Raquel Vareda: Hello, hello! Oi, oi! Mais ou menos. Tá fixe. Vai-se andando-se. Vai-se andando-se. Juan: aí, tudo bem? Não. Olha, a nossa bebê acordou à meia-noite e tal, às duas e tal da manhã, às quatro e tal da manhã e depois às sete da manhã para começar o dia. Por isso... Não sei, não sei. Mas cada vez que acordou bebeu 200 ml de biberão de cerelac. ⁓ é da marca cerelac? Não, não é cerelac tipo como os adultos comem, é da marca da Nestlé que é uma cena para bebés. Raquel Vareda: ⁓ shit! Mas... mas porquê? Tá falando sério? Aquilo não é sério, Alok, amor. Juan: Sim amor eu sei as pessoas vão pensar que eu ando a dar açúcar à criança à noite não não é isso não é isso é uma papa de bebés que a gente lhe dá às vezes quando ela tem fome me leite então é ⁓ cerelac como assim tu estás a proteger já das mommy wars que vão aparecer todos nos comentários a dizer o Juan está a dar cerelac açúcar à bebê a bebê vai morrer não sei o tipo Raquel Vareda: É ⁓ leite de bebés da marca Cerelac, que não tem açúcar adicionado, mas sempre... Cerelac... ⁓ meu Deus! Que se lixe o que a bebé comeu! Quero é dormir! Juan: O relevante aqui é que eu não dormi bem, não é o que a bebê comeu. Deixem a bebê paz. ⁓ interessa. ⁓ teria dado ⁓ bitoque à bebé se ela quisesse e dormisse a noite toda. Eu dava-lhe o que ela quisesse. bitoque, ⁓ tres leches, o que ela quisesse mesmo. Se ela quisesse pacote de açúcar, dava-lhe pacote de açúcar para ela ficar quieta, mas não. Ela acordou várias vezes. Eu já não me lembro se ela bebeu dois. Ela bebeu um quando se deitou com a avó, que foi a avó que a deitou ontem. Raquel Vareda: e aí Uhum, sim. Ela parece que ela comeu mal ao jantar. E uma coisa que vocês têm que saber... Exato, uma coisa que vocês têm que saber sobre a nossa filha é que ela come muito. Juan: Depois do jantar pedi ⁓ acontece? Normal? Tudo bem? Não, comeu muito bem o jantar Ela comeu imenso o jantar e depois ainda chegou a cama há fases mas neste momento ela come mesmo muito mas ela comeu muito bem ao jantar e ainda chegou à cama pediu bíbrão à avó bebeu desses, são 200 mililitros dessa papa super adequada para bebés ou leitinho super adequado para bebés e depois então acordou várias vezes à noite meia-noite duas e tal, quatro e tal e eu como eu acordo modo zombie eu já não me lembro se lhe dei bíbrão duas vezes ou três durante a noite mas eu acho que foram duas eu acho que foram duas e portanto Raquel Vareda: e What? Ou se ela bebeu biberão de dormir mais dois? Juan: mais dois, exatamente, tem abuso, é? Que nem sequer é o salário que aguenta tanto a cerelac que aquilo também não é barato. ⁓ tinha acontecido, mas imagina, sabes que ela é super óbvia, tipo, quando acorda à noite, ⁓ tipo... buscar a pizza também, sabe onde é que está, ⁓ e quando acorda à noite, ⁓ porque lá, porque os bebés acordam à noite, tu percebes que ela... Raquel Vareda: Isso nunca tinha acontecido. Pois não. Não, nunca tinha acontecido. Não, ela sai da cama sozinha e vai buscar o bimbrum dela. Juan: que era bocadinho de cuddle ou assim e adormece mas quando ela acorda com fome ela vai sair da cama logo ela tipo... yeah... não, eu tento agarrar nela e ela está só tirar para trás tipo larga-me sai daqui, quero ir comer e vai, baza da cama e vai buscar o biberão e pronto, eu doio, né? Que remédio! Houve pelo menos duas vezes que ela acordou assim eu acho que foram só duas, acho que a terceira ela adormeceu, se calhar eu não acordei bem eu já não sei, eu estava mesmo modo zombie já pronto... é isso foi, foi Raquel Vareda: Ela senta-se a gente, não malta? Tem que formar. e aí Ok, isso foi uma noite dura. Pois isso já não é comum já. Para cá eu acho que as pessoas se vão estar a perguntar então, mas por não dão fórmula normal? É porque ela não gosta. Ela não bebe. A única coisa que nós... Não, ela nunca consumiu fórmula até para aí hoje. Sete meses. Porque eu sempre dei mama e sempre correu bastante bem, não foi necessário. Juan: Não, não, costuma acontecer felizmente, mas pronto, estamos cá para isso faz parte. quando era muito pequeno. Uma vez ou outra, exato. É isso. Raquel Vareda: E porque ela não aceitava o biberão na verdade eu tentava extrair. Ela nunca aceitou o biberão, lembraste-se? Juan: Sim, nós tivemos uma altura ⁓ que tentámos dar-lhe o vibrão para tentarmos ter ⁓ bocadinho de liberdade no sentido de podermos... dela não estar sempre na mana e não deu, não deu, ela odiou. Neste momento já aceita, pronto. Raquel Vareda: sair. Exato, ela nunca aceitou nada. E sim, neste momento já aceitamos, é uma coisa que havia recente para há dois meses, Também não voltámos... Sim, também não aceitamos sushas, pronto. We did try. Não. Mas podia. Havia muita coisa a proceder. Juan: também nunca aceite as chuchas mas esta podcast não é sobre a nossa bebê mas podia, nós podemos falar aqui o resto do dia sobre bebés é tema muito engraçado é tema muito perigoso para se falar online amor porque sempre que se fala de bebés aparece para aí uma mãe nos comentários que a dizer ⁓ estás a matar os bebés todos do mundo porque disseste isso pronto por isso, ya ⁓ Raquel Vareda: ⁓ Será que vamos ser cancelados por utilizar a palavra matar? Isto é tipo as redes sociais ⁓ que não podes dizer... Mas é verdade, há toda uma... Juan: What? Não. Amor, há tanta barbaridade nas redes sociais e vão me cancelar por eu dizer matar. o que eu mato-os se me sugerirem isso. Esquece. ⁓ porque eu dormi bem. Eu não dormi bem. ⁓ É raro dormir Eu costumo dormir bem ou até dormir à chuva se for preciso. ⁓ Mas com a é acordar-me. Raquel Vareda: Não podes dizer isso! estás muito savage hoje! ⁓ pronto. Malta, este o Juan Savage quando ele dorme mal. Por acaso... Yeah, sorry. Sim, o Juan é aquela pessoa que diz, eu nem sequer tenho sono, eu ainda vou ler bocado deito assim na cama, ⁓ com Kindle cai na cabeça e ele não acorda malta. Óculos postos, Kindle tipo caiu na cara dele assim, plock. ⁓ 30 depois de ele ter dito, eu vou ler aqui umas