Juan: Só vou tocar no teclado mesmo para mudar o papel à Raquel Vareda: Olá, boa noite! ⁓ a mais ⁓ episódio deste podcast. ⁓ Juan: Olá, boa noite. Que agora se tornou num late night show, porque estamos sempre a gravar à noite, não é? Raquel Vareda: Eu não tenho tempo para gravar podcast às 10h15h. Nós estamos a gravar esta podcast às 10h15h e o meu cérebro não funciona da mesma forma. A minha hora de dormir é às 21h30h. Por caso não é. Ou seja, devia ser. Essa era a hora a que eu devia estar a dormir. Essa era a hora que eu estava a terminar de adormecer a minha filha. Eu devia ter ficado a dormir com ela. Juan: Ahahahah se você não é. Não é, mas é a hora que te pedesse dormir. Exato. É a hora que te pedia dormir, se pudesses dormias. Raquel Vareda: se pudesse dormir definitivamente. Mas... Não é? Juan: às 9h30, pois por isso esperem ⁓ episódio menos interessante ou mais interessante, já estamos fora da hora de... Raquel Vareda: com menos filtros, eu hoje já estou com poucos filtros, portanto, eu hoje estou ⁓ bocado chateada. Juan: ⁓ Ok, pode explicar-nos porquê que estás chateada, por favor. Espero que não seja comigo. Vou fazer aqui terapia de casal. Não, por favor, não, por favor, não. Explica-nos porquê que estava chateada e porquê que não era eu. Raquel Vareda: Não te metas no caminho, olha que eu consegui rejeitar qualquer coisa. Eu não sei, eu acordei só... Eu acordei ⁓ bocado chateada e depois só, ou seja, foi continuando a degradar o meu dia ao longo do tempo. Eu abri as redes sociais e o meu dia degradou. Novamente. Juan: Ou seja, tu acordaste já... O teu erro foi esse amor, abriste as redes sociais. Não devias ter aberto as redes sociais. Esse foi o erro. Raquel Vareda: É, eu ⁓ vez de fazer ⁓ agosto off eu devia ter feito só ⁓ mês ⁓ tipo ⁓ verão inteiro off das redes sociais. quem não sabe eu costumo tirar agosto de férias das redes sociais, ficar mesmo off. Eu devia ter começado ⁓ julho. Porquê que eu me estou, exato, porquê que eu me estou aqui a chatear com pessoas que estão a discutir artigos não científicos que já foram debunked há tipo 15 anos atrás. Juan: Eu gosto offline. Raquel Vareda: Quer dizer, há 15 anos atrás. Nós temos artigos há 30 anos atrás que já foram mil vezes explicados porque é que estão errados e mesmo assim nós continuamos a falar sobre eles. Namely, ou seja, estou a falar do autismo neste caso. pronto, autismo e as vacinas. É sempre as vacinas e qualquer coisa. Eu não vejo ninguém a dizer. Então mas o Ozempic, o Monjaro não são tão recentes. Eu não vejo ninguém a queixar-se do quão recentes. Exato, ninguém. Eu não vi ninguém. Juan: Vau! É assim. Isatum... Isatum. Não, porque pessoal quer emagrecer, amor. Assis. Raquel Vareda: a chatear-se porque o monjaro surgiu de ⁓ dia para o outro. Primeiro não havia nenhum, agora existem 10, mas eu não vi ninguém a queixar-se. Eu não vi ninguém a queixar-se. Não é? Mas as vacinas que existem desde... Sei lá, 1800... Não é 1800, ok? Pronto, não é 1800. Juan: Achas, achas? Eu já vi literalmente as mesmas... Olha, eu já vi literalmente as mesmas pessoas a questionarem-me na altura. Olha lá, o Juan, isto, pah, estas vacinas do Covid, isto é novo, ⁓ gajo pode fazer aquilo com segurança, podemos, não podemos? E essas mesmas pessoas a perguntar-me pelo OZEMPIC? as mesmas pessoas a perguntar-me se as vacinas não eram nozadas novas e depois a perguntar-me sobre o azempique, mas não perguntarem-me se era demasiado novo, perguntarem-me do género. Mas isto emagrece mesmo do género, porque se emagrece eu vou tomar já, estás a ver? ⁓ Tipo, não há hesitação possível, ⁓ só confirmar. ⁓ Exato. ⁓ Raquel Vareda: Para emagrecer é na boa, para emagrecer é na boa. Mas para vacinar... ⁓ mas pronto, estou chateada hoje. Com a vida, não sei, no geral. Juan: Tu já estava chateada, é? Quando acordaste. E as redes sociais deram-te mais motivos para confirmar esse mudo. Raquel Vareda: Eu estava chateada quando acordei porque eu estava a sonhar e estava a ter ⁓ bom sonho. Eu já não me lembro o quê porque típico sonho 5 segundos depois de acordar já não me lembro. Mas eu estava a ter ⁓ bom sonho e acordei. Depois eu acordei às 6h30 da manhã. Óbara, ou seja, óbara própria. Isto foi auto-infligido porque eu queria ir treinar. E depois tentei ir correr. E depois começou a doer a barriga. Então corri 5 minutos e depois caminhei. E depois estava a pensar... Juan: ⁓ dia difícil mesmo. Raquel Vareda: Porque raio é que eu fui caminhar e correr, porque é que eu não fui ao ginásio? O que é que eu estou a a minha vida? E depois cheguei a casa, e depois achava, não, ok, vá, vou para casa, ainda são 7h20, vou tomar ⁓ banho tranquilo, porque a Julieta ainda vai dormir até às 8h. Não, cheguei a casa, estava acordada, estava acordada, malta, o que é que aconteceu? O que é que aconteceu? É que eu tomei banho com ela, aos berros, tipo... Mãe, mãe, eu quero colo! Ela não estava dizendo isso de forma literal porque ela ainda não fala assim, não é, Malta? Mas... Estava dizendo, a bater no ducho... estava tipo... A mãe é muito rápida, filha! A mãe está só acabado de tomar o ducho! mãe está só acabado de tomar o ducho! O Rômulo passou lá duas vezes... Exato, o Rômulo passou lá duas vezes tipo... Queres vir? Queres vir? E ela, aos berros... Não! Não! Juan: Não estava a dar a entender. Manhã terrível. minha defesa, o marido estava a preparar ⁓ pequeno almoço para a família. E Não, não, imaginei. Eu estava aí cá embaixo a fazer o pequeno almoço para que a família pudesse depois progredir para a próxima fase, tomar o pequeno almoço rápido e a Raquel ir para o trabalho e levar a bebê à crèche e por duas vezes tipo deixar os ovos estrelados a fazer e fui lá cima porque pensei, ela está a borrar alguma coisa, se passa eu fui lá ver e era só tipo a Raquel a tomar banho e a bebê a borrar que queria entrar no duxo e então até fui lá confirmar duas vezes. Raquel Vareda: E é o... Bye! I'm out! You fuck! Eu não o que é isso. É. Eu não estava a chorar a sério, estava só chateada do género. Deixem-me entrar, mas depois eu pensei, ok, então vem tomar banho comigo. Achas que ela queria tomar banho? Não, ela não queria que eu tomasse banho. Juan: Achas? Exato, tu tavas longe, tavas a pôr uma porta de vidro entre ti e ela, não pode ser, ela não quer. Ok, mas eu só fico extremamente feliz que eu não tenha aparecido como motivo para ficar chateada ainda nesta lista e portanto antes de continuarmos essa lista e eu arrisco a aparecer nessa lista eventualmente durante o dia, vamos passar ao tema do episódio que eram as vacinas