Raquel Vareda: Deve tirar-me a foto de quando andou até tu... Olá Malta! Foi... foi mesmo muito bom. Foi... Não estava no meu bingo card de 2026 chorar num concerto de Bad Bunny, mas... mas derramei umas lágrimas. Foi... muito. Juan: É que nós estivemos no concerto... Estivemos a ouvir o Bad Bunny ontem à noite. Incrível, adorei. Grande concerto. Mas foi bonito, foi bonito. ele disse ali algumas palavras sobre aproveitar a vida e estar presente num momento e também sobre a luta das comunidades latinas por este mundo fora e foi muito bonito, gostamos muito. E foi grande show e grande festa. Raquel Vareda: contributa a América Latina também ⁓ bocadinho. Sim, foi muito, muito... Que perreo malta! Juan: Eu curti imenso porque imagina, mais do que ⁓ concerto, pareceu-me só uma festa mesmo. Ele estava ali na casinha, só ele a cantar e nós ali à volta a dançar tranquilo. Olha, gostei muito, muito fixe. Raquel Vareda: La Casita, sim. E tivemos sorte porque, sorte, nós chegámos muito, muito ⁓ cima da hora ao concerto, porque não tínhamos muito interesse ⁓ estar lá várias horas, queríamos só chegar, o concerto e estava fixe. E estávamos a tentar encontrar ⁓ amigo meu que já estava lá e, portanto, metemos-nos lá para o meio, pé da Casita e acabámos por não encontrar o Matheus de todos. Juan: Exato. Exato, não enxergamos encontrar. Raquel Vareda: Mas ficámos ali... nós estávamos a tentar mas não nos deixavam passar e as pessoas começam a ficar bocado chateadas porque não se embarcaram assim ao seu lugar. Mas acabámos por ficar super perto da casita e ele fez metade do concerto lá. Foi incrível. Estava tipo a 10 metros. Nós achávamos que iamos estar... que para mim eu sou minúscula, ou seja, eu sou tipo... Juan: Epa, sim, as pessoas parecem que queriam ser o lugar reservado na plateia ⁓ pé, enfim... E é, brutal, nós achávamos que iamos estar super longe... Achávamos que iamos estar super longe, mas não. Raquel Vareda: ⁓ nugget de pessoa, na verdade, eu sei que não parece... Se calhar não parece, mas sou. E portanto eu nunca vejo o pôr-me ao colo para eu consegui vê-lo uma vez. Eu nunca vejo nada, portanto é completamente diferente a hora que eu vou porque eu não vou ver a pessoa. Vou ver os ecrãs e dançar e está tudo certo, é a minha vibe. Exato, o Juan já é ⁓ bocadinho mais alto. Acho que o Alan... Nós fomos com o meu cunhado irmão do Juan e acho que ele viu o Alan ainda mais... Juan: Dá pra ouvir a música, consegue ouvir a música. Pronto. Nós conseguíamos ver, nós conseguíamos ver, Imagina, tanto quando ele estava... Sim, sim, seja, mesmo quando ele estava... Mas imagina, quando ele estava à frente no palco principal, nós conseguimos ver, mas é ⁓ homenzinho minúsculo ali ao fundo que está a cantar. Não é? Exato. É muito longe. Agora, quando ele estava ali na casinha, dava para vê-lo, estávamos a poucos metros dele, brutal. Gostei muito. Foi muito fixe. Claro que várias pessoas reclamaram conosco à medida que fomos passando para chegar ao sítio, porque eu e o meu irmão... Raquel Vareda: Pois. ⁓ tu também conseguias Sei, tipo de uma formiguinha branca. Sim, foi absolutamente incrível, foi muito bom. Juan: Estávamos a tapar a visibilidade, mas quer dizer, imagina uma pessoa, o que é uma pessoa vai fazer, não é? E o mais engraçado é que até viam umas pessoas baixinhas à nossa volta no início do concerto, que nós até fomos, dissemos, olha, então fiquem à nossa frente, pronto, e nós assim não... Sim, não, mas este grupo ⁓ específico estavam a reclamar e nós dissemos, então fiquem à nossa frente, e depois metade do concerto foi para trás, e então ficaram atrás de nós na mesma, mas pronto, é que acontece, o que é eu ia dizer? Pronto, mas foi muito giro. Raquel Vareda: E aí Mas há sempre uma pessoa a você atrás, não é? Sim. Pois foi. Sim, pois foi. Comprassem nas bancadas malta. Não foi opcional, não foi opcional, é o que havia. o que havia. Insano. Juan: é muito fixe. Sim, nós compramos o bilhete que havia, não escolhemos, pronto, foi possível e compramos há ⁓ ano e tivemos várias pessoas no computador à espera para comprar o bilhete e compramos tipo sete bilhetes de uma vez para ⁓ grupo grande, não foi? Raquel Vareda: E na verdade, exatamente, na verdade o que aconteceu foi, e tenho que isto publicamente porque foi, ouve uma rapariga que eu não conheço de lado nenhum, mas que me segue no Instagram, que comprou sete bilhetes, ou seja, ela gastou para aí setecentos, oitocentos euros, já não me lembro quanto é que foi no total, pois já... pois sim, verdade, mas ela comprou-nos sete bilhetes antes de eu lhe ter pago... Juan: Ok. mais porque cada bilhete foi mais do que 100. Confiança, fulgurmo. Raquel Vareda: Exato, porque eu pedi do género Malta, não estamos a conseguir alguém que compre os bilhetes. E eu pedi nas stories, admite que não me lembro neste momento do nome dela, mas obrigado, salvaste-nos a vida, vou estar eternamente grata, vou marcar a tua presença na nossa podcast. Sim, foi absolutamente incrível, portanto, obrigado, é para isto que serve a comunidade. Juan: E ⁓ pois foi, tu pediste. Olha, obrigado rapariga do Instagram. Ela merecia ⁓ shoutout. Obrigado, rapariga misteriosa do Instagram, gostamos muito, o concerto foi brutal. Graças a ti. Ahahahah, para nos comprar ⁓ bilhetes. Não, é esta entre-ajuda, claro, claro. Sim. Raquel Vareda: Por isto não é verdade, isto que... Não, mas é a vantagem exatamente de ter uma comunidade... seja, atualmente é muito nas redes sociais, não é? Que nós acabamos por encontrar uma pequenina comunidade. Antes era nos terceiros espaços, ou seja, nas igrejas, nos mercados. Havia comunidade e as pessoas... Sem nenhuma necessariamente obrigação sanguínea, não é? De minha família e mesmo atualmente isso já não vale assim tanto. Mas as pessoas, sei lá, entre ajudavam-se. Pronto, precisam de ⁓ bolhete de bad bunny e pronto, eu vou fazer. Juan: Sim, acho. Não, que isso é algo que muita gente sente falta hoje ⁓ dia na nossa vida moderna e acho que tem muito a ver com o que estávas a referir dos terceiros passos e se calhar é ⁓ tema para ⁓ episódio futuro mas de facto essa falta de terceiros passos, seja, sítios onde as pessoas convivem tem uma... Exato. Não é o conviver do... Não é o trabalho, é? Não é o conviver do trabalho ⁓ que estamos de outros lugares a trabalhar, é o... Raquel Vareda: sem uma obrigatividade, não é que não combinaram, ninguém mandou mensagem no WhatsApp para... exatamente. É só as sítios onde vamos estar e acabam por emergir relações. sim. As redes sociais são o meu terceiro espaço. É ⁓ bocadinho. Juan: relações e comunidade, é? Claro, sem dúvida. dúvida. Hoje ⁓ dia a vida parece muito... Eu acho que isso é, digamos, ⁓ dos pontos positivos das redes sociais, é que têm a potencialidade de funcionar... têm o potencial de funcionar como ⁓ terceiro espaço. Mas pronto, depois têm muitos problemas também. É ⁓ terceiro espaço com muitos problemas. Não vou entrar por aí, Mas acho que há muito... é ⁓ terceiro espaço complicado, às vezes. Raquel Vareda: Putser. Sim. Mas enfim. Juan: Porque assim como encontra exemplos de comunidade, encontra exemplos de completamente o contrário, pessoas sentirem-se pior por estarem nesse espaço. É verdade, assim. Mais sozinhas e mais isoladas até. Raquel Vareda: Daí a repercussão... Sim, já existe muita evidência da repercussão negativa que tem muitas vezes na saúde mental. Mas sim, que isto dava... Também acho que há coisas a dizer para o e contra. Vai dar ⁓ bom episódio. Juan: Claro, Por isso é que dá uma boa discussão para termos num episódio futuro redes sociais, sem dúvida. Eu coisas esta semana não tenho assim, acho que não tenho assim nada, nem sei. Eu só... Raquel Vareda: Tem só demasiado trabalho. O ron está assegado. Juan: Tenho demais... Eu quero-me só queixar das coisas que não tenho tempo para fazer. Inclusive, eu não tenho tempo para lavar o nosso carro. E eu nem sequer estou a dizer, eu vou lavar o nosso carro do tipo, eu manualmente, que eu até adorava ter tempo para... tipo, ter ⁓ tempo, estás a ver? Tipo, tirar a t-shirt, ali ao sol, lavar o carro, ouvir música. Eu adorava fazer isso. Amor, não podes lavar o carro sem tirar a