lá fora é que é bom: e Bem-vindos ao Lá Fora, que é bom o podcast ⁓ que duas mailanilse portuguesas contam a sua história sobre ter emigrado para a Escandinávia, mais especificamente para a Suécia. Eu sou a Sarah. Eu sou a Joana e hoje vamos falar sobre a vida de imigrante e sobre todos os sentimentos, culpas e como que nós lidamos ⁓ estar longe dos nossos. Cue the violence. Cue the violence. porque hoje é capaz de dar para chorar. Ou não? Ou não? não? não? Joana, eu vou entrar a pé juntos. entrar a pé juntos. Diz-me. Se tu voltasses, fosse para que o meu tio fosse, amanhã para Portugal, qual é que tu achas que seria? Aquele que fazer mais... Exatamente. O teu deal breaker é aquilo que tu terias muita dificuldade ⁓ lidar com. Olha, barulho. Barulho? Barulho. Tipo, porque... Foi uma coisa que a minha irmã quando veio cá e os meus pais também, eles estavam tipo, constantemente a mencionar que é o silêncio que se faz na cidade onde nós vivemos, ⁓ Malmo. E eu, todas as vezes que eu agora volto, é uma coisa que me faz imensa confusão porque eu sinto que estou sempre, ⁓ Portugal, muito mais tipo... nervosa e tipo alerta. Exatamente. Tipo alerta e porque é tipo, o trânsito, é as bozinas, é o barulho, é muitos carros. E aqui é o oposto. Os passarinhos. Mas é tipo como... Só ver muitos mais carros elétricos aqui faz uma diferença que eu nunca achei que tipo... E então é uma coisa que pá, me mexe mesmo comigo quando eu volto a Portugal é... pá, é o stress. Do ram ram de ⁓ lado para o outro é muito mais stressante do que aqui para te movimentares para qualquer sítio. Portanto, eu sei que isso ia mexer imenso com minha cabecinha. Mas... sim, e tu? Eu acho que aquilo que teria mais dificuldade ⁓ lidar... até acho que seria num contexto, até acho que seria mais no contexto de trabalho. ⁓ sim. Claro. que... aquilo que mais me faz impressão cada vez que eu volto a Portugal é a chique expertise. Já falávamos isso aqui algumas vezes, cena de estar sempre a passar à frente da pessoa, cena de estar sempre... e portanto acho que isso eu não tenho saudades. Não. Mas a verdade é que, e acho que essa é a grande nota da conversa de hoje, aquilo que eu sinto, e tu estás-nos dizer se sentes a mesma coisa, é que desde que, desde que emigrei e desde que vim para a Suécia e agora que estou com ⁓ pé e meio dentro da Dinamarca e já tendo oito anos completos fora de Portugal e fora daquilo que eu considero casa, é que tu nunca mais te sentes completa. E essa é uma coisa que talvez eu pudesse ter lido sobre isso, ouvido sobre isso, mas eu acho que, ⁓ bocadinho como no Big Brother, só cantar cada vez. É que sabe. que sabe. Nunca mais de centros completos, porque... Tem saudades da tua vida de Portugal, tens saudades dos teus amigos, da tua família, da tua língua, da tua comida, da tua praia. Mas começas a viver a tua vida ⁓ outro país e começas a gostar e a habituar-te àquelas coisas novas. E quando estás longe daquilo, também tens saudades. Portanto, eu sinto que quanto mais, especialmente para as pessoas que já viveram ⁓ vários países e várias cidades, acabas por deixar ⁓ bocadinho de ti. por todos os cities onde passas e nunca mais te sentes completa. E isso eu acho que é ⁓ bocadinho ⁓ luto que também é preciso fazer. O reverse da moeda é obviamente sentes-te uma pessoa muito mais rica porque vais adquirir muito mais experiências e vais sendo confrontada com pessoas que pensam diferente, com realidades diferentes e isso eu acho nos torna pessoas mais complexas e mais interessantes. Interessantes, por espelhos de outras experiências. Mas é ⁓ bocadinho ⁓ luto de... não interessa o que é que eu venho a decidir. Eu nunca mais me vou sentir tipo a 100 % no mesmo espaço. Sim, concordo totalmente. É quase aquele sentimento de não pertencer lá nenhum. Não. Porque eu ainda estou cá na sua sessão há relativamente pouco tempo, mas eu já sinto muito isso. Sinto que... Eu estava a pensar nisso esta semana, quando estávamos a preparar e é muito... uma pessoa quando imigra, quase que... Tu vieste aos 25, 26 anos. Eu vi, eu já tinha... 33. Mas é quase tipo, foi quase como uma segunda oportunidade, não Porque tu de vida, claro que não... Não desfazendo da tua primeira vida. Não desfazendo da primeira vida. Mas porque como uma pessoa começa do zero... ⁓ tanta coisa, é? Tipo, a fazer amizades, para montares a tua casa, montares a tua vida, perceberes tudo. Parece que este segundo capítulo acaba por ter uma força e ⁓ peso maior ⁓ mim, apesar de que eu tive 33 anos a ⁓ Lisboa. Portanto, eu sinto que... que já não pertenço a lá de nenhum. Claro que quando estou ⁓ Portugal eu amo porque está lá a minha família e os meus amigos, mas não sei, eu sinto-me sempre meio esquisita e meio estranha porque acho que se calhar se eu tivesse tido a possibilidade de manter uma casa lá, conheço pessoas que se mudaram e que mantiveram a casa no seu país de origem. rendo-nos sporadicamente, ou põe-nos no Airbnb, e então conseguem voltar para ⁓ sítio que acaba por ser ainda ser delas, mas como tipo largares tudo... achas que o facto de quando voltas para casa, exemplo, dos tuos onde não tens as tuas coisas, não tens tipo teu espaço e não tens aquela alineação, ou aquilo que era antes, acaba por adicionar ⁓ bocadinho... Ao desconforto. Sim, ao desconforto e é mesmo o sentimento de que isto, tipo, situação, quando eu estou lá é super temporária, é tipo, ⁓ isto vai durar dias. Não... Então, quase que não consigo estar 100 % lá porque... Ok, então As minhas coisas não estão lá e as rotinas eu não sinto total... Não me sinto 100 % joana quando estou lá, já. Ok, mas sentes 100 % joana aqui? Não posso dizer que me sinto porque a minha família e os meus amigos não estão, mas eu sinto mais ⁓ paz aqui, mais eu agora aqui na Suécia do que quando estou ⁓ Portugal. Isso é profundo. Imagina... Isto é profundo. Ela avisou! Ela avisou! Que o da violence! Imagina que agora o governo português entra numa missão de