e a desinformação porque era esse o principal motivo que te fez ficar chateada de manhã. Raquel Vareda: Ai, pronto! Enfim, bye! E Não, não, não, Antes disso, eu quero... Estamos a 13 de julho, a meia do ano mais ou menos, já passou ⁓ bocadinho mais de metade do ano, e portanto eu quero relembrar todas as pessoas aqui presentes, seja as pessoas, para relembrar os pais, a vós, etc, de quais é que são os rastreis que existem neste momento ⁓ Portugal. Porque chegou à minha atenção recentemente, exatamente, chegou à minha atenção recentemente que... Juan: Certo. ⁓ uau, informação útil. Raquel Vareda: E as pessoas não sabem que rastreis é que existem. Nós temos vários rastreis oncológicos populacionais malta. ⁓ se vocês não sabiam que eu estava com tosse. Estou com tosse tipo há uma semana e é super irritante. Bem-vindos a este episódio. Portanto, episódio alternado com tosse. Juan: e Eu ia cortar a tosse no pos, mas assim vou ter que deixar, não é? Raquel Vareda: Ele vai cortar as próximas tosse também, porque isto vai acontecer várias vezes. Vamos começar pelo rastreio do câncer da mama. Foi atualizado ⁓ dezembro de 2024. É para todas as mulheres entre os 45 e os 74 anos. 45, 74. Foi alargado. Juan: Esta tosse, a primeira tosse fica, as outras eu vou cortar. Continua. Ok. Ok. Portanto, as mulheres que tenham 45 anos é para começarem o rastreio do câncer da mama, nessa idade. Raquel Vareda: Exatamente, dois ⁓ dois anos, mamografia e afins. Pois falam com o vosso... Eu ia dizer médico-família, mas nem toda a gente tem médico-família. Mas pronto, dependendo da zona do país, dependendo se tem médico-família ou não, o acesso vai ser ⁓ bocadinho diferente, mas pronto. É isto. É para fazer o rastreio. Claro que se tiver a história familiar, outras situações, pode ser diferente para vocês. Mas isto é o geral para a maior parte das pessoas. Depois de tê-los... Juan: Isto é o mínimo, na verdade. No mínimo aos 45 anos, começaram o rastreio do câncora da mama. Certo? Mas diz-me só... diz-me só que... Raquel Vareda: Exato, só ⁓ mínimo. Exatamente. E agora de pensar, não falta assim tanto? Faltam 11 anos? Jesus! Juan: Diz só aqui ao pessoal, quem tem médico de família, se calhar até é chamado, ou se não for pode colocar a questão do de família e rapidamente se resolve. Quem não tem médico de família, o que é que faz? Raquel Vareda: Então, depende. A persiga da base é que depende da zona do país, porque, por exemplo, ⁓ Lisboa há acesso através de projetos, o projeto da Liga Portuguesa com o Lutó Cancro tem ⁓ projeto que até tem uma carrinha... uma carrinha portátil. Uma carrinha... com... exato. Não, mas tem carrinha... Jesus Christ, mesmo. Juan: Pois. Todas as carrinhas são portáteis ⁓ princípio, não é? Pronto, isto é o efeito 10 10h20 da noite. Raquel Vareda: Tem uma carrinha com dois equipamentos para fazer a mamografia e tem profissionais e afins. Portanto, por exemplo, ⁓ Lisboa vai ser diferente. Aqui no Algarve ainda não sei como é que mas também sei que é diferente, que não há ⁓ acesso da mesma forma. Portanto, tem mesmo que se informar região a região. Eu não conheço a realidade de todas as regiões, mas é suposto. É SUPOSTO toda a gente ter acesso. e com jeitinho e esforço, ⁓ princípio, toda a gente traz acesso. Juan: Tanto para este rastreio como para qualquer ⁓ dos outros que vamos falar a seguir, se tiverem médico-família é com o médico-família, se não tiverem é com algum médico. O médico que conseguirem, seja no público ou no privado, e falarem desta situação eventualmente conseguirão lá chegar. Raquel Vareda: É isso Sim, se tudo irá está Mas enfim, next. Sim, câncoro do colo do útero. Deixará de ser relevante se toda a gente fizer ⁓ raio da vacina contra o HPV, porque a probabilidade de termos... Vocês sabem que... onde é que foi? Foi na Escócia? Foi na Escócia? Onde é eles eliminaram? Tiveram ano inteiro sem câncoro do colo do útero. Agora, o ano passado. Juan: Ok, câncora da mão, mas tá, next. Num lembro. Raquel Vareda: Se não foi na Escócia, foi perto da Escócia. Não me contem isso, mas vocês sabem que já existe pelo menos ⁓ país nesse planeta que conseguiu eliminar o câncer do colo de útero? Pois bem, é porque tinha muito boas taxas de cobertura vacinal de vacina contra o HPV. E é para lá que nós caminhamos. Mas pronto, foi na Austrália. Não foi europeu. Se calhar também a Austrália aconteceu, não sei. Mas, qualquer Juan: foi na Austrália, certo? Não? Enfim, tal vez não. Raquel Vareda: Ainda não é o caso Portugal, até porque nós só mais recentemente é que começámos a cobrir os rapazes com a vacina HPV, mas não se esqueçam que a vacina foi alargada até aos 26 anos a partir deste belo ano de 2026, portanto vão começar a ser, se não chamados, é melhor chamarem alguém para os vacinar, mais uma vez isto vai dependendo de região para região. Mas pronto, restreio do cancro de colo do útero, 25. 25 não, 30 aos 69 anos. 25 anos é só para pessoas com coisas específicas tipo infecção HV, doenças autoimunes que tenham contrapiótica manossupressora etc. Quando? 5 ⁓ 5 anos. É preciso fazer todos os anos? Não. A não ser que tenham alterações e aí vai depender... Juan: Ok. Ok. Raquel Vareda: daquilo que o vosso médico que vos acompanha dizer. É preciso fazer de 3 ⁓ 3 anos? Não. É preciso fazer de 5 ⁓ 5? Sim. Pronto. Isto porque já antigamente havia algumas regiões que eram de 3 ⁓ 3. Neste momento o teste que nós utilizamos, ok, para fazer o rastreio é altamente sensível, é muito muito bom, testa logo para vários HPVs e portanto se dá negativo? Juan: Ok. Raquel Vareda: não estão infectados naquele momento, mesmo que sejam infectados nos 5 anos seguintes, se ativerem a vacina, motivo focal também é possível aumentar a periodicidade, não é ⁓ problema. ⁓ princípio não é ⁓ problema. Populacionalmente não é ⁓ problema. Tu sabes que existem sempre exceções individuais e pronto. Mas populacionalmente é de 5 ⁓ 5 anos. A partir dos 30. Juan: Ok. Então, até o resto da vida. Claro, ⁓ geral... Esperamos que este rastreio este seja necessário no futuro. Raquel Vareda: é atémente. Juan: se tudo correr bem. boa. Então, call the utero, next. Raquel Vareda: colon e reto, cancro de colon e reto. É para mulheres e homens, porque até agora estamos a falar de dois rastrais que são só para mulheres, pronto. E quando entre os 50 e os 74 anos? De quanto tempo? Dois ⁓ dois anos? Não é uma colonoscopia de dois ⁓ dois anos, é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Se a pesquisa vier positiva, que podemos ter uma lesão Juan: Ok. Eu tenho que ir para o