Juan: Olá pessoal, que emoção! Raquel Vareda: Isto eu acabei de acordar. Ela Juan: De uma cesta não planeada, certo? Raquel Vareda: demorou tanto tempo a adormecer que eu adormeci. Na verdade não foi assim tanto tempo. Foram tipo 20 minutos ou assim. Juan: Mas é o normal, prontos? Raquel Vareda: Sim, mas até a 30 minutos é normal demorarem a adormecer. Ou qualquer pessoa... qualquer pessoa não tem a certeza, por acaso não... don't quote me on this porque não tenho a certeza da literatura, mas sei que as crianças... acho que até aos 5 anos é normal demorarem entre querins a 30 minutos. Juan: é, dos adultos também não sei, mas nas crianças é isso, mas para dar contexto pessoal, a Raquel está de licença de parentalidade alargada e portanto está estas próximas duas, três semanas com a Julieta. Raquel Vareda: Então, são 30... Vamos contextualizar, porque cada vez que ele fala nisto, as pessoas não sabem que existe licença. Não, mas a Juan: Exato, sim! Raquel Vareda: sério, eu cada vez falo com amigas, Juan: É verdade, é verdade. Raquel Vareda: especialmente amigas que não têm filhos, mas mesmo pessoas que já têm filhos ou que estão grávidas, parece que as pessoas não sabem, não reconhecem os direitos que existem. Não, os meus sabiam, para caso... Juan: Atenção, nem os meus recursos humanos sabiam quando eu lhe informei que ia fazer licença alargada a primeira vez ficaram tipo, então, espera, podes fazer isso? Não, mas eles foram simpáticos, até me disseram do gênero, olha, mas tenha cuidado porque a Segurança Social não lhe paga se fizer depois, ou qualquer coisa assim. Estavam preocupados comigo, percebes? Raquel Vareda: Sim, mas não estavam bem informados. Mas no fundo, pai tem 3 meses, ou seja, na verdade são 30 mais 30 mais 30. Cada pai tem 90 dias, que são contínuos, não é dias úteis, tem 90 dias para tirar até aos 6 anos da criança. E pode Juan: e sata mitz. Raquel Vareda: tirar os 90 seguidos ou 60 seguidos mais 30 ou 30 mais 30 mais 30. Eu já tirei 30. dezembro passado porque a creche de Juan: Sim. Raquel Vareda: Stella fechava duas semanas e agora estou a tirar mais 30 porque a creche de Stella fecha mais duas semanas. E as nossas férias Juan: Is out. Raquel Vareda: não são infinitas. Para além de que como eu mudei de trabalho, na verdade nem sequer posso tirar férias durante seis meses, portanto tinha inevitavelmente que colocar a licença parental. E portanto, toda a gente pode usufruir disto, cada conjunto de 30 dias é paga 30 % do salário bruto, sendo que na verdade se tirarem... os 90 dias seguidos ou no final de tirarem os 3 conjuntos de 30 dias, if this makes sense, pagam 42%. Ou seja, verdade se tirarem o tempo todo são 42%. Então, da próxima vez que eu tirar os 30 dias, vão-me devolver algum dinheiro porque só me têm pago 30. Certo? Está tudo correto? Pronto. Juan: Exatamente. Sim. Espero que não tenha sido muito confuso para as pessoas, mas é isso. Isto teoricamente os Raquel Vareda: Sim. Juan: empregadores não podem recusar fazeres esta licença, mas... Raquel Vareda: Exato, isto não pode ser recusado. Podem, se for por questões de continuidade do serviço, eles podem pedir que seja feita outra altura. Mas eles não podem recusar. Eles podem negociar o timing. Yeah, eles têm exatamente... Não, não, não. Juan: Exato. Exatamente. Mas tem que ser muito bem justificado se querem negociar o timing. Não é porque lhes apetece, não é porque dá jeito. Pode acontecer, por exemplo, na nossa área que há serviços mínimos de serviço de urgência e tudo mais e Raquel Vareda: Exato. Juan: tem mesmo legalmente que está alguém e portanto pode acontecer. Aconteceu comigo Raquel Vareda: Sim, sim, sim. Juan: este ano porque no meu departamento estamos muito poucos neste momento. Raquel Vareda: Eu tive que tirar porque o Juan não podia tirar neste momento. Juan: Exatamente, eu tinha marcado para tirar a minha licença a certa altura, mas depois, inspiradamente, passei a ser o único médico disponível e, portanto, tive que adiar e vou tirar também este ano, mas na outra altura, que há outro colega disponível. Pronto. E, dizesse, 30 Raquel Vareda: Exato. Exato. É isso. Juan: % do salário bruto, mas é 30 % da remuneração de referência que, se quiserem saber mais sobre isso, que ir ver à Segurança Social. Por quê? Isto é importante porque é a média de vários meses. Raquel Vareda: Ok. É a média dos três meses de descontos na segurança? Sim, pronto. Como geralmente a gente... Na verdade, não é verdade que gente ganha o mês todos os meses, pronto. Mas eu uso o salário bruto mais ou menos como referência. Juan: é relevante para quem não ganhou mesmo todos os meses e é relevante também para quem não é... para quem não tem categoria A, para quem não tem contrato como nós e faz prestação de serviços apenas, portanto quem está a recibes Raquel Vareda: Pois. Juan: verdes a remuneração de referência não é igual ao salário bruto porque só conta 70 % daquilo para a Segurança Social, portanto tem números diferentes, tem números diferentes. Exatamente, exatamente, exatamente. E portanto era menos do que ela esperava, certo? Raquel Vareda: Pois não. 70%, exatamente. Sextenta e meia. Exato, estamos a falar com uma amiga sobre isso que não sabia esse promenor específico. Eu, para caso, confesso que também não sabia. Exato, confesso que também não sabia, mas sim, isso é uma má surpresa para se ter. Quando está à espera de receber 100%, não é? Pronto. Sim. Juan: Exatamente, era por isso mesmo que eu tava... Exatamente, exatamente. Muito bem. Raquel Vareda: Muito bem. Então, os casos de dengue estão a aumentar. Juan: Achei que ias fazer a introdução primeiro. Raquel Vareda: Podemos fazer a introdução, mas isto ainda não é o episódio. Isto é só Juan: Então diz-me o que é se passa com o zing? Raquel Vareda: O dengue não é a dengue. A dengue, sim. Juan: Adengue, adengue, sim, claro, claro. Raquel Vareda: A dengue é uma doença viral que se transmite por mosquitos. Mosquitos esses que já estão presentes no território português. O aedes albopictus. Existem outras espécies, na verdade não sou as outras espécies, é a mesma espécie de diferentes gêneros. Mas, na verdade, existe também outras espécies que podem transmitir. Enfim, ok, não interessa, esta é a principal. Aedes albopictus. Aedes Juan: certo. Raquel Vareda: eespécie. Nós não temos dengue transmissão comunitária Portugal. O que eu quero dizer com isto é, os nossos mosquitos, embora possam vir a transmitir dengue, ainda não estão afetados, que nós sabemos. E nós fazemos vigilância semanal, vou dizer mais ou menos diária, porque no total, conjunto Portugal é mais ou menos diária, que vamos buscar as armadilhas. Ou seja, nós temos armadilhas pelo todo o território continental. E vamos lá buscar, cada unidade saúde pública vai buscar as suas armadilhas e recolhe e depois envia os ovos ou os mosquitos, o que quer que seja que tenha conseguido apanhar para o INSA, é o Instituto Nacional. Instituto Nacional do Dr. Ricardo Jorge? Superior? Saúde? Era isso que me faltava exatamente. Desculpem, colegas do INSA. Juan: Instituto