t-shirt e tipo, fazer ⁓ bocadinho a cena das... Eu acho... Eu acho que... Raquel Vareda: Porquê que tirar a t-shirt? Porquê que os garotos acham que vão levar o carro? Vou tirar a t-shirt, vou levar ⁓ balde, vou esfregar, vou bailar ⁓ reggaeton... Eu sinto que... Juan: Claro, mas tu ias lavar o carro a fazer o quê, amor? A ouvir uma podcast sobre ciência, queres ver? Raquel Vareda: Eu vou meter ⁓ fio de dental e calções e vou lavar o carro assim. Eu nunca na minha vida lavaria o carro e não vou começar agora, lamento. Vais tu. Vais-te tirar da t-shirt e eu ponto 10. Juan: Claro, podemos lavar o carro juntos, amor? Acho que estamos alunhados, claramente. Ou vimos o Daddy Yankee e lavamos o carro. Eu gostava, eu até gostava... Eu até gostava de lavar o carro, percebes? Mas imagina, eu nem me estou a queixar de não ter tempo a lavar o carro. Estou-me a queixar de não ter tempo para ir levar o carro a ⁓ sítio onde vou pagar alguém para lavar o carro, percebes? Porque eu nem tenho tempo do... Raquel Vareda: Eu vou embora. Juan: tentar marcar ou ir lá e tenho que voltar e depois tenho que voltar e buscar o carro e tenho tanto trabalho neste momento que eu não consigo lavar o carro. E então nós ontem fomos a Lisboa para o concerto do Bad Bunny e fomos trabalhar ⁓ bocado ⁓ Lisboa e quando passamos no el corte inglês antes do concerto aproveitamos no estacionamento do el corte inglês e deixamos lá o carro a lavar espontaneamente. Eu tipo olha já agora o senhor tinha vagas e ficou... Raquel Vareda: Temos lá a almoçar e deixamos lá o carro. Paga aí 33€ para te lavar. Juan: É pá, mas eu pago o que for preciso é que eu não tenho tempo levar o carro percebes? Era, ou lavávamos ali no Helicóptero Inglês à hora do almoço ou nunca mais te lavava o carro. É, eu acho que... Raquel Vareda: Sim, aquele carro, o meu carro era ⁓ problema de saúde pública. Qualquer dia tinha ratos e baratas no carro. Porque a quantidade de bolachos, restos de bolacha, restos de panqueca... Eu não... imaginei a fruta... Eu não vou... Juan: Bulaxa, sim, sim. E o homem ainda disse, ⁓ não se preocupe, nós podemos aspirar e limpar a cadeirinha de bebê. Eu disse, tá decidido, aqui. Fiquem com o carro. Façam o que quiserem, fiquem com o carro. E ele disse até, ele disse, se quiserem retirar eu até aspiro por baixo. Eu, sim, vai ter que aspirar por baixo, vai ter que aspirar por baixo, cima, Aliás, que ele dava para fazer uma reserva só para a cadeirinha de bebê à parte da do carro. Pronto, mas ficou tudo limpinho. Raquel Vareda: Façam isso, a barra nem... Lá vem a cadeira porque ela tá desgast... Isso a culpa é nossa, porque nós não lhe devíamos dar comida no carro. Só que malta, nós descobrimos que se ela estiver a comer, ela não chora. Não, não, ela... Às vezes não tem fome, não é? Coitada. É tipo, emparruta, empaturra, empaturra. Calma, coisa. Não tens fome, filha? Mas, pronto, culpa, sim, a culpa do Ruaz estar tão... assobrubado. Juan: ⁓ não tá chorar salvo rara exceções já houve uma vez ou outra que ela chorou a comer mas é raro é muito raro sim come qualquer coisa pronto enfim mas mas É super válido. Raquel Vareda: Como seu trabalho também é pouco meu. Juan: Sim, podes dizer aqui ao pessoal, explica por favor. Raquel Vareda: Sim, vou dizer ⁓ primeira mão, por acaso é ⁓ primeira mão, ainda não disse mais lá de nenhuma, que me despedi do Serviço Nacional de Saúde. E portanto o Rolão ficou sozinho a coordenar a unidade. Juan: Não acho que não. Não, vamos lá ver, é uma unidade que temos vários profissionais que estão ou vão estar ⁓ breve ⁓ licença de parentalidade e outras saídas planeadas e tudo mais e portanto a equipa foi ficando ⁓ bocadinho mais reduzida e de facto é agora está bastante desfalcada e isso é parte do motivo pelo qual eu tenho tido mais trabalho que o habitual e Raquel obviamente era ⁓ elemento muito muito muito produtivo da nossa equipa Raquel Vareda: Era uma equipa robusta e agora está bastante desfalcada. E com a minha saída... Sei. Hehehehe... Hehehehe... Hehehehe... Juan: Como devem todos imaginar, a Raquel normalmente consegue numa hora fazer o trabalho que as outras pessoas fazem ⁓ 4 ou 5 horas. É verdade? É verdade. que é queres que eu diga? Raquel Vareda: Que exagero! Não, mas pronto, sim. O objetivo não é... Vai estar na mala de toda a pensar, mas sei, estou a nisso. Sei muito... ou seja, estou temporariamente desempregada. Love that for me. Não estou, estou a trabalhar imenso nos restantes projetos de consultoria que temos para entregar até amanhã. ⁓ mês, mas tudo bem. Mas não, surgiu a oportunidade de... Juan: mais ou menos machine. Haha, yeah. Raquel Vareda: Ou seja, abriu uma vaga para saúde pública aqui no Algarve, de casa e surgiu a oportunidade de concorrer. E pronto, nós na verdade, eu acho que isto é uma coisa que a maioria das pessoas não tem noção. Nós, para mudar de ⁓ sítio para o outro no Serviço Nacional de Saúde, há a possibilidade de pedir mobilidade. Como todos os sítios estão desfalcados, nunca é aceito pedidos de mobilidade. E nós sempre sabemos que nunca nos iriam aceitar ⁓ pedido de mobilidade para sair do alentejo, pronto. E então, para ir a concurso novamente, para escolher uma vaga aberta, na verdade não podemos estar vinculados ao Serviço Nacional de Saúde, não podemos ter ⁓ contrato com função pública, então nós temos que nos despedir. E também não podemos dar o aviso prévio porque a forma como funcionam os nossos concursos é, no fundo, nós sabemos há uma semana e meia que abre concurso, nós sabemos que abre concurso, que abre vagas, que uma tela zero para aqui para pé de casa. Juan: Tens 5 dias úteis, basicamente. Raquel Vareda: dois dias depois abriu o concurso e haviam 5 dias úteis. E nós só podemos entrar no concurso se estivermos desvinculados. Então, porque isto é possível na lei, eu desvinculei-me, paguei os dois meses de aviso prévio que devia dar à casa aos 60 dias, com férias, com subsídios, não sei o e provavelmente ainda vou ter que pagar mesmo, literalmente. E pronto, desvinculei-me, saí de lá com o comprobativo de desvinculação e inscrevi-me no concurso. E pronto, e é assim que funciona. Juan: Uhum. certo. Raquel Vareda: Agora, se eu decorrer bem, daqui a ⁓ mês estou novamente vinculada. Espero que sim. Juan: Sim, eu acho que muita gente não tem noção que na nossa especialidade, mas ⁓ muitas outras, basicamente ⁓ quase todas, a maior parte das pessoas que quer trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, portanto, acaba o internado, é, digamos, o período que nós levamos para nos tornarmos especialistas, isto é ⁓ período depois do curso, portanto, o curso de Medicina são 6 anos, pois o internado são entre 5 a 7 normalmente, não é? Não, 5 a 7 a contar com o ano comum, claro, 5 a 7 a contar com o ano comum, sim, portanto... Raquel Vareda: ⁓ todas, sim. Ainda tem ⁓ ano comum, é o Internato de Filmação Geral, que é obrigatório. ⁓ sim, 5 a 7 anos. Sim, exatamente, tens razão. Sim, nós fizemos 5 anos de internato. Juan: o internato no seu todo ⁓ que já estamos a receber ⁓ salário, mas ainda estamos também a entregar artigos, a fazer formação, a fazer avaliações, tudo ao mesmo tempo. Esse período dura cinco a sete anos, dependendo da especialidade. No nosso caso, são cinco anos na saúde pública. É mais curta, é mais curta de todas, são cinco anos. E, portanto, depois desses 11 anos desde que entras no curso de medicina até saíres como especialista... Raquel Vareda: Muito estudo. Juan: Finalmente podes-te candidatar para entrar no Serviço Nacional de Saúde como especialista e normalmente tu fazes o exame, final da especialidade, ganhas o teu título de especialista e depois então abrem vagas que são ⁓ bocado... Exato. Porque há dois concursos por ano. Sim. Raquel Vareda: Abrem duas vezes por ano, abrem concursos públicos duas vezes por ano e nós só conseguimos entrar se abrir concursos públicos. Nós não conseguimos entrar, ou seja, o Serviço Nacional de Saúde não contrata, ou é raramente contrata diretamente profissionais porque não existe essa... só ⁓ casos, só ⁓ situações muito excepcionais. Pronto, tem que... Sim, eles têm andado para trás e para frente, mas pronto. É, não é impossível, mas