páginas. Juan: Ok, mas eu vou lendo... Sim, já ledei com o Kindle. Já aconteceu várias vezes. Sim, uma vez o Quindler acertou na Julieta também. Foi ⁓ acidente aqui ⁓ casa. Pronto. Fiquei preocupado que... Ok, também não bateu assim com tanta força, mas... Ela nem se queixou. Ela não reparou. Certo, certo, certo. Raquel Vareda: E depois ele ficou mega ansioso que ela tinha feito ⁓ traumatismo crânio encefálico. Tu ⁓ que ficaste ansioso? Eu não fiquei! Eu estava tipo, pronto, bateu? O que é acabemos de nós dizer? Juan: Certo, certo, mas eu sofro de ansiedade, embora isso seja tema para outro episódio. Ok, então e o hantavírus como é que está? Não sei se acompanhaste os últimos updates. Ok, mas ele afinal, ele afinal transmitiu-se de pessoa a pessoa definitivamente no barco, isso já está confirmado, fez o... Raquel Vareda: Está lá no sítio dele? Está lá no sítio dele, está fixe? Sim. Mas nós já sabíamos isso. Ou seja, não... Exatamente. Juan: Sim, mas agora fizeram uma sequenciação genómica, que é super fixe, e viram que eles são exatamente o mesmo vírus, por assim dizer, nas várias pessoas. Raquel Vareda: Sim. E portanto o mais provável é ter sido uma única pessoa a ter contacto terrestre, ou seja, com a fonte animal. Juan: Sim, o que eu vi, a teoria mais recente era que a pessoa esteve a fazer birdwatching, portanto a ver pássaros, e aí então nessa atividade teve contacto, na Argentina ou no Chile, já não me lembro, com roedores e portanto tudo começou por aí. Portanto, já sabem, não vão ver pássaros. Estou a brincar, a brincar, podem ver pássaros. Não se sentem ⁓ cima de ⁓ ninho de roedores enquanto estão a ver pássaros, essa é a recomendação. Raquel Vareda: Eu não vi isso. Uhum. Sim. Não vão ver roedores, Não se sentam ⁓ cima. Exato. Mas sim. que depois, ou seja, que havia ⁓ contacto único, ⁓ princípio de uma única pessoa. Não conseguimos colher completamente que não foram duas, tipo ⁓ casal. Mas pronto, a ideia é que terá sido ⁓ único, uma única pessoa a ter contacto com a fonte de infecção. Juan: Uhum, uhum. Raquel Vareda: e depois houve transmissão pessoa a pessoa. Que nós já sabíamos que, ou seja, de acordo com aquilo que feito a investigação epidemiológica no barco, era o que fazia sentido, porque não faria sentido que toda a gente tivesse contato com o rato. A não ser que existisse rato no barco, ⁓ análise tinha sido feita, a avalição ambiental tinha sido feita na altura, logo no início, e não se tinha identificado qualquer sinal de existirem roedores no barco. Portanto, plausivelmente, ⁓ que ser transmissão pessoa a pessoa. And once again... Juan: Uhum. Claro, claro, claro. Sim, sim. Sim. Raquel Vareda: nós já sabíamos que o vírus se podia transmitir pessoa a pessoa. Nós não sabemos exatamente como é que funciona a transmissão dele e não sabemos que o risco é baixo, mas não sabemos exatamente como é que funciona, quando é que ele é mais transmissível, parece que é na fase inicial da doença porque é sempre na fase inicial da doença com todos os vírus, como não há muitos casos ⁓ humanos e transmissão humana-humano é rara, é difícil saber exatamente como é que funciona. Mas uma coisa é que se sequenciação genómica, é que o que foi interessante é que ele não parece ter mutado. Ou seja, aquela coisa de será que está a mudar, será que é diferente a este virus Andes do que era 2018, quando houve outro surto na Argentina numa festa... foi numa festa noturna, acho que foi uma coisa assim, com tipo uns 30 casos. ⁓ Pronto, quote me on that, mas acho que foi uma coisa assim, ⁓ que lembro na altura, ⁓ mas que o virus é o mesmo. Juan: Exato. E ainda bem. Sim. Uhum. Raquel Vareda: É exatamente o mesmo. Portanto, o potencial, nós já sabemos que ele tinha potencial de transmissão humana-humano, ⁓ contactos mais fechados, etc. Agora parece que alguns dos contactos não terão sido assim tão próximos e intensos, mas nós também nunca dissemos que era impossível que isso acontecesse. Nós não temos dados suficientes. Ninguém pode dizer que é impossível que aconteça com ⁓ contacto menos prolongado. Juan: Sim. Não, e também a verdade é que o cruzeiro é ⁓ sítio de contactos muito fora do normal. Ou seja, o tipo de contacto que as pessoas têm no cruzeiro não é o mesmo que as pessoas têm na rua ou ⁓ qualquer outro estabelecimento. Nos cruzeiros há espaços apertados, há ventilação partilhada, há ali uma série de atividades de horários que a maior parte das pessoas no cruzeiro seguem e vão todos à refeição naquela hora, vão todos àquela atividade e portanto, é, e portanto há aqui muito... Sim. Raquel Vareda: e sota o mento. E as superfícies, é? Tens todas as superfícies do Cruzeiro e nós sabemos que também pode... ele também sobreviva a algum tempo, não sabemos exatamente quanto, nas superfícies. Juan: Sim, há aqui muitas questões. portanto o Cruzeiro é ⁓ sítio ideal para se transmitirem vírus e de facto agora recentemente apareceu nas notícias ⁓ surto de norovírus num outro cruzeiro, pronto, é outra... Raquel Vareda: Ok, mas isso é normal. Não tem... não... exato... Costumam... Juan: É, eu não sei se as pessoas têm noção, mas de facto o cruzeiro é sítio muito propício para os vírus transmitirem entre os humanos e haverem surtos e costumam haver surtos bastante... Ou seja, há surtos bastante terríveis de gastroenterite, por exemplo, pessoas com diarreia vómitos nos cruzeiros, que há muita gente ao mesmo tempo a ficar doente, porque pronto, é contacto muito próximo, de facto. Raquel Vareda: Sim, os cruzeiros são péssimos, mas eu por acaso vi isso do norovírus porque me enviaram logo várias pessoas mensagem. Outro, mas até colegas. Eu recebi mensagens de colegas a dizer outro. Agora também temos que nos preocupar com este. eu tipo malta, existe... Nós tivemos norovírus, eu tenho quase... Porque este ano teve bastante circulação, esta época gripal. Juan: É porque as pessoas agora lêem vírus e é... ⁓ meu Deus! Mal de vocês já... Este ano, provavelmente. O norovirus é muito chato