Nacional de Saúde, Dr. Ricardo Jorge. Raquel Vareda: e depois eles analisam e veem que espécie é que é, está infectado com alguma coisa, etc. Nós temos bom programa de vigilância, chama-se REVIVE, e já temos mosquito quase todas as zonas de Portugal continental, na verdade. É uma população de mosquitos que se adapta muito bem ao território e que não existia até há uns anos, quatro ou cinco, no território português, mas por causa das alterações climáticas e porque este mosquito compete... e Regra Geral ganha a competição com outros mosquitos, estas populações de mosquitos têm vindo a subir no hemisfério. Tudo isto para dizer, nós ainda não temos dengue, Espanha acho que já teve caso autóctono, ou dois, França também, Grécia também, Juan: isso aí. Raquel Vareda: Itália também, portanto, mean, it's a matter of time. Até termos, Juan: É, é uma gostante tempo. Raquel Vareda: sim. Mas é na verdade tudo isto para dizer. Os Estados Unidos, ou seja, a dengue, lá está é uma doença viral que transmite por mosquitos e é mais encontrada ou vá, tem sido endémica e o que eu quero dizer com endémica é que existe sempre na América Central e Latina, Sudeste Asiático, alguns locais da Ásia, alguns países africanos, Hemisfério Sul de uma forma geral porque lá está era onde o mosquito se adaptava mais. e porque ele começou a competir com o mosquito da febre amarela e a ganhar algum do seu território e pronto, whatever, não interessa mas realmente vão existindo surta a cada 3 a 5 anos no hemisfério sul e portanto muitas vezes... não muitas mas de vez quando nós prescribemos a vacina, portanto existe uma vacina e nós prescribemos consultor viajante portanto é uma coisa que tem que estar on our minds quando vamos viajar para estes locais e... Juan: certo. Raquel Vareda: Tivemos grande surto entre 2023 e 2024, com milhões de casos. Juan: Mas não surta onde. Raquel Vareda: O pago global foi péssimo, mas muito concentrado no Brasil e países da América Latina, Juan: Ok. Raquel Vareda: que tínhamos, não sei, chegámos a ter semanas com milhares de casos. Pronto, reportados, sim. Juan: impressionante. E o que é terá acontecido para isso acontecer, não sabemos? Raquel Vareda: Na altura, os estudos, entretanto, associaram muito as cheias, seja, climaticamente foi 2023, foi ano de muitas cheias, houve muitas populações migratórias. Nós sabemos que a cada 3 a 5 anos existem surdos, porque vai rodando ali alguns epítopes virais, existem algumas mutações, embora, ou seja, o vírus da dengue, na verdade, são 4 primos virais diferentes. Nós podemos apanhar quatro vezes na vida. E temos esta ideia de que, princípio, quando apanhamos uma imunidade é vitalícia para esse, mas não para os outros. Mas, na verdade, algumas pessoas não ficam com imunidade vitalícia. O vírus, às vezes, especialmente quando lá está, esses surtos que se multiplica por muitas pessoas, consegue mutar. Portanto, isto é uma doença... Juan: se eu with shot. Raquel Vareda: É vírus que é bem recente ainda por cima. Juan: Uhum. Raquel Vareda: anos 80, que foi descrito a primeira vez, ok, então quote me on that, mas tenho quase certeza que sim. Juan: Ok. Raquel Vareda: Então também não sabemos ainda imensa e imensa e agora sim nos últimos anos começou, nos últimos 10 anos começou a explodir. Pronto. Então, nós este ano ainda não sabemos muito bem como é que vai ser, é? Portanto o último foi 23, 24. Estamos a entrar na época Juan: Certo. Raquel Vareda: de transmissão 26, 27, porque geralmente na maior parte destes locais do globo A época de transmissão lá está é após as chuvas. As chuvas Juan: Depois. Raquel Vareda: no Seste Asiático e mesmo Juan: Uhum. Raquel Vareda: Colômbia, México e Afins é na altura do nosso verão, ou seja, a altura... Juan: Certo. Raquel Vareda: temos estado tropical. E o Seste Asiático é igual, está a terminar... vai terminar para aí setembro a época das chuvas propriamente e neste momento já começamos a ter alguns casos. Temos sempre, né? Ainda não dá para prever se vai haver surto ou não, mas... Juan: Claro. Ok. Raquel Vareda: Este ano aparentemente foi muito mau termos de cheias. Portanto... Vamos ver o Juan: Portanto, poderá ser muito mau termos de dingue. Raquel Vareda: que acontece. O que eu queria dizer no meio disto tudo é que começaram a ser reportados casos autóctonos nos States. Nos Estados Unidos, na América. Como é que isto Juan: Uau! Procurem-se! Raquel Vareda: acontece? Qual é que é o problema? O problema é mesmo... Amalta vai para a Tailândia. Laurear apevido, né? Juan: Sim... Raquel Vareda: Não faz consulta do viajante, ou faz Juan: Certo? Raquel Vareda: e não é bem informado. Sorry, not sorry. Não Juan: Certo, não se protegem lá na Tailândia. Raquel Vareda: se protegem na Tailândia, ou protegem-se, mas voltam para casa, onde nós já temos os mosquitos que podem transmitir, e voltam com o vírus, voltam infectados. A verdade é que foram picados por mosquito, Juan: Ou seja, foram picados por mosquito na Tailândia que lhes transmite o ding? Raquel Vareda: exatamente. São assintomáticos. Porque a verdade é que mais de dois terços das infecções, a primeira vez que temos dengue, pelo menos, são assintomáticas. Portanto, pessoa nem Juan: Tanto a pessoa nem sabe, não faz ideia. Raquel Vareda: sabe, volta, está transmissível se for picado por mosquito que pode transmitir dengue. Portanto, isto aconteceu. Juan: Mas então a pessoa é picada por mosquito nos Estados Unidos, esse mosquito dos Estados Unidos fica com dengue e depois reproduz-se, como é que passa? Pica outra pessoa, Raquel Vareda: Aconteceu na Virgínia, e depois pica outra pessoa... Juan: outros mosquitos picam essa pessoa, é isso? Uau, chato. Raquel Vareda: É a ideia é essa. Claro que se acontecer uma única pessoa, princípio tu consegues quebrar ali a cadeia transmissão, porque o mosquito princípio não se vai reproduzir largamente, mas se começam a vir muitas pessoas com dengue, que é o que acontece nestes anos de surto, e vêm aí tão assimtomáticos, ou mesmo que estejam assimtomáticos e depois estão as... Porque a ideia aqui, o que nós devíamos aconselhar às pessoas, que nas duas semanas a seguir, virem de uma zona de risco de dengue e chegarem, ou seja, Portugal, deviam continuar a utilizar replante. Não! Juan: Pois. Raquel Vareda: Ou seja, para se protegerem dos mosquitos, não, porque eu tenho receio que eles sejam mordidos por mosquitos, porque eu não me importo, mas eu quero é proteger os nossos mosquitos. Juan: É que os nossos mosquitos não mordam alguém com dengue. Mas espera, o mosquito Raquel Vareda: E Juan: que tem dengue... Ou seja, a forma de mais mosquitos terem dengue é esse mosquito picar pessoas e outros mosquitos picarem essa mesma pessoa. Tipo, não passa entre os mosquitos, certo? ok. Acho que isso não se percebeu. Ok, ok. Acho que maioria das pessoas não deve imaginar isso. Explica, por favor. Raquel Vareda: Não, não, passa, passa, passa na descendência. Ok, desculpa. Ok, não, não. Sim. Não, no fundo os mosquitos fêmea, que são os mosquitos que Juan: Sim. Raquel Vareda: podem, ou seja, transmitir