é muito raro, eles não costumam fazer isso. Juan: Normalmente sim. Teoricamente, tentado mudar nos últimos anos, porque desde que... Sim. Impossível não é, mas é muito raro. A maior parte... É. Raquel Vareda: Então, no fundo, nós só temos duas hipóteses para entrar por ano, que é nos concursos. E só podemos entrar a se abrir ⁓ vagas da nossa especialidade. E, pronto, idealmente para o sítio que nós queremos. Que isto é uma misconception, que é nós não conseguimos ficar sempre no sítio que queremos. Aliás, está, eu e o Juan fomos para Évora, embora vivéssemos e tivéssemos casa comprada ⁓ Lisboa, porque não abriram vagas de saúde pública. Juan: Sim, mas para... Sim, isso. Eu ia dar esse exemplo. está a nossa terrível coorte que teve ⁓ concurso ⁓ que... Raquel Vareda: Mas não foi só tipo, eu esperei para o concurso seguir e tu também e continuou sem abrir. Juan: Claro, claro, estou-me a referir ao nosso, ao nosso acordo, nosso primeiro concurso ⁓ que tínhamos, eramos país, lá, eu diria que éramos umas oito pessoas que queríamos ficar no Serviço Nacional de Saúde, mas claro, todos tínhamos vida adulta, todos têm já nessa altura, casas compradas, filhos, casados, alguns, etc., alguns com filhos e tudo mais, e digamos que havia necessidades de médicos de saúde pública ⁓ todos os sítios onde cada ⁓ de nós queria ir, ok? E abriram vagas. Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim, sim. E já temos trinta e ozonao. Sim, isto não é como se nós quisessemos. Exato, mas não abriram. Juan: completamente ao lado, ou seja, não abriu a vaga que ninguém queria ⁓ nenhum sítio. E portanto, primeira pessoa, imaginemos que era a Raquel, a primeira a escolher, não abriu vaga onde ela queria, teve que escolher outro sítio. A pessoa a seguir, se calhar, queria esse sítio, também já não teve, teve que escolher outro e tira a vaga que outra pessoa queria. Fomos por aí abaixo... Claro, fomos por aí abaixo e eu estava mais abaixo na tabela, fiquei sem sítio para escolher. Eu não tive, por exemplo, uma vaga ⁓ Lisboa. Raquel Vareda: Exato, é que aconteceu na verdade. E eu nem sequer queria aquele sítio, só prestava ⁓ sítio para trabalhar. Nós escolhemos por nota de exame final de saída, malta. Juan: Exato, a nota do exame final decide quem que escolhe primeiro e depois foi ali uma tristeza, para mim foi ⁓ dos momentos mais tristes do Serviço Nacional de Saúde, porque é, tens trabalhadores que... imagina, é que nós conhecemos... Sim, sim, nós conhecemos pessoalmente estas pessoas, são nossos amigos alguns e sabemos que se eles tivessem dado a vaga que eles queriam no sítio onde eles queriam, eles teriam... Raquel Vareda: ou várias colegas que saíram, simplesmente. é mesmo difícil. Juan: teriam-se fixado no SNS provavelmente para o resto da carreira, percebes? E portanto, o SNS ganhava o Médico Sudo Pública numa qualquer vaga de uma unidade sudo pública ⁓ Lisboa, exemplo. Eu inclusive queria na altura fixar-me e eu não consegui escolher porque as vagas não abriram nos sítios onde nós queríamos. E depois então, o que aconteceu foi uma série de questões que depois vão ter impacto nos concursos seguintes, que é uma pessoa escolhe uma vaga no sítio onde não queria. Mas depois, como a Raquel fez agora, por exemplo, essa vaga se calhar... Raquel Vareda: Sim, isto acontece com todas as possibilidades. Exato. Juan: Tirou o lugar outra pessoa queria estar lá, que não conseguiu entrar, mas depois a Raquel agora rescinde contrato para tentar entrar no próximo concurso. Vai ocupar uma vaga que, se calhar, outra pessoa queria. A pessoa anterior também não pode escolher. Raquel Vareda: E o que vai acontecer, eu rescindi contrato e vou ocupar uma vaga aqui no Algarve, que os colegas criam. Juan: que alguém queria, pronto, que outro colega deste concurso queria e vai ser mais ⁓ colega que fica outra vez fora do sítio que quer, vai ter que fazer outra vez alguma coisa, se quiser depois vai ter que tentar no outro concurso e portanto o mais irónico... Raquel Vareda: Às vezes os colegas têm que ir para o privado e depois não voltam, é? Porque pessoa organiza a sua vida. Juan: Exatamente. Era aí que eu ia chegar. O mais irônico é que há colegas a tentar entrar no Serviço Nacional de Sudo no sítios onde há necessidade e não abrem as vagas e, portanto, depois as pessoas acabam por fazer a... Raquel Vareda: Sim. No Algarve existe imensa necessidade e nós, ou seja, ao longo do tempo, eu tenho sempre recebido várias mensagens de pessoas a dizer, ⁓ mas que é que não fiques no Algarve? Porque nunca abriram vagas, malta. Nós desde 2023 que estamos a tentar vir os dois para o Algarve. Sempre foi, ou seja, a primeira opção inicialmente era Lisboa, porque nós tínhamos lá a casa, mas nós sempre dissemos, nós vamos para o Algarve para que abrirem duas vagas, porque pronto, mas não. Juan: E não foi possível. Sim, duas vagas no Bar Lamental Carvio, que é onde nós queríamos viver porque é onde vive a minha família. Raquel Vareda: Sim, imaginei. Exato, havia vagas para faro e mais longe, mas isso é uma hora de distância de onde nós temos casa. Sim, mas há muita necessidade... O Barlo Avento tem muita necessidade de médico-sócio pública. Exato. Não é como se existissem a mais e nós que tivéssemos por capricho vir na mesma porque nos dá jeito. Não é só isso, é mesmo... Juan: que não te fazia sentido. Não, não, mas é isso. É isso que eu estou a tentar explicar porque eu não sei se as pessoas têm noção, porque eu acho triste que existe... Não, não, Não, eu acho triste que existe uma desconexão entre as necessidades do Serviço Nacional de Saúde e a vontade dos profissionais. Ou seja, se houvesse profissionais de sobra por aqui a andar, é? Temos demasiados médicos, não precisamos de mais e abrem vagas onde abrem e quem entra entra, quem não entra não entra. Tudo bem, mas não é o caso. Nós temos profissionais que querem ficar no Serviço Nacional de Saúde e depois era preciso abrir vagas nos sítios onde eles querem ficar. Raquel Vareda: Uhum. Juan: pelo menos para preencher esses e depois logo se vê os outros onde ninguém quer ficar depois claro tem que se arranjar a forma depois exatamente o que se tenta sempre é abrir vagas nos sítios onde ninguém quer ir mas depois também as pessoas também não vão vão para o privado por exemplo pronto e assim que podem sair pronto exatamente Raquel Vareda: Sempre não vale a pena tentarem obrigar as pessoas a ir... ou não vão, ou vão e assim que conseguem, saem. Depois também é muito complicado de gerir... imagina. E depois as pessoas também acham que nós temos imensas regalias quando vamos para estes sítios, tipo as vagas carenciadas. Primeiro, só para a vossa informação, as vagas carenciadas aumentam 40 % o nosso valor base, portanto são muito bem pagas. Juan: prejudica, prejudica ao Serviço Nacional de Saúde e as pessoas é que ficam prejudicadas no final. Raquel Vareda: E antigamente isso era durante 6 anos e agora é durante 3. Portanto foi cortada a metade. Depois as vagas carenciadas é muito bonito, mas são cada vez menos todos os anos. O Algarve não tem vaga carenciada. Évora, nós fomos para a Évora, não tem. Não, imagina, o número de vagas carenciadas, maior parte, exatamente, maior parte dos médicos não têm acesso a vagas carenciadas. É uma coisa mesmo muito significo. Exato. E pronto. Juan: Sim, sim, sim. Sim, nós por exemplo fomos com ⁓ serviço que estava necessitado... Claro, claro, isso é uma exceção. Isso é uma exceção. Mas é mais básico do que isso. Ou seja, se o Serviço Nacional de Saúde abrir-se vaga nos sítios onde os profissionais querem ficar, para começar, então no caso da saúde pública, é mesmo assim, já fixavam imensas pessoas. Sim, estou dar o exemplo que nós conhecemos mais de perto porque foi a que nós vivemos. Sim. Raquel Vareda: Sim! Não é só... Sim, claro, mas eu conheço várias colegas de especialidades hospitalares. tenho uma grande amiga e ⁓ marido que foram para o norte, e estão a muita diferença numa zona que não é, ou seja, a zona central do Porto, onde pronto, bem, assumo que, se calhar, já têm bastante uma equipa composta, embora todas as equipas estão desfalcadas, portanto, está sempre espaço para