e anda sempre por aí, só para saberem. Pronto. Raquel Vareda: Sim, norovirus é vírus comum que causa gastroentritis. É muito chato, ⁓ Está cá. ⁓ o problema dos cruzeiros é que potenciam. Se alguém entra infectado, malta Acho se calhar deviam fazer a testagem pré-cruzeiro. Deviam fazer parte do pacote. ⁓ Juan: é bastante comum. Exato, por aí. Só que... Ui! É desastre, é desastre! É largo, é largo! Eu acho que os cruzeiros deviam fazer uma análise económica sobre se vale a pena fazer algum tipo de testagem aos seus passageiros. Raquel Vareda: Não vale porque depois perdiam passageiro. Mas quer dizer, depois também imagina se alguém tiver uma má experiência num cruzeiro, houve surto de norovirus no cruzeiro, vocês vão voltar e nunca mais façam cruzeiro na vida, vocês vão voltar a fazer cruzeiro. Eu acho que não, eu não faria. ⁓ Juan: Não sei... Depois. E tu nunca mais fazes-me cruzarem na vida, não é? Exato, exato. Não, eu tinha que fazer uma análise económica, é a frequência, quantas vezes é que acontecem surtos que estragam a viagem a uma série de passageiros e se vale a pena submeter-los a testes ou não. Deixamos isso para os senhores dos cruzeiros. Não vamos entrar agora ⁓ technicalidades. Vamos ao episódio, se calhar. Raquel Vareda: Para os senhores dos caraceres. Sim, bora! Então, olá a todos, eu sou a Raquel, nós somos casados, somos os dois médicos de saúde pública e pais de uma bebê pequenina. Juan: E é só o choé. me desdoro uma maior parte das vezes, mas nem sempre. Raquel Vareda: Mas sim, entre dados científicos e noites aparentemente muito mal dormidas, que já não é regra, a verdade é que nós claramente não temos tempo para isto. Juan: E Mas somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e por isso estamos cá todas as semanas para conversar ⁓ bocadinho sobre aquilo que interessa e que não interessa. Raquel Vareda: Para isso, bem-vindos ao nosso podcast, ⁓ espaço onde tentamos misturar a melhor evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: E agora vamos ao episódio que o tempo está a contar. E hoje eu queria falar sobre, e se calhar isto é ⁓ episódio muito public health mas podem esperar isso de nós, a proibição do tabaco na Inglaterra, no Reino Unido. Raquel Vareda: E os... Ufff... Ufff... Juan: É porque, pronto, para quem não sabe foi aprovada uma lei, uma política pública, é? Que é uma lei, vai neste caso, ⁓ que vão proibir no Reino Unido que pessoas, ou seja, a partir de 2027 qualquer pessoa nascida ⁓ 2009 já não pode comprar produtos de tabaco, inclui vape e não sei o todos os produtos de tabaco, não é só os cigarros. E basicamente isto é para sempre, ou seja, é como se ⁓ 2009... Raquel Vareda: partir de agora. Juan: Exato, é como se a partir de agora as pessoas que... aquela geração nunca mais vai conseguir comprar tabaco. Portanto é como se a idade mínima para consumir tabaco fosse 18 anos este ano e para o ano é 19 e para o ano é 20 e para o ano é 21 e cada ano vai aumentando de ⁓ ano e portanto há uma geração que nunca vai chegar a ter idade para comprar tabaco. E todas as gerações a seguir é essa. nunca vão poder comprar legalmente, pelo menos, produtos de tabaco. Eu acho uma política fantástica, acho que é uma excelente ideia, e eu fiquei super impressionado com quantidade de colegas, por exemplo, americanos de saúde pública, que vieram com argumentos de liberdade individual e que isto é terrível, isto é autoritário, e já ouviam uma outra pessoa ⁓ Portugal a dizer o mesmo, embora muito menos, não colegas, mas população geral. Raquel Vareda: Não. Juan: Eu só queria... Eu não sei se as pessoas têm noção do que é a liberdade individual, mas eu só queria trazer aqui o argumento de que... fumares e escolheres fumar e teres cancro do pulmão. E eu, com os meus impostos de ter que pagar o teu cancro do pulmão, isso não me soa a liberdade individual para mim. Não gosto. Percebes? É tipo... É. Raquel Vareda: A última análise, não gosto. Mas por acaso, acho que, ⁓ bocadinho atrás, na saúde pública, como profissionais de saúde pública e autoridades de saúde, eu acho que e existiu sempre, e penso que existirá sempre, ⁓ bocadinho dois argumentos a ser feitos. Porque existem colegas que são muito mais paternalistas. e colegas que são muito mais liberalistas naquilo que toca às políticas públicas. E eu sinto que isso é algo que temos que reconhecer. Por exemplo, eu tendencialmente, para muitas áreas, sou muito pouco paternalista. Isto é algo que eu já disse várias vezes publicamente, tanto a colegas como nas redes sociais, como ⁓ todo o lado. Eu sou muito menos paternalista no tipo de políticas públicas que eu defendo, que eu acho que às vezes tu és, por exemplo. Juan: Sim, sem dúvida, sem dúvida. Raquel Vareda: E eu acho que isto é uma conversa que tem de ser tida. Porque eu reconheço o argumento que tu fazes, é a nossa liberdade individual, no fundo, coisa, a nossa liberdade individual termina quando começa a do outro e portanto fumar infringe obrigatoriamente na liberdade individual das outras pessoas. Portanto já não estamos a falar de liberdade individual, estamos a falar de uma atividade que tem ⁓ impacto coletivo, é por isso que é uma... Juan: Claro, claro. Raquel Vareda: ⁓ problema de saúde pública, não só porque é ⁓ custo para o sistema e todos nós pagamos esse custo, mas essencialmente para mim o principal argumento é nós quando fumamos, nós não conseguimos fumar num pod, numa cápsula isolada que só nos vai afetar a nós. Portanto, nós sempre que fumamos, estamos a afetar as pessoas imediatamente ao nosso redor com fumo passivo. Juan: Claro, o fundo passivo. Raquel Vareda: Estamos a afetar a qualidade do ar, que nós sabemos que é bastante importante também. E uma das principais causas de morte, na verdade, a nível global, é a falta de qualidade do ar. Eu acho que a maior parte das pessoas não tem noção disto, mas tem ⁓ impacto gigantesco naquilo que é a nossa... Nossos resultados ⁓ saúde e também a nossa qualidade