a descendência, ok, se eles estiverem infetados e tiverem descendência, o vírus passa para a descendência. Porque o vírus Juan: Isso é terrível. Raquel Vareda: multiplica-se no mosquito. E depois... Juan: e sete river. Raquel Vareda: Ele multiplica-se nas glândulas salivares, ou depois vai para as glândulas salivares, Dom Clotemayor disse, porque ainda por cima varia com a população de mosquitos. Passa! Juan: certo, por menores, mas pronto, mas passa para os descendentes, portanto, mosquitos bebés desses mosquitos vão ter também dengue, muito chato. Raquel Vareda: E há. É por isso que existem, aqui no Algarve, exemplo, existe ou... Existia... Não, mas eu acho que ainda existe projeto piloto que é para tornar os mosquitos, usar a edalbopictos fêmeas para, ou seja, irradiar... No fundo, o é o projeto é irradiam os mosquitos laboratório, esses mosquitos ficam... inférteis, na verdade é a população masculina, eles ficam inférteis, introduzem no nosso habitat e depois a ideia é que as fêmeas, mesmo que fiquem infetadas, vão reproduzir-se com esses mosquitos masculinos, mas não se conseguem reproduzir porque eles são inférteis. Juan: Ok, ok. Relembra-me porque é que existem mosquitos. Essa é minha questão mais... Raquel Vareda: São super importantes para o ecossistema. Juan: sinceramente quem é que inventou os mosquitos olha não deixam o pessoal Raquel Vareda: Não me perguntes de que forma é são importantes. Juan: dormir não deixam o pessoal dormir transmitem dengue e mais outras coisas feias não é chikungunya malária Raquel Vareda: É. É. Juan: mais mil outras coisas são bocadinho feios Raquel Vareda: Sim. Juan: às vezes matas e sujam a parede eu não vejo eu não vejo justificação no nosso ecossistema sinceramente Raquel Vareda: É... Não, imagina, eles são... Primeiro, são alimento para alguns animais, depois os mosquitos Juan: Claro, imagino. Raquel Vareda: também polinizam flores, não sei exatamente quais, mas sei que eles também polinizam ou ajudam nesse processo. Depois, Juan: Ok. Raquel Vareda: eles também são super importantes alguns ecossistemas aquáticos para reciclar nutrientes e wastes e cenas. Portanto, imagina, todos os seres vivos têm o seu papel. e os mosquitos são... pá havia... ouviam? Há exato... há livro qualquer... pera... há livro Juan: Que mensagem bonita! Podemos acabar o episódio aqui. Pronto, todos os seus vídeos têm o seu papel. Adeus! Raquel Vareda: qualquer sobre... g E Juan: Já sei do que que tu estás a falar, amor. Raquel Vareda: endangered, altamente tipo importante, que são os mosquitos. Portanto, eles não nos querem Juan: Isso! Raquel Vareda: matar a nós porque os mosquitos comem-nos. E portanto nós... Juan: Isso está no início do filme do Dalilo & Stitch, que nós começamos a ver com a Julieta há pouco tempo. E o Stitch é enviado para a Terra, Raquel Vareda: Ai, é isso? Não é o livro? Não, é o speed. Juan: os aliens acham que o Stitch é perigoso Raquel Vareda: e Juan: e pensam, isso é destruirmos só aquele planeta onde o Stitch está. Lá expert da Terra, alien que é expert da Terra, vai lá e diz não, não, não, temos que proteger este planeta porque é reservatório natural para uma população super diferenciada e avançada de mosquitos que vivem naquele planeta e que se alimenta dos humanos primitivos que por lá andam. É tudo uma questão de perspectiva, mas é muito bom. Raquel Vareda: E eu ia pensar, ter ouvido uma podcast porque é gênero. Não, não, não, não, não. Imagina, claramente o Lil Wayne's Teach não ia... God. Juan: Se calhar também, pronto, mas é do filme do Lilo & Stitch. Foi na semana passada, porque a Julieta tem peluche do Stitch que adora, e então eu decidi mostrar-lhe o filme para ver se ela gostava, ainda vimos uns minutos antes dela ir partir para outra coisa. Raquel Vareda: Uns minutos a ver televisão é sucesso porque... A meu parte dos pais tenta Juan: Nós nunca vemos televisão com ela, pronto. Raquel Vareda: que os filhos não vejam o ecrãs. Nós às vezes tentamos que ela veja, mas ela não quer. Às vezes... Eu devo 5 minutos, senta-te filha e vê só aqui este portão animado. Não, não. Impossível não. Juan: Para que para quieto bocadinho e veja filme por favor. Impossível, impossível, não quero. Não quero. Só fica quieta quando está a dormir e mesmo assim não muito. Está sempre movimento. Ok. Raquel Vareda: Ya, bem, exato. Vamos ao episódio. Juan: Vamos a isso. Raquel Vareda: Olá a todos, eu sou a Raquel, caso ainda não saibam. Juan: E o seu ojo, Raquel Vareda: Nós somos casados, somos os dois médicos de saúde pública e pais de uma bebê de anime. Por isso, Juan: Hahahaha Raquel Vareda: entre dados científicos e noites... Eu tenho dormido bem, lamenta, as noites já não são mal dormidas. Juan: Uau, temos que mudar a introdução do podcast. Raquel Vareda: É verdade. Juan: Podemos deixar assim, quem sabe no futuro voltemos a dormir mal. É melhor deixar. Imagina que temos mais filhos no futuro e voltamos a ter... pá, deixamos o podcast assim, pronto. Raquel Vareda: A parte seguinte que é nós não temos mesmo tempo para isto, é meio verdade porque nós comprometemos a episódio semanal Juan: Isso vai ser verdade pelo resto da vida. Raquel Vareda: e não aconteceu. Mas pronto. Juan: É, somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e a verdade é que nós continuamos a conversar mesmo quando vocês não estão a ouvir, não temos tempo para gravar. Mas então a Raquel Vareda: e Juan: nossa ideia é todas as semanas conversarmos bocadinho sobre tudo o que interessa e não interessa. Raquel Vareda: Bem-vindos ao nosso podcast, onde passam tentamos mostrar a melhor evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: e agora vamos ao episódio que temos de contar. Eu quero só realçar Raquel Vareda: e Juan: mais uma vez, pessoas, este podcast, estas Raquel Vareda: Sôis! Juan: são as conversas que eu Raquel temos sempre que conversamos, praticamente. Pronto. Nós não temos é muito tempo, não temos tido Raquel Vareda: Nós... Sim... Por acaso, não. Juan: nas últimas semanas tempo, quase que não, às vezes não temos nem tempo para conversar, nós, não é? Que é outra que é tipo cada está a trabalhar, depois bebe, depois isto, não sei quê, depois é hora de dormir. Mas quando conversamos, estas são as conversas que temos e não temos tido é tempo para nos sentar e gravar. Pronto. Raquel Vareda: Especialmente Juan: como tivemos agora, porque o bebê está a dormir Raquel Vareda: porque... Juan: e eu estou teletrabalho e Raquel está de licença e eu estou a a minha Raquel Vareda: Pois. Juan: hora de almoço para gravar episódio vez de almoçar. E por isso o tempo está mesmo a contar. Raquel Vareda: Exato. Não, eu ia... Sim. Nós tínhamos, quando eu estava teletrebalho, como ao Juan, nós tínhamos bocadinho mais flexibilidade porque podíamos usar os dois à nossa hora de almoço. Mas desde que eu comecei Juan: e se atirar. Raquel Vareda: a trabalhar no Algarve, eu estou trabalhar presencialmente todos os dias, neste momento, e eu não tenho espaço, ou seja, sítio físico para gravar quando estou na unidade Juan: Na hora, Raquel