uma lá que até pagavam às pessoas para ter filhos, mas não resulta. Não resulta, não resulta. É ⁓ problema muito mais complicado do que isso. Raquel Vareda: Coreia, Japão. Pagam, exatamente. Pagam bastante, durante vários anos. É a construção da sociedade que não está ainda apta para crianças, mas não é só isso, é a mulher que não quer passar a vida grávida e a cuidar das crianças. E claro, os pais podem estar mais presentes, mas os pais também querem viver a sua vida e depois temos filhos cada vez mais tarde. Isto dá ⁓ episódio, dá uma série de episódios. É altamente... Juan: Certo. É muito complexo. É muito complexo, é muito complexo. Dava uma série de episódios à parte. É, é altamente complexo. Raquel Vareda: Sim, é altamente complexo, mas... Quer dizer, nós temos uma filha e queremos mais filhos, pelo menos mais ⁓ Eu não sei se vamos ter mais do que dois, porque não é uma questão só de vontade. Primeiro também é uma questão de mercado imobiliário, porque... É verdade! Quer dizer, nós vivemos com os teus pais, não é? Nada contra, adoro viver... Não me importa nada, gosto muito de viver com família alargada. Juan: O mercado imobiliário influencia-se definitivamente isto, sim. Claro. Claro, sim. Sim, sim. Raquel Vareda: dá imensa apoio, eu sei que já não está na moda, já é uma coisa assim muito fixe, mas nós aqui não temos mais quartos e como é que tu compras uma casa assim, ok, podes meter os putos todos a viver no mesmo... Sim. É isso. Juan: Claro, claro. Há aqui uma questão de expectativas, obviamente, não é? dizer, tu e eu, claramente, como jovens, criamos uma expectativa nos nossos vintes, sei lá, quando fomos para a faculdade, de que... Exatamente, eu imaginava que eu ia ter uma vivenda T4. Sim, exatamente. Não. Nem vamos ter, Mas talvez possamos comprar uma tenda da Decathlon. Pronto. Daquelas com várias divisões. Eu acho que isso é uma hipótese ainda. Raquel Vareda: ⁓ que terias pelo menos a qualidade de vida dos teus pais. Que são os dois médicos. E nós não temos uma vivenda T4. Nem para lá caminhamos. Nem vamos ter. Porque não há... Mas eu gosto como os boomers continuam a ⁓ mas nem que não, na nossa altura também era difícil. E vocês são jovens, são os dois médicos, vocês vão conseguir. Juan: Pois, mas isso... Mas há, mas há, mas pronto, há aqui uma questão interessante também que é, obviamente não vamos devalorizar que na geração anterior também havia outro tipo de dificuldades e tudo mais, mas também as expectativas são muito diferentes daquilo, quer dizer, comparamos a expectativa da geração dos nossos pais com a nossa sobre o que é que é a qualidade de vida e tudo bem, os nossos pais tiveram a hipótese de comprar casa, mas quer dizer, nós viajamos mais num ano do que a maior parte dos nossos pais ⁓ 10, não é? Ou vida inteira. Raquel Vareda: não acho que era assim... Sim, isso é ⁓ problema nosso. Não o caso dos teus pais que sempre viajaram bastante, por acaso. Não, mas os meus, quer dizer, sim, sem dúvida. E não é só viajar, o comer fora, as atividades, dizer, nós estamos sempre doing things. E ir ao ginásio. Claro, imagina, ninguém não está a comprar casa porque tem Netflix. Ou porque foi ao brunch. Exato! Juan: Sim, mas a maior parte. Mas mesmo assim, nós viajamos mais do que aquilo que os meus pais viajavam. Sem dúvida. Comer fora? Sim. Claro, claro, As duas coisas são verdade! Eu acho que isso é preciso... Ou seja, porque também existe argumento boomer de... vocês estão sempre a comprar cafés no Starbucks e portanto não conseguem comprar casa. Não, não é por isso! ⁓ É as casas custam o triplo, não é por causa do café. Não é por causa das tostas de abacate. Exato, pelo menos deixem-me comer a minha tosta de abacate em paz ⁓ Mas duas coisas são verdade. As duas coisas são verdade, ou seja, não, nós não conseguimos