mais, mas tudo bem. Mas eles nem sequer ficaram, ou seja, no centro do Porto nem nada, numa zona mais periférica. Juan: e zata. Raquel Vareda: que precisa de profissionais e não contratam. Juan: mistérios do Serviço Nacional de Saúde. Raquel Vareda: Porque, pronto, depois também teve o corceamento de estado, etc. Não sei, mas havia aqui uma gestão de recursos que tinha de ser melhor feita. Juan: Claro, aqui eu não estou a dizer que nós devíamos gastar muito mais dinheiro e contratar todos os médicos do mundo. Não é isso. Eu sei que há ⁓ limite de médicos que podemos contratar e temos que gerir isso. O que mim me particularmente raiva, ou que me deixa particularmente incomodado, é, dentro daqueles que já se vão contratar, não se abrirem as vagas nos sítios onde nós sabemos que as pessoas querem ficar. Porque é uma... não sei se há uma ideia fictícia de que vamos obrigar as pessoas a irem para sítios onde não querem. A verdade é que... Sim. Mas imagina, a vida acontece e tu tens filhos, marido, mulher, o que for, família, e simplesmente vais arranjar a forma de voltar e de não ir. Pronto. Raquel Vareda: Eu acho que ideia deles deve ser essa, mas nós... pronto. Sim, eu acho que... Pronto, não estou a gostar... Mas eu acho que noutras profissões, porque se calhar não existe ⁓ mercado privado tão grande, eu acho que isso ainda se verifica, é... Ou seja, se calhar ⁓ professor que está a ouvir isto, ou mesmo ⁓ jurista... Ou seja, eu sei que existem umas quantas profissões que têm contrato com a função pública e que também andam por concurso e se forem colocadas no Algarve, não sei aonde, entre o Fimileiro do Porto, tu tens que ir na mesma porque... Se cada ano não consegues empreguer mais lá de nenhum e porque precisas de experiência para depois entrar... Pronto, eu não sei exatamente como é que funciona, mas sei que depois precisas de uns X anos assim para depois poder ficar... Se cada ano ficar de lado perto de casa, pronto. Feliz ou infelizmente, não é o nosso caso, porque como vocês sabem, existe ⁓ mercado privado cada vez maior e se o médico não entra no Serviço Nacional de Saúde vai para o privado e pronto. E ganha mais. E o pior disto é que ganha mais, não Tem mais qualidade de vida. Juan: Claro, claro, sim. Sim, não tô... Sim, nem tô aqui com... Raquel Vareda: geram melhor o seu horário, etc. Neste momento o Serviço Nacional de Saúde, a maior parte dos médicos, diria, continuam a querer entrar, acreditamos até na missão, vestimos ⁓ bocado a camisola, etc. Eu não gosto nada destas coisas, mas é verdade que nós fazemos isso. A rescindida do SNS tinha a possibilidade de ficar completamente privado e a ganhar provavelmente mais e ter menos chatices, mas quero voltar ao Serviço Nacional de Saúde porque gosto daquilo que faço e porque acho que é importante para a população. mas não tão facilidade a nossa vida. Porque nós temos alternativa. As outras profissões podem não ter, mas nós temos. Juan: Olha, é... Exato. Sim, não. Nem estou a colocar ⁓ questão as outras profissões e se é justo ou não e o nosso privilégio como médicos. Mas é ⁓ privilégio que nós temos como médicos é que trabalho para médico no privado há sempre, basicamente, há sempre algum sítio e, portanto, a negociação tem que ser diferente. A verdade é essa. Eu acho que para aliciar médicos a ficarem no Serviço Nacional de Saúde podíamos começar pelo básico que é, sim, podes ficar na cidade onde vives, com a tua família onde tu queres ficar. Pronto. Raquel Vareda: Não é, não é justo, mas nós temos alternativa. Juan: Podemos começar pelo básico, nem estou a falar já de coisas mais complicadas. Comecemos por aí. Enfim. Raquel Vareda: ⁓ bem, adeus! Juan: Vamos ao episódio, não é? Depois deste rant inesperado. Raquel Vareda: Vamos ao episódio. Então, olá a todos. Eu sou Raquel. E nós estamos casados, como acho que vocês já sabem, somos os dois médicos de saúde pública, caso não tivessem percebido. Somos pais de uma bebê pequenina, que é cada vez menos pequenina, mas entre dados científicos, sim, ⁓ noites mal dormidas. A verdade é que nós não temos muito tempo para isto. Juan: Eu sou o Juan. Ahahahah! é muito grande já Mas somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e por isso todas as semanas conversamos ⁓ bocadinho sobre tudo o que interessa e o que não interessa. Raquel Vareda: Bem-vindos ao nosso podcast, ⁓ espaço onde tentamos misturar a melhor evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: E agora vamos ao episódio que o tempo está a contar. Raquel Vareda: Sabe que várias pessoas têm ⁓ pé de piv, como eu dizer a podcast, e eu vou só declarar, é ⁓ podcast, é ⁓ podcast, é ⁓ podcast, eu vou só declarar, deixar aqui que isto é só uma, imaginei malta, coisas, coisas tão boas só podem ser femininas, e no meu cérebro, no meu cérebro é uma podcast. Eu, eu quando falo nas redes sociais já digo Juan: E... ⁓ ok. Claro. Raquel Vareda: Ou seja, já estou tão consciente que as pessoas vão começar a implicar que eu já digo ⁓ podcast, mas agora quando eu digo ⁓ podcast, tenho pessoas a mandar mensagens a dizer, não, mas tu dizes a podcast. Eu malta, vocês estão a dar mixed signals. Estou confusa. Juan: Eu acho que já disse das duas formas, honestamente não sei. Mas vamos lá ao nosso episódio. Raquel Vareda: Sim. ⁓ well. Hoje vamos fazer uma pequena... Uma pequena aventura. Eu tenho visto alguns casais e amigos, essencialmente no YouTube, a fazer uma espécie de Q &A que é criado por ⁓ LLM, portanto já sabem. ⁓ Large Language Model, uma Inteligência Artificial. Juan: Estou curioso, eu não sei o que é vamos fazer. Uhum. Odaio. Odaio. L.L.M. Não. Raquel Vareda: E tu das-lhes uns promptes específicos e ele faz-te ⁓ Q &A. E portanto, aquilo é mesmo engraçado. seja, objetivo é dizer concordo, não concordo e porquê? Com as afirmações, as perguntas. E eu vi ⁓ no outro dia que eu pensei, eu tenho que fazer isto com o Juan porque isto vai ser... isto vai ser delicioso. Eu acho que nós vamos concordar com a maior parte das coisas. Mas vamos ver. Vamos deliciar o Juan. Juan: Ok, ok. Ok, ok. Ok, acho curioso, estou curioso, vamos a isso. Mas deixamos já dizer que claramente os LLMs vão nos substituir aqui nas podcasts. Qualquer dia já fazes as perguntas ao LLM e ele também responde e nós publicamos isso. Raquel Vareda: o Alan é engraçado porque ele não tem a experiência de vida real que nós temos, não é? Ele não tem a mulher ⁓ casa a bichar com a loisa que está no lava-loisa. Bem, então, primeira pergunta. Já sabes, pode ser concordo ou não concordo. E falar. Quem ganha mais no casal deve ter mais a dizer sobre como se gasta o dinheiro. Juan: Ok, bora. Não concordo. ⁓ não me digas que tu concordas. Raquel Vareda: Imagina, não concordo? Juan: Mas compreendo. Raquel Vareda: Mas imagina, acho que depende ⁓ bocado do tipo de relação e do contexto, porque... Eu, ou seja, como é que eu... Se uma pessoa ganhar, vamos pôr isto assim também... Imaginem mal, também a parte das pessoas ganha mais ou menos o mesmo. Não é como se tivéssemos aqui uma pessoa a ganhar 10 mil euros e a outra mil. Juan: Não, a maior parte das pessoas ganham mais ou menos o mesmo e é pouco, mas pronto. Raquel Vareda: Exatamente, parte das pessoas ganha 1000, 1500 euros, anda ali a volta disso. É 1500... Pronto, então pai, 1500 euros, pronto. E, portanto, acho que a maior parte das pessoas... Para a maior parte das pessoas, nisto não seria uma questão e não, não, ou seja, não concordo. Acho que as pessoas devem, e nós até fazemos isso na nossa relação, eu... E a maior parte dos casais que nós conhecemos nem sequer faz isto, que é ter uma conta conjunta onde vai todo o dinheiro e não há... De ver, na nossa relação não existe dinheiro meu. Juan: O salário médio acho que é a volta de 2 mil brutos, portanto a de dar é... Exato. não é uma questão. Raquel Vareda: o dinheiro do Juan. Todo o dinheiro é de toda a gente e se ele quiser comprar coisas, nós temos algumas regras, entre aspas, para gastos grandes. Exato. Juan: Mas são regras conjuntas, não é ⁓ de nós que impõe no outro e só para clarificar, nós na prática de salário base ganhamos mais ou menos o mesmo porque temos o mesmo contrato, mas na