Vareda: de saúde pública, na hora de almoço, porque até se tivesse algum sítio físico, gabinete próprio ou qualquer coisa assim... Eventualmente até conseguiria, mas não tenho. Nós temos Juan: Exato. Raquel Vareda: gabinete partilhado. E portanto, realmente tem se tornado bastante complicado. Nós já tentámos gravar e gravámos dos episódios à noite, mas eu à noite estou, regra geral, bastante cansada. Ela agora adormece Juan: É uma noite complicada. Raquel Vareda: mais tarde, nós depois muitas vezes ainda vamos jantar. E Juan: Até Raquel Vareda: depois são do género, 10h, 10h30 da noite e eu já não tenho energia mental. Juan: Estamos cansados do dia, não apetece ter uma conversa à noite. Apetece ler livro. Raquel Vareda: Ou às vezes, por acaso sim, por acaso nem é isso. Lemos livros, vemos alguma série, jogamos, mas, sim, mas nem nós conversamos muito, é tudo não. Juan: Relaxamos. Não, não, o que eu digo, este podcast é muito, digamos, uma janela para as nossas conversas do dia a dia, só que as nossas conversas do dia a dia, estas não costumam acontecer à noite. Exato, é mais de manhã, hora de almoço, pronto. Exatamente. Raquel Vareda: Geralmente são ao pequeno almoço. Não. Geralmente são ao pequeno almoço. Ou à hora do almoço, quando almoçamos juntos. Ou quando a tua mãe fica com ela e leva à praia e nós vamos dar uma caminhada. Aconteceu no domingo. Sei. Sei. Juan: Exatamente, exatamente, exatamente. É isso. Mas qual é que é o tema que querias falar hoje? Digamos... Raquel Vareda: Queria falar sobre o que nós estávamos a falar no domingo, na verdade. Juan: Uhum. Raquel Vareda: Sobre insatisfação crónica. Porque acho que é tema interessante e porque... Onde eu estava a falar? Estava a trocar minhas mensagens de voz com uma amiga e ela falou-me, ou seja, espontaneamente, emergiu na conversa que ela sentia uma certa insatisfação crónica com a vida. E nós tínhamos falado sobre isto no domingo, porque eu estava-te a dizer... Eu preciso de mudar alguma coisa na minha... Ou seja, funcionamento mental, porque eu sinto-me cronicamente insatisfeita a cada x de tempo. E depois foi engraçado, porque disse-me isto ontem e pensei... Não sou a única pessoa que sente assim! Juan: Não és toda única pessoa, eu acho que isso é problema que afeta a maior parte das pessoas na nossa cidade. Sobretudo Raquel Vareda: Sim! Juan: depois de teres o privilégio, como nós temos, de ter as coisas básicas asseguradas, é? Comida, teto, pronto, as coisas básicas, não Não estás tipo striving para sobreviver e começas a tentar viver e eu acho que a maior parte das pessoas sente essa insatisfação crónica com a vida na nossa sociedade moderna. Raquel Vareda: Ok, mas então eu quero explicar o que é é a minha insatisfação crónica porque eu acho que também a experiência pode ser subjetiva porque eu já ouvi isto e portanto eu tentei procurar alguns podcasts e hoje de manhã na meu daily walk às 6h30 da manhã estava a tentar encontrar, ou seja, lá está a validação e, sei lá, evidência sobre isto e... Juan: Certo. Raquel Vareda: E há muito sobre o hedonic treadmill e gente já lá vai. Mas depois há muitas pessoas que estão só cronicamente insatisfeitas porque acham que... ou seja, sempre a olhar para os outros ou veem nas redes sociais ou no vizinho, o que quer que seja, e acham que o que eles têm é melhor... ou seja, uma coisa específica, tipo, que eu quero aquele trabalho, eu quero aquela casa, eu quero... pronto, estão sempre cronicamente insatisfeitos com aquilo que têm. A minha sensação não é bem essa, porque... Eu já senti isso, eu já pensei. Por exemplo, profissionalmente, eu já pensei, o que eu preciso é de imigrar, eu preciso ir trabalhar no nível internacional da saúde pública porque este nível local não faz sentido, Portugal não se sabe fazer bem saúde pública, etc. Fui, tive três meses a viver presencialmente Genebra, tive seis meses a colaborar internacionalmente, eu não gostei. Juan: Ha! Serso! Raquel Vareda: Eu não gostei de migrar, ou seja, eu não gostei da experiência, e foram só três meses, mas não gostei mesmo. Eu não gostei do tipo de trabalho que se fazia, eu fiquei com a sensação, ou seja, que viviam todos no campo macro das ideias e que ninguém fazia trabalho na prática, ou seja, eu não gostei. Pronto. E então, Lisboa. E então eu experimentei mais não sei o quê. E depois experimentei mais não sei o quê. E todas as coisas eu achava que, no início, eu fico muito excited porque... me parece a resposta para esta sensação de que o trabalho tem que ser algo mais, ou que eu... Não é bem que eu estou destinada a mais, não é bem isso, é só... Eu estou cronicamente à procura de uma sensação que eu acho, honestamente, que não existe, mas que é uma sensação subjetiva de... ou seja, que a vida é mais do que isto. Juan: uau. Mas isso tem a ver só com o trabalho ou tipo com todas as dimensões da vida? Porque estás a dar o exemplo do trabalho. Raquel Vareda: Não, não, não, é que isto não tem... Isto tem a ver com todos os... Eu estou a dar exemplo do trabalho, mas podemos pegar exemplo... Imagina, nós já vivemos Lisboa, vivemos Aveiro, vivemos Évora, agora vivemos Lagos, eu já vivi no estrangeiro... E eu não estou satisfeita com nenhuma. Ou seja, no Juan: Ok, ok, mas... Raquel Vareda: primeiro seis meses, primeiro ano, eu acho que é tipo inacreditável. E depois, make wares off, ou seja, dissipa-se a magia... E eu fico tipo... Há de haver algo mais. Tem que haver algo mais. Juan: Ok, ok, ok. Isso é interessante, mas isso não tiver que haver algo mais. Será que o que falta é tu perceberes que afinal não tem que haver algo mais, que está tudo ok assim? Que é tipo, já chegaste, já chega. Raquel Vareda: Eu sei! Ou seja... Mas então... Mas então... E é aqui que entra a hedonic treadmill. Eu não sei se vocês conhecem este conceito. Como é que eu digo isto português? Passadeira hedónica? Passadeira... Sim... Juan: Olha, é como se fosse... é que essa passadeira não é bem passadeira porque é tipo aquela coisa onde correm os hamsters, estás a ver que está sempre a andar, não? Ou não? Não é bem isso, não é? Raquel Vareda: Sim, não é bem isso, não, é mesmo uma... É tipo edónic treadmill, quando está a subir. É tipo a passadeira Juan: Sim! Raquel Vareda: no nível 10 de inclinação, malta. Estão a ver? Exato. E... Exato. Ok, exato. Vão googlar edónic treadmill. Pronto. Juan: Certo, exato. A Passadeira do Prazer no nível 10. Isso assim soa mais filme pornográfico, desculpem. Exato. Não googlem Passadeira do Prazer nível 10 porque podem ter resultados... Raquel Vareda: Ai, este termo é dos anos 70 de grupo de psicólogos que eu, honestamente, não lembro o nome, não, perdoem-me. Mas no fundo, Juan: Sei. Raquel Vareda: ou seja, é conceito de que nós vamos sempre regressar a estado basal que é mais ou menos neutro. estado basal tipo emocional. Independentemente Juan: Certo. Raquel Vareda: de existirem, ou seja, major ou tipo, ou seja, independentemente dos eventos muito, tipo, positivos ou negativos na nossa vida, ao longo do Juan: Uhum. Raquel Vareda: tempo nós vamos regressar a esse