trazer de volta... todos os seus... toda a sua diáspora. E de repente vamos passar a ser 20 milhões, é? Porque acho que somos mais ou menos 10 milhões de portugueses fora de Portugal. Portanto, teríamos todos o problema da habitação ir ⁓ adeus. Mas imagina que vem até contigo e dizem, Joana, tu fazes-nos muita falta. Tu fazes-nos muita falta e nós damos-te todas as condições para tu voltares. Quais é que eram as tuas? Quais é que eram tipo os três? grandes pedidos que tu farias para voltar para Aranha? Infelizmente eu acho que tipo o número 1 era o salário. Ok. Porque o salário que... Tinha que ser ao nível da Suécia? Tinha que ser ao nível da Suécia também. baixo, mais alto. Bem, mais alto, claro que sim. Mais alto, claro que sim. Mas se fosse mais baixo eu não sei se... se aceitava ir. Porque... Eu ter vindo para a Suécia e financeiramente isso deu-me uma vida que eu não tinha, apesar de que me tirou muitas coisas a nível de familiar e amigos, mas deu-me, acho que já disse isto, deu-me paz de espírito, deu-me a capacidade para me focar ⁓ hobbies e interesses que isso não acontecia ⁓ Portugal porque ao final do mês há a possibilidade dessas coisas, não Tipo... E então eu acho que... Claro que é... Nunca ponho... Ok, primeiro é salário. primeiro é salário. Segundo. Segundo. O trabalho sem dúvida, o work-life balance. Ok, não o trabalho ⁓ si, mas a mas tipo a qualidade do trabalho e dias de férias. Eu acho que assim, ia-me custar muito, voltar apenas a ter 22 dias de férias ao ano, porque é demasiado. Sobre duas semanas, quase. Sim, são uma pessoa que trabalha tanto ao final do ano e teres tão poucos dias de férias para aquilo que tu dás diariamente acho que é muito pouco. E sim, depois... Sim, eu acho que essas duas são as tipas maiores... Porque lá está, o salário depois afeta tanta coisa que tu podes fazer no teu dia a dia e a tua liberdade para fazer as coisas que tu gostas. Eu acho que eram assim as duas coisas. Ok, mas terceira completamente e podes pedir tudo. Podes pedir tipo... podes pedir uma casa ⁓ Santa Marta, o Eiras, diferente. ⁓ ok! Essas duas eram o que o governo... Talvez pudesse regular ou ajudar os salários. really, mas... Claro, agora, terceiro. Eu tinha que voltar, tinha que voltar a a possibilidade de voltar a viver onde eu estava a a viver ⁓ Oeiras. Sim, sem dúvida. Para mim é muito difícil pensar, tipo, esta ideia de eu vou voltar para Portugal e vou viver num outro sítio que não era aquele que eu estava vivendo antes. Ok. Não. Então eu fico aqui. E tu? Ela está ali rindo, estivestes, tipo... Eu estou a pensar... Estou a tentar comparar com as minhas. com o Tico. Exato. Porque fiz esta pergunta mas não pensei o que é eu responderia. Portanto estou a ver o que é que para mim... Olha, eu acho que para mim... Fala mais para o microfone. Pera, deixa-me rodar. E agora ao jeito. Eu acho que não necessariamente a primeira ao salário, mas obviamente, impactando diretamente o salário, acho que para ir teria que ir para uma posição interessante. ⁓ sim. Interessante não no sentido do trabalho ser muito agir e tal, mas uma posição que me permitisse influenciar as maneiras de trabalhar. Porque lá está a primeira coisa que eu penso quando penso ⁓ voltar, que para mim é ⁓ mega no-no, é para as pessoas... A cultura de trabalho. A cultura de de se estender para além das horas, as pessoas não houver ⁓ respeito enorme pelas pelos horários de cada ⁓ e de se a reunião começa aquela hora e termina aquela hora. Então é porque começa aquela hora e termina aquela hora e, portanto, acho que voltando para Portugal eu teria que voltar para uma posição com leverage, não sei muito bem como que será a melhor maneira de traduzir isto, mas voltar para uma posição com leverage que me permitisse enquanto estando numa posição talvez de mais liderança poder influenciar as maneiras de trabalhar. Ok, pessoal, somos uma equipa. Não interessa se somos de 5, de 10, de 30 ou de 100, mas estas são as minhas regras e esta é a cultura de trabalho que eu quero poder implementar. Portanto, logo aí, estando nessa posição, a partida viria com ⁓ salário mais ou menos... Semelhante... Eu estaria ok com algum corte salarial de... também a verdade é que há muitas coisas que acabam por ser mais ⁓ conta. exemplo, almoçar fora, jantar fora. vida social, muitas coisas que O ginásio, exemplo, tipo, o ginásio ⁓ Copiniaga são 100 euros, ok? Tipo, ⁓ 100 euros ⁓ Lisboa, data-se é só melhor ginásio. Enquanto aqui, o ginásio é ok, te digo assim. Portanto, há certas coisas que eu não me importava de diminuir o salário líquido, porque depois ganhavas de outras maneiras o poder de compra. Desde que poder de compra se mantivesse era mais importante para mim do que o valor. Portanto, essa seria a primeira, tipo a posição. A segunda, para como tu não necessariamente ao eras, mas que estava de... Mas só voltaria se pudesse viver onde eu quero viver. Sim. Ou eras, provavelmente. Mas também Lisboa. Há muitas zonas de Lisboa que eu adoro. Adoro o Restelo, adoro a ajuda. E, portanto, algumas zonas. Teria que poder voltar para a zona que eu gostasse de E a terceira... Difícil. É muito difícil, Eu acho que a terceira seria haver novamente com o trabalho, com a questão da flexibilidade do trabalho. Lá está. As férias, mas também os horários que aqui são mais flexíveis, o trabalhar de casa, etc. Mas lá está. Se tiveres uma posição fixe, parte do princípio... Que consegues mudar essas coisas. Mas... Mas muito boa pergunta. Tu fias-te a rádio e tu tens... ⁓ ok. Tu tens, mas foi, é verdade. E se... Tu já estás cá há oito anos já e o que que achas que mudou mais ⁓ ti desde que te mudaste? Uff... Tipo de... Que o da violin. violin. Sim, tipo, da Sarah de 25, tipo, de atitude perante, sei lá, o trabalho ou ouvir, tipo, sendo que consegues especificar algo que mudou ⁓ Eu acho que efetivamente me tornei mulher adulta, adulta premium, na Suécia. Eu vejo fotografias minhas com 25 e há uma... uma