de vida. E portanto, acho que, na verdade, preocupa-me bastante mais o... Aqui a questão do impacto que tem na saúde pública. Juan: NERDO! Raquel Vareda: de uma forma geral por fumo passivo e por agravamento da qualidade do ar do que necessariamente o argumento que tu fazes e vou explicar porque porque... imagina, isso é verdade para tudo é slippery slope ou seja, se nós aqui formos fazer o argumento de ok mas tu estás a fumar e tiveste cancro do pulmão porque é que eu tenho que pagar o teu tratamento? I mean, então vamos ao limite de tu estás a comer esse donut e eu não quero pagar os teus tratamentos de diabetes ⁓ Juan: Claro, claro. Claro, claro. Raquel Vareda: E às vezes é, ok, ou seja, eu não como donuts, ok, mas estás a comer pão branco e o pão não sei o é, que tem menos teor ou seja, percebes? É só que eu sinto. Claro, ao extremo do lado é ao extremo do outro, pronto. Mas eu sinto que esse tipo de argumentos, que eu já vi vários colegas fazerem também, deixa muita margem de cinzentos e claro, nós podemos definir limite. Pronto, mas eu não... não... eu nesse aspecto... pronto, eu acho que todos nós... Juan: Sim, eu preciso. Eu percebo. Sim, sim. Certo, Raquel Vareda: Estamos aqui para pagar bocado os tragos que todos nós fazemos e acho que é uma coisa, tipo é o nosso contrato social ⁓ Portugal. Tipo eu pago o teu cancro de pulmão, tu pagas os meus tratamentos de diabetes e o outro paga os de hipertensão porque imaginem toda a gente vai ter alguma coisa. ⁓ Juan: Claro, claro. Sim, eu acho, eu acho. Certo, claro, todos vamos ter alguma coisa e muitas das coisas que temos, como sabemos, são derivadas do nosso estilo de vida, não é? Mas, seja, eu acho que isso é muito melhor aceite aqui Portugal, onde temos sistema social, ⁓ não Exato. Que todos que pagamos os nossos impostos e que por isso é que temos a consulta no SNS e por isso é que temos o tratamento para o Cancro no SNS, versus nos Estados Unidos é tudo cada um por si, salve-se quem puder. É muito mais assim, embora tenha alguns sistemas seguros. Raquel Vareda: Temos ⁓ contrato social que o permite. Exato. Eu não gostava de viver nesse sistema. Juan: Eu também não, eu também não. Então eu tenho ouvido colegas de lá que não lhes cabe na cabeça esta hipótese ser discutida sequer. Literalmente eu tenho ouvido pessoas que eu admiro bastante inteligentes que até têm dito coisas como não, não pessoa tem o direito de destruir a sua vida com o tabaco se quiser. Pronto. E tem o seu direito e é sagrado e não lhe podemos tirar. Eu percebo que sintam isso acho. Só que acho interessante que acho interessante que esta diferença cultural e dos sistemas de saúde faz com que se calhar aqui nós conseguimos considerar essa hipótese, embora nem toda a gente concorde como estás a Raquel Vareda: É Sim. Juan: dizer, mais ou menos paternalista, mas vejo muitos colegas, por exemplo, nos Estados Unidos que não conseguem mesmo sequer considerar que isto faça qualquer tipo de sentido uma proibição destas, percebes? Raquel Vareda: Bom, mas eles também acham que o socialismo equivale, comunismo, portanto... Exato, e autoritarismo, e vem tudo. contra, ou seja, isto nem sequer foi uma... Dar uma conotação negativa ao comunismo, não era isso que eu queria fazer, porque pareceu que sim. é só, ou seja, para eles todas estas palavras são equivalentes e são todas muito negativas. Juan: Sim, aqui vale logo a exata, comunismo e autoritarismo e não sei o pronto, sim. Sim, sim, sim, sim, sim. Sim, sim, sim, sim, espaço para qualquer tipo de... Quer dizer, nós não temos socialismo Portugal de uma forma clássica, ⁓ mas Estado social, políticas socialistas também, de certa forma... Claro, claro. Ou seja, ⁓ o que quero dizer palavras simples é que aqui na nossa sociedade é aceite que todos contribuímos, todos pagamos impostos, e o Estado redistribui de certa forma, não é? ⁓ Todos pagamos impostos teoricamente quem não tem creche Raquel Vareda: Com alguns pontos de interrogação, é várias delas, não é? Juan: consegue ter a crèche feliz porque todos pagamos impostos para isso mesmo quem tem dinheiro para pagar uma creche no privado. Teoricamente, pronto, estamos a entrar por tópico controverso também. ⁓ mas, mas, falando sobre sobre a questão do slippery slope, eu percebo perfeitamente o que estás a dizer e é verdade, eu costumo ser bocadinho mais paternalista, talvez e heavy handed nisto, ⁓ mas eu acho que não podemos ter medo do slippery slope porque Raquel Vareda: É isso aí. Juan: tudo é slippery slope na saúde pública, ⁓ nada na saúde pública é 100 % baseado evidência, há sempre uma componente política, subjetiva e social de que nós temos que decidir o que queremos como sociedade e lá está, isso aplica-se porque é podemos beber álcool depois dos 18 e não antes ou depois dos 16 e não antes certos países ou depois dos 21 e não antes outros países e acho que é slippery slope, podíamos também fazer o mesmo argumento com o álcool, com as comidas açucaradas como estávamos a falar, mas acho que não temos de ter medo de discutir esse slippery slope e dizer ok, é ⁓ slippery slope, é uma zona cinzenta mas... Raquel Vareda: Onde é que vamos colocar o cut off? Juan: Mas vamos colocar aqui como sociedade e tem que ser bem transparente porque percebes? Eu por acaso acho que eles aqui no Reino Unido fizeram ⁓ bom esforço de muito do argumento deles vai no sentido do dinheiro que vão poupar, porque o Reino Unido tem ⁓ NHS que está overstretched também, tal como o nosso SNS está com dificuldade a dar resposta àquilo que a população quer neste momento e, portanto, até acaba por ser ⁓ argumento que eu acho que pode ser popular, mas vamos ver, não é? Como é que cai lá, mas pode ser popular de, ok, olhem, o SNS está mesmo com dificuldade, Nós não vamos tirar o tabaco a ninguém que esteja a fumar já, mas estas pessoas que ainda não começaram a fumar não vão ter essa possibilidade. E portanto acho que também é bocadinho menos do que, por exemplo, já