estado basal. E... Juan: Ou seja, na prática isto é, tens emprego novo, por exemplo ganhas mais dinheiro ou é emprego que tu gostas mais, ficas mais contente, estás mais satisfeito com a tua vida nesse momento, estás emocionado Raquel Vareda: Excitado, canto. Juan: e depois passado tempo estabiliza outra vez e na verdade voltas a sentir-te igual ao que sentias antes de ter esse emprego novo. Raquel Vareda: Exatamente. A ideia é essa. Sim, Juan: E isto aplica-se a tudo. Raquel Vareda: isto aplica-se a tudo. Isto é a biológica. assim que nós, definição... Não é que nós, definição, como seres humanos sejamos criaturas insatisfeitas, porque acho que inúmeros cientistas, psicólogos, que gostam deste tema e gostavam de saber mais. O Hidden Brain, que podcast, tem muitos episódios sobre a adónica treadmill. Juan: Certo? Raquel Vareda: e o que fazer relativamente a isto. Mas, ou seja, aceitar o nível basal emocional neutro como nível positivo, pronto. Mas isto relaciona-se muito também com o... como é eles o chamam? Dopamintrap. Como é que se chama isto português? Juan: Ok. A armadilha da dopamina, sinceramente, não sai. Não sei se tem uma tradução. Raquel Vareda: Não, mas eles têm chamado outra coisa a qualquer bocado às redes sociais. Então, sempre a falar dos hits de dopamina e que estamos viciados dopamina, etc. Pronto. É Juan: Pois. Raquel Vareda: isso aí. Eu tenho bocado pé de pivo com isto, porque não é assim que a dopamina funciona, coitada do neurotransmitor. Pobrezinho. Juan: Certo. Raquel Vareda: Pronto. Até porque a dopamina não é uma hormona do prazer. Não, é que eles estão relacionados. Era por isso que eu ia introduzir, Juan: Mas olha lá, mas isso é outro tema porque é do género... certo, exato. Raquel Vareda: eles estão relacionados. Por quê? Porque lá está, a gente tem trabalho novo. estamos a planear ter trabalho novo. Estamos a planear mudar de casa, estamos a planear mudar de cidade. E aí que entra a dopamina. A dopamina não é bem uma hormona do prazer. A dopamina é a hormona da antecipação. Seja uma antecipação de uma coisa muito boa ou uma antecipação de uma coisa muito má, na verdade. Mas, mas, pronto, ou seja, uma hormona de antecipação e de motivação. E, portanto, é... Não só, isto é tudo mix de neurotransmissores. Juan: cocktail. Raquel Vareda: Mas, exatamente, cocktail de neurotransmissores. no fundo estas duas coisas juntam-se, é... Temos, basalmente no nosso cérebro, esta definição, vou-lhe chamar assim, de que... Vai tudo, ou vai para baixo muito, ou vai para cima, mas ao longo do tempo volta rapidamente, quebe rapidamente a estado basal, independentemente de ganharmos euro a milhões ou, ou seja, temos evento muito negativo na nossa vida, a ideia é que volta a estado basal, a não ser que, pronto, tínhamos alguma patologia, tipo uma síndrome pressiva e aí não volta ao estado basal, não é? Mas aí Juan: Certo. Raquel Vareda: há imbalance químico no nosso cérebro, pronto. E... Este, ou seja, particularmente a parte positiva é muito ajudada pela dopamina e pelos outros neurotransmissores que quando vamos fazer uma mudança e mudar de cidade, trabalho, que seja, aumentam num... não é bem pico, mas pronto, e dão-nos este estado lá está de pico, de felicidade, de antecipação, de emoção, de motivação, Juan: satisfação. Raquel Vareda: de satisfação. E depois volta tudo. Na verdade, depois do pique da dopamina, não volta à base, vai bocadinho abaixo. E, portanto, há tipo uma slope antes de voltar à Juan: deep. Raquel Vareda: base, há dip antes de voltar à base. Sim, é porque é ou seja, Juan: É pêndulo. Raquel Vareda: é pêndulo. Tem que voltar bocadinho mais... foi muito acima, tem que voltar abaixo para voltar ao meio. Juan: pensar. Raquel Vareda: Exatamente. E por isso é que nós também nos sentimos bocadinho deprimidos no final das férias, por exemplo. Juan: certo. Raquel Vareda: Mas tudo isto para dizer que... Eu acho que o problema de mim e de muitas outras pessoas, porque eu acho que não estou sozinha nisto, é... Juan: o problema de mim, acho que o meu problema. Sim. Raquel Vareda: Não sei falar português. meu problema, que eu espero que seja validado por muitas pessoas, pelo menos por uma eu já conheço, é que... Exatamente, Juan: Apenas uma amiga já validou o teu problema, já é bom. Raquel Vareda: já me sinto validada. Não interessa o que pensam. É que esse estado neutro basal parece insuficiente. Tipo, parece não é suficiente para a experiência humana. Tipo... Juan: Ok, ok, interessante. Mas esses... Raquel Vareda: Ou seja, eu estou meio convencida que a experiência humana deve ser algo mais. Juan: Mas esse estado neutro basal deve ser diferente várias pessoas, não é? Ou seja, sem entrar no patológico, na pessoa que tem uma doença, tem depressão, exemplo, há pessoas Raquel Vareda: Sim, exato, sim, sim, sim, Não, sim, claro que sim. Juan: que no seu estado basal são muito mais felizes ou satisfeitas ou contentes do que outras, certo? Raquel Vareda: Ou é, se calhar. Sim. Mas imagina, não é que eu me sinta descontente Juan: infeliz. Raquel Vareda: ou infeliz ou triste e quando me perguntam, objetivamente, se sei lá, gostas do teu trabalho, até gosto, eu gosto de ser medicação pública. Gostas da tua Juan: Certo. Raquel Vareda: família, gosto, gostas da tua vida, gosto. Sei lá, se me perguntam coisas concretas, eu tenho dificuldade dizer o que é que eu não gosto. Juan: Mas, tens que deveria haver algo mais. Raquel Vareda: Mas eu, ou seja, e eu tenho sempre esta sensação que lá está, que me motiva depois a cada dois anos eu que me dar de casa e de cidade e de planeta e de Juan: Já não vai acontecer daqui dois anos, certeza. Raquel Vareda: planeta e de trabalho e de tudo que é a minha sensação... Juan: Ok, mas... Mas é... Isto já... Então, para explicar às pessoas o que sentem é... É isso. É som. Raquel Vareda: O pai do existen... Exato! O pai do... O pai do existencialismo. É o Kierkegaard. O filósofo. Kierkegaard, desculpa. Exato. Juan: não, quem é que é o pai do existencialismo, por favor? Ok, Kyrgyzstan, sim, grande maluco, ok. Raquel Vareda: Ele, ou seja, tem uma expressão que eu não sei como é que se diz português, porque isto já foi traduzido. Ele era aqui Norwego, este suéco. Uma coisa assim. E há... Sim. Juan: Era qualquer coisa assim o alemão? Não sei, pronto. Raquel Vareda: Isto foi traduzido como a Dizziness of Freedom. Juan: isso era... Sim, sim, sim, sim. Era teres demasiadas opções possíveis e ficas tipo como se fosse nauseado com as escolhas todas que tens e não consegues tomar nenhuma escolha, né? Raquel Vareda: Sim, ele escreveu... Exatamente. Se vocês conhecem algum trabalho do Kirk Guard, estou a assasinar nome do senhor certamente, ele escreveu extensivamente sobre isto e no fundo ele escreveu bocadinho sobre esta... ou seja, lá está aquilo, que é a origem... da nossa insatisfação com a população humana, mas não só a insatisfação, ele depois mistura muita ansiedade também, Juan: certo Raquel Vareda: mas que a origem era, ou seja, lá está o número de escolhas que nós temos. Quando tens Juan: Ok, ok. Raquel