ender. E Ok. que basicamente significa a pesquisa de como é que é esse exame Raquel Vareda: no colon. É ⁓ frasquinho para onde nós fazemos cocó. Juan: é fazer cocó num frasquinho. Não, era só para explicar às pessoas porque, imagina, a colonoscopia... Raquel Vareda: Não, o cocô não é para o fresquinho, na verdade é para tirar ⁓ scoop. É uma colherzinha. Mas o kit, o kit, lá está, again, eu acho que isto vai depender de região para região. ⁓ muitos locais o kit, ou ⁓ quase todos os que eu conheço, na verdade, o kit é para ele levantar no centro de saúde e depois entregar no centro de saúde. Mas eu acho que existem alguns centros de saúde que até enviam para casa. Por isso... Juan: Ser... Ser te partirado... D'Coco. Certo. Sim, existem, mas isso depois de ser vos explicado pelo vosso médico de família ou médico que vos acompanham. Mas isso só para dizer às pessoas que no caso do câncer do colon antigamente chegou a ser mais frequente a colonoscopia, que é ⁓ exame mais desconfortável, tem todas as suas peculiaridades e que hoje tem alguns riscos associados, Só se faz mesmo quando é necessário. Raquel Vareda: tem riscos, é? A rotura do colon. Exato, não estamos a injetar grandes quantidades de tiara. Juan: Certo, hoje ⁓ dia a pesquisa de sangue oculto nas fetos, portanto é algo que não é invasível, é uma amostra das fetos que é analisada ⁓ laboratório e é só isso, é muito simples. Raquel Vareda: Sim, exatamente. E o facto positivo significa... Existem alguns projetos piloto, por exemplo, Santo António e Santa Maria, a ULS, a Unidade Local de Saúde de Santo António, a Santa Maria, Gaia... Cascais? Acho que era isso? ⁓ projeto piloto para Câncora do Pulmão. Juan: Ok, mais rastreiis, há mais algum? Ok. Ok, ok. Que ainda estamos na dúvida se vale a pena, é isso? Raquel Vareda: Pronto. Mas estão... ou seja... Sim, pronto. E depois na saúde pública o que é que ⁓ rastrei populacional? Isto não é ⁓ rastrei populacional. ⁓ rastrei populacional é ⁓ rastrei que é aplicável a toda a gente. E neste caso não é. A população alvo é para entre os 50 e os 70 anos, andar à volta disto, e é para pessoas com hábitos tabágicos ou ex-fumadores com grandes hábitos tabágicos, portanto... população de alto risco e eles estão a fazer tach com daquela tach de baixa dose. E é ⁓ projeto piloto para tentar perceber se realmente faz sentido alargar toda a população de fumadores, ou seja, de pessoas de alto risco. sim, também anda para aí. Sim, e pois há outros. Também tem sido falado do cancro gástrico por causa do H. pylori. Juan: Ok. Ok, interessante. E é isso. Ok, mas focando-nos naqueles que pessoas de facto que estão a ouvir ⁓ princípio vão fazer ou têm que fazer ou os seus pais ou avós têm que fazer. Raquel Vareda: Não, não, não, não, é o que interessa. Mama, qual do outro? forem mulheres, estes dois. Colin e Reto, homens e mulheres. Homens, vocês só têm ⁓ para fazer. Quer dizer, quão difícil é fazer ⁓ rastrai de ⁓ bocadinho de cocó cada dois anos? Não é assim tão difícil, certo? Pronto, é para fazer. Yey, boa. Juan: Certo. Ok. é difícil lá, certo? Muito bem. E então depois deste anúncio ao público, é? deste serviço público agora sobre os rastreios, Public Service Announcement sobre os rastreios. Raquel Vareda: Vocês não acham que o Juan hoje está assim, ou seja, mais calado? Não o sentem ⁓ bocado abatido. Eu sinto ⁓ bocado... Juan: Estou, claro, altamente abatido. Raquel Vareda: Eu sinto ⁓ pouco abatido e calado. Estou a dominar esta conversa. Fala-me sobre aquilo que não tens tempo. Juan: E o... Eu acho que tu deves dominar as conversas. Eu acho que faz sentido. Tu mereces dominar as conversas. Aliás, eu estou aqui calado porque tu estávas a fazer o percurso das coisas que te chatearam hoje e eu estava aqui escondido a ver se eu não... Não, eu estava aqui escondido a ver se eu não calhava nas coisas que te chateavam hoje. Não, mas é isso. Estavas a comunicar muito bem sobre os rastreios e então também não quis interromper. Mas ia dizer agora para passarmos ao tema do nosso episódio. Raquel Vareda: Eu tava aqui dando uma aula, né? Ok, portanto tens tempo para tudo. Vocês percebem que ele está a tentar desviar a atenção da pergunta? Não sentem isso! Fala-nos sobre ti. Eu sinto que hoje estás a fugir de nós. Não te estás a expor. Juan: Não tenho tempo para tudo, não tenho tempo para tudo. Eu sinto que não tenho tempo para nada neste momento. Epá Isto tornou-se aqui numa consulta de psicoterapia ⁓ público Não, então, o que é que eu não tenho tempo para fazer? Eu neste momento Sinto-me bastante overwhelmed com as responsabilidades Não, eu não posso dizer que esteja... Raquel Vareda: Ok, é por isso, malta, ele tá ansioso. Ele tá ⁓ ansiedade. Juan: Não, não, a sério. Vou ser honesto, não posso dizer que esteja ansioso neste momento, mas já estive recentemente nas últimas semanas, assuburbado, sim. Estavas a inventar uma palavra nova, mas sim, assuburbado. Overwhelmed. Estou overwhelmed com a vida ⁓ geral, verdade, com questões do trabalho, mas também da nossa vida pessoal. Quer dizer... Raquel Vareda: Estás... és suburbals. És suburbals. E aí Por Juan: Então, imaginem, há uma série de coisas que aconteceram nas últimas semanas, todas as, das quais não... Eu não posso, eu não posso revelar tudo, porque algumas são decisões pessoais nossas que nós ainda não vamos revelar neste episódio de podcast, mas revelaremos no futuro. Mas, tem a ver, por exemplo, com a compra de casa, que é sempre uma decisão de algum stress e que algo que nós tomamos algumas decisões recentemente importantes sobre isso. Mas tem a ver também com... Raquel Vareda: Eu vou tentar contornar a rotunda. Sim. Teremos novidades, esperemos nós. Juan: Exato. Tem a ver também com a tua mudança de trabalho, ou seja, últimas semanas concentrou-se? A compra de casa? Raquel Vareda: Tud mudou... ou nada. Juan: ou decisões sobre isso, decisões sobre o teu trabalho, tu tiveste tomar repentinamente de ressentir contrato no sítio e entrar no outro, conforme já explicamos no episódio anterior, porque querias mudar de sítio era a única forma, e vários projetos de consultoria que vieram todos calhar entregas para ontem, agora, sendo que nós, para quem não sabe, nós além do nosso trabalho, o nosso day job de 40 horas por semana, 30 no teu caso, é a saúde pública no Serviço Nacional de Saúde, mas nas noites e fim de semana, para além de durar Raquel Vareda: Eu não sei. Juan: também trabalhamos como consultores no setor privado e isso implica muitos projetos que vão dando trabalho de forma bastante variável ao longo