ingenuidade talvez que eu hoje ⁓ dia já não sinto tanto. seja, sinto que eu aos 25 ou 26 tinha a vida toda pela frente. E tinha, efetivamente. E é que agora não tenha. Mas tenho mais noção do tempo limitado que temos. Tipo, tenho mais noção de que... que por exemplo, eu sempre achei quando vim para cá que ia estar dois anos na Suécia e depois ia dois anos para a Espanha e depois ia dois anos para ali, talvez fosse viver para a Tailândia e talvez fosse viver para os Estados Unidos. E tinha esta ideia de que ia dar para fazer tudo e que ia dar para render muito, enquanto que hoje ⁓ dia entendo que para sequer uma coisa dessas ser possível, tu basicamente acabas por nunca viver a sério os países onde estás, porque dois anos... E tu sabes, estás agora a chegar aos dois anos, dois anos é o que demora tu a assentar. Completamente, a chegar, tipo... As primeiros dois anos nem contam, é tudo meio que uma névoa, estás sempre a contradizer a ti própria, estás sempre a... Tudo o que tu pensavas que era... Olha lá fora que é bom, aqui é que bom, a Suécia que é boa, a Dinamarca que é boa, ⁓ wait, se calhar não é tão assim. E o contrário, Portugal, meu Portugal é que muito bom. E depois apercebeste que pá... afinal é tudo ⁓ bocado podre. Tipo, ou seja, essas comparações demoram ⁓ bocadinho dois anos e eu achava que ia conseguir viver isso tudo muito. agora já meio que cheguei à conclusão. que não quer dizer que não vá viver noutros países, vou com certeza, mas já não tenho aquela ideia de que vou conseguir viver ⁓ todos os sítios que gostava. meio que compensa isso com viajar para os sítios que eu gostava de viver e tentar ter uma lista mais pequena de outros países que eu gostasse de viver. Porque tu ainda tens essa... ainda está muito presente na tua cabeça de que queres viver ⁓ outros países. ⁓ muito! Aliás, nós estávamos a falar porque estou ⁓ processo de procura de casa ⁓ Copiniaga e a Joana estava a dizer tu és maluca. Estás-te maluca, mulher? Onde é tu vais? O que tu estás a fazer? Tu tens tanta coisa para te preocupar. Vais mudar para quê? Vai-te meter numa compra tão grande e depois se decides não ficar e se decides... E isto mais porque ela está sempre a passar, está cá há oito anos e ela está sempre a dizer que está para este ir embora, basicamente. E é verdade. Portanto, ela vai de viagem, ela vai num psiquífico e vai resolver esta situação e agora isto tem de ficar resolvido, mas para quê? Estás a por isso, mas essa preocupação ⁓ tua cabeça toca calma. Tranquila. Mas a verdade é que, a verdade é que o que sinto é que se eu tivesse comprado casa quando vim para a Suécia, hoje ⁓ dia tinha uma casa comprada há oito anos ou há seis ou há cinco ou há três há dois. Enquanto que eu não posso... Estou a dizer isto. É uma sessão de terapia aqui entre nós os três, eu, tu e a nossa community. Enquanto que eu sinto que se posso e se consigo fazer esse investimento, não vou permitir que o facto de ter casa comprada, tipo, me corte as vasas, de repente surgir outra coisa que me entusiasme muito. Claro, outra oportunidade. porque a Senorinha sempre foi a carreira e o trabalho e, portanto, se de repente a Pandora... Que é agora, exato. Compre ⁓ Pandora. Compre ⁓ Pandora. Se de repente a Pandora tiver outra empresa, tiver outra... Sim, uma oportunidade que tu queres, óbvio, óbvio. Acho que isso me faria considerar. Eu não sinto que tenha amarras aqui. Não sinto que tenha amarras. Sim, isso eu acho que foi algo... Eu já partilhei que eu nunca achei que ia sair de Portugal e agora como consegui sair de Portugal e estar a viver ⁓ outro país, eu dou por mim tipo a imaginar tipo, epá, isto por acaso droga viver nos Países Baixos ou trabalhar ⁓ que tu consideras? Olha, Países Baixos, sem dúvida, acho que deve ser uma experiência incrível porque também a filosofia... A filosofia é muito parecida com a escandinávia e ⁓ termos de design há muitas coisas... posições muito fixas nos países baixos e mesmo conectado com a K &K eles têm lojas que são quase piloto, que podem explorar projetos e ideias sem seguir diretrizes globais, portanto é ⁓ desafio super interessante. Espanha, adorava, gosto imenso de Barcelona, Madrid. Adorava viver ⁓ Madrid. Não é país tão incrível atualmente, mas já disse, acho que Londres eu adorava ter a experiência de morar ⁓ Londres, apesar de ser caótico e ser ⁓ país que hoje ⁓ dia também está muito difícil para as pessoas que já lá estão e mesmo de abertura para a imigração está muito difícil. Mas ainda há estive lá e sempre que vou é ⁓ país que ⁓ relação ao meu trabalho de design retalho, tem imensas coisas interessantes. Ou seja, isto foi uma coisa que nunca tive na minha cabeça. Mas como consegui, tipo, já... Abriste essa porta. Sim, e também estou a trabalhar numa empresa que também há essa possibilidade de que vida estás dentro da IKEA para tanta coisa e manteres... os valores de trabalho, a cultura. Portanto, é uma coisa que agora está na minha cabeça e que antes não estava de todo. Eu acho que essa é a vantagem de trabalhar para empresas grandes e empresas globais e internacionais. Quando às vezes as pessoas nos perguntam, recomendas mais, somos contraladas agora, por causa do lá fora é que é bom... Quando as pessoas nos perguntam qual é a vossa dica, será que devemos procurar mais ⁓ empresas grandes ou ⁓ startups, ⁓ empresas mais pequenas, eu acho que se estão à procura enviem para todo o lado, até que seja da vossa área. Mas eu acho que a grande vantagem de trabalhar ⁓ empresas grandes e com a dimensão de uma Pandora ou de ⁓ NQA é exatamente isto que a Joana estava a dizer, é a possibilidade da mobilidade dentro da empresa. acaba por abrir muitas oportunidades. Eu estou contigo, eu gosto muito de Espanha. Interessante, que foi ⁓ país que eu sempre disse que não tinha interesse ⁓ viver, especialmente nos últimos anos. É uma desgraça, mas que tenho estado muito lá ⁓ trabalho e tenho visto as coisas de outra maneira, que é