Vareda: a possibilidade de viver qualquer lado ou fazer qualquer coisa, é de começar a ser, exato, a percepção, porque nós Juan: ou pelo menos a processão de que tem essa possibilidade. Raquel Vareda: não temos, é? Mas a percepção de que temos isso, ele fala sobre nós estarmos a ser constantemente assombrados no fundo por todas as possibilidades que nós teríamos de viver a nossa vida. Ou seja... Juan: Certo. Raquel Vareda: Eu... Eu às vezes acho que estou paz com... não ter feito uma carreira internacional ou ter-nos mudado para o Algarve e não nos termos mudado para... É que tantos sítios que nós nos podíamos ter mudado. Juan: porque as opções são, na prática, virtualmente infinitas. Raquel Vareda: Elas são... exato, não são ilimitadas, mas é como se fossem, porque são várias. Juan: Mas é como se fossem, porque imagina opções de sítios... Não, são imagina opções de sítios para viver, por exemplo. na teoria são infinitas, é? Tipo, qualquer cidade do mundo, poderias teoricamente viver lá. Na prática, não conseguias viver qualquer cidade do mundo. Mas mesmo que só tivesse 10 opções de sítio para construir uma vida com o teu marido e os teus filhos e comprar uma casa, podias ter só 10, é como se fossem infinitas porque tu só consegues escolher uma. Tu não tens vida suficiente para dizer vou assentar Raquel Vareda: e Zot! Juan: aqui, comprar uma casa, fazer uma carreira e viver lagos. Mas vou fazer isso também Lisboa e no Porto e Berlim e Tóquio. Não consegues, tens que escolher uma. consegues fazer uma, se calhar duas ao longo da tua vida, percebes? E portanto, para mim sempre foi curiosa essa ansiedade da escolha do Kyrgyzgaard Raquel Vareda: Ok. Juan: porque imagina, não precisas mesmo de ter a escolha tipo possível, basta a percepção de que tens muitas escolhas que já causa essa disiness, confusão, Raquel Vareda: Exato. Sim. Sim. Juan: é? Raquel Vareda: Sim. Mas é, ou seja, eu nem sequer... É que eu não penso nisto conscientemente no dia... Quando eu... Mesmo do género, é difícil de explicar porque lá está. Eu não penso conscientemente, eu não sei que algum influencer esteja a passear Bali e eu digo a meu Deus está toda a gente Bali. Porque aqui eu não estou Bali. Juan: Certo? Raquel Vareda: Eu não penso conscientemente no género, criar a casa daquela pessoa, criar aquela vida, ou aquele trabalho, ou o que quer que seja. Não digo nem penso conscientemente nisso. Nem estou a pensar conscientemente, devíamos... Ou seja, o que é teria acontecido se tivéssemos decidido ir para Maputo? Não... Eu não penso conscientemente Juan: Certo? Raquel Vareda: nisso, mas realmente... Se calhar está no nosso inconsciente. Freud tinha razão. Juan: Eu acho que há uma grande parte disso que é subjetivo e é interno. é nós temos que digamos, examinar a nós próprios, fazer introspecção, ok? E perceber se estamos satisfeitos com o que temos ou não. Porque às vezes eu acho que... Estamos apenas à distância de nos examinarmos e de decidirmos que estamos satisfeitos, de de facto estarmos satisfeitos. Ou seja, imagina, Raquel Vareda: Oi! Juan: se calhar se pensares no que é que sucesso na vida para ti, se calhar tu já tens o sucesso que querias, tu já tens o que precisavas e se calhar há Raquel Vareda: Sim, eu sei, eu já... Juan: influências externas que te fazem sentir determinados momentos que se calhar não, mas não precisavas de mais nada, percebes? Raquel Vareda: Eu já fiz... Eu sei, eu já fiz essa... Eu já fiz muito journaling sobre isto. Até já Juan: Ahahah, ok, imagina. Raquel Vareda: trouxe isto para psicoterapia. Mas eu... No meu dia a dia, eu sinto falta dessa... Eu tenho que arranjar outras formas de arranjar esta sensação de antecipação, excitação e motivação. Porque eu sinto falta, no dia a dia, de sentir mais do que o basal. Juan: Certo, mas imagina, a experiência humana é o tudo, não é? É o basal mais os altos e baixos. Raquel Vareda: Ou seja, o que estás a dizer é essa. Aceptar o basal, sim. Sabes que existe livro, eu ainda não o li, mas existe recente que é as 4000 Weeks. Não sei se já ouviu isto de falar. Sim, Juan: sei qual é, mas não nunca ouvi. Raquel Vareda: que é 4000 semanas. é exatamente... Eu sei que é porque já li o prefácio e já vi mencionado Juan: certo. Raquel Vareda: por várias pessoas e podcasts e afins. É sobre... O autor acha que isto é uma ilusão moderna, de que lá está, nós temos que encontrar o emprego perfeito e ter o life hack perfeito e estar na localização certa e só depois então vamos chegar a estado de fulfillment, de satisfação completa. Eu sei, Juan: certo mas isso não existe esse estado não existe Raquel Vareda: eu acho que o livro deve ir por aí. E supostamente Juan: Certo. Raquel Vareda: o livro ajuda-te a aceitares a satisfação que tens atualmente. Eu tenho que de Juan: Claramente tu precisas de ler esse livro. A questão não é aceitar a satisfação que tens atualmente. A questão é, imagina, eu li isto num artigo na semana passada, li artigo no Substax sobre este tema especificamente e o rapariga argumentava Raquel Vareda: Ok. Juan: que a nossa definição de sucesso, ou seja, sucesso é definido internamente e subjetivamente. Ou seja, se eu definir para mim que sucesso na vida, ou seja, onde eu queria chegar, é... lá está, ter emprego estável, ter a minha esposa, filhos, família por perto e viver num sítio perto da praia, vamos imaginar, pode ser o que eu quiser, não é? Então eu já tenho sucesso, eu já cheguei onde tinha que chegar e estou a viver a minha vida e pronto, ok? Não é preciso estar a querer mais nada. E eu acho que muitas vezes nós estamos sujeitos a uma definição de sucesso externa e que vem, nem sempre vem, atenção, muitas vezes para muita gente, se calhar para ti não, mas para muita gente, isto vem imposto diretamente do g, o influencer está a a sua casa e isso faz-te pensar, epa, eu também devia ter uma casa assim, eu também devia estar Bali. Mas muitas vezes vem até indiretamente que é a outra pessoa mostra-se satisfeita ou aparentemente satisfeita por ter uma carreira internacional e faz-nos a nós questionar novamente se nossa opção de carreira a nível local faz sentido ou não, se estamos mesmo satisfeitos com isso. E vai outra vez mexer na nossa definição de sucesso. Mas eu acho que se nós examinarmos bem e decidirmos o que nós queremos como sucesso... Acho que podemos ter essa satisfação com aquilo que temos. Raquel Vareda: Eu acho que tens razão. Juan: Está ao nosso alcance, é que eu quero dizer, não estou a que é fácil, mas eu acho que está ao nosso alcance. Raquel Vareda: Eu acho que tens... não, não. Eu acho que tens razão. Eu acho que estou só a tentar tocar numa coisa bocadinho mais... não sei se é primitiva... ou primordial... que é a sensação subjetiva que nós experienciamos, ou seja, internamente, quando temos esse sucesso. Eu acho que o meu problema... pronto, eu acho que o meu problema é... Juan: que é basal, Raquel Vareda: e isto sim, eu acho que pode ter sido condicionado externamente... Eu acho que o meu problema é que eu acho que essa sensação de sucesso basal deveria ser