aconteceu noutros países, acho que foi no Bhutan ou assim, que tentaram banir o tabaco por completo de repente, não é? E obviamente não resultou, é? Todas as pessoas que fumam de repente dia para o outro não poderem fumar é desastroso. ⁓ Mas, mas há aqui algo, há aqui uma diferença no pensar que é uma nova geração que nunca vai experimentar. Certo? Raquel Vareda: Não posso, vai. Eu alinho-me com isso. Ou seja... Sim, sim. Sim, sim. Não, não, Exato. Eu queria só falar sobre estas duas pols que existem muito nas profissionais de saúde pública, mais paternalismo e menos paternalismo, mas eu especificamente com esta política pública alinho-me perfeitamente. Eu acho que corta ⁓ bocado o mal pela raiz. Juan: mas estás a retirar algo deles, eles ainda não experimentaram o tabaco percebes? Estás de retirar essa possibilidade no futuro vá! Sim, sim. Raquel Vareda: Eu estou bastante curiosa saber se eles vão conseguir ir para a frente com isso, porque não são o primeiro país da Nova Zelândia também tentou banir o consumo a partir dos 16 anos e voltaram atrás, porque o lobby da indústria do tabaco é extraordinariamente... potente, sim. E nós já ouvimos histórias na saúde pública de ameaças de morte. eu, pronto, tinha sempre bocado na dúvida qual reais são, ⁓ acho Juan: Claro. potente, muito forte mesmo. Na Nova Zelândia... Sim, claro. Não, mas que existe pressão, existe muita pressão. Mesmo se tu trabalhares num qualquer país na área do tabagismo. Eu não sei a experiência Portugal, mas tenho falado com colegas internacionais de outros sítios que me têm contado histórias de pressão bastante forte. Elas têm muito dinheiro e têm muita pressão. Sim, sim. Eu já vi situações noutros países onde havia pressão mesmo a sério, sim. É lobby muito forte. Agora, agora... Raquel Vareda: Acho plausível, há muita pressão, há muita pressão. é mesmo difícil. Sim. E ameaças e... Exato. seja, pressão a sério. Blackmail. Exato. Blackmail. Com envolvimento exato de familiares e coisas. seja, lobby a sério. Tipo, cenas... Cenas de filme, Juan: Claro, claro, sim, é ⁓ lobby muito... Cenas de filme, cenas de filme. Atenção, isso não foi ⁓ Portugal, mas ouvimos histórias de outros sítios assim, contadas ⁓ primeira mão por colegas... Não, não, não era o que faltava, ainda aparece aqui a indústria do tabaco na nossa casa, amor, não é? Raquel Vareda: Não vamos mencionar nomes, mas as coisas vão se sabendo. E por algum motivo, maior parte dos colegas não quer trabalhar nestas áreas. Tabaco, álcool, a maior parte dos colegas são mesmo do jogo agora, temos a falar cada vez mais das áreas que remar contra a maré e colocam muitas vezes a tua vida e carreira profissional causa. Juan: áreas que são ⁓ bocado... sim, mas áreas que são ⁓ bocado de remar contra a maré mesmo sem... Sim, claro, claro, claro. Sim, eu não quero dizer que ⁓ Portugal colocas a tua vida ⁓ causa automaticamente por trabalhar nestas áreas, não é isso, mas é remar contra a maré e contra muitos interesses económicos e contra muito lobby. São áreas difíceis de trabalhar na saúde pública ⁓ geral, ⁓ qualquer país, são áreas difíceis e por isso eu admiro muito os nossos colegas que trabalham nessas áreas, acho que fazem ⁓ trabalho muito importante. Raquel Vareda: Sei. Sei, não, não. Mas no geral... Uhum. Juan: Imagina, eu acho que eu estava ver aqui algumas algumas vantagens e desvantagens potenciais desta política, é? E há uma ideia interessante, pronto, para além desta ideia de vender a política para toda a gente a dizer vamos todos poupar dinheiro no futuro. Eles fizeram as contas dos bilhões que vão poupar se as pessoas deixarem de fumar. Havia também aqui uma questão de particularmente eficaz impedir estas pessoas mais jovens de começarem a fumar, porque a verdade é que se tu experimentares tabaco mais tarde na vida é muito menos provável que fique viciado de que se experimentares entre os 15 e os 20 anos. É uma idade ali muito perigosa para experimentar tabaco pela primeira vez. E depois uma ideia de desnormalizar, não sei se pode dizer assim português, é deixar de ser uma coisa normalmente aceite na sociedade, passa a ser uma coisa bocado fringe passa a ser uma coisa, olha, é ilegal, não devias estar a comprar isso. Vai haver sempre gente que consegue, é? ⁓ Mas dizer, vai estar muito menos disponível se tudo correr bem. ⁓ E lá está, eu ouvi argumentos engraçados de alguns colegas, por exemplo, nos Estados Unidos, ⁓ mas então é ridículo, agora uma pessoa com, daqui a anos, uma pessoa com 47 anos não pode fumar, mas o que tem 48 pode. E eu penso, claro, pode então, mas imaginem, também a pessoa que tem 18 e 19 também tem leis diferentes, temos que escolher ⁓ pá, lamento para a pessoa que tinha 47 anos, azar. Não podes, pronto. Mas também... Raquel Vareda: ⁓ algum momento temos... Sim. E sobre o... Sim, e sobre o vaping, por acaso eu não tinha visto que eles também iam proibir o vaping, mas quer dizer, faz todo o sentido, porque no fundo eles estão a proibir todo o tipo de consumo de tabaco. Ok? Isso, exato, isso faz... Juan: Cláud! Cláud! Sim, sim. E esta política vem num pacote com outras coisas que vão restringir mais a publicidade, a cor, os sabores dos vapes, etc. Portanto, isto vem num pacote, não vem isolado, o que também faz sentido. Sim. Raquel Vareda: Perfeito! Sim, sim, sim. Eu ia só mencionar que no vaping eu vi recentemente, estava a ler sobre isso e falei com os colegas que trabalham também nesta área da saúde pública, que existiram já umas quantas dezenas de mortes desde 2019, 2020 associadas à contaminação do tabaco de vape Ou seja, aqueles... Sim. E eu por acaso não tinha noção, mas realmente é que o processo de fabrico desse tipo de tabaco está muito pouco regulado. E não é de toda uma área que eu trabalho, então eu não tinha bem noção, mas aparentemente já existiram várias situações e alguns outbreaks, alguns surtos de contaminação e de patologia pulmonar e até de mortes associadas ⁓ pessoas jovens. Juan: Depende dos sítios. Olá. Sim, já vi case reports disso na altura também, como não é um área que eu trabalho diretamente, não tinha bem noção, mas já vi case reports disso. Na altura eu lembro-me de ver. Sim. Raquel Vareda: Sim. É muito bom. Nós ⁓ Portugal temos uma das médias de consumo de tabaco de uma forma geral, mais elevadas no mundo. Sim. Andam, exatamente, pelo menos ⁓ milhão e meio de pessoas fuma e se dá cerca de... Juan: Que que triste estatística, pronto. Deixamos aqui já a ideia no nosso podcast de implementarmos esta política do Reino Unido ⁓ Portugal também. Escolham ⁓ ano, malta, seja 2009 ou de qualquer, e a partir daí ninguém fuma e acabou. Pronto. Eu alinhava-me perfeitamente. Eu acho que nós podemos fazer os mesmos argumentos, quer dizer, nós andamos todos com os nossos impostos a pagar os problemas de quem fuma, portanto, enfim. Mas... Raquel Vareda: Escolham um ano ⁓ alinhava-me com isso. ⁓ É, mas eu não adoro... ou seja, eu gosto de fazer o argumento económico ao contrário. Quanto dinheiro é que nós vamos poupar? Quanto dinheiro que nós vamos ganhar? De forma... porque o nosso cérebro... Exato, é isso. Juan: Sim. É, foi o eles fizeram no Reino Unido. Sim, sim. E para que é o vamos usar, não é? Porque podíamos dizer literalmente, olha, vamos usar isto para aumentar o salário dos médicos, aumentar os médicos de família. Podias dizer exatamente o que querias fazer com o dinheiro poupado e fazer coisas boas, não é? Raquel Vareda: Sim, exatamente. Eu acho que nós devemos sempre... Também é o tipo de política pública que às vezes é implementado, que é quando a política pública é feita de uma forma pela ⁓ nós sabemos que nunca vai ser tão bem aceite na população. E quando é feito de uma forma pela o que nós vamos ganhar, para onde é que vai ser alocado o dinheiro, há sempre resistência. Juan: Sim. Raquel Vareda: na população, a resistência à mudança, isso é normal, a com viés cerebrais também que nós temos, mas depois é muito melhor aceite. E, portanto, eu não gosto tanto de fazer o argumento económico de eu não quero pagar isso com os meus impostos, porque até me parece ⁓ bocado... I don't know, isso é muito savage. Juan: Sim, sim, sim, sim. Claro, Sá, sim. Isso é o argumento aqui ⁓ podcast. O argumento correto seria esse que tu estás a dizer. Ou seja, vamos fazer isto ⁓ equipa, somos todos ⁓ país, todos pagamos a saúde com os nossos impostos e encontramos aqui uma forma de poupar e simultaneamente proteger as gerações futuras de ⁓ hábito que negativo. E nós queremos proteger as crianças disto, percebes? Raquel Vareda: Eu acho que a maior parte... Exato. Tu dizes-me isso e eu penso... Não, eu adorava que minha filha crescesse num país onde ela já nem sequer tivesse esse hipótese. Eu... Isso acho fixe. Juan: Exato. E eu acho que mesmo quem fuma, mesmo quem fuma, não anda a pensar, ⁓ mas eu quero que o meu filho tenha a liberdade de fumar. Não, eu acho que mesmo quem fuma pode até querer dizer, eu quero ter o meu direito de fumar o resto da vida, tudo bem. Mas acho que a maior parte das pessoas que fumam também, aliás, pelo menos os inquéritos que vi sobre isto, maior parte das pessoas que fumam não querem que as crianças fumem. Ou seja, se lhes disserem, olha, as crianças já não vão fumar. A proporção é muito elevada. Exato. Raquel Vareda: Não. que os vermelhos não fumavam. Exato. Até porque muitas dessas pessoas na verdade gostavam de conseguir deixar de fumar e é mesmo difícil. É mesmo difícil. Tem. Juan: Sim, há muita gente que quer deixar de fumar e não consegue, e portanto percebe perfeitamente se tu lhes disseres, olha, mas os teus filhos nunca vão fumar. Olha, fantástico, perfeito. Até é melhor. Raquel Vareda: Sim, mas eu acho que este tipo de medidas tem que ser implementada com pacotes de medidas mais extensos, de mais consultas, cessação tabágica mais acesso à medicação, Portugal tem feito alguns avanços neste sentido. ⁓ ali que a Portuguesa contra o Câncero tem consultas gratuitas. É verdade que às vezes pode ser bocadinho difícil de ter acesso, mas por acaso a minha mãe submeteu o formulário e conseguiu. ⁓ Juan: Claro, Sim. Sem dúvida! Saindo sem dúvida. Exato, também é caso de uma pessoa que é fumadora e conseguiu consulta de cessação tabágica e estava a ter bons resultados na consulta. ⁓ Sim. Sim. Raquel Vareda: E rapidamente, dois meses depois de submeter o formulário. ⁓ e tentado a ter bons resultados. Teve consultas online com colega de medicina geral e familiar que tem a socialização e cessação tabágica. Há acesso à medicação. Por acaso fiquei muito positivamente surpreendida. Lá está, não é uma área que eu trabalho muito e não tenho noção como é é o acesso, ⁓ mas por Juan: Sim Sim sim Ok, mas eu também não queria deixar de referirmos aqui conforme por acaso falamos disto no episódio anterior, eu, sobre como as políticas públicas saem ao contrário do que ⁓ governo quer mesmo que sejam bem intencionadas e acho também que devíamos abordar aqui algumas possíveis, sei lá, aspectos negativos disto, não é? Raquel Vareda: e o E é... consequências inadvertidas... Juan: inadvertidas ou mesmo negativas porque imagina, ou seja, obviamente há aqui questões de implementação de vai ser difícil, vais ter que fazer check de identidade ou o que for, ser mais difícil, vai ser difícil de implementar isto ao longo dos anos para todas estas gerações, não é? Até porque... Raquel Vareda: Sim. E eles estão, ou seja, tornar ilegal comprar, mas eles não estão a criminalizar o consumo. Pronto, eu daquilo que eu li da política pública, eles não vão criminalizar o consumo. Ou seja, se uma pessoa jovem a alguém lhe der ⁓ cigarro, não é criminalizado. Foi o que eu... Juan: que eu saiba não, mas eu não vi específicos sobre isso, mas que eu saiba não, sim. Sim, sim. ⁓ cigarro. Sim, e não faria sentido criminalizar, conforme sabemos ⁓ Portugal, com a nossa experiência, não é? Mas imagina certamente que, ou seja, continua a ser legal vender