do ano, Não uma coisa certa, não tem ⁓ horário certo, tem picos e nós obviamente tentamos organizar-nos. Sim, claro, toda a gente vai perceber essa referência. Raquel Vareda: Fifififif Tem picos. Não é endémico, é epidémico. São surtos de trabalho. Juan: Surtos de trabalho, meu Deus! A questão é que nós tentamos obviamente organizar a nossa vida, não é? E é do tipo, se eu tiver mil projetos para fazer no próximo mês e me aparecer mais ⁓ eu vou recusar, e Raquel também, mas a verdade é que não funciona assim, tu vais aceitando projetos, há alguns projetos que aceitavas e achavas que iam acabar num certo mês, atrasam e duram mais dois meses, outro projeto qualquer... Raquel Vareda: Atrasam-lhe sempre, eles atrasam-lhe sempre, meu Deus. Juan: A maior parte atrasam, mas outros adiantam-se. Às vezes é do género. Sim, estou a contar com trabalhar nisto ⁓ setembro e afinal tenho que trabalhar nisto dois meses antes. E depois há clientes, há expectativas e portanto tem sido muito difícil de gerir e este ano particularmente tenho sentido que tem sido difícil de gerir nos últimos dois meses talvez. E portanto, sim, estou overwhelmed, estou super cansado, senti-me à beira do burnout tipo há ⁓ mês. Isto tem parte também por causa do trabalho no Serviço Nacional de Saúde que a Raquel saiu da equipa. Raquel Vareda: É. Eu já lhe disse várias vezes para me ter baixa. Juan: Não, não acho que seja necessário isso, mas a Raquel saiu da equipa, outras pessoas estão ausentes temporariamente e portanto, fiquei ali numa situação de maior carga de trabalho do que o habitual. E ainda há mais uma questão, que é... E temos falado isso ⁓ casal, e já que querias aqui revelar coisas íntimas amor, vamos falar sobre isso também, que é... Eu tenho tido a tentar... Raquel Vareda: Hmm. que é que eu vou falar? Juan: Não, eu acho que isto é importante. Eu tenho estado a tentar ser o melhor marido e o melhor pai. Tenho estado a tentar focar nisso porque acho que há coisas que vêm da nossa filha crescer e tem 16 meses neste momento e portanto passa muito rápido. E na verdade sinto que... Raquel Vareda: Aaaaa Juan: na parentalidade estamos sempre ocupados, é? Uma coisa vai levando a outra e passa muito rápido e tenho refletido ⁓ bocado e também com discussões que nós temos tido sobre como ser ⁓ melhor marido, ⁓ melhor pai e... basicamente isso. E isso é tipo mais... é como se fosse mais uma área na qual eu sinto... Olha, é mais uma área na qual eu sinto que tenho que trabalhar, sabes? Raquel Vareda: Mas o que ou seja, ⁓ que é que isso... não sei... ⁓ que é que isso materializa? Juan: e sinto que tenho pouco tempo no geral para tudo, percebes? Ou seja, porque é mais uma área que eu sinto que neste momento do meu foco, da minha atenção proativa, sabes? Não é uma área que eu possa passivamente dizer, não vou preocupar com isto. Não. Pelo contrário, se eu fizer isso acho que seria mau para nós como casal e para nós como ⁓ agregado familiar. Eu sinto que é uma área onde eu preciso investir... ativamente. Pronto. Raquel Vareda: Uhum, foi isso. Sim, pode só deixar. Juan: Fez silêncio. Raquel Vareda: E o que é que... Fico a pensar. Sim, ok. Mas quero-vos dar algum exemplo específico? Vamos só... Ok. Juan: Quero, quero, Por exemplo, por exemplo. Não, não, não, não, Vamos a exemplos específicos. O episódio final é sobre isto, não é sobre vacinas. Malta, lamento. Mudamos o tema agora, mas... Se calhar num próximo episódio. Mas... Isso é ⁓ exemplo específico. Olha, eu por exemplo... Raquel Vareda: Ok. Não, gente já vai à vacina do Seram. Tenha lá calma, vá. Next. Juan: Pronto, eu não concordo nada com a ideia, digamos, isto pode parecer ⁓ bocado antiquado mas eu tenho-me apercebido que, na verdade, ainda é bastante prevalente, pelo menos no discurso online, não sei se na vida das pessoas que nos estão a ouvir, mas eu não concordo nada com os gender roles, não é de homem e mulher, aliás nem tu nem eu concordamos, de digamos, por exemplo, a parentalidade ficar mais a cargo da mulher do que do... do homem, ok? E sempre, sempre visualizei, ou seja, sempre me vi como uma pessoa, aliás, sempre nos via nós como ⁓ casal que íamos partilhar verdadeiramente a parentalidade ⁓ todos os seus aspectos e que não ia ser eu, e que eu não teria ⁓ homem passivo que deixaria as coisas decorrerem só com a só com a tua direção, ok? Exemplos específicos ⁓ que eu dou por mim a falhar, entre aspas, nisto depois de 16 meses é que eu percebi que ⁓ 16 meses eu praticamente nenhuma vez comprei roupa para a Julieta e nós tivemos essa discussão recentemente ⁓ casal. Isto não é para dizer, ou seja, é perfeitamente ok se num determinado casal... uma das pessoas ficar responsável por comprar a roupa e se for falado assim, isso é ok, se calhar uma pessoa tem imenso jeito para isso ou tem bom gosto e outra pessoa não. Há divisões de tarefas ⁓ casal, mas aqui não foi isso, aqui nós nunca falamos disso, aqui foi só... Raquel Vareda: e só. Juan: Tu estás habituado a comprar roupa? Eu estou habituado a nunca comprar roupa porque até para mim próprio eu vou sempre, portanto, comprar roupa até ser mesmo uma emergência e preciso para ontem. Tu obviamente gostas de comprar roupa e então meio que... Não, no fundo é ⁓ gender role, certo? Não estou errado ⁓ dizer isso, é ⁓ gender role de que a mãe é que trata da roupa. Eu não gosto disso e tivemos essa conversa há pouco tempo e então pronto, eu decidi tomar a ação e comprei uma série tal de fiches para a Julieta. Raquel Vareda: Fufufufuf isso aí. Eu cheguei a casa e ele tinha tipo 5 outfits novos. Eu comprei roupa para a minha filha. Então, são outfits muito gires. Juan: que tu viste esta semana. Ok mas são outfits giro certo? Sim eu estou orgulhoso por ter estado a escolher roupa para a minha filha e ter comprado roupa cute e gira para a minha filha. E ela levou essa roupa para a crèche hoje e usou ontem também outra, para assobrou vários outfits. Agora vai usar os 5 outfits que eu comprei 5 dias seguidos. Raquel Vareda: Boa! Depois levou! Agora vai usar as 5 seguidas, exato! Exato, ainda bem, porque o resto está para lavar! Juan: Não, senti-me bem, senti-me bem. Eu sei que pode parecer ⁓ bocado ridículo para quem estiver a ouvir, eu meio que... Eu, lá está, eu continuo convencido que isto é uma questão de papeis de género. não... Ou seja, eu tive que fazer ⁓ esforço ativo para pensar, ok, vou-me sentar e vou escolher uma roupa para a minha filha, tipo, que roupa que ela precisa. E tipo, e vou ver aqui os outfits e vou comprar. E isto surgiu, obviamente, por uma discussão