verdade ao longo de nossos 11 anos de relação, não é? Tu já ganhaste consideravelmente mais do que eu, também houve uma altura ⁓ eu ganhava mais e tem sido variável, mas desde sempre nós temos uma conta conjunta onde entra o dinheiro todo e é o dinheiro de ambos e gerimos ⁓ conjunto e portanto não há... Raquel Vareda: Claro. Sim, temos extras diferentes. Uhum. Sim, as poupanças estão ⁓ conjunto, os investimentos estão ⁓ conjunto, é tudo ⁓ conjunto. Juan: não há diferença. Agora, claro que tem que haver regras no sentido regras conjuntas que são mais objetivos, conjuntos que nós colocamos do género... pronto, para não chegarmos pobres ao final de cada mês temos que dizer, por exemplo, Juan, não tenta não gastar mais do que 50 euros por mês ⁓ cartas Magic, só para tipo, ter aqui uma... é por uma questão de bom senso, não é? Pronto. Às vezes acontece esse tipo de regras porque é necessário e eu concordo, mas... Raquel Vareda: E Sim. sei. Mas lá está, imagina, é só se uma pessoa ganhasse consideravelmente mais, eu compreendia se... e não estivessem muito de acordo com como é que se gasta o dinheiro. Eu acho que aqui o problema não é tanto, se calhar, a discrepância de valores, é mais, as pessoas não estão muito de acordo com a forma como se gasta o dinheiro. Imagina, eu não gostaria de estar numa relação... Juan: Mas continuando... Raquel Vareda: a sentir que eu estou a para casa, tipo, 5 mil euros e outra pessoa traz mil e depois a outra pessoa gasta tipo o meu dinheiro todo ⁓ jogos de computador, percebes? Ou seja, isso não... o meu, e já estou aqui no meu dinheiro, mas é que... não, ou seja, porque uma coisa é... nós concordamos que vamos gastar, nós vamos sair, vamos... toda a gente tem uma boa qualidade de vida e lá está, se uma pessoa ganha mais, eu acho que permite às duas terem a melhor qualidade de vida e fazerem coisas diferentes, mas, sim, acho que... Juan: Eu percebo isso, mas eu acho... Eu percebo. Raquel Vareda: Acho que tem mais a ver com forma como se gasta o dinheiro. Juan: Mas não achas que isso é independente de ⁓ ganhar mais do que o outro. Porque imagina, nós ganhamos o mesmo, imagina, mas se eu agora gastar o nosso dinheiro todo ⁓ cartas Magic, lá está que é uma coisa que eu gosto e que tu não, tu se calhar ias sentir que não gostas disto e não tem a ver com eu ganhar mais ou tu ganhares mais, tem a ver com não estarmos alinhados ⁓ Exato. Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim, sim. Sim, exato. Sim, é isso, não é? Pois não tem a ver com ganhar, não tem a com o dinheiro ⁓ valor absoluto, tem a ver com não estarmos alinhados na forma como se gasta. Sim. Juan: Eu por acaso lá está eu estava a dizer eu não concordo porque eu não me imagino a fazer isso contigo mas eu também não quero julgar de forma nenhuma porque cada relação é uma relação e as finanças pessoais são tão variáveis como as pessoas não é? E portanto o que funcionar para cada casal que funcione mas eu já vi muitos discursos mesmo ⁓ pessoas que ganham a mesma atenção muitos discursos de eu tenho a minha conta ela tem a conta dela e dividimos a meias despesas ou estás-me a dever isto ou aquilo. Pronto eu mais uma vez eu não julgo. Raquel Vareda: Sim. É. Juan: cada ⁓ faz como funciona, mas eu não me imagino nunca na vida a dizer-te, olha, estás-me dever dinheiro. Quer dizer, não faz sentido, o dinheiro é dos dois. Pronto. Raquel Vareda: É. É isso, para nós é muito... Exato. Para nós é ⁓ bocado... Pois. Mas quando as pessoas têm coisas completamente tudo separado... É só que depois mete-se, imagina... Não sei, depois mete-se filhos e... Tipo, a vida é ⁓ bocado... A vida não dá para separar... Não sei. A mim faz-me ⁓ pouco de confusão, sei. Juan: Eu... a mim também faz confusão, eu acho que eu não conseguia funcionar assim. Imagina se eu agora passasse a ganhar o triplo e ganhasse muito mais do que tu, eu não me imagino... Exato, ou seja, não consigo imaginar eu dizer... Não, não vais, não é? Raquel Vareda: Era ótimo porque todos nós, onde melhorar, fomos... Até porque, imagina, outra pessoa ganha mais, mas vai de férias sozinha porque se a outra não tiver acesso, é? E depois quem? Vai pagar as férias, mas então vão para onde quer e a pessoa não tem uma opinião porque ganha menos, não ela que pagou. Não sei. Não. Isso não faz sentido nenhum. Juan: Não me faz sentido, a mim não me faz sentido. Eu não me faço sentido. Imagina, a mim também não me imagino que a dizer, sei lá, vou jantar fora com os meus amigos, que isso custa dinheiro, mas tu não podes ir jantar fora com as tuas amigas porque o dinheiro é meu. É pá, isso parece-me... Pronto, eu não estou a que este é o caso, na maior parte dos casos, mas eu não consigo gerir assim. Pronto, é uma questão muito pessoal. Ok. Raquel Vareda: Sim, não, isso é horrível, não concordo. Não, exato. Ok, next. Juan: Não concordo. Eu... Eu... Olha, eu não concordo porque, e atenção, eu sou ⁓ ser humano também, eu sinto necessidade de dizer mentiras brancas para poupar os sentimentos das pessoas. Acho que isso é bastante natural, nós não queremos magoar uma pessoa que gostamos, exemplo, mas eu não concordo no sentido ⁓ que eu acho que a mentira branca não está a poupar o sofrimento de outra pessoa, está só a atrasá-lo. Do género, imagina se... Raquel Vareda: Follow, follow, follow. Juan: Olha ⁓ exemplo, tu experimentas ⁓ vestido no centro comercial e perguntas-me se eu acho que te fica bem. E eu sou honesto e digo-te, não amor, olha, não acho que isso te fique bem. Tu depois podes comprar, podes não comprar, ou que tu quiseres. Raquel Vareda: Sim, o para caso nisso, quando as coisas ficam bem... Exato, quando as coisas ficam... Eu nunca compro, se tudo isso fica mal, porque depois fico self-conscious, não é? Mas o Juan é ótimo para ir às compras porque ele não é... Ou seja, ele está mesmo presente, ele encontra coisas, está mesmo ali, engaged, vá na compra e ele vê mesmo e diz tipo, ⁓ gosto imenso disso. Não gosto nada disso. Tipo... Não! Juan: Não, mas imagina, podíamos discur... estou só dizer que podíamos discordar... Claro, imagina, e isso era ⁓ exemplo de podes dizer uma mentira branca para não te dar, digamos, o feedback desagradável de eu acho que isso não te fica bem, eu podia dizer, ó, ya amor, estás linda sempre, ou seja, dizer só isso de forma genérica e não... mas na verdade eu acho que é pior que é, eu não estou a participar, tu estás-me a pedir opinião, porque queres saber a minha opinião, queres a minha ajuda, se tu estiver a dizer uma mentira branca, eu não estou a participar, não é? Mas o mesmo acontece com outras coisas, imagina, eu esqueço-me de fazer algo que tínhamos combinado que eu ia fazer, não é? Raquel Vareda: É. É. Exato. Juan: E ⁓ vez de dizer, amor, desculpa, esqueci-me, posso inventar uma mentira branca e dizer, não consegui fazer por culpa de outra pessoa ou outra coisa qualquer. Mas eu na verdade estou só a atrasar o... nós termos uma conversa importante de casal de, olha, eu esqueci-me, eu peço desculpa, o que é podemos fazer melhor? Eu não sei, tens outros exemplos de mentiras brancas que eu não tenho a... Raquel Vareda: Isso não é bem, pois... Não. Sim, como é podemos fazer exatamente? Não, eu acho que não faço propriamente isto na nossa relação. Eu acho que não. Eu acho que nenhum de nós, porque se nós privilegiamos muito, pronto, resolver as coisas logo, ser honestos e assim. Eu acho que quando li a pergunta, imagina, eu acho que é justificável se for a relação de amizade, porque eu sinto que há coisas... imagina... ⁓ que a tua opinião nem sequer... Primeiro, eu não acho que nós devêssemos todos ter uma opinião sobretudo. Eu não acho que verbalizar a minha opinião sobre o vestido da minha amiga... Depende. Se calhar aí até faria, diria. Olha amiga, se tivéssemos arranjar-nos e ela perguntar se achas que bem aí se calhar... Mas se ela me aparecesse à frente, eu não iria dizer, ⁓ esse vestido não te fica bem. Ou seja, isso é absurdo. Pronto. Independientemente, a minha opinião interessa a zero se fica bem ou se não fica bem. Juan: do contexto. Claro. Raquel Vareda: E portanto eu acho que depende ⁓ bocadinho do contexto e do tipo de relação. Porque... ou