tabaco a toda uma série de gerações e, portanto, continuar a haver tabaco disponível ⁓ vários sítios. Mas esses vendedores, eventualmente, vão ter que começar a comprar menos tabaco aos seus fornecedores porque vai haver menos gerações a fumar e, portanto, há de haver uma transição ⁓ bocado estranha e eu percebo... Raquel Vareda: time. Eu não. E a parte aqui cultural e social que tu mencionaste de que de ser uma coisa que se faz, normal, porque também no início as pessoas podem dizer que vão pedir à minha mãe, ao meu tio, ao meu irmão mais velho, ok, mas depois ao longo dos anos isso deixa de ser uma realidade e realmente as pessoas passam a fumar menos ou a não fumar de tudo. Há sempre aquela fase de transição numa política pública de alguns anos de... Juan: normal. Claro, sim. STING Raquel Vareda: estranheza e tentar, ou seja, ⁓ com que a política pública seja bocado permeável enfim, portanto, dar a volta, mas... Juan: Claro, É adaptação. Claro, Eu imagino que lá está as gerações limítrofes aqui no limite, sentir-se injustiçadas de alguma forma ou assim, que aliás a geração daqui a 10 anos, que entra na idade de fumar daqui a 10 anos, já não vai achar nada disso, vai achar normal e irrelevante ⁓ questão aqui que também temos considerar é o mercado negro e a venda ilegal de tabaco. ⁓ muitas pessoas a criticar esta política a dizer que ok, vais proibir, ⁓ as mesmas pessoas que vendem produtos ilegais neste momento, outras drogas. Raquel Vareda: É irrelevante Ok. Juan: ilegais, exemplo, vão passar a vender tabaco também, vai haver ⁓ mercado negro, etc. Raquel Vareda: Mais uma vez, não acho que isso seja argumento viável para não se implementar uma política pública, porque, sim, isso é verdade, mas não é por isso que nós vamos legalizar o consumo de cocaína ou de heroína, não é? Sim, pode ser uma discussão a ter, mas eu como médica sou de pública não concordaria com a legalização de drogas desse... livre, Mas não acho que seja argumento viável, porque mais uma vez... Juan: Clube! Exatamente. Raquel Vareda: com a mudança social que advém da implementação adequada deste tipo de política pública, se calhar daqui a 20 anos vai haver uma minoria de jovens que quer fumar tabaco e vai ao mercado negro comprar, mas entretanto a indústria do tabaco também tem que fazer pivot para outras áreas mais lucrativas e deixa de haver tanto... Juan: Emas! Exato, tem que se dedicar a outra coisa. Raquel Vareda: E quem melhor do que a indústria do tabaco tem tanto dinheiro para inventar outra coisa para fazer dinheiro? Por que não inventam do género brócolos que saibam incrivelmente bem? Mas é verdade. Ou seja, faço alguma coisa de cedo que eu gosto do dinheiro. mean... Sim. Mesmo, sim. Juan: Se eles quisessem, conseguiam. Brócolos viciantes. Vegetais viciantes, que pessoas queiram mesmo comer vegetais verdes. Sim, sim. Ideias para a indústria do tabaco. Outra questão aqui é o que se perde ⁓ impostos. Também já ouvia esse argumento, até já ouvia esse argumento ⁓ Portugal, ⁓ discussões anteriores, não é? O Estado recebe uma receita de... dos impostos das pessoas que consumem tabaco e do trabalho da indústria do tabaco. Raquel Vareda: Quando nós pusemos o custo do tabaco versus o que ganhamos não é... Juan: Nós não ganhamos a questão é essa, nós não lucramos, é? depois vamos pagar esta fatura do imposto que recebemos do tabaco agora, vamos pagar mais tarde com as pessoas que têm cancro do pulmão e muitas outras doenças. O câncora do pulmão é só exemplo. Não é real, não é real. Mas é muito usado pela indústria do tabaco e pelos partidos políticos que os apoiam, claro. E porque é de curto prazo, é argumento fácil tentar convencer as pessoas. curto prazo. Vamos perder dinheiro agora, mas na verdade vais perder mais dinheiro depois de continuares a fumar. Raquel Vareda: Sim, esse argumento económico não é real. O que lhes convém, não, Sim. Pois, mas isso também é... Isso é sempre o argumento do ciclo político de 4 anos. Para o político que está a candidatar-se a ⁓ ciclo político de 4 anos e que quer manter-se no poder e, portanto, cada 4 anos tem que mostrar resultados muito rápidos, é o grande problema do Ministério da Saúde e de outros ministérios estarem ao brigo deste ciclo de 4 anos. É que é muito difícil fazer políticas a médio longo prazo. Juan: e Pois. Ok. É duro, é duro, é duro prô... Raquel Vareda: Porque tem que se mostrar aos constituintes de trabalho agora e ganhos agora. E não é assim que funciona a sociedade. Juan: Sem dúvida. E não é assim que funciona a saúde pública, porque noutras áreas da sociedade pode haver alguns ganhos rápidos, mas na saúde pública a maioria das coisas demoram mais tempo. É preciso mais tempo. Claro que outra... Pronto, lá está. Foi mais ou menos isso que aconteceu na Nova Zelândia. Eles depois de implementarem, mudaram de governo e o novo governo queria cortar impostos e para financiar os cortes dos impostos também não podiam estar a perder o dinheiro do tabaco e então voltaram atrás com tudo. Pronto. Isto associado a muito lobby, certamente. Claro. Raquel Vareda: Pois. É isso. Juan: Enfim, mas falando aqui da parte, porque eu acho particularmente interessante isto das consequências inadvertidas, uma que me ocorreu a bocado é o setor do turismo. que é... Portugal é altamente dependente do setor do turismo, certo? E eu imagino que os turi... Estou aqui imaginar, não é? Não tenho evidência nenhuma disto, que os turistas gostam muito de vir cá e continuar a fumar o que lhes apetece, certo? Então imagino que implementávamos isso ⁓ Portugal, mas nos outros países não se implementava. E então tinha os turistas, por exemplo, a virem de outros países europeus, que se calhar iam pensar a... que será que eu quero ir passar férias ⁓ Portugal e vou ficar proibido a fumar durante duas semanas? Será que isso seria uma situação? Raquel Vareda: Uhum. Ai, acho esse argumento bullshit. Completamente bullshit. Primeiro, porque... Juan: Eu achei que