que nós tivemos relacionada com o papeis de género ⁓ geral. Mas é do género. Não me vem automaticamente isso e eu acho que isso... Raquel Vareda: Boa! isso aí. Juan: Lá está, eu acho que isso está... na base, ou isto é ⁓ sintoma do problema maior que temos aqui, que tem a ver com a carga mental das mulheres versus a carga mental dos homens, que estávamos a falar no outro dia quando nos fizeram uma pergunta sobre isso no teu Instagram, ⁓ que lá está, ou seja, automaticamente, normalmente vai caber à mulher preocupar-se com que roupa comprar, por exemplo, para a filha neste caso, não é? Ou que comida fazer, ⁓ que escola pôr os miúdos, ou que tipo de atividades é que eles deviam fazer. Eu até, pronto, obviamente comecei investigar ⁓ bocadinho sobre isto e a tentar ver bons exemplos, estratégias e na verdade fiquei negativamente surpreendido com o que vi online, ou seja, há muitas pessoas a falar deste problema também, existe alguma... existe preocupação com isto tanto de mulheres como homens online, mas é do género, imagina, eu vou... eu vejo uma publicação de uma rapariga que fala destes temas da carga mental nas mulheres e que dá estratégias e a rapariga estava a dizer que... Raquel Vareda: Cool! Juan: que acha inaceitável os pais não saberem o nome da professora dos miúdos da escola, ok? E há imensos pais, tipo nos comentários, a dizer que claro que eu não tenho que saber os nomes dos professores dos meus filhos, eu não quero saber disso, eu só quero saber do meu trabalho, eu já ponho comida na mesa e não sei o que... Tipo, imagina, fiquei negativamente surpreendido com o facto de haver imensos homens que acham que isso é ok, percebes? Por exemplo, no outro dia vi uma... Raquel Vareda: Uhum. Pois... Ok. Juan: Eu sei que isto parece exagerado, mas eu juro que é real, que era sobre... Era ⁓ rant qualquer de uma rapariga a dizer sobre os pais que nunca mudam fraldas aos filhos. E havia uma série de pais, homens nos comentários, a dizerem, claro que eu não tenho que mudar as fraldas dos meus filhos, isso não é meu problema, isso não é o meu trabalho. E a darem as mais variadas justificações para isso. É porque isso é o trabalho da mulher, é porque eu já trabalho muitas horas... Ok, imagina, eu também não, eu também não, mas agora que fui pesquisar... Raquel Vareda: What? Eu não estou dentro dessa... Ok. Exato, não estou dentro dessa bolha das redes sociais. Juan: Sim, claro, não está exposta a isso. Eu acredito que a maior parte dos nossos ouvintes também não se identifique com isso. Mas poderão dizer nos comentários se acharem que isso é uma questão. Ou seja... Raquel Vareda: ⁓ eu tenho aceitado a que meu pai nunca mudou uma fralva. Juan: Pois, mas isso é grave. Imagina, eu acho que a maior parte dos meus amigos com filhos, obviamente que mudam fradas, isso não é uma questão. Mas na verdade, quando fomos a ver a população geral, pelo menos pelo que eu vejo online, se calhar... Pronto, e o discurso online também é enviesado, obviamente, há que ter isso ⁓ conta. Mas eu acho que se calhar isto não é tão óbvio quanto isso para... para o casal geral. Raquel Vareda: É. Sim, mas imagina... Eu acho que parte das fraldas, pois, não sei, eu acho que a nossa geração, as pessoas à nossa volta... Não, às vezes as pessoas à nossa volta eu diria que... Eu diria que mudam fraldas. Agora... Estão interessados na diversificação alimentar e ⁓ fazer as refeições? Não. Fazem a mala para a escola da criança ou para as férias? É que nem fazem a deles próprios quanto mais da criança, não é? Não. Juan: Isso é ⁓ exemplo extremo. Pois, exato. Raquel Vareda: Até acredito que saiba o nome da professora, não sei. Maybe. Juan: Olha, o que mais me surpreendeu foi ver alguns homens a justificar o porquê que não precisavam de saber, percebes? Do género. Raquel Vareda: Também não ficasse surpreendido se não soubesse. Eu gosto do argumento tu, pois eu também fiz muita coisa, também tenho muito trabalho. E aí, meio que trabalhamos as mesmas horas de todos. Juan: Pronto, a questão é... imagina... É isso? Mas eu vejo uma... ou seja, isto obviamente tem raízes antigas, não é? De gerações anteriores e de papéis de género muito antigos. Mas eu vejo imensos homens que se comportam como se... trabalhar ⁓ 40 horas por semana é do género. Toma lá uma medalha, homem, trabalhas de 40 horas por semana, podes ir descansar, jogar Playstation quando chegares a casa. Raquel Vareda: e sete. Juan: como se fossem os únicos que providenciam na família quando a maior parte dos casos hoje ⁓ dia tanto o homem como a mulher trabalham 40 horas por semana e depois a mulher e até há evidência disto há ⁓ relatório que já mencionamos aqui num episódio anterior da Fundação Francisco Manuel dos Santos a maior parte das mulheres tem o trabalho remunerado igual aos homens ⁓ horas e depois ainda tem uma série de horas de trabalho não remunerado que é isto que estamos a falar esta carga mental de o que é que vou cozinhar o que é vamos comprar até os eventos sociais imagina muitos casais onde a mulher é que dos eventos sociais e das combinações, coisas com os amigos, etc. E muitos homens continuam com este discurso como se fossem 20 ⁓ que as mulheres não trabalhavam e portanto eles eram os únicos que trabalhavam. Imagina, quando uma pessoa de ⁓ casal trabalha e a outra não, a pessoa que está ⁓ casa, se calhar, pode fazer mais tarefas domésticas que a pessoa que trabalha. Raquel Vareda: Então, sim! Até o... mais de tarefas domésticas talvez, mas imagina estar ⁓ casa, sim, mas estar ⁓ casa com a criança ou crianças é ⁓ trabalho. Eu gostava de ver os homens a ficar ⁓ casa com as crianças. Juan: Durante aquele horário. É isso, é ⁓ trabalho não remunerado. Claro que não. Chama-se ⁓ trabalho não remunerado. E o problema é esse, que há muitos homens que não consideram o trabalho não remunerado como trabalho válido. Quer dizer, eu sinto que seria absurdo tu ficares, por exemplo, ou ⁓ períodos ⁓ que tu estavas ⁓ casa e eu estava a trabalhar, por exemplo, quando estavas de licença... Tivemos licença alternadamente, é? Às vezes tu ⁓ casa, noutros períodos estava eu. No período ⁓ que tu estavas ⁓ casa, quer dizer, o quão absurdo seria eu chegar à casa, tu estáres com a criança o dia todo, sozinha, porque eu tive a trabalhar fisicamente num local qualquer e volto da casa ao final do dia e digo-te tipo, olha, eu preciso descomprimir, jogar Playstation, vou sair com os meus amigos, estou cansado do trabalho. Raquel Vareda: Então, aí. Tá aí, aí, Juan: Isso é absurdo, é? Eu acho que tipo... ou seja, acho que