os Estados Unidos. E a Pandora é o nosso maior mercado e, portanto, por... E mesmo no meu trabalho... Todos os partners estão daquele lado, portanto acaba por haver essa possibilidade. minha chefe já disse que americana, parte da minha equipa está lá, portanto acaba por eu ver tipo quase uma conexão. E depois eu amava viver tipo ⁓ Bangkok ou tipo ⁓ Singapura. Eu adorava viver na Ásia. Não por muito tempo, mas tipo adorava fazer dois ou três anos na Ásia. Acho que esse... Acho que esse é ⁓ dos sítios que não me vai escapar. Adorava. Tenho muitos amigos que vivem no Vietnam, que adoram a experiência. E, portanto, eu adorava viver, tipo, East Asia. uns tempos. Não, eu acho que... não, não. Ai, eu adorava. Adorava visitar, mas para viver... Por exemplo, Países Baixos não me diz nada. Ai, eu adorava. É que não me diz nada. Imagina, a vantagem dos Países Baixos e, por exemplo, de Bruxelas, onde eu tenho muitos amigos... Pois é, muito grande, muito grande. Para a minha Inês, para a minha Ariane, para todos. Mas, por exemplo, a grande vantagem para mim de Bruxelas é o facto de no centro da Europa. Para mim é impressionante poderes apanhar ⁓ comboio duas horas ou duas horas e pouco, que estás ⁓ Paris. A Mestredão é igual. A Mestredão ou os Países Baixos têm essa vantagem de estarem no centro da Europa e ser muito fácil de chegar todo o lado. Enquanto que nós, nós dizemos que... Portugal está na ponta da Europa, mas olhem que a Escandinávia também. É igual. A Escandinávia também está longe de Tem a vantagem de ter bons voos para a Ásia. temos a vantagem de Copenhague ser ⁓ aeroporto muito bom para viajar para todo o mundo. Mas não deixa de ser longe. Não deixa de ser longe. O voo para Portugal são quase às vezes... Quatro horas aquilo apanha mais fila. São três horas e quarenta e cinco. Não dá propriamente para passar ⁓ fim de semana à casa. Enquanto que os países baixos pelo menos têm a vantagem de que há muitos voos para Portugal porque há muitas formas de lá chegar. Similocos é completamente diferente do que aqui na Escandinávia, tem as suas coisas boas e as suas coisas baixas. Olha então que estamos aqui nesta cena, Aqui mais sentimental. é que é? O que é que a coisa que mais te custa de viveres na Suécia, de estar longe de casa. De casa! Lá está! Eu continuo a dizer de casa. O Nuno estava sempre a chamar a atenção com o que diz, que ele diz. Eu não percebo como é tu dizes casa ⁓ relação a Portugal, afinal, tantos anos. Porque é verdade, porque lá está. Porque eu também não me sinto ⁓ casa aqui. Portanto, Portugal continua a ser o mais próximo de casa que eu tenho. Desculpa interromper-te de começares. Eu acho isso super bem interessante porque eu não chamo Portugal... Tipo, Portugal não é minha casa já. Isto aqui é minha casa. Mas tu tens... Nós já falámos que tu, como embaixadora do turismo Portugal... Exatamente. Exatamente. E tu sentes-te mesmo já fora. Há oito anos tu sentes-te ainda muito patriota. Muito. Porque é uma coisa que vem ⁓ ti. Eu não tenho de todo essa ligação. Eu gosto muito do meu país, mas gosto do meu país eu acho pela ligação... da minha família e dos meus amigos. seja, não é que... Não sei. Eu digo as pessoas para ler ⁓ Saramago, agora pensa. Ai, não. Eu nunca disse isso a ninguém. Nunca disse isso a ninguém. Agora pensa. Sim, exato. Tem muito... pronto, mas por isso é que tu és embaixadora do turismo neste duo. Sou embaixadora de todas as coisas. Mas, então, a tua pergunta foi... O que é que te custa mais de estar fora de casa? Exato. De casa? Não, eu sei. Sim, de estar fora de Portugal. Eu acho que que mais me custa é estar longe da minha família e dos meus amigos e os ver juntos e ver fotos e ver os vídeos e social media e saber que eles estão todos juntos e eu não lá estou. acho que é a ausência de não poder estar lá e ouvir e estar com eles que é o que mais me custa. nos aniversários e, tipo, nem marcar o ponto no Natal, mas, tipo, sei lá. Na minha família nós sempre, os aniversários sempre foi uma coisa muito importante e, tipo, estamos sempre juntos nos aniversários de toda a gente, nem que seja, tipo, almoçarmos todos juntos ou... Então isso custa muito e foi uma das coisas... Na minha família vocês são muitos. Sim, nós somos quatro irmãos. Portanto, isso é, tipo, é o que me custa mais e... não estar usando os meus irmãos e também que eles não estejam nos meus. Este ano os meus pais estiveram cá, mas nós fomos uma família que sempre fizemos festas ⁓ casa dos meus pais. Tipo, nós já não estávamos a viver com os meus pais, mas as nossas festas de anos eram ⁓ casa dos meus pais e os amigos vêm todos e é uma grande festa até às tantas da noite. Isso é o que me faz mais falta e que o que me custa mais. E claro, depois ver os meus amigos falsos, falsianas, juntos, e eu não estou lá. publicarem. Audácia! Não, mas isso é o que me... Não, a grandeza dos pequenos momentos, é? Tipo a cena do dia a dia, sem dúvida. A espontaneidade. E para mim eu acho que, e parte disto é culpa minha, que é... não é parte toda minha, que é eu, como tu sabes, como muitos de vós sabem, eu sou péssima a responder às mensagens ou... a K-Pop e a fazer check-in. Ou até faço check-in, mas depois não consigo manter a conversa durante muito tempo. E portanto, acabo por ser uma pessoa que eu vivo intensamente e tu sabes também que quando eu estou contigo estou corpião e não estou distraída. E também sou uma pessoa de palavra, que é importante que se diga, que se eu digo o que vou fazer, eu vou fazer. Se eu que vou aparecer, eu apareço. E portanto, a minha love language é muito mais de quality time e de tempo de qualidade ao vivo. A tocar a pessoa, a falar, abraçar, a beijar. E portanto custa muito porque sinto que os meus amigos têm que ser muito mais coniventes. com a minha ausência do que se eu estivesse lá. Claro. Eu não sou muito boa a conseguir fazer o check-in todos os dias ou demandar mensagens de bom dia ou te perguntar como é que as