seja, white lies... ás vezes... porque às vezes já é uma coisa... já é só a tua opinião, não é? Sobre coisas que as outras pessoas estão a E eu não sei que elas te peçam explicitamente a sua... tipo... a tua opinião, eu acho que... Deves estar calado e se a pessoa... Pergunta... ⁓ gostaste disso? Gostei muito! Jenner, se alguém me oferecer ⁓ presente e eu até... Juan: imagina... sim Raquel Vareda: Alguém oferece ⁓ presente e eu não gosto, não é a minha coisa, mas pessoa até diz, olha, pensei imensa ⁓ ti, acho que, ou seja, sei lá, deu-me o trabalho de procurar trazer o que quer que seja, gastar dinheiro, whatever, eu não vou dizer à pessoa, ⁓ olha, eu não gosto disto. Não, vou dizer, olha, muito obrigado, é muito bonito, pelo gesto, gostei muito. Juan: Claro. Sim, eu acho que isto lá está. Eu também estava a responder a pensar na nossa relação. Ok, ok. Porque eu acho que na nossa relação e numa relação de casal a longo prazo, tu queres construir uma relação mais forte. E uma relação mais forte não se constrói sem momentos desagradáveis, momentos de discórdia, que se trabalham ⁓ conjunto para se construir algo. Porque se fosse aqui tentarmos facilitar ao máximo os sentimentos ⁓ do outro, ⁓ vez de construir uma relação, estávamos aqui meio que a passar nos pingos da chuva, percebes? A fugir ⁓ bocado aquilo que é. Raquel Vareda: Não, não, mas a pergunta era sobre o casal, ele disse o outro, por isso sim. Sim. Uhum. Sim, sim, sim, sim. Juan: a questão central. Mas eu concordo com o que estás a dizer a nível de outras pessoas, acho que, ou seja, noutro tipo de relações, às vezes priorizamos o bem-estar, sim, priorizamos o bem-estar e as coisas fluírem do que estarmos nós necessariamente a ser 100 % honestos sobre tudo, acho que faz parte da socialização normal. Raquel Vareda: Tem uma responsabilidade social e... 100 % honesto não é uma... Porque mais uma vez, o que é interessa a nossa opinião na minha porta às vezes? Bem, o teu parceiro ou parceira deve poder seguir quem quiser nas redes sociais. Juan: What the fuck? Desculpa. Isso é uma questão. Eu espero que isso não seja uma questão para ninguém que esteja a ouvir este podcast. Raquel Vareda: Não sei se percebo a pergunta. Não faço ideia o que que tu segues nas redes sociais. Juan: Eu não sei, a mim sou... Pois não, eu não sei quem é tu segues nas redes sociais, nem o que... Não sei o que fazes com o teu telemóvel, não é? Quer dizer... Raquel Vareda: Não. Não, mas sabes que eu para cá tenho amigas que dizem, ⁓ mas ele meteu like... Não sei, não... Imagina, tu podias meter like... É completamente indiferente de quem que tu metes like. Mete várias, mete foguinhos, comenta... Homem, I give zero fucks. Sabe o as minhas amigas dizem? Ele meteu ⁓ foguinho naquela gaja, sei. ⁓ estava com calor, malta. I give... Tipo, não... Não, não. Não. Não interessa. Juan: Não. Não. Thanks. Esta questão... Foguinhos! Vou meter foguinhos! Tá bem, mas isso... Não, pá, isso para mim não é uma questão, por mim pode-se... Por mim também podes pôr os foguinhos onde quiseres, amor, não sabia que... Eu não sabia que isso era uma questão, acho piada. Mas eu não sei, a mim pareceu-me logo aqui uma questão ⁓ bocado controladora de uma pessoa controlar a outra no casal ou assim, Nós não somos nada assim, Lamento. Aqui ninguém vê o... Raquel Vareda: Boa sorte com os foguinhos, espero que levem a algum lado. Sim, é isso. Sai, Não. É aceitável ser muito amigo ou amiga com o sexo oposto, com alguém do sexo oposto, quando estamos numa relação. Juan: Eu acho que é... Concordo. Concordo, concordo. Raquel Vareda: Concordo, é muito aceitável. Com ⁓ amigo, com ⁓ amigo que quiserem ser. Juan: Claro, imagina, não... Quer dizer, eu por acaso nos meus amigos homens já tive conversas sobre isto várias vezes ao longo dos anos ⁓ que às vezes me fazem ⁓ bocado o argumento de... Raquel Vareda: não é possível ser completamente platônico. Juan: Não, de que não é possível ter... ou seja, de que por exemplo como homem... Não é platónico, não. De que como homem podes ter uma relação de grande amizade com ⁓ outro homem sabendo que nunca vai ser algo, por exemplo, romântico. Mas que com uma mulher não podes porque há sempre uma hipótese de eventualmente se tornar romântico. E a de género? Tudo bem, há uma hipótese, mas eu acho que as pessoas tipo veem as coisas com uma perspectiva errada. Raquel Vareda: Plotónica não, não. Isso é atum. Sim. A coisa, mas também... Exato. Primeiro, também existe essa hipótese de não forem amigos. A maior parte das pessoas não... A maior parte dos casais não começa uma relação romântica, ou muitos, não sei, não tenho dados, mas muitos casais não começam uma relação romântica a partir de uma amizade de longa data muito forte. Portanto... É ⁓ bocado indiferente se são amigos. Exato. Sim. E imagina... Juan: Claro, como é óbvio... Não, mas é... Não tem que ser, é? Acho que é uma não questão, é óbvio que podes ter amigos de qualquer género que tu queiras, orientação sexual, ou seja, é como se eu então, por exemplo, não posso ter ⁓ amigo homem ou homossexual, porque então há ⁓ risco de, percebes? É ⁓ bocado absurdo pensar assim, é? Tipo, imagina... podes ter amigo de quem quiseres, não é? Raquel Vareda: Não sei, eu não penso assim. Imagina, existe o risco, a palavra nem me soa muito bem, mas existe o "risco" de ao longo da tua vida, dos 50 anos que estás casado ou com alguém, gostares outras pessoas, ou conheceres outras pessoas que são interessantes e gostares delas, sim, isso é completamente indiferente de ter ou não amigos ou... ou seja, ⁓ é uma coisa que pode acontecer. Juan: Sim, eu nem diria... Raquel Vareda: As relações são complexas, as relações começam e acabam... Não sei, é só... Juan: Eu nem diria , imagina, há coisas que tu estás a dizer aí que eu nem sequer diria risco, do género, imagina, se ao longo de 40, 50 anos estás, por exemplo, casado com pessoa, se tu não conheceres mais ninguém que te pareça atraente ou interessante ou que tu tivesse pensamento de, olha, gostava de conhecer melhor esta pessoa ou, percebes, sentires que a pessoa é interessante no geral, acho que seria estranho. Acho que tu vais conhecendo pessoas interessantes ao longo da tua vida que se tu estivesses solteiro... ⁓ Raquel Vareda: Mas é isso, não é ⁓ risco, é só... Ok. estranho. Ai, eu garanto que já conheci muitas pessoas interessantes nos últimos 10 anos, homem. Eu ia lá, ai eu conhecia muito bem. Se ele quisesse, éramos dois a crescer conhecidos. Meu Deus, ele dizia, tu que é que eu fazia naquela casinha Juan: É, a começar pelo Bad Bunny ontem, é? Conheces tu... Quase, quase que o conhecias, estavas muito ⁓ Imagina, ⁓ Tu bem tentaste aproximar-te da casinha mas havia outras fãs à frente, lamento. Olha, pelo menos tinhas uma casinha com o mercado imobiliário atual, aquela casinha já era muito bom. Não precisavas ser amiga do Bad Bunny previamente, não é? De ninguém? Ok, Próxima questão. Raquel Vareda: Exato. E olha, nem somos amigos. Nem somos amigos. Exato. Eu não preciso de ser amiga de ninguém É aceitável que uma pessoa da relação faça mais tarefas domésticas do que a outra. Juan: Olha, eu aqui tenho que ter muito cuidado com o que vou dizer. Eu quero dizer que... É aceitável mas não, mas há que fazer ⁓ asterisco. Há que fazer ⁓ asterisco que é... Raquel Vareda: Eu acho que é aceitável. Só que existe, exato, só que existe claramente uma tendência cultural e social de quem é que faz mais tarefas. Mas eu acho que, exato, que 99 % das vezes, não sei, não tenho dados, mas... Eu sei, eu é que não sei os dados de cor, eu sei que há. Juan: que é a ⁓ seja, não é... O asterisco aqui é... Claro. Não, não, não, mas há dados sobre isso. Há dados sobre isso, há o relatório... Ok, sim, também não me lembro da estatística de cor, mas a Fundação Francisco Manuel dos Santos fez ⁓ Francisco ou Fernando, não sei, ⁓ A FFMS fez ⁓ relatório sobre isso há uns anos, sobre o trabalho não remunerado na mulher e, de ⁓ ⁓ comprova-se que... Raquel Vareda: Uhum, para cá se... há uns dois anos talvez. Sim, mas... E nós fazemos muito mais trabalho. Juan: o que já sabíamos não é que as mulheres fazem muito mais trabalho porque as mulheres