única coisa que podes fazer chegando da casa depois da tua mulher estar o dia todo com a criança sozinha é dizer, amor, dá uma criança e por favor vai tipo sair com as tuas amigas se puderes, vai fazer o que te apetecer, eu fico com a criança ⁓ bocado, tu estiveste com a criança o dia todo, certo? Para não falar no desejo de estares com a tua própria criança, não é? Quer dizer... Enfim... Então... Então... Sou ⁓ marido ⁓ construção. Raquel Vareda: Tchau! É isso. Tchau! Exato! Paz, essa parte também. Ok, portanto, é para isto que tu não tens tempo. Para... exato! Juan: Não, não é para isso que eu não tenho tempo. Eu sinto que não tenho tempo para nada neste momento, não é? Raquel Vareda: Não tens... Não, não! Imagina... Não, eu a dizer, não tens tempo para a sociedade patriarcal e para os homens que não querem saber dos seus filhos e das suas mulheres. Juan: Não, pelo contrário, tenho achado que isto é mais uma prioridade do que eu pensava e que preciso de dedicar mais tempo a isto tanto para o meu desenvolvimento pessoal como talvez para tipo falarmos disto. Não sei se percebes, acho que faz ⁓ bocadinho de falta. Raquel Vareda: Sim, sim, sim, sim. Maltas, vocês têm que motivar o Juan a começar a fazer conteúdo na página de Instagram dele, porque ele, isto é de género, é uma conversa que nós temos a cada três meses ⁓ que ele diz, eu vou fazer isto, eu tenho muitas opiniões, eu quero dar a minha opinião e passam três meses e depois não... não acontece. Juan: Não. Mas... Eu tenho dificuldade ⁓ arranjar tempo para dar mais opiniões. Eu já sinto que dou muitas opiniões, não Já estou aqui a falar contigo. Sinto alguma... Exato. É que fazer conteúdo no Instagram ocupa-me muito tempo mesmo. Não é fácil. Raquel Vareda: A Deus, sei. Eu nem sei como é que eu tenho tempo. Jesus. Não sei. Eu sei. Eu pensei que eu fazia, essencialmente, stories e não grande conteúdo. Não tenho tido tempo. Sim. Juan: Certo, certo, há conteúdo que demora mais e menos tempo. Mas eu ainda hoje estava a pensar nisso, seja, nós mesmo gravar este episódio, são uns 40 minutos que gente gasta gravar o episódio e eu ainda vou editar e se calhar demora mais 40 minutos a editar e portanto... E só isso já me parece ⁓ tempo impressionante que nós conseguimos arranjar todas as semanas. Nem todas, mas quase todas. Raquel Vareda: Uhum. Sim. Agora está ser novamente regular. Mas bem, vamos entrar no episódio. Temos 10 minutos de episódio para eu explicar porque é que importante fazer a vacina do... Sarampo. Será que... Olá... Juan: Certo! Voltaremos ao tema, deixemos só dizer que voltaremos ao tema dos maridos e da melhoria ⁓ breve, ⁓ episódios futuros. Raquel Vareda: ⁓ breve o Juan vai ponderar ainda mais sobre o assunto e explicar quais são os 10 mandamentos dos maridos. É o culto do bom marido. Até parece que eles não querem manter a relação, é, Géno? Juan: Já parece a religião dos maridos, ou não? O culto do bom marido. Já temos o nome para página do Instagram e tudo. Ainda vou ser preso, eu vou pensar que estou aqui a criar ⁓ culto. Raquel Vareda: Eu voto. Eu voto. Bem, olá a todos malta. Se ainda não sabiam, pronto, meu nome é Raquel. E nós somos casados. Vamos ter melhor ainda casados no futuro. Somos os dois médicos de saúde pública e somos pais de uma bebé. Será que podemos continuar a dizer pequenina? Vamos continuar. Juan: Eu sou o Juan. Uma bebep canina, é uma sobrebacadinha. Raquel Vareda: Por isso, vai ser sempre canina, por isso entre dados científicos e noites até que eu venho bem dormidas, vá, não vou queixar, mas a verdade é que nós não temos muito tempo para isto. Juan: Mas pronto, somos aquele tipo de pessoas que não conseguem ficar caladas e por isso todas as semanas conversamos ⁓ bocadinho sobre tudo o que interessa e o que não interessa. E vamos deixando a introdução do episódio cada vez para mais tarde. Raquel Vareda: Próximo episódio vamos começar com a introdução. Bem-vindos ao nosso podcast Mousa, espaço onde fazemos o esforço para misturar boa evidência científica com a nossa experiência de vida real. Juan: ⁓ Eu acho que nós vamos ser presos pela polícia dos Alguém vai bater à nossa porta e vão dizer, ouçam, vocês não podem falar 30 minutos e depois fazer a introdução, as pessoas estão aqui a pensar, o que é isto? ⁓ Não, vão-nos retirar o podcast, eu acho que nos vão o podcast. ⁓ A Comissão de Proteção de Podcasts vai chegar aqui, vai ouçam. Raquel Vareda: Está é contar. Tic tac, tic tac. Vocês não fazem ideia o que estão a É, pt! Juan: Este podcast acabou. Acabou. Vocês começaram a fazer introdução no início, no primeiro episódio e foram degradando cada vez mais. Estão no episódio 7 e a introdução veio ao minuto 35. Vocês não percebem que ao contrário? Não é que vai entrar ⁓ corpo de intervenção aqui com os cudos e não sei o e vamos pancar a mim? Obviamente, de certeza, porque se eu que edito o episódio vamos pancar a dizer, não percebes, a introdução tinha que sair no início. Raquel Vareda: E Até ao final! No próximo termina da introdução. Olha malta, esqueçam que somos o Ray e a Raquel. E Como é que escalámos para a violência? Nesta? Juan: Eu não sei, Refrequentemente escalamos para violência temos que parar com isso. Mas então, o que é íamos falar hoje? Raquel Vareda: uma alteração quase 11 da noite e eu preciso de ventilar sobre ⁓ Reels que eu vi hoje no Instagram porque mil pessoas partilharam comigo nas mensagens privadas como se eu precisasse de mais fogo para a minha irritação existencial de hoje. Aquilo é ⁓ cheiro de uma podcast de uma pessoa que é homeopata e naturopata com muito respeito por todas as suas homeopatas e naturopatas. Eu não sei exatamente. O que é que isso quer dizer? Ou seja, sei, mas ao mesmo tempo também é propositadamente vago, não é? Pronto. E de outra pessoa, de outro senhor, que eu honestamente não sei quem é. Eu não sei quem são os dois, eu nunca tinha ouvido falar nenhum dos dois. Mas... Senhor... Exato, honestamente, I give zero fucks. Mas, senhor este que estava a mostrar ⁓ gráfico de 1900 a 2000 e depois de... 1908... Juan: Uhum. nem queremos saber. Raquel Vareda: a 2000, acho que era uma coisa assim e estava de género, veem como ninguém vos diz, ninguém vos diz que começou a reduzir a mortalidade por sarampo antes da vacina. estava tipo, como assim? Ninguém vos diz. Se perguntarem a gente diz, como assim? Ninguém vos diz. E se vocês fossem ver, a vacina não tem nada a ver com a redução da mortalidade porque já estava... Não faz sentido. É só tipo... Juan: E é Raquel Vareda: Não faz sentido. ⁓ e depois falo