mais, deveria sentir-se mais do que aquilo que factualmente, objetivamente, quer dizer, tão objetivo quanto a minha experiência, não é subjetiva, eu Juan: Sim, claro. Raquel Vareda: sinto. Eu vou dar exemplo simples, que é... Sabes quando estás num café ou num restaurante, e a mesa ao lazo está grupo de amigos e parecem super animados e felizes a conversar? Juan: Ok. Raquel Vareda: Eu não tive nesta situação, estou só a imaginar. Juan: Sim. Raquel Vareda: Há uma sensação de... não é de fã, mas é de... Eu quando sou com o meu grupo de amigos não sinto aquilo. estão... ou seja, isto acontece bocado nos anúncios, que é do género, parece que as outras pessoas quando estão nessa experiência estão a sentir-se mais felizes, têm conversas mais interessantes, o que quer que seja, do que eu, porque eu tenho muitas dessas experiências, ou seja, eu vou jantar com amigas e... Não é que... Imaginem, não é que eu estou no jantar a pensar, isto não é exatamente o que eu... Não é isso, mas... Juan: é isso. Raquel Vareda: Parece que me venderam ao longo... A culpa é do marketing, claramente... Me venderam Juan: Claro, claro. Raquel Vareda: ao longo do meu crescimento uma ideia de que era muito mais divertido fazer a Girls Night, Girls Trip e o que quer que seja do que aquilo que actualmente é. Porque é que acontece na prática? Eu já falei sobre isso com várias pessoas também. Eu acho que toda a gente se vai identificar. Há uma que está ansiosa com não sei o quê, depois outra está a pensar que a comida não era tão boa, outra está a pensar que o dinheiro não sei o outra está a pensar que está mais gorda e não devia comer. Juan: Fica normal, claro. Raquel Vareda: Exato, não devia comer sobremesa. E depois vão na Girl's Tip, mas alguém fica bocado coiso porque não queria na verdade ir ali, outra pessoa queria ver aquela loja mas depois não viu a loja. depois, imagina, alguém está a discutir com o namorado ao mesmo tempo e então é de género. Aquilo que aparece na foto e aquilo que aparece no anúncio, tipo, experiência que vendem fica à quem da experiência? A experiência Juan: Ok, mas eu... Eu começava... Amor, isso... O que tu estás a dizer é óbvio. Raquel Vareda: real fica à quem da experiência que vendem? Juan: Mas isso é óbvio, mas imagina, eu diria duas coisas sobre isso. Primeiro, vamos transformar isto numa consulta de psicoterapia público, mas atenção que eu não sou psicólogo, não é? primeiro lugar, é óbvio que te estão a vender algo falso, ou seja, todos os anúncios estão a vender-te algo falso, porque o objetivo do anúncio não é Raquel Vareda: Eu sei! Juan: vendê-te a realidade, não é? O objetivo do anúncio é que tu compres ou gastes dinheiro ou fazer de sentido que tu precisas de alguma coisa. Portanto, o marketing é no fundo... convencer as pessoas que precisam de alguma coisa que Raquel Vareda: a Juan: na maior parte dos casos na nossa sociedade atual não precisam, Portanto é óbvio que te estão a vender e é enorme, ou seja, acho que temos que aceitar que a experiência real das coisas... quase nunca vai corresponder àquilo que correspondem os anúncios. Mas também a experiência real das coisas quase nunca corresponde ao vigilúmbre que nós temos momentâneo da experiência real das coisas para outras pessoas. Quando nós vemos grupo de amigos a jantar durante dois minutos, passam-nos o olhar ou vemos casal a passar ou vemos uma stories de numa viagem Bali. Isso é pequeno vigilúmbre que não representa a realidade dessa pessoa. A pessoa até pode ter estado miserável Bali durante duas semanas e depois fez uma story boa e fixe. Obviamente não é isso, isso é exagerado, mas percebes, Ou seja, a pessoa que está Bali também tem comichão porque o mosquito a picou e Raquel Vareda: Mas é muito... mas a realidade é altamente complexa. Exato. Juan: também ficou chateada, se calhar, com familiar qualquer durante a viagem ou se calhar, tipo, depois de fazer essa story, foi fazer cocó. Percebes? Portanto, a pessoa que está Bali também senta na sanita e faz cocó. Se calhar, ou seja, a vida normal é igual para toda a gente. Toda a gente tem mesma sensação. E imagina, e é engraçado, o Yuvalo... Noa Harari falava disto no livro do Homo Sapiens, que era comparar, por exemplo, o homem moderno que está num arranha-céus qualquer e de repente percebe que as ações subiram de valor e ganhou não sei quantos milhões de euros e tem ali hit de lá está de satisfação ou quer que seja, é? Que é igual ao que sentiu provavelmente homem das cavernas que estava a passear e encontrou uma fruta que podia comer e tinha fome naquele momento, ok? Que é igual ao que tu e eu sentimos se calhar com algo no meio dessas duas coisas. Na verdade, no fundo, ninguém... ou seja, nós olhamos para as outras pessoas e às vezes íamos imaginamos experiências mais elevadas que a nossa, mas elas não são só pessoas, figuring out a terem uma experiência igualzinha à nossa, lá dentro. Cá fora é que nós não conseguimos ver isso. Portanto, o que tu estás a descrever do teu grupo de amigos e da tua experiência real é provavelmente o que a maior parte das pessoas sente. Só que cada de nós olha para os outros e pensa, aquele é que deve estar a ter uma experiência. Mas eu acho que isto na verdade volta-se ligar ao tópico que eu estava a falar que é, no final do dia, se tu conseguíses definir sucesso e satisfação como algo interno e subjetivo, aquilo que tu queres, Raquel Vareda: Uhum. Juan: se calhar o veres os outros a terem outras experiências pode não ser tão... Raquel Vareda: Mas é que eu já nem sequer estou no ponto, lá está, eu sinto que já experimentei várias coisas. Eu já nem sequer estou no ponto de cobiçar a experiência, ou seja, cobiçar aquilo que os outros têm. Exato, eu já não... ou seja... Exato! É que eu já nem... ou seja, eu já acho que toda Juan: Sim, não é cobiçada, é questionar-se a tua experiência, o que há. Mas eu posso te dar já a resposta, a tua experiência... Raquel Vareda: a gente tem experiências neutras e tristes, percebes? Eu já nem sequer acho... Exato, Juan: Sim, mas isso é o que há. Raquel Vareda: eu já nem sequer acho que as outras pessoas têm melhores experiências. Agora já é questionamento, tipo auto questionamento Juan: Mas atenção... Raquel Vareda: filosófico de... É só isto a vida? Juan: Sim, Thomas eu vou já dar a resposta neste podcast. Raramente temos respostas certas neste podcast, Raquel Vareda: E aí Juan: mas agora temos. Sim, a vida é só isto. Fica já dito. A vida é, ou seja, experiência humana que nós temos na sua totalidade. Raquel Vareda: Isso é uma merda! Juan: Não é nada, não é nada. Ovo, a questão aqui é, imagina, quando tu aceitas, Raquel Vareda: Não é não! Eu sei que não, mas tipo... Juan: se tu aceitares que a vida é só isto, acho que dá muito mais espaço, paradoxicamente falando, para que a vida seja mais do que isto. Ou seja, imagina... Quando tu estás a pensar a vida não deve ser só isto ou eu na verdade não estou onde queria estar eu estou... deixa-me só dizer quando tu estás Raquel Vareda: Sabe o que eu dou por mim? Juan: a pensar a vida não é só isto eu na