coisas... E portanto, acabo por pôr muita pressão também sobre mim mesma quando vou a Portugal de tentar fazer tudo, de tentar compensar, de tentar estar presente e acabo por pôr muita pressão sobre mim própria. o que faz com que isto é ⁓ ótimo segue para ⁓ dos nossos próximos temas, que é o facto de muitas vezes voltarmos de Portugal mais cansadas do que quando fomos. Sem dúvida. É tipo... Eu sinto que ir Não sou férias? Não sou férias, não. É muito... Eu adoro ir, mas eu volto com o sentimento de, porquê que eu fiz isto ⁓ 2004? Exato. A respirar fundo e a mentar... fundo, sim. Porque... Eu tenho... Eu já comecei a marcar coisas porque eu quero tanto estar com as pessoas que marco jantares para todos os dias e depois chego e refilo do que fiz, mas dou por mim sem pensar a outra vez tudo novo. Sem dúvida. queres estar com as pessoas e queres vê-las e queres ser presencial e não toda uma mensagem é uma videochamada. E então, por mim, eu vou para Portugal duas semanas e eu tenho... coisas todos os dias. Sim, completamente. E depois, é ⁓ problema também, é? Porque muitas vezes acabas por estar a olhar para a relógio enquanto estás com as pessoas, porque tens que ir para a próxima, tens que ir ao cabeleireiro, tens que ir às análises ou vais te encontrar com outro amigo e acabas por colocar muita pressão e depois há sempre, para mim, há sempre ⁓ sentimento de culpa de não conseguir chegar a todo o lado. Isso é particularmente difícil quando estamos a trabalhar a partir de lá, porque então aí não rende praticamente nada, porque acabas por só ter as horas que te sobram. Isso para mim é provavelmente das... portanto eu já tenho culpa de não estar presente não só fisicamente, mas no dia dia. E depois quando estou lá, sinto culpa de não conseguir chegar à tua agenda. Relaxar. Sim, não. Sim, chegar a toda a gente. Sim, tempo que se calhar deste para ti próprio para relaxar e tipo até ir de férias, ahm, queres encaixar tanta coisa que não dá. Por isso, eu tento encaixar o máximo de coisas quando eu estou a trabalhar remotamente. Que é para depois tipo, eu impus isto destas últimas férias de verão é tipo, olha, eu vou duas semanas tipo ao Garve. E não estou para ninguém nessas duas semanas. E não estou porque precisava mesmo descansar. Então fui duas semanas anos ⁓ teletrabalho. Pai, tentei encaixar na maior parte das coisas, tipo todas. Às vezes era almoço, jantar, coisas combinadas. Para tentar estar com as pessoas. E fazer coisas e não é só. E não é suficiente. Pois às vezes também parece muito... É fogaz. Às vezes eu sinto-me culpada porque parece que é Estás só a marcar o ponto, quase. Claro que tu estás lá e estás presente, mas tipo, estás com esta pessoa, marca ⁓ jantar e é quase marcar o ponto. Eu vim esta vez, jantámos juntos e para a próxima é quase a visita de médico, sempre. ⁓ sim, mas por acaso uma coisa que me traz alguma... algum descanso, algum conforto é o facto de muitas vezes os meus amigos me dizerem assim, eu vejo demais a ti. Estás fora do que ao resto do pessoal, exemplo. Porque as pessoas... Nós ficamos com esta sensação porque estamos lá há pouco tempo, mas muitas vezes o pessoal também não se encontra porque têm as suas próprias vidas. Portanto, às vezes, sei lá, eu estou quatro meses fora ou seis meses fora e as pessoas dizem... literalmente... Estou-te a ver a ti agora e foi a última vez que estive com o resto do pessoal, foi quando tu estiveste cá também. Portanto, isso traz-me a algum conforto que é tipo, ok, se calhar se eu estivesse lá não era por isso que nos víamos muito mais. E depois, efetivamente, acaba por ser uma forma de peneirar os real ones. É verdade. Há muitas pessoas que foram ficando pelo caminho, mas os meus verdadeiros amigos mantiveram-se ao longo dos anos e já vieram cá visitar-me, algumas mais que uma vez. E foram as pessoas que não é só que aceitaram, mas que abraçaram esta minha experiência fora. E tu meio que querias uma lista de VIP. Completamente. As pessoas que tu tens que ver. E as pessoas que tu moves montanhas para ver. Sem dúvida. Por exemplo, tenho uma amiga que vive no Algarve. Eu vou ao Algarve todas as vezes que tiver que ir para estar com ela e ela vem a Lisboa de propósito para estar comigo. A Inês, por exemplo, também vive fora, quando estamos as duas ⁓ Portugal, ela é de leria, a arranja maneira de se ver, ou seja, tu priorizas muito mais. Completamente, sim. E, por exemplo, a minha amiga Helena, ela diz, diz-me tu, diz-me tu quando é que podes. Sim, sem dúvida. Diz-me tu quando é que podes e eu arranjo maneira. E isso acaba também por fortalecer a relação, tipo... Sem dúvida, porque parece que é muito mais intenso e muito mais... verdadeira porque estão tipo os dois lados a muito. Sim, sem dúvida. Isso é tipo fazer acontecer porque o teu amigo, a tua amiga vai lá. Diz, diz, Não, não, tu, diz tu. Não, eu... mas nisto de sentires que és visitante ou de casa tu... tu... sentes que não há duas versões de ti então, tipo quando... porque lá a uma Sara e quando estás aqui a outra Sara. Assim, Para joia eu acho, e já disse isto, eu acho que a Sara ⁓ inglês é tipo ⁓ bocadinho diferente. Sim, mas tu acabas por também ter uma vida ⁓ português, por... Porque tenho... ter ⁓ amigo companheiro. Português? Não, e... Companheiro, gente disse. Que companheiro é uma senhora de 70 anos. Que conheceu a senhora... O meu samba. Ai, desculpa, o teu samba é português? Sim. E no fundo, grande parte do meu núcleo de amigos cá, aliás, 80 % é português. Tu és portuguesa, a Vanessa é portuguesa, a Martinha, a Bia, o João, a Carol, todos eram portuguesas e depois há uma porcentagem mais pequenina de pessoas de fora. Mas a verdade é que eu acabei por criar uma comunidade e ⁓ núcleo muito português. Engraçado que no início, hoje ainda isso não acontece, mas no início, quando eu andava sem saber à procura da minha tribo e das minhas pessoas, eu lembro-me de pensar, imagina, sei lá, tarde no jantar com o