dos antibióticos. E vamos por partes. Então é assim. Effectivamente, os números ⁓ termos de mortalidade de sarampo estavam felizmente a diminuir desde o início do século XX, porque com muitas intervenções boas de saúde pública, nós conseguimos reduzir... não a carga de doença, mas a gravidade da doença, pelo simples facto de melhorarmos as condições do sanimento básico, as condições de habitação ⁓ que a população vivia e também o estado nutricional da população. Por isso, melhorando estas coisas, as pessoas e as comunidades, ou seja, as famílias deixam de estar super crowded, imensas pessoas, imensas crianças e pessoas idosas, todas numa casa mega pequena, sem erjamento, sem nada e passam a entrar ⁓ melhores condições. E portanto este vírus, que é ⁓ vírus, ⁓ dos vírus mais contagiosos que nós temos conhecimento neste momento no planeta Terra, ⁓ que ⁓ único caso de saramp pode, ou seja, geralmente dá origem a 12 a 18 casos, ok? No mundo atual, com imensas condições de treinamento básico, etc, requer a geral, nós não chegamos... a ⁓ índice de transmissibilidade tão elevado, mas isto era verdade antigamente e o índice até era, podia chegar a ser bastante maior, ok? Nestas condições muito más sociais e de saneamento, com ruas muito apertadas, sem, ou seja, esgotos abertos, na verdade, pronto. aí realmente, a transmissão do vírus era muito mau. Portanto nós melhorando as condições de vida da população. Fiz, conseguimos reduzir ligeiramente até porque existem menos outras doenças e ⁓ dos problemas da mortalidade por sarampo também é não só o sarampo, como a conjugação do sarampo com outros vírus ou infeções bacterianas. Portanto, melhoramos as condições de vida, primeira metade do século XX, nice, obviamente melhorou a mortalidade. Não foi eliminada, infelizmente. Continuou a existir exatamente o mesmo número de casos, ok? Juan: Certo. Raquel Vareda: Ou seja, disseminação comunitária do vírus era exatamente a mesma, mas conseguimos reduzir a mortalidade. Morriam menos pessoas tendo sarampo. Depois ali, primeiros antibióticos foram criados ⁓ 1928, mas nessa altura não havia produção ⁓ massa, portanto nós não tínhamos acesso a antibióticos, ok? Ali no pós-secunda guerra mundial, 45, 50, 1945, 50... Juan: morreram menos pessoas. Certo. Raquel Vareda: começou a haver mais produção ⁓ massa e eventualmente chegou a Portugal. Há alguns também nessa altura, mas também não é que os antibióticos fossem assim super disseminados por Portugal inteiro. pronto, passámos a ter antibióticos também melhorou efetivamente a mortalidade, porque ⁓ dos grandes problemas do sarampo também é as infecções secundárias bacterianas. Os nossos pulmões, o sarampo, ou seja, causa pneumonia viral. os pulmões infectados com o vírus ficam mais predispostos para outras bactérias e parasitas. Portanto, tendo antibióticos, fiz, conseguimos reduzir mais ⁓ bocadinho a mortalidade. E depois, finalmente, ⁓ 1963, foi introduzido a nível mundial a vacina do serambe. E a vacina permitiu não só reduzir paranúboros negligenciáveis e, felizmente, continuam a morrer, como vocês ouvem de vez ⁓ quando, e agora nos Estados Unidos, por exemplo. pessoas, de sarampo, também morreu há uns anos aqui ⁓ Portugal uma jovem. Mas isto já não é a nossa realidade. A nossa realidade é o sarampo estar erradicado na maior parte dos países do mundo. E isto acontece porque a vacina não só permite eliminar o resto da mortalidade que ainda existia mesmo com melhoria das condições de vida e os antibióticos, como a vacina permite simplesmente não existir infecções. Porque os antibióticos e as condições de vida não retiram o vírus do meio ambiente, da comunidade. Mas a vacina, a vacina permite isso. Porque nós vacinamos as pessoas, elas deixam de ser. Isto não é daquelas vacinas ⁓ que a pessoa até pode ser infectada, mas se calhar vai ter uma doença mais leve ou não vai manifestar doença, mas é infectada, que é o que acontece com a vacina do Covid e a vacina da gripe. Isso ainda é possível, a pessoa ser infectada. Isto não acontece com o sarampo. Nós não somos infectados com o sarampo e não transmitimos sarampo tendo a vacina feita. Portanto, nós ficamos basicamente imunes ao sarampo, a esmagadora maioria das pessoas. É uma vacina muito eficaz. Tem uma eficácia a andar à volta dos 98%. Portanto, existe sempre 2 % da população, mais ou menos, mais coisa ou menos coisa, que não desenvolve anticorpos, mesmo com as duas doses. Juan: É uma vacina... É uma vacina muito eficaz. É uma vacina muito eficaz. Raquel Vareda: E é essas pessoas que nós estamos a tentar produzir também com este fenómeno de grupo. Toda a gente está vacinada para produzir essas 2 % de população que não desenvolve anticorpos ou que não pode fazer a vacina por qualquer motivo, porque é uma vacina viva e pessoas ⁓ imunossupressão etc. não podem fazer. Portanto, a vacina, ou seja, as melhorias das condições de vida e os antibióticos não retiram qualquer mérito à vacina, que no fundo era isto que estava a ser dito. naquele Reels. Mas na verdade o problema não era esse, porque depois tu vais ler os comentários e a descrição do Reels. E o problema nem era esse, o problema é que as vacinas causam muitas sequelas. Milhões de sequelas que está escrito naqueles comentários. Milhões de sequelas. Não é efeito secundário sequer. Já nem estamos nos efeitos secundários. Estamos nas sequelas, que é diferente. Uma coisa é ⁓ efeito secundário de vacina. Outra coisa uma sequela, que uma coisa que fica a longo prazo, para sempre. Pronto. Juan: certo. Raquel Vareda: E qual é a evidência? Qual é a literatura da sequela? Dos milhões de sequelas que as vacinas causaram? E é ⁓ artigo de 1998 que está falso. ignorar os milhões de artigos científicos publicados. por diferentes países, diferentes equipas de investigação, diferentes indústrias, diferentes universidades, pagos, não pagos, malta, milhões! Mas vamos ignorar todos esses, mas é o RAI do Artigo, 1998, foi publicado na revista indiana do Raio Partha. ⁓ Juan: malta, a Raquel está a ficar chateada outra vez. Raquel começou o episódio. começou o episódio... Raquel começou o episódio chateada e está a ficar chateada outra vez no final do episódio. Eu acho que... Para... ⁓ Raquel Vareda: Pronto, eu acabei aqui. Este foi o teor do episódio. Façam uma vacina de saran por noite. Juan: Wow! Imagina, eu quero só dizer, e sim acho que podemos terminar porque vamos já avançados nesta noite, mas eu queria só dizer que a tua explicação, a tua longa explicação sobre este Reels espelha aquilo que é para mim o problema central