comprar casa porque são muito mais caras e o nosso salário não acompanhou essa subida, etc. Raquel Vareda: Sim, ao menos haja qualidade de vida na outra coisa, lá, pronto não tenho casa mas olha, eu vou houve de comer a tostas com abacates, exato! Há ⁓ peto de pêndido com as tostas de abacates. Juan: Mas ao mesmo tempo é verdade que a nossa geração tem expectativas de qualidade de vida ⁓ média muito superiores à dos nossos pais, Nós esperamos muito mais. Raquel Vareda: muito diferentes. Sim, ambas as coisas são verdade. Não sei, malta, digam-nos o que é que acham sobre tudo isto. Também estão na procura de casa, já compraram casa. Tiveram... E este é o tema de ter apoio dos pais, que lá está, são quem ⁓ muitos casos concentra a riqueza. Não é o nosso caso. Quer dizer, os nossos pais têm alguma riqueza concentrada, nem que seja imobiliário, mas não nos cederam parte dessa riqueza para nós fazermos investimento. Mas eu sei... pelo menos de casa à volta, que muitas das pessoas, a maior parte dos nossos amigos, só têm casa, que têm casa comprada e a vida mais ou menos orientada. Toda a gente... Eu não sei se conheço alguém que não tenha tido ajuda da família. Juan: Se tiver ajuda da família, é claro. ⁓ mas então, isso é quase impossível, dizer, jovem que não tenha uma entrada de várias dezenas de milhares de euros da família, dos avós, dos pais, de quem seja, não é? Não chega agora, exato, não começa a trabalhar os seus vinte e anos Portugal, num emprego qualquer normal, o nosso salário médio bruto Portugal anda aí a volta de dois mil euros ou qualquer coisa assim, não é? Não começa agora a trabalhar e poupa para suficiente para comprar uma casa nunca na vida, isso não acontece, pronto, tem que ser com ajuda. Raquel Vareda: Pois. Sei como é que tu poupas dezenas de milhares de euros, é absurdo. militares. Juan: da geração anterior, mas acho que isso é também muito importante para as pessoas que estão numa posição que não conseguem comprar casa, porque eu vejo muito, na área das finanças há muito uma facilidade, mas há uma facilidade de comparação superficial, de pensar só tipo, ok, aquela outra pessoa tem a minha idade e tem uma casa muito melhor do que eu, mas tu não sabes o que que está por trás, é? Como é que pessoas já chegaram a isso? Que ajuda é que as pessoas tiveram ou não tiveram? E não há milagres, quer dizer, normalmente a maior parte das pessoas ou teve alguma ajuda. Raquel Vareda: é muito frustrante. Nós já fizemos isso, claro. Sim? E continua a ter, imagina, ok, a pessoa fica 10 anos casa dos pais a poupar quase tudo o que ganha para ter uma casa. Então, mas se precisava de poupar quase tudo o que ganha para ter uma casa, como é depois vai viver para a casa sozinho? E a paga e paga as contas. Não há milagres, não é? Juan: ou então não era possível. Claro. Exato, imagina. Claro, É isso, é isso. Quando vais a ver as histórias das pessoas, nós próprios estamos a viver ⁓ casa dos meus pais e estamos a conseguir poupar mais agora para no futuro conseguimos comprar uma casa. E mesmo... Exato. Raquel Vareda: Sim, mas é uma preocupação e nós falamos disso regularmente, é uma preocupação que nós temos porque com apenas, nós temos vários extras, apenas com o nosso salário base nós não conseguimos pagar uma casa neste momento. Juan: Sim, quer dizer, uma casa com a nós queremos, sim. Raquel Vareda: Uma casa que custe mais do que 250 mil euros. Imagina, ok, vamos viver para um T0, mas onde é que está o T0 a 250 mil euros ⁓ Lagos? Juan: Claro, claro, claro, isso... Isso... Não está, não está. É a tenda da Decathlon, mas isso leva outra vez à conversa das expectativas. Com a filha, com o cão, dorme todos na mesma cama. Não, mas isso leva outra vez à questão das expectativas, que é o que que nós esperamos do nosso salário base. E nós esperamos