pessoal, não sei o e de eu pensar, eu nunca na vida seria amiga destas pessoas, back at home, sabes? É ⁓ bocadinho a necessidade que te junta aquelas pessoas, pronto. Sabes, haver ⁓ pessoas, portuguesas e não, que pensava, tipo, as pessoas estarem a falar e eu, com todo o respeito, posso ser ⁓ pessoas, obviamente, impecáveis, não Sim, mas não clica. A energia não vai Não era isso, que eu não seria... nós não teríamos nada ⁓ comum fora de vivermos na Suécia e termos este... Isso tem a mundo vivermos neste país ou de trabalharmos nesta empresa. Ok. Eu acho isso super interessante porque isso espalha muito das nossas personalidades. Por exemplo, achas que nós seríamos amigas ⁓ Portugal? Acho. ⁓ ok, era ⁓ teste e tu passaste. Acho. Era ⁓ teste e tu passaste. Acho. Mas pessoas, o que é que dizer? Eu percebo que tu estás a dizer, mas eu acho interessante isso daí nós sermos diferentes e por isso é que também nós demos méritos, porque é tipo... Eu quando estava a falar desta segunda oportunidade quase, eu acho que foi uma das coisas que eu fiquei tipo, levei para mim, que é tipo, eu não estou para bullshit. Eu não vou fazer frets. Se eu não gostar da pessoa eu não vou... pá! Não vou fazer filmes! E então, que as amizades mais fortes que eu tenho eu conheci através do trabalho, mas foi porque as nossas energias e interesses clicaram... Muito. Mas houve muitas pessoas que eu conheci no início e, tipo, que eu percebi logo que aquilo não ia dar. E por mais que eu me sentisse muito sozinha no início, apesar de ter o LeDawn que estava cá comigo, foi uma coisa que eu... Sei lá, tipo a Joana que vive na Suécia, tipo, eu tive muito isso presente que, tipo, eu não ia... Pá, não estou para aturar cenas. Mas se calhar também porque tavas numa outra fase. Não, eu estava sozinha. Não desprezes o pacto... Não, não me desprezo. É isso que eu estava a dizer, de Leon. Mas se calhar se fosse agora... Tu também meio... Tu presidente da Câmara. É, só és presidente da Junta e da Câmara. Portanto, tu se calhar ias fazer a mesma coisa. Às eu já não tenho essa postura de todo. Eu sou a pessoa que nós vamos ao restaurante. Se a pessoa que está a servir é portuguesa, digo, fica com o meu número. Manda-me uma mensagem e eu aviso quando forem os Jogos do Mundo de Alta. Isto é verídico! Isto é verídico! Isto é verídico! Eu não sou pessoa... conheci o Nuno por me dirigir a ele e dizer, eu ouvi falar português. E tu? Eu não sou essa pessoa. Eu sou o oposto. Eu sou o oposto! Tu ouves falar português e tu evitas! Olá, gracias! Estás assim cara, Joana? Não, não. Claro que não. Eu não faço isso. Mas eu não sou... Não, não faço isso. Eu continuo. Ou seja, se eu estou out and about, estou falar ⁓ inglês com as pessoas, só se eu tiver a comentar, pode ler. Não, mas pode ler. Mas se eu não ouvirmos falar português, nós abrimos os olhos ⁓ para o outro e ficamos tipo... Pai, às vezes, a maior parte das vezes são famílias e isso. Desculpa, Sara, eu não sou essa pessoa. Está pronto? Não tens que ser. Eu não estou a fazer frets. Não tens que Eu estou como eu sou, não vai fora é que é bom. Ai que linda! Vamos fazer ⁓ clipe disso. Não julguem! Ou julguem, façam o que quiserem! Tipo, eu não consigo ser essa pessoa. Espera, fazer ⁓ igual que é para gente usar isto. Isto começou, no lá fora que é bom. Yes! Às vezes eu gostava de ser ⁓ bocadinho mais como tu e a minha mãe também adorava que eu fosse ⁓ bocadinho mais como tu. Porque tipo, tu... Eu acho que nós clicamos muito, és super parecida nestas cenas de... de falares e contas e ouves falar português e vais lá dizer... a minha mãe é tal e qual. Por isso é que, se calhar, a minha mãe ser assim é que eu virei a boneca e sou o contrário. Admira-te. Sou quase o contrário. É verdade. Olha, minha mãe não dá muita conversa. muito simpática, mas não dá muita conversa. Portanto deve ser isso. E a minha mãe, que eu estava tipo cá mesmo, eu estava tipo... A minha mãe, ela queria falar inglês, que era para começar já a fazer perguntas. Cheia de portanto. Tu és cheia de dúvida presidente da câmara, a minha mãe também é presidente da câmara. E eu, nesta questão daqui da família, eu tenho, eu escrevi com uma pergunta que era para te fazer e quando eu tipo, eu depois parei ⁓ momento para refletir para mim, né, se tu me devolvesse essa pergunta e fiquei tipo uf! Mas que é tipo, o que é que mais difícil para ti explicar a quem ficou ⁓ Portugal sobre a tua vida na Suécia? O que é que te custa? Agora sim. Traga os violinos. Uff, essa pergunta é lixada. Ou seja, se calhar queres dar, se das uma resposta honesta ou não, ou se camuflas alguma coisa porque não queres que fiquem tristes ou que se sintam tipo... Não, eu acho que talvez... Aquilo que eu já não tento explicar é muitas vezes aquela ideia de... Veio os copos que eu bebo, mas não veio os tombos que eu dou. é? Ou seja, isso é muito potenciado pelas redes sociais. Eu publico pouco, ao contrário da nossa blogueirinha linha. Eu publico pouco, mas obviamente quando publicar alguma coisa, por exemplo, nas redes sociais, ou viagens ou são sempre momentos positivos, é? E portanto, acabamos por criar esta bolha de positivismo e de living the high life in Don't get me wrong. Eu acho que sou altamente privilegiada e sou muito grata no universo, é a mim, circunstâncias, à vida por me ter permitido ter escolhido aquilo que foi o melhor para mim e que até agora tem sido o melhor para mim. Mas a verdade é que quando alguém faz comentários de tu não paras, tu também para aquilo que tu ganhas, estás muito bem no trabalho. Mas aquilo é 1 % daquilo que eu vivo. Há todo ⁓ blood, sweat and tears que ninguém vê e que não sai... não é fácil. Agora, se eu não trocaria a dificuldade pelo retorno, não, não ficaria. isso é que, voltando ao início da nossa conversa, por isso é que neste momento voltar para Portugal não é uma opção, a menos que as condições se mantivessem no geral de ⁓ lifestyle. três. Eu ser Jânia da