fazem trabalho remunerado e fazem também trabalho não remunerado portanto incluindo as tarefas domésticas eu acho que o grande asterisco aqui é não pode ser aceite ou não devia ser aceite digamos automaticamente que a mulher tem que assumir mais tarefas em casa pronto agora e dito isto obviamente que se houver casal ⁓ que eu acho pode ser uma mulher pode ser o homem pode ser casal que são dois homens duas mulheres não interessa tipo se houver uma pessoa do casal Raquel Vareda: Exatamente Uhum. Juan: que ⁓ conjunto consensualmente definem, olha, esta pessoa vai fazer mais tarefas domésticas e esta pessoa vai, por exemplo, fazer mais trabalho remunerado porque funciona melhor assim, quer dizer, não vejo problema nenhum. Eu acho que a grande falha é não se considerar o trabalho não remunerado como trabalho, que é o que acontece no caso das mulheres, que é, se calhar ambos trabalham 40 horas num contrato normal, mas a mulher ainda faz não sei quantas horas de trabalho não remunerado e isso não é considerado pelo homem como ⁓ Raquel Vareda: Talvez a tenha mais possibilidade, ou assim? Sim. E isso é Juan: como falta de balanço ou de equilíbrio, é? É considerado como se fosse obrigação da mulher. Isso é que não faz sentido. Agora imagina se eu trabalhar 40 horas e tu trabalhaste 30 e fizeres 10 de trabalho doméstico, podíamos ter combinado assim que eu acho que era ok, é? E ambos trabalhávamos 40 horas no total. Ou imagina que tu ganhas muito mais do que eu no teu trabalho remunerado e então fazia sentido tu trabalhares e eu ficar ⁓ casa a fazer as terrafas domésticas todas. Ficava... Sim. Raquel Vareda: Uhum. Cê. Cê, cê, cê, cê, cê. E nós já falámos sobre isso. O Juan, por exemplo, teria muito mais interesse ⁓ ser stay at home dad. Nunca seria porque nós não temos capacidade económica para isso. Não, é... Exato. Infelizmente, é isso. Então já faz. Exato. O Juan adorava ser marido troféu, fazer as tarefas domésticas, ficar com a criança ⁓ casa. Era uma coisa que ele não se importava. Juan: Eu... Deixam-me só dizer, infelizmente tu não ganhas o suficiente pelo ser este time home dad, se não eu ficava, eu ficava, fazia tautose à julieta durante o dia, eu seria o marido de troféu, eu seria o marido de troféu. Faço, mas tenho pouco tempo. Faço, mas tenho pouco tempo. Não me importava nada, não. Raquel Vareda: Nada. Isso nunca seria para mim. Não é a pessoa que eu sou. Eu adoro passar tempo com ela, mas ⁓ dia inteiro, todos os dias, não é aquilo que eu quero. Não é aquilo que me faz feliz. Eu preciso de ⁓ equilíbrio diferente. Mas, por acaso, eu até sinto neste momento, eu disse isto no outro dia a alguém no Instagram, porque... ⁓ já sei. ⁓ dia por semana é o Juan que fica pelo menos ⁓ dia por semana... Juan: Pois, pois, pois sim. Sim, claro, claro, eu percebo o que estás a dizer. Raquel Vareda: É o hunk que fica com ela, porque eu dou consultas do viajante ao final do dia, a partir das 4h30 da tarde e dou até às 8h da noite. Então é o hunk que vai buscar a creche, bilinca, faz a rotina toda de jantar, dormir, eu disse isto no Instagram e o visual ganhava, mas o que que não é ele que faz no resto dos dias também? E pensas a justificar que cada casal tem a sua dinâmica, mas é sempre a mulher. E eu respondi, é porque eu gosto de estar com ela. Juan: Sim. Sim, mas... Raquel Vareda: Porque se eu não estiver com ela nessas horas, que são as únicas que eu tenho, ou seja, eu genuinamente quero ir buscar-la à creche e ficar essas horas com ela a brincar. Mas, mas, é o Juan que vai pôr todos os dias à creche, eu nunca vou pôr à creche, é muito raro, nas poucas vezes que tu não estás cá. Regra geral, sei lá, ainda esta semana eu fui jantar fora na segunda-feira com uma amiga e o Juan tratou-te de tudo. Aliás, sim, fui na terça-feira jantar fora e o Juan tratou-te de tudo, segunda-feira dei consultas. E hoje, vou sair com uma amiga outra vez. Juan: Sim, imagina, mas eu até me sinto ⁓ bocado... Raquel Vareda: Eu neste momento, sim, eu ia só dizer para... neste momento eu sinto que tu fazes mais tarefas e ficas bastante mais com ela e eu saio imenso. Eu saio imenso, Malta. Eu durmo várias noites fora de casa. É verdade, muito mais do que tu. Juan: Claro, claro. E amo. Sim, mas imagina, eu até me sinto... Eu, amor, eu até me sinto estranho de nós estarmos a dizer isso como se fosse uma questão, percebes? Porque é do género, claro, que podes ir já estar fora quando quiseres e eu fico com a criança. Ou seja, porque quase que quando se diz que o homem fica com a criança, é quase que estamos tipo a bater palmas do género. Epá, este homem ficou... Este homem ficou a cuidar da sua filha durante uma noite, tipo malta, é tua filha. Tipo, imagina, a responsabilidade é tanto tua como da mãe. Exatamente. Raquel Vareda: E é, ele ficou exaustesto à mãe aqui. Exato. A mim ninguém bate palmas quando eu fico com ela. Juan: Seria como eu estar a dizer, ⁓ a minha mulher é muito especial porque ficou com a minha uda à noite hoje porque eu vi jantar com os meus amigos. Tipo, eu nunca ouço ninguém a dizer isso, mas eu nunca ouço ninguém a dizer isso. Imagina, eu agradeço-te muito sempre. Ou seja, e vamos lá ver, imagina, se olhássemos, por exemplo, para esta semana, claro que tu, sei lá, passaste três noites fora ou fazer planos ou uma delas foi a trabalhar, a atenção não foi a passear, mas imagina, entre passeios e trabalho e tudo mais, foram várias noites que eu fico com ela. Raquel Vareda: E deve dizer. Pois, mas deve dizer. O Juan, por acaso, costuma dizer essas coisas. Juan: ou que vou buscar lá Cresci e faço o resto do dia com ela. E ambos estamos a trabalhar bastante, mas quer dizer, eu não sinto que seja ⁓ desequilíbrio sequer, porque eu também acho que, pronto, numa relação como a nossa homem-mulher, nós homens temos uma obrigação também, ou seja, o equilíbrio não é só somar trabalho comunarado e não remunerado, e somar também o trabalho mental, mental load, que tu tens muito mais do que eu e que já discutimos de planear certas coisas que eu, nas quais eu não costumo pensar atempadamente, mas também temos que somar e contabilizar na minha opinião aquilo que é a gravidez, ok? E as alterações no corpo da mulher que passa por... ou seja, nós estamos lá para apoiar, mas quer dizer, há ali coisas que nós nunca conseguimos assumir, ou seja, há ⁓ desequilíbrio inato, não é? Naquilo que é todo aquele ano de engravidar, tipo, e o pós-gravidez, ou seja, depois da criança nascer, o pós-parto... Raquel Vareda: Uhum. Sim, tanto na gravidez quanto... Exato. O pós-parto, eu diria que os primeiros nove meses sem dúvida que houve ⁓ grande desequilíbrio e foi por ao meu lado, seja, foi muito mais exigente para mim do que para ti. Juan: Sim, claro, claro. E nós estamos a falar ali de dois anos quase, à volta de teres a gravidade e teres a criança e a criança a crescer ⁓ bocado e a amamentação e tudo mais, a falar ali de uns dois anos ⁓ que, e na verdade se calhar é mais, ⁓ que pá, tu até podes ser o homem mais fantástico do mundo e fazer as tarefas domésticas todas, tu não estás a fazer mais do que, ou seja, não está... Não, imagina, não é ⁓ desequilíbrio para o outro lado é do género, tu se calhar nem estás a compensar aquilo que foi a gravidez, percebes? Que é uma coisa que tu não consegues assumir, como é óbvio. Raquel Vareda: É tua obrigação. Juan: Portanto, só para chamar a atenção ao pessoal que estiver a ouvir a podcast. Estou cá a trabalhar, malta. Amigos homens temos que trabalhar. Pronto. Raquel Vareda: Fazer férias separadas é saudável e recomendável. Ponto de interrogação. Juan: Tipo, o casal fazer férias separados? Sim. Olha, imagina, eu concordo 100%, acho que é... Mas não é só férias, eu acho que é super importante o casal ter tempo individual sozinho, tipo tu ires com as tuas amigas ou os teus amigos onde tu quiseres e eu fazer o mesmo, fazemos planos separados, manter a nossa individualidade acho que é super importante. Se houvesse mais orçamento e dias de férias, claro que seria fantástico fazermos mais férias com os nossos respectivos amigos, não é? Raquel Vareda: De gênero, fazer as férias com amigos ou sozinho, assim. Eu também. Uhum. E aí