que o nosso salário base dê para muitas coisas que fazem parte para nós da qualidade de vida, no dia a dia. Raquel Vareda: Eu até durmo com a minha filha, todos dorme na mesma cama. Vamos fazer uma cena japonesa, Malta. ⁓ apartamento pequenino, japonês, tipo... Até Sim, eu também gostava de ter a casa com piscina e o quintal para convidar os amigos para fazer churrascos, como vários colegas nossos têm. E pronto, depois há esta coisa de compareção social realmente de... mas eles conseguem, pronto, mas os pais deram-lhes metade do dinheiro, não sei quê... pagam metade das contas, whatever. Good for them! Good for them! I envy you! Mas é difícil. Juan: Beleza! Pois é. Mas isso... Não, mas isso é engraçado porque... há essas... É isso, mas essas comparações... Essas... Essas questões das comparações sociais são engraçadas porque normalmente são tipo status games que nós fazemos nos nossos próprios... Nós tendemos tendência a comparar com os colegas, mas outras profissões terão o mesmo certamento. Raquel Vareda: Mas ⁓ medicina há muito disso, não é? Nós temos muitos... ⁓ outras profissões, exatamente, ⁓ outras profissões acontecerá o mesmo. Nós olhamos para a minha parte dos colegas e a minha parte dos nossos colegas estão financeiramente fichos porque têm pais que muitas vezes já eram médicos ou... Não sei, imagina, há muitos casos que não é verdade, pronto, também conheço. Mas sim, mas há muita esta coisa de... Sim, os médicos têm esta qualidade de vida e não sei o Juan: É tudo... Nós olhamos que postes. Claro, claro. É, estamos a falar aqui de percepções e de opinião pessoal, não estamos a falar aqui de dados. Raquel Vareda: Não tem, porque a vida está cara para todos e os salários atualmente dos médicos não dão para puxar carroça. Juan: É claro, ⁓ ou seja, é verdade que a nossa profissão concentra muita riqueza familiar no sentido que há uma tendência cultural Portugal... ⁓ ok, boa, não li. Mas há uma tendência Portugal, claramente, cultural de crianças privilegiadas, que obviamente têm melhor hipótese de terem melhores notas na escola e são também influenciadas a entrar no curso de medicina, e portanto há aqui toda uma cadeia de acontecimentos que leva as famílias mais privilegiadas... Exatamente! Raquel Vareda: Claro. Sim. Há ⁓ estudo sobre isso por acaso. Sim. Claro. Mais uma situação cabeluda. Juan: Mais uma situação cabeluda, O que nós precisamos é de um barbeiro para vir resolver isto tudo. Isto é só problemas cabeludos, é vir aqui cortar tudo com uma tesoura e acabou. Rapa tudo máquina zero. Muito bem. Raquel Vareda: Cortem, cortem tudo! Já não é as pontas, é cortem tudo! Rapar! Vamos começar de novo este sistema. Diga-nos o que que acha nos comentários, nós lemos todos os comentários da nossa podcast, só ainda não tivemos nenhum. Juan: Não, já tivemos! Li dois agora. Tivemos no Spotify. Pois é. Lemos todos, exatamente. Spotify, no Instagram, nós temos também endereço de email, nosnaotemostempoparaisto@gmail.com onde podem mandar as vossas questões, ideias para episódios... Vamos sim, vamos fazer esforço. Podem mandar-nos sugestões, reclamações, receitas de como comprar uma casa no Algarve sem pagar 1 de euros. Raquel Vareda: Então nós lemos todos, vamos responder a todos. Nice! Nós não vamos ter tempo para responder, mas estou brincar. Nós vamos responder. Vamos ter. Ou se tiver uma casa pra vender. A um preço de amigo. Juan: Não, não digas isso, não digas isso, vai, vamos receber montes de emails agora do idealista e das imobiliárias. Não, não, pronto. Portanto, se tiverem ideias para episódios futuros ou coisas que estavam que nós falássemos, digam-nos. E obrigado por estarem desse lado a ouvir. Até para a semana. Raquel Vareda: Por favor! Ai, não, sei... Ai... Enfim... Let us know! E até à próxima! Até para a semana-alta!