podia ser uma cena, não sei. Eu nunca fumei, por isso eu também não tenho noção, é? Se pessoas ficam só a sentir-se mal duas semanas... Raquel Vareda: Primeiro eu acho que... Imagina, existem países onde o tabaco é muito caro e para onde as pessoas quando voam levam tabaco do seu país ou... Portanto eu acho que... Ok, não está à venda... Exato, desde que não seja criminalizado o consumo, que mais uma vez não parece isso que seja aquilo que o UK está a tentar fazer, pelo menos neste momento, tu podes sempre levar... Juan: Pois porque não seria proibido levares o teu tabaco, imagino eu, não é? Tô sumo. Raquel Vareda: o teu próprio tabaco se quiseres, uns quantos massos. Por acaso não sei se existe limite ou não a levar, mas eu lembro-me, ou seja, já vi pessoas a levar do género de tabletes, volumes de tabaco, pronto, tabletes. Juan: Eu acho que existe... Volumes, volumes. Sim, sim. Ou seja, hoje ⁓ dia já acontece pessoas comparem tabacacitos onde é mais barato ou só há determinados tipos de tabaco para ultrapassar certas situações, compram e trazem. Já vi isso acontecer, claro. Raquel Vareda: Sim, depois trazem. Exatamente, portanto... Ok, acrescento uma coisa ⁓ pouco annoying. Yeah, I guess, sure, I don't know. I do not give a fuck. Mas para caso não, também não acho que isso seja... Estou à espera de algum bom argumento contra esta política pública. Não vejo assim nenhum... Não me ocorre nenhum bom argumento. Excepto o argumento da liberdade individual. Juan: Não sei, não há sempre, não há sempre, não é? Não há sempre. contra esta política. Pois so. Raquel Vareda: Mas mais uma vez, não é como se nós... Imagina, todas as nossas escolhas estão condicionadas. Nós não temos... Nós somos boas... Imagina, nós temos, mesmo no consumo do tabaco, nós temos a escolha que existe ⁓ Portugal, que é muito diferente da escolha que existe noutros países. Nós não temos livre-arbítrio. Juan: Ui... Arra aquela filosofar agora sobre livre-arbítrio, Nós na verdade não temos livre-arbítrio, nós não escolhemos nada, é isso, não é? Raquel Vareda: Sobre nada. Juan: Acho que ias ter que explicar isso melhor, mas vamos quase ⁓ 40 minutos, não vai dar neste episódio, mas vamos ter que mergulhar nesse tema no próximo. Raquel Vareda: Não, mas pronto, esse... Sim, isto é uma boa conversa, por acaso. Eu e o Juan temos muitas conversas sobre livre-abítrio e, por acaso, eu até tendo a ir para o outro lado de... Nós temos alguma escolha. Tu és muito... ausência total. E, sim, tu és completamente determinista. É ⁓ facto. Não, mas... Lá está. Imagina, nós não temos livre-abítrio. Nós temos... Juan: Sim, temos discussões filosóficas. Somos as... Eu sou determinista, não. Eu acho que não temos escolha nenhuma. Não temos escolha nenhuma. Raquel Vareda: escolhas pequenas, no leque de opções e que são limitadas não só pelas opções que existem mas pelo nosso background, nosso contexto socioeconómico, pelas nossas experiências, pelo sítio onde estamos Portugal. Portanto, me lixem que agora o livre arbítrio é mesmo importante é para consumirmos tabaco. Malta, não! Juan: Eu... Eu... Eu estou ficar... Eu estou a ficar impressionado porque tu normalmente discordas mais de mim nesta questão do livre-herbítrio e acho que estás a aproximar a minha perspetiva. O teu discurso está a ficar parecido ao meu, é perigoso. Será que eu te estou a convencer que não temos livre-herbítrio? ⁓ yeah! Raquel Vareda: vá, no consumo de tabaco pelo menos. Damn it! É que eu não tenho bons argumentos. Eu não tenho bons argumentos. Ok, next time. Next time. Juan: Next time, next time. Mas mesmo sem a discussão filosófica maior do livre arbítrio ⁓ geral, a verdade é que, ou seja, eu acho que as pessoas conseguem reconhecer que... para a maior parte das pessoas que fuma não é uma opção. seja, tu experimentas, pode dizer que isso foi a tua opção, mas assim quer dizer, a indústria vendeu-te o tabaco com muitos anúncios e questões culturais, sei o meteu-te o tabaco na cara, não é? Pronto, mas vamos imaginar que tu até tiveste a escolha de começar. Eu acho que as pessoas conseguem bem perceber que a maior parte dos fumadores meio que não sente que têm a opção de parar. Pelo contrário, como estávamos a dizer, as pessoas não é uma questão de livre arbítrio e de liberdade individual. Pelo contrário, as pessoas ficam com a sua liberdade individual privada, porque já não conseguem. Raquel Vareda: Imprinted no teu cérebro. e só isso. Juan: para de consumir aquele produto. Que lhes gasta dinheiro, que lhes causa doenças, que é ⁓ problema ⁓ vários aspectos, as pessoas não conseguem parar. Portanto, não é ⁓ argumento para liberdade individual, na minha opinião. Raquel Vareda: que vocês precisam é de se apaixonar, porque olha, novo namorado da minha irmã, que ela disse que não gostava que ele fumasse, ele... ups! Sendo assim! E deixou de... Deixou de fumar! Pelo menos temporariamente, vá. Juan: Ahahahah! O amor ultrapassa tudo! O amor ultrapassa tudo! E já agora devíamos... Devíamos dar os parabéns à Vianna Podcast, que ela fez anos agora, recentemente. Parabéns, Beatriz! E pronto! Acho que ficam... Ahahahah! Estavamos a dizer parabéns a todos os nossos amigos que fazem anos! Mas têm que chegar ao final do episódio para saberem que lhes fizemos os parabéns. Raquel Vareda: Parabéns atrasados Beatriz Maria. Ela não é Maria. Parabéns Rita Baião Faz anos hoje. Parabéns amigas. Juan: Por isso, se elas ouvirem, é porque ouviram o episódio até o fim. Muito bem. Raquel Vareda: Exatamente. Para casa, a Baião tem ouvido todos os episódios e a Bia também. Portanto, eu acho que elas são capazes de ouvir. Obrigado por nos ouvirem mais episódio. E nós voltamos para a semana. ⁓ Juan: Boa, boa. Fico feliz, fico feliz. Parabéns às duas. Muito bem. Exato. Se tiverem dúvidas ou questões ou sugestões de temas podem nos mandar por Instagram ou pelo nosso email. E até lá. Vão-nos ouvindo. Raquel Vareda: e vamos tentar arranjar mais tempo para isto. Tchau!