Lâmpada, dizer, temos o programa Regressar, que eu te disse que tu não conhecias. Eu não conhecia, não, porque eu sou imigrante ainda de... Exato, mas não tens acesso ao programa Regressar. Mas acho que é isso. tipo, às vezes quando fazem esses comentários, e que eu sei que são bem intencionados, são tipo... Imagina, eu podia tentar explicar. Eu podia. Eu podia tentar explicar. tipo o reverse da moeda, o dar fora que é bom ao contrário. Mas não vale a pena, porque é o que é. E porque nós nunca vemos... na verdade eu também não tenho noção de tudo da Claro, nós nunca temos noção de tudo uns dos outros. Mas é o mais difícil. Sim, de tipo, quase engolir... Engolir ⁓ seco, porque a verdade é que... É tipo, é de género. Tens tempo? Quantas horas tens? E as únicas pessoas, na verdade, com quem eu consigo ter conversas sinceras e transparentes ⁓ relações, são pessoas que vivem fora também. São as pessoas que sabem quando eu digo... Olha... desculpa não tem mesmo dado para ligar ou desculpa mas não vamos conseguir estar juntas desta vez. Geralmente são as pessoas que estão fora que dizem, claro que sim, não tem problema, fica para a próxima. porque ainda tem a situação... Então estás mais difícil tu colocares-te no... Eu sei o que viver ⁓ Portugal, é? Mas a maioria das pessoas que pode ter ⁓ ponto de vista sobre como eu acho ou como eu vivo... dúvida. Provavelmente nunca viveu uma situação assim. Eu lembro-me... E eu vou passar exatamente a mesma pergunta para ti. Mas eu lembro-me quando vim das pessoas dizerem, e eu acho que gente falou disto logo no primeiro episódio, das pessoas dizerem, ⁓ tu és muito corajosa. Tu és muito corajosa. E eu lembro-me, pensava que havia zero coragem naquilo que eu estava a fazer, porque eu vinha à aventura. Vinha porque para mim, tipo... O mundo é deste tamanho. Eu sei que sou muito patriota, mas eu acho tipo... Há tanta coisa, Há tanta coisa para ver, tanta coisa para conhecer. Corajosa por quê? Corajosa era eu, na minha cabeça, ter ficado na minha bolha e na minha zona de conforto. Mas hoje ⁓ dia, com mais perspectiva, consigo dar razão de que é preciso alguma audácia e alguma coragem para tu deixares tudo que conheces. deixares a tua língua, deixares as tuas pessoas, deixares a tua casa, a tua família e abriste a ⁓ mundo que vai ser só desafios, só desafios, durante os primeiros dois anos, então é mais desafios do que outra coisa. E abriste a isso o tipo de corpo e alma. Portanto, acho que é ⁓ bocadinho, é preciso ⁓ bocadinho coragem. Não, eu lembro-me de dizer no primeiro episódio que eu achava que a maneira como tu vieste o passo é muito incrível porque... sendo uma pessoa bastante diferente de personalidade, eu sei que eu só tive a coragem de me candidatar porque o Leon estava on board com a situação e porque eu sei que eu nunca iria estar sozinha, porque para mim ele é o meu maior apoio. Ele sabe. Quer dizer, nós estamos juntos há quase 60 anos por algum motivo. Mas nossa. Mas ou seja, se ele não tivesse disposto ou ok com a situação, Eu nunca, tipo, eu não tinha ido ⁓ frente com as coisas porque para mim era impensável. Claro que também já estavam numa relação há muitos anos, portanto, coisas, mas eu lembro que mesmo no início, é uma coisa, eu não iria ter essa coragem para vir alone. Isso eu sei que eu não tinha estofo emocional para o tal. Eu saí de casa dos meus pais para viver com o e tipo, eu sempre... vivi com os meus irmãos todos, é uma casa cheia, eu sempre tive, tanto que nós estamos a falar de viver sozinha. Isso para mim nem entra na minha cabeça, eu sempre que ele vai para fora ⁓ trabalho eu sofro horrores pessoal, e sério. Eu adoro viver sozinha. Claro que eu gosto os primeiros dois dias porque eu vejo todas as séries com a Bridgerton, a gente... Bridgerton, Pandora and Bridgerton. Bridgerton dez vezes. Revejo as séries todas da Bridgeton e eu amo, mas depois eu sofro imenso porque... Mas sofres porque tens saudades dele ou sofres porque não gostas de estar sozinha? Não gosto de estar sozinha. Eu adoro estar sozinha. Portanto, por isso é que eu disse que foste muito corajosa porque tu sabias que eras forte o suficiente para vires on your own. Eu sei que isso não iria... Sim, não era a minha personalidade. E é por isso? que lá fora é que é bom, conta de histórias de duas milenials muito diferentes, com dois pontos de vista muito diferentes. Que com certeza se podem relacionar com pelo menos algumas Eu que sim, nós... Eu acho que também nós damos assim medos porque somos as duas Sem dúvida. fôssemos as duas muito... fôssemos muito... Somos muito parceiras ⁓ muita coisa. ⁓ trabalho eu acho que nós iamos... ⁓ também acho. Dream Team. Completamente. Tava ⁓ pau, pessoal. Não, aqui na Suécia não sei se eles iam aguentar Eles não iam aguentar pressão. Não iam. Isso, o meu, o meu sonho é trabalhar com uma pessoa assim que parecida comigo e que até agora, felizmente, ainda não aconteceu. Mas, pronto, mas também, se calhar, é por ⁓ motivo porque se não, na meio, é demasiado. Olha, mas right back at you. Responda à tua própria pergunta, se ao favor. Volta a... Sei. Eu demorei a responder, mas eu acho que o que mais me custa é explicar que gostas mesmo da tua vida no outro país. Porque é sempre tipo... Porque é sempre aquela pergunta. E estás a gostar. A sério? Sim. E eu digo, sim estou... Porque eu acho... É sempre vindo de ⁓ de coração e nunca é feita com segundas intenções, mas eu acho que também há muito esta cena de imigras e vais há muito sofrimento e claro que há, tipo era o que a Sarah dava a dizer, nós publicamos-os nas redes sociais. os momentos altos e os pontos altos, Eu nunca partilhei eu a chorar com saudades ou a ver os stories... Ou foste expulsa do teu apartamento. Quando fui expulsa, exatamente. Mas, tipo, ou quando eu estou a ver os stories da festa de anos da minha irmã e eu não vou publicar quando eu estou a vê-los e a chorar. Mas, ou seja, eu sinto que nunca digo a resposta