Exato, às vezes a limitação é muito dinheiro e para nós muito dinheiro e os dias de férias e assim. Mas sim, exato. Mas sem dúvida, eu costumo viajar às vezes com amigas, só homens. Também acontece, as pessoas acham sempre muito estranho. Assumem sempre que somos casais ou assim, não sei. Juan: Eu acho que para a maior parte das pessoas os dias de férias vão ⁓ casal porque não há... Pois. E pra toda a gente, quase. Sim, sim, sim, eu percebo. Chega ⁓ homem e uma mulher e assumos que são casal. Pois. Raquel Vareda: Mas é na boa, eu para mim tenho completamente... Sim, sim, às vezes eu acho que... Não, não, está na minha situação e às vezes a gente... E a gente goza ⁓ bocado, tipo, sim, sim, é o nosso aniversário de casamento, pode trazer a garrafa. E depois oferecem tipo o champanhe, assim, ou... Está tudo certo, malta... É na boa. Juan: Hahaha, yeah! Boa, fantástico. Imagina, eu acho que, independentemente de ser homens ou mulheres, ou seja, eu acho que por acaso ⁓ perigo nas relações a longo prazo ⁓ geral é perder-se individualidade de cada ⁓ e as pessoas esquecerem-se que tu apaixonaste pela outra pessoa porque ela como indivíduo era interessante, provavelmente, é? E que se depois a vida passa a ser 100 % ⁓ casal sempre, perdes ⁓ bocado deste interesse pela outra pessoa de ser uma pessoa interessante por si só, percebes? E é curioso porque isto acontece muito nos homens, porque também acho que culturalmente há uma tendência da mulher assumir tudo o que é os planos sociais do agregado familiar. Então imagina, passa a ser a mulher a dizer vamos combinar jantar-nos com os amigos, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo no fim de semana e o homem mais passivamente vai aparecendo e depois a mulher se calhar acaba por ter até amigas e digamos diretamente e o homem nunca é amigo das pessoas mas aparece como o marido da... estás a perceber? Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim. Juan: ou o pai da e portanto vem como secundário e por acaso acho que isto é uma das áreas ⁓ que os homens faziam bem ⁓ zelar por eles próprios ok mas eu tenho imensos amigos e imensos... eu não tenho é tempo, isso é outra questão não tem a ver com o que eu estou a agora eu não tenho tempo mas acho que é ⁓ perigo mesmo nos homens que têm tempo de digamos delegar isto nas mulheres e depois vão ficando cada vez menos interessantes eles próprios ou seja deixam de ter... Raquel Vareda: Vocês têm que trabalhar ⁓ bocadinho. Eu já disse isso várias vezes. Sim. Mas sabes o é muito engraçado? Eu concordo perfeitamente o que tu estás a dizer. Eu ia só acrescentar... Eu conheço algumas situações ⁓ que o homem não quer que a mulher mantenha grande... Não é que não queira que ela mantenha a individualidade, não é apresentada assim. Porque isto é uma coisa só por acontecer. Mas é, não quer que ela saia só com as amigas ou... Há muito ciúma aqui envolvido, ⁓ bocado de controle, etc. E depois, ou seja, fazem tudo ⁓ casal... E depois chega ⁓ momento ⁓ que ele diz, ela não é interessante, ela não sei o conheci outra gaja que é muito mais interessante e eu penso, ⁓ amigo. Juan: ui É pá, pois. Mas eu cortaria o mal pela raíza do género. Se estás a ouvir este podcast e o teu homem diz que não podes sair com as tuas amigas, manda já esse homem embora. Adeus. Não é homem para ninguém. Esquece. Exatamente, sem dúvida. Ya. Qual não podes sair com as tuas amigas era o que me faltava, sinceramente. com cada... Eu não considero esses homens. Quem diz isso não é homem. Desculpem. Raquel Vareda: Sei, eu também... Exato. amiga amiga amiga não é esse o homem para ti vai show exato mas vale só a que mal acompanhada exato Eu não pegar a bêbola Juan: É pá, com cada artista sinceramente. Ai, paciência. Raquel Vareda: Última. É possível querer totalmente estar numa relação e sentir atração por outras pessoas. Juan: Claro, a Raquel por exemplo quer estar comigo, assumo eu e sinto atração pelo Bad Bunny e pelo Thor também, o Thor a personagem. Tô a dar exemplos recentes, é? Raquel Vareda: É só por levar do bânipulo Thor também, exato. O Thor a personagem, não o Chris Hemingworth. Também, também ia. Vou lá, ou whatever. Também ia, mas não era esse. Não sei mesmo o nome dele. O que era é a capa e o martelo, malta. Ele vem aqui a capa e o martelo e a gente conversa. Não, mas também como pessoas normais. Como pessoas normais, pessoas de dia a dia. Juan: Hemsworth, Hemsworth, Nem sabes o nome dele, nem sabes o nome dele é o Thor, acabou. É o Deus do Truvão. É o Deus do Truvão. Espera, qual é que era a pergunta? Já me perdi. Raquel Vareda: Se é aceitável ou saudável, já não sei. É possível querer estar numa relação e sentir atração por outras pessoas. Malta, não só atração, como querer efetivamente implementar essa atração. Mas vocês deixam de ter líbido quando entram numa relação. Ou líbido passa a estar concentrada só... Quando vocês se masturbam ⁓ casa, vocês pensam só no vosso... Nós somos médicos, Malta, nada disto nos... Não sei, não sei se isto é... Juan: ⁓ sim, claro que sim. Eu acho que isso é natural, ou seja... Não... Que eu saiba. é a bolinha vermelha neste podcast. Raquel Vareda: Exato, cuidado com os ouvidos pequeninos. Depois de vias que é sim, desta vez que é sim. Malta, ouvidos pequeninos, isto não é hábito. Juan: Mas não é que dizem que é não é? Não, mas aqui a questão, quer dizer, isso para mim parece uma não questão, mas eu sei que é uma questão para muitos casais, é do gênero, é ok sentir-se atraído por outras pessoas, claro que é ok, quer dizer, se tu és ⁓ homem ou uma mulher e gostas, sei lá, imaginado do sexo oposto, isso já são regras sociais e de casal que, quer dizer, se está combinado no casal que é uma relação monogâmica e que não vamos fazer sexo com mais ninguém, Raquel Vareda: Sim, a parte do implementar, o que é fazes com... Isso já são... Exatamente. Que eu acho que deve ser... Juan: Pronto, é uma regra do casal e respeita-se como é óbvio. Agora, isso não te impede de sentir-se atraído por outras pessoas, que eu acho que é perfeitamente normal. Uma coisa sentir-se atraído. Claro, mas isso... Raquel Vareda: Sim. Ou de querer negociar as regras. Eu acho que as pessoas também têm muito esta coisa de, ou seja, isto é o normal e não sei o temos que fazer assim mesmo que eu sinta que gostasse diferente. Mas as pessoas também, maior parte de nós não tem maturidade para gerir o ciúme e coisa, portanto. Mas pronto, isso é... Sim. Juan: Não é o asco. Sim, pois, mas eu acho que as pessoas deviam ter a abertura, quer dizer, isso é tema para outro episódio, mas se há uma pessoa com a qual devias ter a abertura... Raquel Vareda: Não sei se consigo falar muito sobre isso porque não sei se sai suficiente... Eu posso dar a minha opinião, mas eu não sei se sai suficiente para... Eu adorava convidar alguém que tenha uma relação aberta ou assim para fazer perguntas sexy. Se alguém tiver uma relação mais aberta ou uma relação primária e uma relação secundária, duas relações primárias, mal, tudo que vocês quiserem, é completamente diferente. E para caso que está sendo conversado conosco, nós adorávamos conversar convosco. Juan: Não, não, não, não. Claro, falares da nossa... Sim, não. Isso é interessante, isso é interessante. Sim, se for o Bad Bunny Raquel Vareda: Eu tinha uma relação aberta com o Bad Bunny. Juan: Além disso, quer dizer, por acaso temos pensado ⁓ episódios futuros convidar pessoas, não só para este tema, outros temas que já nos surgiram interessantes e que se calhar podíamos convidar pessoas. Por isso, digam-nos se achavam interessante convidarmos outras pessoas. Raquel Vareda: com Benito, Benito de Benito. Uhum. Não vamos pensar no assunto. Seriam sempre conversas, isto não é uma entrevista... Juan: Claro, seria a mesma conversa informal que temos aqui os dois, mas com uma terceira pessoa. o Bad Bunny ou o Thor no teu caso, né? Pronto. É o que é. Bye. Raquel Vareda: Bem, ok. Espero que tenham gostado do episódio. Vemo-nos novamente para a semana. Vamos estar de férias, mas vamos arranjar ⁓ tempinho para falar convosco. E é isso. Bom resto de semana malta. ⁓ bisou bisou. Tchau tchau! Juan: Claro que sim. Obrigado Malta. Bye bye.