verdade estou a preparar-me para dia viver a minha vida ou estou a preparar-me para dia estar mais satisfeito ou estou a preparar-me para dia conseguir aquilo que quero e chegar onde quero chegar quando uma pessoa está nesse mindset na verdade não estás a apreciar completamente e plenamente aquilo que tens no momento e se uma pessoa consegue largar esse mindset não é fácil, mas se uma pessoa conseguir largar o mindset que estamos a preparar-nos para, ou que vamos futuro fazer, ou o que quer que seja, afinal então a vida é só isto, e tu consegues desfrutar mais aquilo que é isto. Ok? Que é a totalidade da experiência, Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim. Juan: os bons, os maus e os momentos neutros que tu tavas a falar fazem todos parte, mas a vida é a totalidade disso, e então na prática imagina aquela ida à praia com os amigos naquele fim de semana... Já não foi só uma ida à praia normal, foi uma ida à praia brutal, porque não há mais nada na vida sem ser essa ida à praia. Não há uma ida à praia idílica melhor do que essa, o que há é só isso. Eu fui à praia com os meus amigos, tipo no fim de semana passado, e adorei, fantástico, percebes? E se eu estivesse, se calhar, numa de... mas eu ainda não estou bem onde queria estar, se calhar não teria tido tempo para apreciar a minha ida à praia com os amigos, que foi só uma ida à praia, atenção malta, andamos 40 minutos a pé para chegar a uma praia meio esquisita e esquecemos dos batatas fritas. E portanto, eu acho que subjetivamente uma pessoa podia ter dito experiência que tiveste na praia que péssimo, mas não, eu adorei ir à praia com os meus amigos. Raquel Vareda: Sim, sim. Eu acho que uma coisa que me limita bocadinho na participação emocional das experiências é que, eu estou ativamente à procura de experiências e de sentir alguma coisa nova, ou seja, emocionante, Eu acho que lá está, coloco uma expectativa às vezes algumas experiências que depois não é real, porque elas são só tipo ir à praia com as amigas, é só ir à praia com as amigas, não é? Eu sei, não, é só... Não, eu sei! Mas imagina, Juan: Amor, mas é só. É perfeito. É só o que tem que ser. Raquel Vareda: exatamente, é só o que tem que ser, não tem que ser mais do que isso. Mas na verdade, o que... Quando eu não coloco expectativa nenhuma... Como por exemplo nós no outro dia fomos... Tínhamos planeado ir ver o eclipse, mas depois não planeámos... Ou seja, eu também ia ficar com ela à noite e nós fomos ver o eclipse e depois pensámos, vamos jantar. Depois pensámos, vamos ao cinema. E, ou seja, Juan: E é Raquel Vareda: exato, e o facto de não ter sido planeado. Eu não tinha qualquer expectativa para além de ver o eclipse, mas honestamente nem sabia bem o que é que ver, porque estosei de Juan: Sim, sim. Raquel Vareda: vi zero, não sabia... Pronto, nem sequer sabia como que funcionavam os óculos. Pronto. Juan: Serts. Raquel Vareda: E achei... Não, eu não sabia que ele ficava completamente escuro. E achei... Sim, e achei super fixe que Juan: E achaste uma noite fantástica, foi? Porque foi, amor? Raquel Vareda: os óculos ficavam completamente escuro e depois só vias ali pedacinho do sol e da lua. Juan: Mas eu acho que isso é exemplo perfeito de como estavas presente e aceitavas a situação atual e portanto desfrutaste. Raquel Vareda: Exatamente, Pronto, mas eu acho que... Eu sei, eu estou só chegar à conclusão, porque eu já tinha chegado na verdade antes, Mas já cheguei várias vezes na minha vida que o problema, exatamente agora Juan: mas agora público, podcast. Raquel Vareda: público, que o meu problema muitas vezes é também, ou seja, que eu procuro demasiado essa sensação. Quando ela... Juan: Espera, mas qual a sensação? Raquel Vareda: A sensação de entusiasmo e, ou seja, de deslumbramento com a vida. Juan: Ok, mas isso é engraçado, engraçado. Porque lá está, o exemplo que tu estás a dar é exe... Menos encontras, não é? É isso, é que o exemplo que tu estás a dar é Raquel Vareda: E quanto mais eu procuro... Não, e quanto mais eu menos encontro! Juan: exemplo de... Eu não procurei essa sensação, portanto fui fazer plano com o meu marido sem planear nada, não tinha nenhuma expectativa, e portanto estive deslumbrada com coisas tão simples como os óculos do eclipse, que são só uma coisa escura que tens na cara e não se vê nada sem ser a bolinha que Raquel Vareda: E Juan: está lá ao fundo, percebes? Tipo, imagina... Atenção, eu estive deslumbrado com isso... Raquel Vareda: Mas é fofixo! Juan: Eu estive deslumbrado com isso, eu virei-me para ti durante o eclipse, lembras-te disso? Amor, acho que isto nos faz pensar sobre a nossa posição no universo, certo? A maior parte das pessoas estava a tirar fotos com o telemóvel. Havia lá pessoal a ver o... Pronto, Raquel Vareda: Exato, Maltei! Pronto, e pensei isto. Exato. E nós estávamos a falar... E nós estávamos a falar sobre a nossa posição no universo. Juan: percebes? Estávamos, digamos, deslumbrados com uma coisa relativamente Raquel Vareda: Então... Juan: normal, é Pronto, ou relativamente... Raquel Vareda: Esse é o fenômeno. Juan: Bom, é Sim, ok, mas imagina amor, havia lá pessoas a tirar vídeo com o telemóvel através dos óculos ou whatever, que nem estavam nem aí, ok? Havia lá pessoas que estavam ver o eclipse sem óculos, atenção que... Pronto, isso é todo outro tema, mas impressionante. Portanto, Raquel Vareda: Sim. Juan: havia malta que não estava nem aí, estavam na mesma situação que nós. E tu e eu estávamos deslumbrados que universo ia pensar na nossa posição no universo. E não tínhamos planeado nada daquilo. Eu já li... Raquel Vareda: Sim. Sim. E portanto, as lições deste podcast é não planeiem a vida. Juan: Não é não planeia a vida, mas imagina, Raquel Vareda: É isso aí. Juan: há alguns textos budistas que eu já li que diziam que a única fonte de sofrimento para o ser humano é a diferença entre expectativa e realidade. Na prática todo o sofrimento vem daí. Ou seja, para ti não conseguir algo que tu querias é sofrimento porque tu querias. Porque se tu não quisesse não era sofrimento, não é? Obviamente Raquel Vareda: Uhum. Juan: não estou a aqui que vamos ser todos monges budistas, tipo super mentalmente... peculiar, mas na verdade acho que é bocadinho verdade isso, seja, acho que é aqui tentarmos encontrar o balanço entre, claro que nós podemos querer e ter ambição e querer mudar coisas na nossa Raquel Vareda: Uhum. Juan: vida, mas ao mesmo tempo são as expectativas de ter algo diferente da realidade que nos fazem sentir esse sofrimento, não é? Raquel Vareda: Exatamente. Pronto, espero que tenham retirado alguma coisa de valor desta conversa e nos vemos para a semana. Juan: Quer dizer, eu não teria vindo-nos para a semana, digo, vemos-nos no próximo episódio. saberemos... Vai causar insatisfação Raquel Vareda: Estou a tentar comprometermos, estou a comprometermos. Juan: nas pessoas estiverem com expectativa de que vai ser na próxima semana e depois não for. Vemo-nos no próximo episódio. Raquel Vareda: Bom resto de gosto, Malta. Beijos. Juan: Tchau, tchau, Mata!