da desinformação online hoje ⁓ dia. E tu e eu já falamos disto no passado, obviamente. Que é, tu fazes ⁓ Reels qualquer que é super chamativo, que é ⁓ senhor a mostrar ⁓ gráfico todo chateado como este e ali ⁓ modo de entrevista tipo podcast, super bem filmado, senhor chateado com o gráfico a dizer, ninguém vos diz isto mas... ou seja, vocês estão a ser enganados, coisas que despertam raiva. Raquel Vareda: Eu que não sou ninguém vou dizer-vos. Juan: Não, é exato, mas é coisas que não é conhecida ninguém, às vezes são médicos, percebes? Às vezes podem ser pessoas com autoridade, não interessa. A questão é que o vídeo... Raquel Vareda: Exato, sei, o problema é esse, verdade. Se calhar o senhor tem ⁓ doutoramento eu não sei, não vi ver. Juan: Exatamente, nós não sabemos. questão é que o vídeo desperta raiva. Não interessa quem é pessoa que está por trás. O vídeo desperta raiva, é... O vídeo está-te a dizer que tu estás a ser enganado e ninguém quer que tu saiba x e desperta a controvérsia. dois problemas. ⁓ é muito rápido fazer ⁓ vídeo deste e dizer umas barbaridades como este senhor disse, mas tu, médica de saúde pública, demoras horas... Raquel Vareda: Controversa é só... Juan: para fazer debunking disto. Demoraste imenso tempo agora a explicar porque é que cada uma daquelas coisas estava mal e não entraste a fundo ⁓ E foi resumido, foi resumido, não entraste a fundo porque imagina se quisesse agora tu mostrar os teus próprios gráficos e mostrar os estudos que estás a falar e citar e não sei quê, isto era ⁓ trabalho de horas. Não, não, isto foi desinformação no sentido ⁓ ele tirou gráficos verdadeiros, ele tirou gráficos verdadeiros e deu a entender ali umas falsidades. Raquel Vareda: É. E mesmo assim foi... e explicar. Eu nem estou a que os gráficos do senhor estavam errados. É sempre uma ex-verdade, não é? Exato. Nem sei se eram verdadeiros também, não fui confirmar. Tinha que ver os números. Mas pronto, o arébara até podem ser. Sim, sim, sim, sim. Juan: Não, mas até podem ser... Ou seja, imagina a mortalidade de facto diminuiu, não é isso que está ⁓ questão? O que está ⁓ questão aqui é que tu demoras horas para fazer debunking de ⁓ vídeo de 30 segundos. Demoras horas porque tu não estás a inventar, tu precisas de ver a evidência, confirmar as coisas para poder expor as pessoas e explicar, percebes? Raquel Vareda: Nem é só ver a evidência que a realidade é muito mais complexa do que aquilo. A realidade não é simples. As vacinas não são o tudo ou nada, claro que têm efeitos secundários, mas a realidade é, ou seja... Juan: Claro, Mas é aí que eu quero chegar. Nós estamos ⁓ Eu sei. Mas é aí que eu quero chegar. Nós estamos ⁓ permanente desvantagem para quem faz conteúdo de desinformação. Porque não consegues, ⁓ tempo real, com a quantidade de informação que existe hoje ⁓ dia, não consegues, nós não conseguimos, deste lado, estar a dizer, vamos fazer debunking de todas estas parvoícias, todos estes reels, ou por exemplo, fazer debunking de cada ⁓ dos comentários que aparecem nesses reels, de pessoas a dizer barbaridades sobre sequelas das vacinas que não existem, e inventarem coisas, e nós agora vamos explicar a cada ⁓ porque é que não existem. Não consegues, não é? Há aquele ritmo. E isso leva-me àquilo que nós também já discutimos no passado, que é, e se calhar talvez seja a nossa conclusão, e podemos entrar nisto mais a fundo, Raquel Vareda: Não, não. Juan: ⁓ outro episódio, é... Eu, pessoalmente, acho que impossível na nossa saúde pública ganharmos a guerra da desinformação online. Acho que estamos a jogar num campo minado, não é ⁓ even playing field, não é uma luta justa. As redes sociais alimentam-se da controvérsia e da desinformação para fazerem dinheiro. O Instagram faz mais dinheiro se houver mais pessoas a partilhar conteúdo controverso pelas vacinas e portanto eles nunca vão parar isso. Pelo contrário, eles... Dão mais visibilidade a ⁓ vídeo deste senhor mostrar ⁓ gráfico ⁓ 30 segundos, estilo TikTok, dão muito mais visibilidade a isso do que ⁓ post de teu, por exemplo, que tu escrevas ou que tu expliques num vídeo longo com nuance que as vacinas não são assim tão simples. Eles não vão dar visibilidade a isso e, portanto, eu acho que até ao dia ⁓ que não obrigarmos as redes sociais a combater a desinformação, não vamos conseguir ganhar essa guerra online. Raquel Vareda: era que era bem simples, têm as ferramentas para o fazer, não é? Era só obrigar e pronto. para isso... Sim, exato. Juan: Eles já o fizeram no passado, porque houve uma altura, houve uma altura ⁓ que ficaram todos assustados com a Covid-19, a vacina da Covid-19, a desinformação que circulava, e até eles próprios conseguiram limitar bastante a desinformação sobre a vacina da Covid-19 que circulava na altura. Eles conseguem limitar o que quiserem. Mas não querem. Certo? Mas eles não querem. Raquel Vareda: E fizeram. Não, não, porque eles têm... porque eles têm... não sei... porque eles têm as ferramentas, como é óbvio. Sim, não vai ser com esta administração... pronto, e não vai ser com esta administração americana que vão querer. Porque também é preciso ⁓ bocado pulso firme. E este setor, é ⁓ Wild West... exato, americano que sentiste. Juan: Não, sim, pronto, muitas destas companhias, assim, para contexto, muitas destas companhias são baseadas na América, não é? Meta, o X e não sei quê, são baseadas nos Estados Unidos, onde obviamente temos ⁓ governo neste momento que também inventa coisas e faz desinformação e está a destruir o CDC, mas isto são temas tristes para outro episódio. O próprio presidente é ⁓ maluquinho ⁓ antivacinas, não é? Raquel Vareda: Sim, quer dizer seu próprio presidente. Exato. Seu próprio presidente dos Estados Unidos. Pronto. Juan: É, não há hipótese. Agora, tenho grandes esperanças para a União Europeia, porque nós temos feito algumas coisas a nível de legislação, inclusive o Digital Services Act, que algo que falaremos no outro episódio, mas eu tenho grandes esperanças para a nossa União Europeia de conseguirmos bater o pé e dizer a estas companhias americanas, não, não podes partilhar desinformação e tens de controlar isso. Pronto. Há esperança. Raquel Vareda: Vamos ver. ⁓ Pronto. próximo episódio estarei humor, malta. ⁓ Parabéns do Juan e todos nós. ⁓ Obrigado por maturarem e... fiquem bem. ⁓ Boa noite. ⁓ Juan: Esperemos que sim. Mas pronto, obrigado a todos por nos ouvirem. A Raquel será de melhor humor, eu serei o melhor marido. Mais pessoas se vacinarão. Obrigado por nos ouvirem estas horas da noite. Até para a semana.