verdadeira porque há sempre... Eu não quero magoar as pessoas que estão ⁓ Portugal. Não queres mostrar que gostas demasiado? Exatamente. Ufff! Bom, agora é quem ouviu, fico a saber. Mas a verdade é essa, porque eu acho que também ainda é tudo muito novidade e acho que vai agora fazer dois anos e ainda há muita coisa que vai assentar e ainda há tormentas certamente neste caminho aqui na Suécia. Mas a verdade é que nem eu nunca achei que fosse gostar e que tivesse tão ⁓ paz, tipo tão rápido com a decisão que eu tomei. Porque ⁓ dos maiores... e eu lembro-me de ter esta conversa com o Leon, tipo, passado sei lá, seis meses ou tipo ⁓ breakdown daqueles, mas também vem muito da casa e... que era tipo, o que é que eu fui fazer, o que é que eu fui fazer, o que é que eu fui fazer, eu não devia, mas... Eu pensei que nunca ia demorar muito tempo a sair desse mindset, de homem a homem a Deus, homem a Deus, homem a Deus. Mas pronto, felizmente. Eu sinto mesmo muito bem e muito feliz de estar da vida que tenho agora. Claro que se os meus amigos e minha família quiserem mudar para cá, isso era perfeito. Isso era o ideal. Mas... e depois vamos todos de férias para Portugal e comer e beber à grande de férias. Mas eu acho que isso é o que custa explicar mais, porque... porque, ou seja, eu gosto da vida que estou a ter, mas não deixa de ser uma vida que não está completa porque estou sem eles. Mas tu dizeres isto, eu tenho receio que as pessoas tomem porque tipo, ⁓ então ok, então tu estás a ir feliz porque... não está espertos nós ou como é que percebes o que eu estou querendo dizer. Então e achas que isso com o tempo diminui? Esta dificuldade? Essa sensação, essa dificuldade de... Essa quase culpa de custares estar fora? Aches que diminui? acho que não vai diminuir. Eu acho que vai ficando cada vez maior porque tu vais criando raízes, experiências e memórias. aqui, não é? Espero eu. Boas e mais, faz parte. E, ou seja, essa culpa de tu estares a criar raízes aqui vai ficando cada vez maior por não estares lá e por não estares perto das pessoas de quem gostas, da tua família e dos teus amigos. Então, fechamos. Bora! Com a pergunta contrária àquela com que começámos. Começámos com se o governo ou se Portugal viesse ter contigo e te desse três desejos que cumpriria para tu poderes voltar. A mesma coisa agora com a Suécia. Eu vou fazer Suécia e Dinamarca na minha cabeça. Se o governo suéco ou ⁓ geni suéco viesse e dissesse Johanna. Sim. Johana, escolhe três coisas que mudam imediatamente para tornar tipo a tua estadia perfeita, porque nós não queremos que tu te vas embora nunca. Ui, ok, então... Eu vou mandar para o Arsene, assim, rápido. Podes mudar? Exato, sim. É o que tu quiseres? Sim. Mas então, me dessem viagens, tipo viagens para a minha família e vir cá regularmente, tipo visitar-me. E também o contrário, portanto, eu tinha que de alguma maneira ter facilidade ⁓ Isso não é difícil, isso basta subir-se na empresa que isso acontece. Mais. Check. Mais, check. Comida tipo peixe fresco, sabe? Tinha ⁓ chá dourada. Tava-nos a falar da dourada. Que eu comprei uma dourada. E grelhei ela. Mas tu grelhaste uma dourada. Aqui na Suécia. Ai, mulher, tu... Que onde? Tem ⁓ grelhador elétrico. portuguesa. Tu és muito portuguesa. E tu como é que estava? E eu... Estava mais ou menos... Estava bom não. Era isso, não é? Há os adiçus que vão direto tipo do atum, do algarve. Levam-me para o Japão, Egipto de quatro horas, era isso que eu queria. A terceira. Mais... É pá, que... O vinho português custasse muito menos. É pá, então o tempo, ⁓ o tempo... É pá, não... Sabes que isso não mexe comigo! É pá, como é que é possível, Isso mexe muito mais com o vinho do que mexe com o Mexe muito comigo! Vá, 2, 3... Tempo! Tempo! Isto é o Jânia da Lâmpada, portanto, pode acontecer. Exato, tempo, tempo... Não, estou brincar. Sim, sem dúvida o tempo. Eu gostava que fosse mais perto, gostava que fosse uma viagem mais curta. Eu acho que geria muito de gente. Mordava... Isso. Olha, tipo jangada de pedra. Tipo assim. Jangada de pedra. Só que ⁓ vez de ser Portugal e Espanha no meio do Atlântico era tipo Portugal e Espanha no meio aqui do mar Báltico. E portanto ser mais perto. Dar para quase ir de fim de semana Lisboa e matar saudades mais vezes. Terceira. Gostava que as coisas, pelo menos, ⁓ Copa Iaga fossem ⁓ bocadinho mais baratas. Tipo, muito caro. Está muito caro. E portanto gostava que... Sim, para comeres ⁓ peixinho. Gosto que a coroa dinamarquesa esteja mais forte que o euro, mas está muito caro. Está muito muito caro. Portanto, é, isso. Assasteis. Boa. E já viste, não fizemos nenhum comentário sobre o suéculo, não sei o fomos muito... Hoje foi... foi... Foi mais... gosta deles. Sim, nós gostamos deles. gostamos muito deles. Nós gostamos. Sem ironias. Sem juízes. Mas acho que foi ⁓ episódio mais chegado ao coração e mais... emotivo. Sim, mais destas pequenas dores do que é ser imigrante e estar fora... Tudo bem, tudo são flores. Não. E lá fora é que bom só às vezes. Muitos dias. A grande maioria do tempo, mas... Sim, é verdade. E o que se posta nas redes sociais, como vocês já estão cansados de saber, é uma amostra. Porque as dores e os sofrimentos e todos os obstáculos, às vezes, nós guardamos para nós próprios. Mas foi o episódio desta semana. Sigam-nos! Espero que tenham estejo a gostar. Nós adorávamos saber a vossa opinião. Nós queremos saber quem vocês são. Exato! Quem é esta terceira pessoa linda, maravilhosa que se senta desse lado, que nos ouve ⁓ 1.5? Não digas isso, rapariga! Mas nós adorávamos saber se vocês têm topics ou questões que gostavam de ver esclarecidas e disponíveis. Inclusivamente que outros países, por exemplo, gostavam de nos ver explorar. Por que não? Isso! Por que não? Já sabem, olha, pode-se vir aí coisa boa. Por isso, já sabem, encontrámos-nos lá fora que é bom nas redes sociais, YouTube, Spotify e Apple Podcasts. E foi o episódio desta semana. Beijinhos!